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Parlamentares tucanos criticam FHC e o próprio PSDB

O clima de insatisfação entre parlamentares tucanos ficou mais evidente após o racha no partido antes do segundo turno da eleição governamental em São Paulo.

O deputado federal Fábio Sousa, do PSDB de Goiás, não gostou da declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no fim de semana.

FHC afirmou que “Bolsonaro vai prejudicar imagem do Brasil no exterior”, conforme noticiou a Renova Mídia.

O parlamentar Fábio Sousa escreveu no Twitter, com ironia:

Segundo O Antagonista, a deputada federal Shéridan Oliveira foi mais uma tucana a fazer duras críticas públicas ao seu partido.

“O PSDB passou 2017 mais preocupado com quem ocuparia a cadeira de presidente do partido do que como o partido ocuparia as eleições”, escreveu a parlamentar no Twitter.

 

Com Informações do Renova Mídia

Na CUT, Lula confronta: “Mídia sustentou ditadura”

Bem humorado e iniciando um discurso com histórias para “aliviar a alma”, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras críticas à mídia tradicional durante evento de lançamento dos 30 anos da CUT (Central Única dos Trabalhadores) nesta quarta-feira 27, em São Paulo. Em sua avaliação, os movimentos sindicais precisam parar de reclamar por não terem saído no jornal, nem ganhado destaque na mídia. “Esses formadores de opinião pública defenderam a ditadura”, disse Lula.

lula_olimpO ataque prosseguiu: “Essa gente nunca quis que houvesse eleições, só publicaram os protestos da Diretas Já quando já havia 300 mil nas ruas, só publicaram quando já estávamos na rua”, disse o ex-presidente. Segundo ele, o ideal é que se formasse um pensamento coletivo em relação à mídia, ao invés de cada um dizer o que pensa separadamente. Dessa forma, seria criada a mídia dos “do andar de baixo”.

“Por que a gente não começa a organizar a nossa mídia? Ao invés de cada um ficar falando o que pensa, por que não organizamos um pensamento coletivo? Nós podemos fazer isso”, defendeu, num discurso entrecortado por aplausos. Em mais uma provocação à imprensa, o petista disse ainda que muitas vezes são realizados protestos da sociedade ignorados pelo grandes jornais, mas que “quando é contra o governo, sai”.

 

Fonte: Blogdafloresta

Debate entre os candidatos a prefeitura de Manaus

Debate levanta problemas de Manaus e candidatos repetem propostas.

Temas como a água, esgoto e educação estiveram em pauta no primeiro debate ocorrido na noite de hoje com candidatos à Prefeitura de Manaus.

O terceiro e o quarto blocos tiveram a participação de jornalistas que fizeram perguntas aos candidatos. Em resposta, os prefeituráveis falaram sobre projetos de mobilidade urbana, revitalização do Centro da cidade, trânsito, transporte coletivo e segurança, entre outros.

Na maioria dos blocos ficou evidente que alguns candidatos tinham propostas repetidas, a exemplo da tarifa social, quebra de contrato com a concessionária responsável pelo abastecimento de água na cidade e a construção de creches e projetos voltados ao empreendedorismo. Um pequeno conflito entre cabos eleitorais marcou o final do debate, que durou mais de duas horas, e necessitou da interferência da Polícia Militar (PM) para conter os mais exaltados.

Primeiro debante entre os candidatos a prefeitura de Manaus

Alguns aproveitaram o espaço para divulgarem apoios políticos, a exemplo da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), candidata do governador Omar Aziz (PSD) e que tem o partido da presidente Dilma Rousseff, o PT, em sua coligação. Os demais candidatos, mesmo os de oposição, aproveitaram a brecha para afirmarem que, se eleitos, também buscarão parcerias com os governos federal, estadual e até apoio financeiro internacional.

O deputado federal Henrique Oliveira (PR) abriu o bloco reafirmando a manutenção de programas sociais já em andamento e ironizou quando falou sobre água, corroborando que, a exemplo do Leite do Meu Filho, idealizado pelo atual prefeito Amazonino Mendes (PDT), criará o “Água do Meu Filho”, referindo-se à população que sofre com a falta de água nas torneiras.

Alfinetando o ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB), o deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB) aproveitou seu tempo para relembrar que o adversário político foi o único prefeito de capital que não foi reeleito em 2008.

