Temos um Defensor! – Por Dom Moacyr

Durante o mês de maio, dedicado à piedade mariana, celebramos Maria, a “grande protagonista da historia”, cuja devoção faz parte da “identidade própria” dos povos da América Latina (DP 282-303; MC 56). “Mãe atenta ao Filho de Deus que veio armar sua tenda entre nós” (A. Gonçalves) e sempre atenta às injustiças e aos acontecimentos que afetam o povo de Deus. Ela, que sempre favoreceu o encontro entre a fé e a história dos povos, é “a primeira cristã e também a primeira revolucionária dentro da nova ordem” (M. Thurian).

Dom Moacyr Grechi - Arcebispo Emérito de Porto Velho
Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho

Maria reúne a comunidade na oração e na espera do Espírito, em vista da futura missão: a de incendiar o mundo com o fogo de Cristo (C.Boff). A “cristã perfeita” (K.Rahner) permaneceu junto aos apóstolos e sua presença foi deveras significativa, quando em Pentecostes desce sobre eles o Espirito Santo, sob forma de línguas de fogo (At 1,12-14; 2,1-4). Sua missão particular é a de ser a Mãe da comunidade: presente no coração da comunidade eclesial, orando por ela, estimulando-a em seu apostolado e animando-a no meio das perseguições.
Filha de um povo, Mãe da Igreja, companheira da comunidade, honrada com inúmeros títulos, “Maria é sempre caminho que leva a Cristo”, por isso, invocamos com SantoAnselmo: “Ó gloriosa Senhora, faz com que por ti mereçamos chegar até Jesus, teu Filho, que por teu intermédio se dignou descer até nós” (MM, SM, Paulo VI).
A Arquidiocese de Porto Velho está se preparando para celebrar a Festa de Pentecostes no dia 19 de maio. OEspírito Santo é a alma da Igreja.É no Espírito Santo que se aperfeiçoa a união da Igreja com Cristo e da Igreja com todos os seus membros.
A Igreja, nascida com a Ressurreição de Cristo, manifesta-se ao mundo pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes. “Marcada e selada “com Espírito Santo e fogo” (Mt 3,11), continua a obra do Messias… o mesmo e único Espírito guia e fortalece a Igreja no anúncio da Palavra, na celebração da fé, no serviço da caridade (DAp 151).
Com o tema “Na força do Espírito, envia-me”, Pentecostes 2013 é a vinda do Espírito Santo na Igreja de Porto Velho, convocando o Povo de Deus para a grande “festa missionária que alarga o nosso olhar para o mundo inteiro” (João Paulo II), pois, “o Senhor continua derramando hoje sua Vida pelo trabalho da Igreja que, com “a força do Espírito Santo enviado desde o céu” (1Pd 1,12), continua a missão que Jesus Cristo recebeu de seu Pai (Jo 20,21; DAp 151).
É na força do Espírito Santo, que somos enviados a evangelizar, a partir de Jesus Cristo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo (Objetivo Geral das Diretrizes da Igreja).
É na força do Espirito Santo e “pela sua eficaz presença” que “Deus assegura sua proposta de vida para homens e mulheres de todos os tempos e lugares, impulsionando a transformação da história e seus dinamismos” (DAp 151).
É na força do Espirito Santo que os discípulos de Jesus são fortalecidos para continuarem sua missão. Como anunciadores da verdade do evangelho, encontram oposições por parte dos que seguem as propostas do mundo. A paz de Deus não significa ausência de conflitos.
No Evangelho de hoje (6º domingo da Páscoa) Jesus afirma: “O Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14,23-29). Sim, Jesus envia o Espirito Santo como advogado da comunidade cristã, pois “a causa dos pobres é a causa de Deus” (Gutierrez).
É na força do Espirito Santo que os jovens estão sendo convocados para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro (23-28/7), assumindo o lema com espírito missionário: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). Ao responder com o profeta Isaías: “Eis-me aqui. Envia-me”! (Is 6,8/CF 2013), tornam-se protagonistas no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna, fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz. Mostram a verdadeira face da Igreja e anunciam a esperança num futuro melhor.
