Um gosto amargo – Por Alexandre Garcia

Um gosto amargo – Por Alexandre Garcia

O IBGE acaba de informar que a inflação de 2013 foi 5,91%. Quase 6%. E seria mais se a Petrobras não tivesse sido sacrificada com o retardo da atualização de preços, o mesmo acontecendo com o transporte urbano. A meta do governo era de 4,5%. Muito ruim para o trabalhador, que não tem dinheiro sobrando para aplicar e eplo menos empatar nas perdas, e também para os milhões de titulares do FGTS.

O Fundo de Garantia murchou, porque teve uma correção de 3,5%. A poupança nova, 5,8%; a antiga, 6,3%. Quem aplicou com CDB, CDI ou Tesouro Direto, ganhou pouco mais de 1% em 2013, já que esses investimentos financeiros renderam de 6,2% a 7%. Só ganhou quem investiu em dólar, que se valorizou 15,3%, dando uma renda líquida de 9,39%. O trabalhador que está endividado ainda amargou uma perda de quase 6% do salário que passou por suas mãos.

Pior do que isso é inflação com falta de crescimento. O resultado do PIB foi pífio, embora menos ruim que a decepção do ano anterior. Agora foi 2,3% e em 2012, 1%. Estamos entre os de pior resultado na América Latina e abaixo da média mundial. Não houve a retomada prometida e o que nos salvou foi a agropecuária, com um incremento de 5,1%, safras recordistas e ultrapassando os Estados Unidos na produção mundial de soja, com ganhos em produtividade.

Tudo isso a despeito do MST, da Funai, do Ibama, do Incra, dos fiscais do trabalho e da previdência – todos parecendo gente com vontade de importar comida, em vez de exportar, como estamos fazendo e segurando também a combalida balança comercial. O único incentivo foi o financiamento subsidiado de máquinas.

A indústria cresceu menos da metade do PIB e o setor de serviços teve desempenho medíocre, igual ao percentual do PIB. O consumo das famílias, que o governo estimulou, perdeu fôlego e os investimentos não foram suficientes para alavancar o PIB. A política fiscal, do Ministério da Fazenda, foi errática, com maquiagens para atingir metas, o que elevou a desconfiança. Como a inflação de dezembro chegou quase a 1%, o Banco Central já se prepara para elevar a taxa Selic de juros.

Houve entrada de 65 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos, mas não o suficiente para equilibrar o balanço de pagamentos. De fato, houve uma saída líquida de mais de 12 bilhões de dólares, a maior desde 2002, ano em que se esperava a eleição de Lula.

É assim que entramos em 2014, o ano dos feriados, da Copa, das eleições. Ano em que o governo nada fará que tenha gosto amargo. Aliás, o gosto amargo da inflação e suas consequências serão temperados pelo Carnaval, o futebol e as promessas eleitoreiras. Depois estoura no colo de quem ganhar a eleição, em 2015, e nos bolsos de todos nós.

Celebração do atraso – Assisti à queima de fogos em Copacabana, do alto do 26º andar, no meu quarto de hotel. À medida que espocavam e se abriam em ramalhetes de cores, os fogos arrancavam exclamações e vivas da multidão.

Enquanto isso, bandos de ladrões surrupiavam celulares, carteiras, bolsas, do povo que olhava para o céu, extasiado. Segurança pública não existe, mas pensamos que é assim mesmo. Não temos noção de como o nosso país é inseguro. Os 9 milhões de brasileiros que foram ao o exterior ano passado, boa parte voltou sem comparar o mundo civilizado com o semi-selvagem. A maior parte só sabe que no exterior existem lojas com preços menores que os do Brasil. Ano passado deixamos por lá 25 bilhões de dólares. Só para comparar, dinheiro suficiente para comprar 200 Gripen para a Força Aérea.

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