Serafim, por sua vez, comentou que durante o tempo em que esteve fora da prefeitura estudou os problemas da cidade e, entre as soluções que precisam ser implementadas, está o aumento da velocidade média dos ônibus, que hoje é de 12 quilômetros por hora, adotando tecnologias como a sinalização inteligente e retomando projetos de sua autoria extintos pelo atual prefeito, como a domingueira (gratuidade da passagem aos domingos) e a integração temporal.

A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) fez questão de exaltar por mais de uma vez sua parceria com o governador Omar Aziz (PSD) e com o governo federal, já que PSD e PT estão inseridos em sua coligação.

Enquanto Sabino afirmava que equipará e duplicará o efetivo da Guarda Municipal se eleito prefeito, Vanessa ressaltava que é preciso redimensionar o efetivo, que hoje está voltado à proteção de prédios “e não de pessoas”. A proposta inclui a parceria com as polícias Militar e Civil.

O ex-senador Arthur Virgílio (PSDB) também relembrou feitos da época em que esteve à frente da prefeitura, há cerca de 20 anos, como a drenagem de 500 quilômetros de águas pluviais, projeto que pretende dar continuidade se eleito. Arthur também quer resgatar a parte turística do Centro de Manaus a partir de parcerias público-privadas, melhoria na iluminação da área e criação de um banco social que privilegie os camelôs.

Já o deputado federal Pauderney Avelino (DEM) disse que pretende debater o problema e levantar soluções a partir de estudos técnicos.

Ainda sobre o problema do abastecimento de água na cidade, Vanessa Grazziotin esquentou o debate com Serafim Corrêa dizendo que acompanhou os recursos disponibilizados durante sua gestão para o sistema, que somaram R$ 160 milhões para a implantação de poços artesianos e reservatórios, o que não resolveu o problema.

Ela questionou o ex-prefeito sobre a repactuação com a ex-concessionária Águas do Amazonas, durante sua gestão, que veio acompanhada da redução de metas da empresa. Serafim justificou afirmando que cerca de 80 mil pessoas foram beneficiadas.

Sobre a revitalização do Centro da cidade, o deputado Pauderney Avelino (DEM) trouxe à tona o projeto que prevê a indenização de ambulantes e criação de um centro comercial para os camelôs. Outro projeto do deputado é a criação do Banco do Empreendedor, que também beneficiará a categoria, além da organização dos cerca de 15 mil mototaxistas, que hoje atuam nas zonas Norte e Leste da cidade sem regulamentação.

O deputado federal Henrique Oliveira (PR) criticou o projeto do BRT e sugeriu que a cidade ainda necessita de outras melhorias antes da implantação do sistema, tais como a criação de corredores exclusivos para os ônibus e a consequente melhoria no fluxo de veículos.

Na área da educação, Serafim Corrêa propôs a aquisição de computadores para alunos do ensino fundamental, proposta feita também por Artur Virgílio (PSDB), mas com certa cautela, já que seu projeto contempla apenas os alunos das quatro últimas séries. Ambos citaram reajustes salariais promovidos durante suas gestões e prometeram aumentar os salários dos professores como forma de melhoras os indicadores da educação na capital.

O debate foi realizado com cinco blocos, o último deles para as considerações finais.

Fonte: Acritica

Russomanno ataca Fernando Haddad e elogia Serra

Candidato do PRB eleva críticas ao petista no mesmo dia em que Estado revela reunião entre coordenador de sua campanha e o candidato tucano.

Os candidatos a prefeito de São Paulo Celso Russomanno (PRB) e José Serra (PSDB) confirmaram na terça-feira, 24, o encontro entre o tucano e o coordenador da campanha do ex-deputado, Marcos Pereira. Embora não tenham usado a expressão “pacto”, ambos admitiram que a conversa ocorrida na sexta-feira, 20, revelada na terça pelo Estado, demonstra a disposição de que não haverá “agressão recíproca” entre eles. Na terça, o candidato do PRB elevou o tom das críticas ao adversário do PT, o ex-ministro Fernando Haddad.

Celso Russomanno

Serra e Russomanno têm despontado nas duas primeiras posições das pesquisas de intenção de voto realizadas desde que o ex-governador tucano resolveu disputar a Prefeitura pela quarta vez em sua carreira política. No último levantamento Datafolha, divulgado no sábado, 21, os dois apareceram em empate técnico: Serra obteve 30% e Russomanno, 26% (a margem de erro é de três pontos porcentuais).

