Voto e vida – Por Alexandre Garcia

Voto e vida – Por Alexandre Garcia

O governo federal pode decidir a qualquer momento o que fazer com o que anunciou o ministro da Fazenda: a obrigatoriedade do airbag e do ABS em todos os carros novos a partir de 1º de janeiro, seria adiada por um ou dois anos.

O pretexto é que a indústria não estaria preparada para incluir esses dois dispositivos de segurança nos carros populares. O que não deve ser verdade. Uma indústria importante, como é a automobilística, não é imprevidente. Porque a exigência é de duas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito, de três anos atrás. É bom lembrar que o ABS e o airbag já têm 30 anos de existência. E são essenciais para a segurança das pessoas dentro dos veículos.

O ABS mantém a dirigibilidade do carro, mesmo em freada brusca. A roda não tranca e se pode frear e desviar de um pedestre, por exemplo. O airbag é uma bolsa de ar que se infla em centésimos de segundo, protegendo a cabeça.

O trânsito mata cerca de 80 mil brasileiros por ano. Esses dois dispositivos, junto com o cinto de segurança, podem salvar milhares de vidas. Mas o ministro Mantega parece estar mais preocupado com a inflação que seria afetada por um pequeno aumento nos carros populares, com a obrigatoriedade do ABS e airbag.

Um aumento entre 1500 e 2000 reais, que faria cair as vendas e causar desemprego no setor.

Meu amigo Silvano Valentino, presidente da Fiat no Brasil, quando era presidente da Anfavea, me mostrou, no sotaque italiano, o regulador da altura do cinto de segurança preso à coluna do carro: “Isto custa um real e cinquenta centavos, mas não equipa os carros populares.

O cinto mal-ajustado pode cortar o pescoço ou quebrar uma costela. No Brasil, a vida das pessoas é medida por sua capacidade aquisitiva. Quem só pode comprar carro popular não tem ajuste no cinto”. Isso foi há uns 15 anos. E a cultura continua a mesma. A preocupação do governo pode ser com inflação, com preço de carro popular e com voto. Mas vidas valem mais que tudo isso.

Nem deveria precisar de lei para obrigar as fábricas a protegerem a vida dos que as sustentam, comprando seus produtos. Como não deveria precisar de lei para que a pessoa se proteja. Uso cinto desde 1967.

Na época, os carros não tinham cinto nem se fabricava cinto no Brasil. Comprei um GM importado e mandei instalar no meu Karmann-Ghia, pois quem gosta de mim sou eu. O cinto me salvou a vida na colisão frontal com um caminhão.

Não consigo entender que as pessoas comprem carro pela cor ou pela aparência dos parachoques ou maçanetas. Eu jamais compraria um carro com pouco torque, sem controle de tração, sem cabina  reforçada, sem que a frente e a traseira amorteçam choques e, é óbvio, sem airbag e ABS.

Cabeças quentes – Henrique Pizzolato, que foi diretor da CUT e do Banco do Brasil, integrante das finanças da campanha de Lula, está no PT há duas décadas e fez coro com a alta direção petista: os ex-presidentes do partido, Dirceu e Genuíno e o tesoureiro Delúbio: consideram-se vítimas de um tribunal de exceção.

Estavam de cabeça quente com a prisão inesperada e não tiveram tempo de refletir: o tribunal de exceção tem 11 juízes e oito foram nomeados por Lula e Dilma.Se estivessem de cabeça fria, diriam que democracia é assim e que a grandeza do partido que está no governo é de tal forma que não interfere em outro poder, ainda que os condenados e presos tenha sido da mais alta hierarquia da agremiação.

E Genuíno não gritaria “Viva o PT!” ao se entregar, para não jogar a pecha da
condenação transitada em julgado sobre o partido. Foram oito anos de investigações, direito de defesa e julgamento. Não podem se queixar.

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