Tenho uma ideia para os tucanos – Por Reinaldo Azevedo

Tenho uma ideia para os tucanos: que tal enfrentar os adversários em vez de fazer futrica contra aliados? Não se zanguem: e só uma sugestão…

Na minha coluna desta sexta, na Folha, aponto a tibieza e as irresoluções dos potenciais adversários de Dilma em 2014 e escrevo: “Por que os não-petistas que escolheram Dilma em 2010 deveriam escolher um tucano em 2014? Essa pergunta precisa de resposta”. Muito bem! Abro o Estadão desta sexta e dou de cara com a seguinte manchete de página: “Serra ajuda a aproximar PPS de Campos”.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Não vou aqui duvidar da apuração de ninguém. Quem escreveu certamente ouviu pessoas da política. Passaram-lhe informações ou opiniões que lhe permitiram fazer tal afirmação. Eu falo pouco com políticos, como eles sabem. Escrevo sobre o assunto neste blog, hospedado na VEJA.com, e na Folha, mas, como costumo dizer sempre, a minha fonte é mais a lógica do que os operadores da área. Políticos falam com jornalistas na esperança de ver a sua versão triunfar. Quem acaba sendo mais convincente ou verossímil ganha. Verossimilhança, como é sabido, é critério eficiente para a arte dramática, para a ficção. As ciências sociais só fazem sentido porque entre o verossímil e o verdadeiro existe a realidade.

Alguém realmente acha que o deputado Roberto Freire (SP), presidente do PPS, e o governador Eduardo Campos, que preside o PSB, precisam de José Serra como intermediário para conversar? Alguém realmente acha que esses dois políticos pernambucanos precisam do auxílio de um tucano de São Paulo para tratar da eleição de 2014? Ah, tenham paciência! Não fosse, então, Serra, eles não se falariam?

Um dia antes de anunciar a aliança com o PSB, Marina Silva tinha praticamente agendado um encontro com o comando do PPS, que queria lhe oferecer a sigla — que já havia apostado que o próprio Serra poderia ser o nome da legenda caso deixasse o PSDB. Já faz algum tempo que os tucanos não são tratados como a primeira opção do PPS. Podem vir a ser, mas, creio, isso tem de ser conversado.

Assim…

Assim, de onde nasce essa história de que Roberto Freire precisa que Serra seja o intermediário de um eventual entendimento seu com Eduardo Campos? A hipótese, com todo o respeito, chega a ser ridícula. Digo de onde nasce: DA INCAPACIDADE DE ALGUNS TUCANOS DE PARAR DE FAZER FUTRICA. Creio que nunca se viu nada parecido na política. A determinação com que alguns deles se entregam à fofoca é espantosa e chega a ser quase comovente na sua tosca ingenuidade.

Vamos fazer um teste? Leiam o noticiário que diz respeito aos tucanos — inclusive as colunas de notas que tratam dos bastidores da política —, excluam os textos que façam referência ao embate (ou não embate) entre José Serra e Aécio Neves e vejam o que sobra. Quase nada! Faço aqui um convite aos tucanos: QUE TAL GERAR NOTÍCIAS QUE ESTEJAM RELACIONADAS AO PAÍS E QUE, COMO É O ÓBVIO E O NATURAL NA POLÍTICA, CONTESTEM OS ADVERSÁRIOS? Não lhes parece bacana?

Essa conversa mole só prospera porque plantada num deserto de ideias, o que é lamentável para o país, uma vez que se trata do maior partido de oposição.

De resto, há dados de uma objetividade escandalosa. Aécio não tem o controle de praticamente 100% do partido? Tem. Não será o candidato se quiser? Será. Não é, inclusive, o senhor do tempo, podendo antecipar decisões?  Sim! “Ah, é que ele gostaria de contar com o apoio do Serra…” Bem, se gostaria, parece que algo não anda muito bem nas conversas. Com absoluta certeza, a plantação de que este tenta empurrar o PPS para o colo de Campos não ajuda muito — e o hortelão dessa notícia não foi, quero crer, um “serrista”.

Os tucanos deveriam acordar de manhã e se impor algumas missões:
a: prometo não plantar nenhuma notícia contra outro tucano;
b: prometo dizer por que nós somos melhores do que o PT;
c: prometo tentar convencer os brasileiros não petistas a votar na gente;
d: prometo deixar claro o que não funciona no governo Dilma;
e: prometo tentar arrumar novos aliados em vez de perder os que já temos;
f: prometo tentar ser notícia no embate com petistas, não com tucanos.

Evidentemente, essas minhas sugestões procedimentais têm como alvo a conquista da Presidência da República. Se o objetivo, no entanto, for outro e se limitar à tomada do aparelho partidário, com a eliminação de qualquer contestação, bem, nesse caso, os tucanos estão no caminho certo.

Tendo a achar que o eleitorado de oposição merece um pouco mais de consideração.

 

Por Reinaldo Azevedo

 

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