Russomanno admitiu na manhã de terça-feira que o coordenador de sua campanha esteve com Serra na casa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), mas negou um “acordo de cavalheiros” com o tucano. “Houve esse encontro de fato, mas não existe um pacto entre nós. Não existe pacto nenhum”, afirmou, durante uma feira livre em Cangaíba, na zona leste.

Segundo o ex-deputado, Serra teria perguntado se o candidato do PRB poderia apoiá-lo num eventual segundo turno, se não conseguir se manter na vice-liderança da corrida eleitoral – o tucano negou o pedido e disse que isso “seria até deselegante”.

Ofensiva. O ex-deputado tem dito em público que pretende fazer uma campanha propositiva, sem ataques aos adversários. No entanto, na terça à tarde, em entrevista aoEstado, Russomanno elevou o tom de suas declarações. E o alvo escolhido foi o candidato do PT e os projetos da gestão Haddad no Ministério da Educação (MEC), como o Enem e o kit anti-homofobia.

“Eu sou contra a forma como ele foi feito”, disse Russomanno, em relação ao projeto para combater a homofobia nas escolas que, após pressão de setores religiosos, foi abortado pelo MEC. “Não é dessa forma que você vai construir a sexualidade das pessoas. Deveria haver uma aula nas escolas sobre a sexualidade das pessoas, para haver prevenção.”

Ao falar sobre o Enem e qualidade do ensino, Russomanno defendeu que as escolas municipais tenham período integral, mas a adoção dessa política não pode ser feita “da noite para o dia”. “Seria uma loucura. Os professores não estão preparados e nós não temos estrutura para isso. O Haddad, especialista em educação, foi falar isso para os professores e foi vaiado.”

‘Implícito’. Ao participar na terça-feira de uma caminhada em Parelheiros, reduto petista no extremo sul de São Paulo, Serra confirmou o encontro com Pereira em uma “reunião de cortesia”. “Não se falou (sobre um pacto de não agressão). Naturalmente, está implícito: se você conversa com alguém, não há disposição de agressões recíprocas”, explicou o tucano.

Apesar de seus aliados admitirem em conversas reservadas que preferem enfrentar Russomanno no segundo turno – e não Haddad –, Serra desconversou. “Eu não vou dizer com quem eu me sentiria mais ou menos confortável (no segundo turno). Eu vou me sentir confortável se ganhar a eleição”, afirmou.

 Fonte: Estadão

Graça desconstrói gestão de Gabrielli

Presidente da Petrobrás reformula contratos e faz pente-fino na administração do antecessor.

A gestão de sete anos do economista José Sergio Gabrielli na presidência da Petrobrás passa por completa reformulação na administração de sua sucessora, a engenheira química Maria das Graça Foster.

Além de afastar quatro diretores ligados ao ex-presidente logo após assumir, Graça, como prefere ser chamada, mandou rever todos os contratos relacionados a projetos fundamentais iniciados por Gabrielli, como a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Diferentemente do que ocorria na gestão Gabrielli, que presidiu a estatal de 2005 a fevereiro de 2012, Graça Foster não demonstra tolerância com atrasos na entrega de encomendas.

Maria das Graça Foster, presidente da Petrobrás

O exemplo mais evidente desse novo comportamento é a punição imposta ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca (PE). O petroleiro João Cândido deveria ter sido incorporado à frota da Petrobrás Transporte (Transpetro) em 2010. Isso só veio a ocorrer há pouco, com dois anos de atraso.

Graça determinou à subsidiária a aplicação de uma multa e a suspensão temporária de 16 dos 22 contratos firmados com o estaleiro. Na administração anterior, os atrasos não eram punidos.

Logo ao assumir o cargo, em 13 de fevereiro, Graça reuniu a diretoria e determinou a fixação de metas que definiu como “mais realistas”. A administração Gabrielli, na interpretação de especialistas, foi marcada pelo estabelecimento de metas ao mesmo tempo ambiciosas e, diante da realidade da empresa, impossíveis de serem cumpridas.

Graça e Gabrielli deixam as críticas escaparem, embora procurem manter a cordialidade, repetindo que a gestão é de continuidade. As divergências foram evidenciadas em 25 de junho, quando ela anunciou o esperado plano de negócios da companhia para o período de 2012-2016, após três meses de revisão do trabalho desenvolvido na gestão anterior.

A presidente iniciou a apresentação com 11 slides consecutivos sobre metas de produção descumpridas na administração Gabrielli, prazos desrespeitados e custos superelevados. Para em seguida estabelecer metas de produção menores, segundo ela, realistas e factíveis.

