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Parlamentares tucanos criticam FHC e o próprio PSDB

O clima de insatisfação entre parlamentares tucanos ficou mais evidente após o racha no partido antes do segundo turno da eleição governamental em São Paulo.

O deputado federal Fábio Sousa, do PSDB de Goiás, não gostou da declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no fim de semana.

FHC afirmou que “Bolsonaro vai prejudicar imagem do Brasil no exterior”, conforme noticiou a Renova Mídia.

O parlamentar Fábio Sousa escreveu no Twitter, com ironia:

Segundo O Antagonista, a deputada federal Shéridan Oliveira foi mais uma tucana a fazer duras críticas públicas ao seu partido.

“O PSDB passou 2017 mais preocupado com quem ocuparia a cadeira de presidente do partido do que como o partido ocuparia as eleições”, escreveu a parlamentar no Twitter.

 

Com Informações do Renova Mídia

FHC acena com apoio do PSDB a um eventual governo de Marina Silva

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acenou à candidata Marina Silva, do PSB, com um apoio que poderia dar governabilidade a ela em um eventual governo.

Na manhã deste sábado (30), antes da missa de sétimo dia do empresário Antônio Ermírio de Moraes, FHC disse à reportagem que o PSDB poderá entrar na base aliada do PSB, caso Marina seja eleita.

FHC-625x390“Deixemos ela ser eleita primeiramente, depois decidiremos”, falou, após ser questionado sobre o desempenho da candidata nas pesquisas.

Segundo a última pesquisa Datafolha, publicada na sexta-feira (29), Marina Silva aparece empatada com a presidente Dilma Rousseff, do PT, com 34% das intenções de voto. Em um possível segundo turno, a candidata pessebista venceria com dez pontos de vantagem, com 50% a 40%.

“As pesquisas mostram uma inegável tendência de crescimento da Marina, embora elas representem um quadro momentâneo sobre a eleição”, ponderou.

Desempenho da economia

FHC também comentou sobre o desempenho da economia brasileira no primeiro semestre. Com quedas de 0,2% e 0,6% do PIB (Produto Interno Bruto) nos primeiro e segundo trimestre, o país está tecnicamente em recessão.

“Era previsível o mau desempenho da economia. O governo atual fez a atividade descarrilar”, afirmou.

De acordo com ele, as políticas atuais estão equivocadas, mas não especificou quais decisões tomadas pelo governo levaram a tal quadro. “Mudaram nossa matriz macroeconômica com políticas equivocadas”, afirmou.

Por fim, o ex-presidente comentou a morte do empresário Antônio Ermírio de Moraes. “Infelizmente perdemos um líder do tipo que o Brasil precisa. Não se escondia e opinava sobre o que achava ser possível melhorar. Doou seu tempo a causas sociais, escreveu peças e artigos, sempre de interesse do Brasil”, concluiu Fernando Henrique.

 

Fonte: Portal do Amazonas

FHC muda discurso e diz que apoia CPI para investigar Petrobrás

Ex-presidente diz em nota que o pré-candidato Aécio Neves ‘conduzirá o tema em nome do PSDB’

BRASÍLIA – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso mudou o discurso e disse neste domingo, 23, que apoia a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar como se deu a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás. Em nota, ele afirmou que o senador Aécio Neves, presidente do partido e pré-candidato à Presidência da República, deve conduzir o tema em nome do PSDB, após a revelação feita pelo Estadode que a presidente Dilma Rousseff admitiu que desconhecia detalhes importantes do negócio, como uma cláusula que obrigava a estatal a comprar os 50% restantes da refinaria, se assim quisesse a sócia no empreendimento, a belga Astra.

Fernando Henrique Cardoso
Fernando Henrique Cardoso

“Os acontecimentos revelados pela imprensa sobre malfeitos na Petrobrás são de tal gravidade que a própria titular da Presidência, arriscando-se a ser tomada como má gestora, preferiu abrir o jogo e reconhecer que foi dado um mau passo no caso da refinaria de Pasadena. Pior e fato único na história da empresa: um poderoso diretor está preso sob suspeição de lavagem de dinheiro”, disse FHC, em nota divulgada no site do PSDB.

FHC, que governou o País entre 1995 e 2002, antecedendo Lula no cargo, defendeu na semana passada uma investigação técnica do tema. Hoje, em nota informou que endossa a criação da CPI e a posição de Aécio, que deve disputar com Dilma as eleições de outubro.