No dia 12 de maio, solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja celebra o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, com o tema: “Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização”. Como já é tradição, os profissionais da comunicação, se encontrarão na Catedral, às 8h para celebrar, refletir e se confraternizar. São nossos comunicadores que, através dos meios de comunicação social, “contribuem para favorecer formas de diálogo e debate e ajudam a reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana”(Mensagem do papa).
Na semana que antecede a Solenidade de Pentecostes acontece no Brasil a edição 2013 da Semana de Oração para a Unidade dos Cristãos (12-19/5), com o tema: “O que Deus exige de nós?”.  Nos demais países, a Semana de Oração já foi realizada de 18 a 25 de Janeiro.
Inspirado em Miquéias 6,6-8, o material foi elaborado pelo Movimento de Estudantes Cristãos da Índia, envolvendo a Federação de Universidade Católica e o Conselho Nacional de Igrejas na Índia. No processo de preparação, a reflexão ficou centralizada no contexto de grande injustiça em relação aos dálits (párias), sendo que a busca pela unidade visível não pode estar dissociada do desmantelamento do sistema de castas e do apelo às contribuições para a unidade dos mais pobres entre os pobres.
A estrada do discipulado cristão leva a trilhar o caminho da justiça, da misericórdia e da humildade. É essa caminhada que liga os oito dias de oração porque comunica o dinamismo que caracteriza o discipulado cristão.
Caminhar em diálogo (1º dia) trata da importância do diálogo e conversação, como meio de superar barreiras. (Gn 11,1-9; Sl 34,11-18; At 2,1-12; Lc 24,13-25).
Caminhar com o corpo ferido de Cristo (2º dia) reflete a solidariedade entre Cristo crucificado e os “povos feridos” do mundo, procuramos, unidos como cristãos, aprender mais profundamente a viver essa mesma solidariedade (Ez 37, 1-14; Sl 22,1-8; Hb 13,12-16; Lc 22,14-23).
Caminhar para a liberdade é o tema do 3º dia no qual se celebra os esforços das comunidades oprimidas de todo o mundo, quando elas protestam contra o que escraviza os seres humanos (Ex 1,15-22; Sl 17,1-6; 2Cor 3,17-18; Jo 4,4-26).
Caminhar como filhos da terra (4º dia) significa clarear a consciência do nosso lugar na criação de Deus que nos leva à união, na medida em que vamos percebendo a interdependência de uns com os outros e com a terra. Contemplando os urgentes apelos de cuidado com o meio ambiente e com a necessidade de adequada partilha e justiça no uso dos frutos da terra, os cristãos são chamados a dar efetivo testemunho (Lev 25,8-17; Sl 65,5b-18; Rom 8,18-25; Jo 9,1-11).
Caminhar como amigos de Jesus (5º dia) nos ajuda a compreender que nossa condição de amigos de Deus tem consequências nos relacionamentos dentro da comunidade cristã, onde são incoerentes todas as barreiras que geram exclusão (Cant 1,5-8; Sl 139,1-6; 3Jo 2-8; Jo 15,12-17).
Caminhar além das barreiras (6º dia), pois caminhar com Deus significa ir além das barreiras que dividem a humanidade. As leituras bíblicas deste dia contemplam várias maneiras pelas quais as barreiras humanas são superadas (Gl 3,28; Rt 4,13-18; Sl 113; Ef 2,13-16; Mt 15,21-28).
Caminhar em solidariedade (7º dia). Caminhar humildemente com Deus significa caminhar em solidariedade com todos os que trabalham pela justiça e pela paz. Caminhar em solidariedade traz consequências não apenas para os crentes individualmente, mas para a própria natureza e missão da comunidade cristã inteira (Num 27,1-11; Sl 15; At 2,43-47; Lc 10,25-37).
Caminhar em celebração (8º dia) como um sinal de esperança em Deus e na sua justiça. A celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é sinal de esperança de que a nossa unidade será conseguida no tempo e pelos meios que pertencem a Deus (Hab 3,17-19; Sl 100; Fl 4,4-9; Lc 1,46-55).

 

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