Abreu e Lima. A presidente da Petrobrás apontou ainda a Refinaria Abreu e Lima, que está em obras em Pernambuco, com previsão de custo quase dez vezes maior do que o planejado inicialmente, como um mau exemplo de procedimentos adotados, a ser estudado a fundo por toda a companhia, para não voltar a acontecer.

“A Rnest (Refinaria do Nordeste, como foi chamada inicialmente a Abreu e Lima) é uma história a ser aprendida, escrita e lida pela companhia, de tal forma a que não seja repetida. Existe claramente um aumento significativo do investimento inicial, do seu marco zero, em setembro de 2005. O óleo a ser refinado conta hoje com atraso de três anos”, disse Graça.

“É claro, absolutamente claro, o não cumprimento integral da sistemática de aprovação de projetos neste caso específico. Uma história a ser aprendida e não repetida”, acrescentou a presidente da Petrobrás. Além disso, Graça determinou a suspensão ou o adiamento de pelo menos 13 projetos nas áreas de refino e exploração e produção (E&P), incluindo refinarias de investimento bilionário.

Corresponsável. Sempre que questionada sobre as modificações implementadas, a presidente da Petrobrás destaca que também fazia parte da diretoria anterior (comandava a diretoria de Gás e Energia) e, assim, era corresponsável pelas falhas que porventura tivessem acontecido. Mas a divergência de atitudes ficou bem clara no pronunciamento oficial quando da apresentação do Plano de Negócios da estatal. Três semanas depois, Graça procurou atenuar sua posição, ao dizer que a única diferença entre os dois gestores era de gênero.

“A gente é amigo. (…) A diferença é que você é menino e eu sou menina”, disse ela a Gabrielli em solenidade na Bahia, há nove dias, quando selaram uma espécie de trégua, posando juntos para fotografias.

Na ocasião, o ex-presidente foi o convidado especial na solenidade de batismo de uma plataforma petrolífera, da qual participou a presidente Dilma Rousseff. Gabrielli é secretário estadual de Planejamento na administração do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), a quem planeja, embora não admita publicamente, suceder em 2014.

Procurados, nem Graça nem Gabrielli quiseram se pronunciar para esta reportagem, Ao jornal Valor Econômico, na semana passada, porém, Gabrielli disse que Graça foi “inábil” ao apresentar o plano de negócios. Em seguida, buscou atenuar a declaração, ressaltando ter havido apenas uma “falta de cuidado” por parte dela.

Gabrielli disse que a sucessora faz uma administração de continuidade. Ela tem falado a mesma coisa quando questionada sobre as diferenças entre as duas gestões.

Fonte: Estadão

TJs criticam divulgação de salários como prevê

No Rio, liminar pedida pela Amaerj conseguiu suspensão da divulgação dos nomes.

 RIO, BRASÍLIA e SÃO PAULO – Os Tribunais de Justiça (TJs) resistem à divulgação dos salários individualizados de magistrados e servidores em todo o Brasil, como prevê o regulamento da Lei de Acesso. Em reunião do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça, na quarta-feira, os 24 presidentes regionais se declararam contrários à resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que estabelece o dia de hoje como data-limite para a publicação dos nomes, salários, abonos e gratificações do Judiciário. O Tribunal de Justiça do Paraná afirmou que não vai respeitar a determinação do conselho. No Rio, liminar pedida pela Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj) conseguiu na Justiça Federal a suspensão da divulgação dos nomes.
Nesta quinta-feira, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, divulga uma carta aberta com críticas ao decreto que garantiu a publicação dos dados. Ontem, o magistrado chegou a comparar o decreto que normatizou a divulgação dos nomes e salários a um ato institucional, aos moldes do regime militar.

— (Ao) Publicar indistintamente (os nomes), você está violando um direito garantido pela Constituição Federal. A partir do momento que não se obedece ao que a Constituição determina, estamos, ao meu ver, correndo um risco muito grande. Daqui a pouco, estaremos sendo governados por decretos aos moldes da época dos atos institucionais. Não podemos superar o que está determinado na Constituição — compara Rebêlo.

Queixas ao ministro Ayres Britto

Apesar de negarem oficialmente o encontro, na última quarta-feira os presidentes dos Tribunais de Justiça se reuniram com o presidente do CNJ e também do STF, ministro Ayres Britto, e demonstraram insatisfação com a decisão. Segundo o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Ari Jorge Moutinho da Costa, Britto estava determinado a fazer cumprir o prazo estabelecido pelo CNJ.