“Sendo assim, mais do que nunca se impõe apurar os fatos. Embora, antes desse desdobramento eu tivesse declarado que a apuração poderia ser feita por mecanismos do Estado, creio que é o caso de ampliar a apuração. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, conduzirá o tema, em nome do partido, podendo mesmo requerer, com meu apoio, uma CPMI.”

Veja a íntegra da nota:

“Os acontecimentos revelados pela imprensa sobre malfeitos na Petrobras são de tal gravidade que a própria titular da Presidência, arriscando-se a ser tomada como má gestora, preferiu abrir o jogo e reconhecer que foi dado um mau passo no caso da refinaria de Pasadena. Pior e fato único na história da empresa: um poderoso diretor está preso sob suspeição de lavagem de dinheiro.

Sendo assim, mais do que nunca se impõe apurar os fatos. Embora, antes desse desdobramento eu tivesse declarado que a apuração poderia ser feita por mecanismos do Estado, creio que é o caso de ampliar a apuração. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, conduzirá o tema, em nome do partido, podendo mesmo requerer, com meu apoio, uma CPMI.

Afinal é preciso saber por que só depois de tudo sabido foi demitido o responsável pelo parecer que induziu a compra desastrada da refinaria nos Estados Unidos e que relações havia entre o diretor demitido e o que está preso. Afinal, trata-se da Petrobras, empresa símbolo de nossa capacidade técnica e empresarial.”

O Estadista – Por Daniel Martins

Fernando Henrique Cardoso ainda é o grande nome do PSDB para tirar os ‘‘petralhas’’ do poder.

Usando uma frase muito usada por Lula, ‘‘Nunca antes na historia desse país’’ o Brasil cresceu tanto, isso falando de 1994, quando ali surgia o ‘‘Plano Real. ’’

Passamos por uma fase que trocávamos mais de moeda do que de presidente, com medidas radicais para controlar a inflação e a hiperinflação que chegava aos 2.700%, sem falar também do confisco.

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Fernando Henrique Cardoso nos trouxe o Plano Real, que estabilizou a moeda, domou a hiperinflação e recuperou o crescimento econômico, passamos a ter moral lá fora e sermos visto com outros olhos lá fora.

FHC como é conhecido, nunca foi do povão, nunca foi de oba, oba, mas sem duvida, foi e sempre será um estadista, isso que o Brasil teve muito pouco. Depois dele, não tivemos outro, e nada me faz acreditar que Aécio Neves será esse novo estadista.

Depois de anos e anos, o PSDB vem com a imagem de FHC estampada em sua nova tentativa de tirar os ‘‘petralas’’ do governo e chegar a presidência, parece que agora os tucanos acordaram para a vida, Fernando Henrique Cardoso volta a ter vez e voz no partido, não que ele não falasse, ou até mesmo não aparecesse, mas os seus colegas de partido deixaram sua história política e econômica de lado, lembrando que até hoje ela é de muita importância para esse país.

Nos últimos 12 anos o PSDB só pegou pancada, não soube fazer oposição, e deixou Lula e sua trupe fazer o que bem quis no país, não conseguiu tirar Lula logo que explodiu o escândalo do mensalão, dos aloprados, sanguessugas e muitos outros que vieram.

Um partido incompetente e sem um pingo de moral oposicionista a um governo que muito rouba e que dá poucas explicações.  Também não teve forças quando era preciso, para cuidar do país, quando os ministros da Sra. Dilma Rousseff roubavam e eram chamados na Câmara e no Senado para prestares dos devidos esclarecimento e eram blindados pelo PT.

Mérito a quem tem mérito: Reconhecer a importância política e econômica de FHC, ainda que duas décadas depois, é um grande passo, assim podemos ver o quanto ele foi importante na economia brasileira que vinha de fortes criticas dos oposicionistas, que hoje são (situação), na época acusavam dizendo que era um golpe mortal para a economia do país, mas que economia era essa, que o país só vivia endividado? Mudava de moeda mais do que mudava de presidente, hoje em dia, se o atual governo libera o credito para que a dona de casa possa e o IPI é reduzido o ano inteiro, nada disso teria acontecido se não fosse à ousadia e a experiência de FHC.

