Todo mundo quer ganhar na Mega-Sena. Mas você gostaria que seu nome fosse divulgado?

Todo mundo quer ganhar na Mega-Sena. Mas você gostaria que seu nome fosse divulgado?

Projeto de lei do senador Paulo Bauer (PSDB-SC) prevê que toda pessoa que ganhar um prêmio na Loteria terá o nome revelado publicamente 90 dias após a premiação

Quem nunca imaginou como gastaria os milhões que ganharia na Mega-Sena? Viagens, carro novo, casa dos sonhos, viver de renda são só alguns dos planos que os potenciais milionários costumam fazer. Mas já pensou se para ganhar essa bolada o seu nome fosse obrigatoriamente divulgado? Pois é isso que pode acontecer caso um projeto de lei do senador Paulo Bauer (PSDB-SC) avance no Congresso.

A proposta de Bauer vale para qualquer tipo de loteria – das tradicionais do governo federal até mesmo para outras iniciativas de estados e municípios. O PL-412/2017 prevê a divulgação do nome, número do CPF e domicílio dos ganhadores dos prêmios no máximo 90 dias após a realização dos sorteios.

A explicação do senador é simples: mais transparência ao processo pode evitar boataria de fraudes nas loterias. “Sabemos que as loterias sempre foram alvos de denúncias por estarem supostamente sendo usadas como um meio de lavagem de dinheiro”, escreveu Bauer na justificativa do projeto.

Ele relembra o caso dos anões, no escândalo de roubo de recursos da União, nos anos de 1990. Na época, houve uma CPI que apontou o deputado federal João Alves, que pertencia ao PRP da Bahia na época, como o articulador do esquema. A fraude era cometida pelo deputado e laranjas que atuavam para ele. Para justificar o seu alto padrão de vida, ele alegou que ganhava na loteria costumeiramente: 221 vezes, para ser mais exato. Ele acabou renunciando ao mandato em 1994, para escapar da cassação e da perda de direitos políticos, mas não voltou a se candidatar. Ele morreu em 2004, aos 85 anos.

Bauer também cita o caso de desvio de prêmios não retirados pelos apostadores – e que deveriam ser destinados ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Desventura, em 2015, que desmantelou a quadrilha especializada em fraudar as loterias da Caixa. De acordo com a PF, o grupo teria desviado mais de R$ 60 milhões em bilhetes premiados.

“Mais recentemente, por ocasião do sorteio da Lotofácil da Independência, o maior prêmio pago por esta loteria no ano (até setembro de 2017), foi curioso o fato de que três acertadores foram de cidades bem próximas na Bahia, Catu, Feira de Santana e Ibirapitanga, todas na mesma rodovia, o mesmo tendo ocorrido com os ganhadores de Aparecida, Barueri e São José dos Campos, todas cidades próximas de São Paulo, o que levanta suspeitas, em ambos os casos, de que o apostador seja um só”, continua o senador.

Ele ainda diz “que diante de tantos casos de desvios, fraudes e corrupção que assolam o país, não se pode desconsiderar a hipótese de que isso esteja acontecendo, de fato, com os jogos das loterias”. Em entrevista à rádio Senado, Bauer ainda afirmou que em “países desenvolvidos” os vencedores das loterias sempre têm os nomes divulgados.

A proposta está na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), aguardando designação do relator.

 

Com Informações do Portal Gazeta do Povo

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