— Na reunião com Ayres Britto, ele deixou claro que não irá postegar a publicidade dos salários — afirmou Moutinho.

Já Marcus Faver, presidente do Colégio Permanente de Presidentes de Tribunais de Justiça, disse que o tema não chegou a ser abordado na reunião com Britto. Segundo ele, ficou apenas no colegiado. Faver não é favorável à divulgação da lista nominal com os salários:

— O importante para a sociedade é saber exatamente quanto é o salário dos servidores. Quem é o titular, você pode dar isso pelo número de matrícula. O resto é, a meu ver, uma curiosidade mórbida. Mas acho que os tribunais vão cumprir o que o Supremo determinou, embora questionando isso.

Para o ex-presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) Luiz Fernando Ribeiro de Carvalho, a Lei de Acesso não determina a divulgação dos nomes. Para ele, um decreto não pode se sobrepor à Constituição:

— Gera uma perplexidade jurídica absoluta que um decreto possa determinar o que nem a Constituição e nem a lei autorizam. Fica um poder muito grande na mão do Executivo. Isso é um totalitarismo. É como se um Fujimori ou Hugo Chávez tivessem incorporado em alguém e tivessem colocado no decreto algo que a lei não autorizava.

A Amaerj pode levar o caso ao STF:

— Entramos com uma medida precária para suspender esta arbitrariedade. Estamos preparados para levar este caso até Brasília. O decreto fere a Constituição e cabe ao Supremo avaliar a validade dessa determinação — explica o presidente da Amaerj, desembargador Claudio dell’Orto.

Apesar de todos os TJs estarem contra a publicação, apenas o do Paraná afirmou que vai descumprir a determinação do CNJ e manterá as informações em segredo. A medida vale, pelo menos, até a próxima segunda-feira, quando a Corte Especial do TJ-PR tem reunião agendada e avaliará o caso.

Em junho, o Órgão Especial do TJ paranaense já havia considerado inconstitucional a publicação de nomes, cargos e salários de servidores em julgamento de ação direta de inconstitucionalidade contra lei estadual que determinava a publicação dos dados. Os desembargadores consideraram que a exposição viola o direito à privacidade dos servidores.

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que irá cumprir o prazo e divulgar, nominalmente, a folha de pagamento dos servidores. A medida também será seguida por Pernambuco.

Em Santa Catarina, o TJ informou que vai cumprir a determinação do CNJ, mas que por força de uma liminar não teve tempo para normatizar o sistema. A previsão é que os dados estejam disponíveis na próxima semana.

Favorável à divulgação dos nomes na folha de pagamento, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, Marcos da Costa, avalia que a resolução representa um avanço na transparência do Judiciário.

— É um direito do contribuinte saber a aplicação de cada centavo do dinheiro público para qualquer que seja a sua finalidade, tanto em contratos, licitações ou obras como em salários de quaisquer funcionários públicos — afirma Marcos da Costa.

Fonte: Oglobo.globo.com

Chalita: “Haddad nem começou a resolver problemas da educação no Brasil”

“Precisaremos de um milagre para que isso fique pronto a tempo”, divertia-se Gabriel Chalita ao visitar, pela primeira vez, o prédio no Vale do Anhangabaú que abrigará, a partir desta quinta-feira (12), seu principal comitê de campanha. Vestindo calça jeans, casaco esportivo e sapatos sociais impecavelmente engraxados, o candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo recebeu Terra Magazine no local ainda em obras.

O deputado federal gostou do que viu. “É a primeira vez que venho aqui e está muito bonito. Mas será que fica pronto para a inauguração amanhã?”, perguntou a uma de suas assessoras. Após ouvir a resposta positiva, caminhou confiante até o lado de fora do salão, deparando-se com o Vale do Anhangabaú. “Fiz questão que o comitê fosse aqui, na área central da cidade, porque tenho vários projetos de revitalização do centro para que a região volte a dar orgulho aos paulistanos”.

Gabriel Chalita, em entrevista ao Terra Magazine

Chalita tem fala calma, organiza as ideias didaticamente – cacoete da época de professor – e não mexe muito as mãos enquanto explica algum conceito. Sinal de pouca ansiedade. No entanto, quando o assunto é se eleger prefeito da capital paulista, não poupa críticas aos adversários.

Em entrevista exclusiva a Terra Magazine, Chalita falou sobre a gestão do candidato do PT, Fernando Haddad, à frente do Ministério da Educação, entre 2005 a 2011. “Ele nem começou a resolver os problemas educacionais do Brasil. Nosso país tem uma educação de péssima qualidade”.