O Plano Real de Fernando Henrique, que hoje  nos dar credito, casa, carro e até permite o atual governo comprar votos legalmente com suas ”bolsas” e muito mais, apesar de estarmos com uma economia bem comprometida e cheia de mentiras, estamos bem na frente do que éramos antes dele.

Precisamos de mais presidentes como FHC, que pensa na próxima geração e não na próxima eleição.

 

Por Daniel Martins / Blog do Daniel

O Legado de Fernando Henrique Cardoso – Por Rachel Sherazade

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Fernando Henrique Cardoso era e ainda é o nome mais expressivo do PSDB.

Nunca foi populista, mas é um dos poucos estadistas que o Brasil conheceu.

Finalmente, seu legado político e econômico começa a ser resgatado por seu partido que nos últimos 12 anos tem se mostrado incompetente como oposição.

É preciso fazer justiça a FHC. Reconhecer, ainda que 20 anos depois, a paternidade da estabilidade da moeda e do crescimento econômico do Brasil.

Nada disso seria possível se não fosse o Plano Real de Fernando Henrique.

Antes dele, a inflação chegava a incríveis 2.700%.

Passamos por uma sucessão de planos desastrosos, com congelamento de preços, confisco de poupança… Até que o então Ministro da Fazenda de Itamar Franco nos trouxe o Plano Real, que estabilizou a moeda, domou a hiperinflação e recuperou o crescimento econômico, estagnado há tantos anos.

 

Acompanhe o Blog da Rachel Sherazade

Mudar, com pé no chão – Por Fernando Henrique Cardoso

As pesquisas eleitorais estão a indicar que os eleitores começam a mostrar cansaço. Fadiga de material. Há doze anos o lulo-petismo impõe um estilo de governar e de se comunicar que, se teve êxito como propaganda, demonstra agora fragilidade.

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Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente da República.

Toda a comunicação política foi centralizada, criou-se uma rede eficaz de difusão de versões e difamações oficiais pelo país afora, os assessores de comunicação e blogueiros distribuem comunicados e conteúdos a granel (pagos pelos cofres públicos e pelas empresas estatais) e se difundiu o “Brasil Maravilha”, que teria começado em 2002.

Ocorre que a realidade existe e que às vezes se produz o que os psicólogos chamam de “incongruências cognitivas”. Enquanto os efeitos das políticas de distribuição de renda (criadas pelos tucanos) eram novidade e a situação fiscal permitia aumentos salariais sem acarretar consequências negativas na economia, tudo bem. O cântico de louvor da propaganda encontrava eco na percepção da população.

Desde as manifestações de junho passado, que pegaram governo, oposição e sociedade de surpresa, deu para ver que nem tudo ia bem. A insatisfação estava nas ruas, a despeito das melhorias inegáveis do consumo popular e de alguns avanços na área social.

Foto: AFP

É que a própria dinâmica da mobilidade social e da melhoria de vida, e principalmente o aumento da informação, geram novas disposições anímicas. As pessoas têm novas aspirações e veem criticamente o que antes não percebiam. Começam a desejar melhor qualidade, mais acesso aos bens e serviços e menos desigualdade.

O estopim imediato da reação popular foram os gastos da Copa, o custo do transporte, a ineficiência, a carestia e a eventual corrupção nas obras públicas. Ao lado disso, a péssima qualidade do transporte urbano, da Saúde, da Educação, da segurança, tudo de cambulhada.

Alckmin deixa Aécio sozinho em giro paulista

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), decidiu não participar dos primeiros dois grandes eventos que o senador Aécio Neves (MG), presidente de seu partido e potencial candidato dos tucanos ao Palácio do Planalto, protagonizará no interior do Estado.

O mineiro vai iniciar uma série de viagens pelo país e pretende estar, ao menos a cada dez dias, em São Paulo.

Alckmin avisou a Aécio e ao presidente estadual do PSDB, Duarte Nogueira, que não poderia acompanhar o mineiro nem ontem, em Ribeirão Preto, nem hoje, na festa do Peão de Boiadeiro, principal rodeio do país.

Aécio Neves e José Serra
Aécio Neves e José Serra

“Ele [Alckmin] tem uma agenda no domingo em três cidades e, além disso, dado o atual conjunto de variáveis, sua aparição poderia ganhar um viés eleitoral. Então o governador optou por tratar a situação com o excesso de zelo que lhe é característico”, disse Nogueira.

