TEM DE DAR CERTO – Por Artur Neto

A Conferência Rio 92 foi um marco e um anúncio: novos tempos teriam de vir, se quiséssemos mesmo preservar condições de vida dignas no planeta Terra. Nela, ficou estabelecido que, 20 anos depois, realizar-se-ia nova rodada, seja para se fazer o necessário inventário de medidas que pudessem ter sido adotadas, seja para abrir espaço para ideias e propostas novas.

Pois a chamada Rio+20 é neste ano. Chegou a hora.

Lamentavelmente, problemas básicos continuam pendentes. A questão da mobilidade urbana permanece como delicado gargalo. A criminalidade é uma chaga. A capacidade hoteleira da antiga capital federal continua sendo sensível vulnerabilidade. Pouquíssimos taxistas são bilíngues.

Artur Virgílio Neto é Diplomata e foi líder do PSDB no senado

E, desafortunadamente, ainda surgiu o problema político que é a completa desmoralização do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, envolvido até a raiz dos cabelos com a empreiteira Delta, que detém o grosso dos contratos de sua gestão, obtidos ilicitamente. A Delta, aliás, é a menina dos olhos dos mais de nove anos de consulado petista. É a principal empreiteira do PAC. De pequena e insignificante, por obra de “milagre$”, virou a sexta maior do país, em seu ramo.

Mas o governador Sergio Cabral, que tem sido exibido, em horário nobre, ao vivo e a cores, dançando na boquinha da garrafa, às custas do dinheiro público, em Paris, cercado de corte corrupta e debochada, será um dos anfitriões da relevante Conferência. Em 1992, o Presidente Fernando Collor estava caindo, a peso do escândalo simbolizado pelos achaques de Paulo Cesar Farias. Vinte anos após, o governador fluminense é apanhado com a boca na botija da mais desavergonhada mancebia entre sua administração e seu parceiro, sócio, sei lá!, Fernando Cavendish, o tal dono da Delta Construções.

O que o povo brasileiro fez para merecer tudo isso? Jogou pedra na cruz? Tem mesmo de passar por tamanho vexame, duas décadas depois do primeiro?

Os estrangeiros devem achar mesmo que o país do carnaval, que nem mais do futebol é, protagoniza cenas de roubalheira explícita e de barbárie cotidianamente. Claro que devem pensar assim. Rio 92 = escândalo. Rio+20 = escândalo de novo.

Até quando?

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