O candidato ainda aproveitou para explicar, em primeira mão, sobre um projeto que quer desenvolver na área da saúde, uma espécie de vai e volta para as pessoas mais carentes, que precisam se deslocar por muitos quilômetros em busca de um hospital. E, em seguida, apontou a mira para o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o tucano José Serra, outro de seus principais concorrentes nas eleições deste ano.

“A única vitória de Kassab em todo esse tempo como prefeito foi ter fundado um partido”. Sobre Serra, Chalita afirmou que “a população não acredita mais” na vontade – e projeto – do tucano de ser prefeito de São Paulo.

Principais trechos da entrevista com Chalita:

Terra Magazine – Em uma eleição municipal como a deste ano, com pelo menos sete candidatos pontuando nas últimas pesquisas, por que o senhor acredita ser o mais bem preparado para ser prefeito de São Paulo?

Acho que tenho um olhar humanista para essa cidade e, hoje, São Paulo precisa de alguém que tenha capacidade de gestão, com formação para isso, mas que, ao mesmo tempo, tenha esse olhar de solidariedade para a população que precisa. Outro ponto: nós temos condições de acabar com as brigas entre PT e PSDB. A população cansou disso. Nossa candidatura pode unir os dois lados. O vice-presidente da República, Michel Temer, é do PMDB; eu apoiei a presidenta Dilma Rousseff (PT) e tenho uma relação extraordinária com ela; além disso, sou amigo do governador Geraldo Alckmin (PSDB), fui secretário dele  (Educação), e acho que podemos fazer essa ponte, unindo governo federal, governo estadual e prefeitura.

Como o senhor pretende despolarizar a campanha entre o PT de Fernando Haddad e o PSDB de José Serra? O senhor costuma dizer que quer criar uma terceira via. 

O eleitor não se preocupa com isso. Na última eleição, em 2008, a polarização era entre Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). O Gilberto Kassab (PSD) foi quem ganhou a disputa. A polarização acaba acontecendo na imprensa, em alguns jornais, mas os sites não estão polarizando, nem as rádios, nem a televisão. Há uma tendência a esses meios darem voz a todos os candidatos para que o povo escolha. O eleitor é autônomo. É ele que decide quem pode resolver melhor os problemas da vida e da cidade dele.

Na sua opinião, entre os problemas de saúde, trânsito e segurança, qual é o principal em São Paulo e como resolvê-lo?

Saúde. As pesquisas colocam que o principal problema para o paulistano é a saúde. E por que isso? Porque é o momento em que a pessoa mais precisa da Prefeitura e não encontra acolhimento e atendimento necessário. As pessoas reclamam que precisam esperar muito para marcar uma consulta médica e, com dor, esperam meses. Isso é desesperador. A população gosta do Programa de Saúde de Família (PSF), por exemplo, porque os agentes de saúde vão às casas, detectam os problemas, mas não têm solução para esses problemas, porque o sistema não funciona, é muito vulnerável. Como resolver isso? Um dos conceitos que trabalhamos é fazer com que, nos 96 distritos de São Paulo, pelo menos um equipamento de saúde funcione 24 horas. Isso já alivia uma problemática grande da população.

O segundo ponto, que vou dar em primeira mão para vocês de Terra Magazine, é um “vai e volta” para a saúde. Como o PSF funciona muito bem e chega à população, você precisa ter uma estrutura ligada a ele, em que o agente perceba que a pessoa precisa do médico, aciona o vai e volta, e ele o leva ao médico, para fazer os exames, para o médico de novo, para pegar os remédios e, por fim, trás de volta para a casa. É um atendimento integrado e digno.

O senhor considera a gestão de Kassab uma continuação fiel à gestão de Serra?

Sim, com certeza. Há uma alta rejeição do governo Kassab e essa gestão, que fique claro, é Serra-Kassab. Quando começar de vez o processo eleitoral, as pessoas vão se fixar nisso, de que é a continuidade de uma gestão. O Serra está assumindo isso, com o slogan dele [“Serra, para São Paulo seguir avançando”], e terá uma dificuldade grande por isso, já que essa é uma gestão que não tem aprovação popular. É uma gestão frágil. Na verdade, o Kassab só merece aplausos por ter fundado um partido, a grande vitória dele nesse tempo todo como prefeito de São Paulo foi fundar um partido. Mas ele disse isso ao povo? “Quero ser prefeito para fundar um partido”. Não. Serra, da última vez que foi candidato, disse que queria ser prefeito para sair e ser candidato a presidente? E agora, diz isso de novo? Não. A população não sente mais verdade nele.