O “atual conjunto de variáveis” a que o presidente do PSDB de São Paulo se refere é o clima de tensão que se instalou no partido desde que o ex-governador José Serra (PSDB) passou a indicar mais enfaticamente que pretende disputar a Presidência da República pela terceira vez, mesmo que tenha que passar por prévias.

A candidatura de Aécio é dada como certa pela cúpula do PSDB, que passou, contudo, a admitir a realização da consulta interna para não melindrar as pretensões eleitorais de Serra.

A ausência de Alckmin é simbólica. O governador sinaliza que não fará gesto de apoio ao mineiro enquanto Serra estiver no páreo.

Ontem, Aécio se reuniu com cerca de 300 pessoas, em Ribeirão Preto, entre prefeitos aliados do PSDB e dirigentes de partidos.

Hoje, vai a Barretos, para a “queima do alho”, concurso gastronômico disputado por comitivas de tropeiros.

FHC

Enquanto Alckmin dá sinais de que não pretende tomar partido na disputa interna, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é mais enfático no alinhamento aos planos do senador mineiro.

Ontem, em reunião com Aécio em São Paulo, FHC afirmou que poderá acompanhar o aliado em viagens estratégicas pelo país.

O apoio explícito de FHC, além do alcance interno no tucanato, é importante estrategicamente para Aécio na interlocução com o empresariado, por exemplo.

O ex-presidente tem intermediado encontros do mineiro com donos de empreiteiras e bancos, além de economistas e intelectuais.

Também no encontro de ontem foi discutido o atual cenário político.

Fernando Henrique trabalha para firmar uma espécie de “pacto de convivência” entre o mineiro e Serra, para preservar o partido até que se defina o destino do ex-governador paulista. Até outubro, ele decidirá se migra para o PPS.

FHC deve ser eleito hoje imortal

Para ser eleito, o candidato precisa de 20 votos (metade do número de imortais mais um)

 Fernando Henrique Cardoso
Fernando Henrique Cardoso

O ex-presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso concorre hoje à cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras, vaga desde a morte de João de Scantimburgo, aos 97 anos, no dia 22 de março. A eleição será no Petit Trianon, no Rio de Janeiro. Ele foi o primeiro a se candidatar e é favorito entre 11 concorrentes.

Para ser eleito, o candidato precisa de 20 votos (metade do número de imortais mais um). Se ninguém atingir a meta, é realizado um segundo escrutínio no mesmo dia. Depois, uma terceira e quarta votação, ali mesmo. Caso não haja consenso, uma nova eleição é aberta.

Disputam a cadeira com Fernando Henrique Cardoso, Felisbelo da Silva, J.R. Guedes de Oliveira, Gildasio Santos Bezerra, Jeff Thomas, Carlos Magno de Melo, Eloi Ghio, Diego Mendes Souza, Alvaro Corrêa de Oliveira, José William Vavruk e Arlindo Vicentine. A última imortal eleita foi Rosiska Darcy de Oliveira. / M.F.R

 

PSDB tenta ‘descobrir a melhor vanguarda’

Para FHC, o partido, com 25 anos, tem de entender que as ruas foram tomadas pelo povo não operário e classe média; ‘O PSDB os representa’

Ao completar 25 anos, o PSDB, principal partido de oposição, tenta aproveitar o momento de desgate do governo e encontrar uma bandeira para demandas levantadas nas recentes manifestações pelo País. Ainda perdidos sobre o rumo a seguir, os tucanos dizem querer evitar o oportunismo político, mas criticam a gestão Dilma Rousseff e ensaiam discurso com termos como “gestão” e “eficiência” dos serviços públicos, em resposta às cobranças surgidas nos protestos.

FHC e Aécio Neves na Sala São Paulo durante festa de aniversário de 80 anos do ex-presidente em 2011
FHC e Aécio Neves na Sala São Paulo durante festa de aniversário de 80 anos do ex-presidente em 2011

“Cabe ao PSDB entender que há coisa nova hoje. Quem está na rua hoje não são os sindicatos ou os trabalhadores, mas um misto de povo não operário e classe média. Basicamente, são eles que o partido representa”, disse ao Estado o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em março declarou que o PSDB precisava de um “banho de povo”.

