Para tucano, envolvimento de ‘figurões’ atrasou investigações

Para tucano, envolvimento de ‘figurões’ atrasou investigações

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), disse nesta terça-feira que a Procuradoria Geral da República retardou a investigação de denúncias contra o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, porque há “figurões da República” envolvidos no caso.

Dias lembrou que as investigações no Ministério Público tiveram início para apurar a ligação de Cachoeira com Waldomiro Diniz, ex-assessor de José Dirceu e pivô do primeiro escândalo do governo Lula –por isso o procurador teria interesse em manter o caso em suspenso.

“É importante conhecer o inteiro teor do inquérito porque há especulação de que figurões da República estariam também envolvidos e por essa razão não se tem conhecimento do teor do inquérito”, disse.

Demóstenes Torres – DEM-GO

Ao ser questionado sobre quem seriam os “figurões” envolvidos com Cachoeira, Dias disse não ser possível fazer “nenhuma ilação” neste momento. “Ocorre que essa ‘questão Cachoeira’ vem desde os tempos de Waldomiro Diniz”, afirmou, em referência ao ex-assessor de José Dirceu flagrado recebendo proposta de propina do empresário. O caso, que ficou conhecido em 2004, foi o primeiro escândalo de corrupção do governo Lula.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse não ser possível afirmar que há outros parlamentares ou autoridades envolvidas com os negócios de Cachoeira. “O inquérito é sigiloso, eu não sei de nada.”

PROCESSO POLÍTICO

Apesar da pressão sobre o Ministério Público, os senadores descartam por enquanto a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) —que manteve uma série de conversas com Cachoeira em um telefone celular habilitado para falar exclusivamente com o empresário.

“O Congresso não trata de crime, não trata de decoro. O Congresso pode apreciar em um processo distante o decoro com base nos documentos da Procuradoria”, disse Pinheiro.

Dias negou que tenha sido deflagrada no Senado uma “operação abafa” para preservar o mandato de Demóstenes. Mas admite que a investigação política só terá curso se o Ministério Público formalizar investigação contra o senador. “Para que nós possamos adotar no Congresso providências que digam respeito a parlamentares, nós temos conhecer o inteiro teor deste inquérito. Não há da nossa parte nenhum propósito de condescendência.”

AFASTAMENTO

Demóstenes pediu nesta terça-feira para deixar a liderança do DEM no Senado. Em meio às denúncias de ligação com o empresário, ele enviou carta para o presidente do partido, senador José Agripino (DEM-RN), formalizando o pedido para se afastar da liderança.

“A fim de que eu possa acompanhar a evolução dos fatos noticiados nos últimos dias, comunico a Vossa Excelência o meu afastamento da liderança do Democratas no Senado Federal”, afirmou em carta de três linhas endereçada a Agripino.

O presidente do DEM afirmou que a bancada do partido no Senado vai se reunir para escolher o novo líder na Casa. “Quem vai assumir é quem a bancada decidir”, disse Agripino.

Abatido, Demóstenes passou a manhã em seu gabinete no Senado, mas não circulou pelos corredores da Casa. O democrata procurou líderes partidários para pedir apoio político. Disse que espera o julgamento criminal pela Procuradoria Geral da República, mas espera ser poupado de um processo no Conselho de Ética do Senado –que poderia lhe acarretar a perda de mandato.

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