O senhor ainda aparece nas pesquisas com cerca de 6% dos votos. Quando acredita que será a hora da sua campanha decolar?

Com o horário eleitoral, em 21 de agosto. Historicamente, é assim que acontece. O Paulo Maluf (PP) sempre saía na frente nas campanhas à Prefeitura, mas, depois, caía por causa da alta rejeição. Hoje, quem tem essa alta rejeição é o Serra.

Nas últimas semanas houve muita polêmica em torno da aliança de Haddad com o PP de Paulo Maluf e falou-se também no acordo entre Serra e o PR, de Valdemar Costa Neto. Como o senhor avalia essa questão? Vale tudo por mais tempo no horário político na TV?

Não vale tudo e a gente leva vantagem com isso. Não temos nenhuma aliança estranha, não tenho ninguém pra esconder na minha campanha. Tenho uma candidata a vice que escolhi, principalmente por causa desses problemas na saúde. A Marianne Pinotti (candidata a vice de Chalita) tem um histórico de trabalho com a saúde da mulher. Mas o que levou um partido como o PR, que uma hora ia fechar com Haddad, outra hora com o Serra, ir de um lado para o outro? O eleitor começa a se perguntar: “Quem é que pagou essa conta?”. E isso é ruim para a política, porque parece que as ideologias acabaram. O novo nome para desonestidade é pragmatismo.

Como educador, qual é a avaliação que o senhor faz da gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Educação (2005-2011)?

Há um dado que não dá para negar: o Brasil hoje é a sexta potência econômica do mundo e, em termos educacionais, somos a octogésima ou septuagésima, dependendo do ranking. A educação brasileira é vergonhosa. Temos um país rico, mas injusto porque temos uma educação de péssima qualidade. Haddad é o responsável pela educação de péssima qualidade? Acho que não. É um histórico de gestões ruins. Mas Haddad não conseguiu resolver os problemas educacionais do Brasil. Nem começou. Não sei se a culpa é só dele, faltou uma participação mais intensa dos governadores e prefeitos, num pacto nacional pela educação, mas o dado concreto é esse: o Brasil é um país rico, mas de péssima educação.

E qual é sua proposta para melhorar a educação em São Paulo?

Tempo integral na escola. O Haddad diz que não dá para fazer isso em São Paulo, mas dá sim. Deixar a criança em tempo integral na escola durante toda a educação infantil e o início do ensino fundamental. E depois, num segundo mandato, concluir esse processo. São Paulo pode ser um referencial de educação no Brasil.

Fonte: terramagazine.terra.com.br

 

Para Ivo Cassol, Rondônia sofre crise de falta de gestão

Cassol afirmou que a estrutura que deixou como governador de Rondônia (2003-2010) caiu num “buraco negro”.

O senador Ivo Cassol (PP-RO), em pronunciamento nesta terça-feira (10), lamentou a situação atual de seu estado, que, em sua opinião, sofre com a incompetência e a falta de seriedade dos governantes. O parlamentar, que criticou duramente o atual governo de Rondônia, atribuiu a crise no estado à falta de gestão.

Senador Ivo Cassol (PP-RO)

Dentro de uma instituição, dentro de uma casa onde um pai tem mais de dez filhos, é preciso ter administração, é preciso ter controle sob pena de a casa virar de ponta-cabeça. Esse preço estamos pagando em nosso estado – disse. Cassol afirmou que a estrutura que deixou como governador de Rondônia (2003-2010) caiu num “buraco negro”, o que obrigou a atual administração a tomar medidas drásticas, como o corte de todas as gratificações dos servidores públicos por 120 dias com o objetivo de regularizar a folha de pagamento do estado e a redução no repasse de restos a pagar aos municípios.

O senador conclamou os candidatos a prefeito no Brasil e em Rondônia a buscar a vitória não para “ganhar por ganhar”, mas para levar qualidade e eficiência à gestão pública, e pediu aos eleitores que analisem criteriosamente os candidatos sob risco de “quatro anos de pesadelo”.

Infraestrutura
Ivo Cassol também mencionou as estradas “em frangalhos” em Rondônia e criticou a paralisação de várias obras rodoviárias no estado devido a investigações de corrupção em empreiteiras. Entre as construções prioritárias em atraso, Cassol salientou a ponte sobre o Rio Madeira, cuja falta prejudica a ligação do Brasil com o Oceano Pacífico – conforme lembrou, a Bolívia já concluiu sua parte nas obras.