Fora do poder desde 2002 e com três derrotas para o PT na tentativa de voltar ao Planalto, o PSDB se prepara para lançar o senador Aécio Neves (MG) candidato a presidente. Em busca de uma plataforma, iniciou o resgate de bandeiras do partido da Era FHC, entre elas o controle da inflação e as privatizações.

As manifestações dos últimos dias, porém, levaram líderes do PSDB a buscar um ajuste no discurso e a criar uma narrativa palatável para a população. “O PSDB tem de ser liberal do ponto de vista do comportamento, encampando teses novas, e social do ponto de vista do que o Estado tem de fazer, seguindo a visão de um Estado social não corporativo. O desafio é vestir essa roupa e propagar essa ideia. Um partido, ou mesmo seu líder, não tem de seguir a tradição, mas descobrir qual é a melhor vanguarda”, disse FHC.

A conjuntura política tornou mais urgente a necessidade de encontrar um discurso, dizem os tucanos, e de fortalecer a legenda como opção em 2014, revertendo o distanciamento “das ruas”. Segundo dados do Ibope, em dezembro de 1998, na Era FHC, a legenda vivenciou o auge de popularidade, com 10% da preferência dos eleitores. Esse porcentual caiu para a metade em 2012.

“Os partidos não estão mais em sintonia (com as demandas da sociedade). Temos de criar uma agenda para frente”, disse o deputado Sérgio Guerra (PE). Para os tucanos, os índices de abstenção em 2012 já davam sinais da insatisfação da população. O 2.º turno na capital paulista teve a maior abstenção desde 1992:19,99%.

“Estamos atentos aos problemas vividos pelo Brasil real, muito diferente do que nos é vendido pela propaganda do governo. Queremos apresentar ao País um modelo de gestão comprometido com a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros”, disse Aécio ao Estado ao adotar o discurso da gestão.

“Do Plano Real para cá, o Brasil prosperou muito, mas o Estado não correspondeu em melhorias de serviço para suprir demandas da sociedade”, disse o presidente do PSDB-SP, Duarte Nogueira. O governador de Minas, Antonio Anastasia, também destacou a questão. “Importante reconhecer que há uma série de deficiências e precariedades no funcionamento e na prestação de serviços públicos”, disse o tucano ao falar do “momento em que o País vive uma crise de legitimidade das instituições”.

Reformas. Para o ex-governador Alberto Goldman, é necessária a agenda de reformas. “O PSDB deve colocar o seu objetivo – consolidar e radicalizar a democracia no País – como sua tarefa principal, através de profundas reformas.” Para o governador do Paraná, Beto Richa, o partido precisa aumentar a interlocução com os movimentos sociais e “abrir canais para discussão de assuntos aparentemente embaraçosos junto a entidades, sindicatos, universidades, escolas.”

O ex-deputado Arnaldo Madeira admite a dificuldade de atender aos anseios das ruas. “Não se tem formulação sobre o que se quer nem lideranças que expressem esse descontentamento. Sobra para todos.”

 

É mentira que o STF nunca tenha suspendido tramitação de projeto no Congresso com liminar – Por Reinaldo Azevedo

É mentira que o STF nunca tenha suspendido tramitação de projeto no Congresso com liminar. Em 1996, Marco Aurélio paralisou PEC da Previdência. E com liminar!

Ah, escarafunchar a jurisprudência no site do Supremo Tribunal Federal pode fazer bem ao jornalismo! A gente não precisa ficar à mercê de abelhudos, de opiniões ad hoc e de professores que não têm paciência para… escarafunchar o site do Supremo.

Não é que eu acabo de encontrar aqui uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello suspendendo nada menos do que a tramitação da PEC 33-A? E olhem que não era uma “pequizinha” qualquer, hein. Era a PEC da Reforma da Previdência! Já chego lá. Vocês vão ver quem são seus autores… Antes, algumas considerações.

 

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Demonstrei aqui, ontem, que, segundo jurisprudência do próprio STF, os parlamentares têm legitimidade ativa para impetrar mandados de segurança junto ao tribunal quando o processo legislativo viola disposições constitucionais. Assim, é improcedente a afirmação de que seria descabido um mandado de segurança para suspender a tramitação de um projeto de lei.

Ora, quem recorreu contra o texto que coíbe a formação de novos partidos é um senador da República — Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A liminar foi concedida por Gilmar Mendes porque entendeu que o projeto viola uma interpretação conforme a Constituição. Sendo assim, essa interpretação não pode ser mudada por legislação ordinária. Quando o tribunal, por 9 a 2, decidiu que o PSD tinha direito ao tempo de TV e à verba do Fundo Partidário correspondente aos parlamentares que abrigara, não se estava privilegiando o partido por causa da boa lábia de Gilberto Kassab. O que se fazia era dar uma “interpretação conforme a Constituição”. E “interpretação conforme a Constituição”, amiguinho, Constituição é. A menos que se faça, então, uma emenda e se mude a Carta.

Assim, errou o ex-ministro Carlos Velloso quando disse que nunca tinha visto nada parecido. Não só vira como fora relator de um caso. E errou o professor de direito da USP Virgílio Afonso da Silva, que escreveu um artigo tentando acusar Mendes de se comportar de maneira inusitada e coisa e tal.

Marco Aurélio
Eu tenho uma boa memória da reforma constitucional que FHC tentou fazer porque acompanhei a coisa de muito perto. Editei um caderno especial na Folha sobre o assunto. Em abril de 1996, eu já tinha pedido demissão do jornal e estava empenhado, com outros colegas, na criação de uma revista (“República”), mas continuei bastante ligado ao tema. E tinha aqui a memória de que Marco Aurélio Mello havia suspendido a tramitação da reforma da Previdência. Teria a minha memória me traído?

Traiu nada! Foi isso mesmo! Sim, senhores! Para desaire de Carlos Velloso e do professor Virgílio (ainda bem que não foi ele a orientar Dante nos círculos do inferno, hehe…), Marco Aurélio reconheceu a legitimidade (e estava certo; eram legítimos mesmo) dos parlamentares para impetrar o mandado de segurança. E descartou, expondo lá os seus motivos, que aquilo pudesse ser uma “interferência do Judiciário no Legislativo”.

Atenção!
O governo FHC não chiou!
O PSDB não chiou!
Ninguém acusou o Supremo de invadir a competência de um outro Poder.
E, CLARO, NÃO HAVIA A IMPRENSA SUJA, FINANCIADA POR ESTATAIS E PELO GOVERNO FEDERAL, PARA INVESTIR NA CONFUSÃO. E era um tempo, também, em que, no geral, não era o pensamento que corria atrás das palavras. Antes, as palavras é que tentavam alcançar o pensamento.

Mais: também não se fazia ainda o jornalismo do “diz-que-diz-que”. Fulano diz que é legal; fulano diz que é ilegal. E pronto! Já dá para ir tomar umas cervejas. Tanto quanto possível, a orientação era não deixar o leitor na areia, coitado!, evidenciando, afinal, o que dizia a lei.

Sim, Marco Aurélio concedeu a liminar — íntegra aqui — a mandado de segurança (22.503) impetrado por um grupo de deputados de oposição. Listo nomes de oposicionistas de 1996. Alguns deles são hoje, claro!, governistas e agora reclamam que Gilmar Mendes está se metendo no Legislativo… Eles gostaram quando quando Marco Aurélio concedeu a liminar. Vejam a lita dos impetrantes. Volto para encerrar:
Deputados Federais Jandira Feghali (PC do B/RJ), Sérgio Miranda (PC do B/MG), Matheus José Schmidt Filho (PDT/RS), Sandra Meira Starling (PT/MG), Alexandre Aguiar Cardoso (PSB/RG), Agnelo Santos Queiroz Filho (PC do B/DF), Aldo Silva Arantes (PC do B/GO), Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho (PT/SP), Haroldo Borges Rodrigues Lima (PC do B/BA), Humberto Sérgio Costa Lima (PT/PE), Inácio Francisco de Assis Nunes Arruda (PC do B/CE), José Aldo Rebelo Figueiredo (PC do B/SP), Luiz Lindbergh Farias Filho (PC do B/RJ), Maria do Socorro Gomes Rodrigues (PC do B/PA), Miro Teixeira (PDT/RJ) e Ricardo Krachineski Gomyde (PC do B/PR).

Encerro
Ontem, desmoralizei a ideia de que mandado de segurança era um instrumento descabido para suspender tramitação de projeto de lei ou de emenda. Hoje, desmonto a falácia de que nunca antes na história do Supremo houvera sido dada liminar que interrompesse um processo legislativo. A prova está aí.

Como se vê, mato a cobra, mostro a cobra, o mandado de segurança e a liminar.

Por Reinaldo Azevedo