– O lado brasileiro, infelizmente, ainda emperra em muitos lugares na incompetência, na falta de seriedade e na falta de ação – lamentou.

Fonte: Tudorondonia

Chalita volta a criticar Haddad e Serra em evento com empresários

O deputado federal Gabriel Chalita, candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo, voltou a direcionar suas críticas ao candidato do PT, Fernando Haddad, em almoço com empresários da Câmara de Comércio Portuguesa nesta segunda-feira (25), quando atacou a aliança dos petistas com o PP do ex-prefeito Paulo Maluf.

Gabriel Chalita

“Infelizmente um antigo político de São Paulo disse que, ao negociar as alianças, um partido lhe ofereceu a prazo e outro à vista, e ele ficou com o à vista. Isso é o que torna a política tão feia, tão suja e indecente”, afirmou o pemedebista, em referência à disputa entre PT e PSDB pelo apoio –e tempo de propaganda eleitoral– do PP.

O candidato do PMDB disse que é triste ver a “imundice” que a política brasileira ficou. “Pragmatismo é uma palavra mais elegante para desonestidade”, discursou, ao atacar o loteamento de cargos nas secretarias da prefeitura.

Ao responder a pergunta de um empresário sobre o que o diferenciava de seus adversários, Chalita disse que o ex-governador José Serra (PSDB) não tem vontade de ser prefeito por sonhar com a Presidência e que Haddad não pode depender só do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O Haddad vai ter que convencer a população. Uma coisa é gostarem do Lula –e eu também gosto–, mas o candidato não é o Lula. A população votará pela identificação que tiver com o candidato, com suas propostas”, disse.

Até recentemente, Chalita, que tem um acordo de apoio no segundo turno com Haddad, evitava críticas ao candidato petista.

Fonte: Folha de São Paulo

OAB rebate críticas de Aécio à atuação de Thomaz Bastos no caso Cachoeira

Ex-ministro da Justiça (governo Lula), Thomaz Bastos recebeu pesadas críticas do senador Aécio Neves (PSDB-MG) por sua atuação em defesa de Cachoeira.

“O advogado não pode ter sua figura confundida com a de seu cliente, não deve ser hostilizado pela opinião pública e pelas autoridades policiais ou judiciárias ou sofrer linchamento moral por parcela da mídia”, prega o presidente da Ordem do Advogados do Brasil em São Paulo (OAB/SP), em nota oficial divulgada neste domingo, 27, para rebater críticas ao criminalista Márcio Thomaz Bastos, defensor do contraventor Carlinhos Cachoeira.

Ex-ministro da Justiça (governo Lula), Thomaz Bastos recebeu pesadas críticas do senador Aécio Neves (PSDB-MG) por sua atuação em defesa de Cachoeira, principal personagem da Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia Federal.

Thomaz Bastos

Thomaz Bastos defende Cachoeira na Justiça e também perante o Congresso, onde tramita Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga as atividades do bicheiro.

“O advogado é como o padre, que abomina o pecado, mas ama o pecador”, compara a OAB/SP. “O advogado abomina o crime e deve amar sua missão de defender aqueles que a ele recorrem para ter um julgamento justo.”

A nota oficial da OAB/SP é subscrita por seu presidente, Luiz Flávio Borges D’Urso. “Venho a público, diante das insistentes críticas dirigidas ao advogado Márcio Thomaz Bastos, em razão de sua atuação como defensor em casos de grande repercussão nacional, mais uma vez salientar que o papel do advogado é obrigatório e absolutamente indispensável para que se obtenha Justiça”, assinala D’Urso.

O presidente da OAB/SP argumenta que “jamais se pode confundir o advogado com seu cliente”.

“O fato de Thomaz Bastos ter sido ministro da Justiça não o impede de agora advogar livremente, sem qualquer restrição legal, aliás, o que já ocorre com inúmeros outros colegas que ocuparam postos e cargos de destaque na política nacional, também como ministros da Justiça, secretários de Estado da Justiça, secretários de Estado da Segurança Pública”, assinala D’Urso.

Ele ressalta que “diante de julgamentos de crimes de grande repercussão, quando o público em geral não admite ao acusado nem mesmo argumentos em sua defesa, imediatamente a opinião pública antagoniza o advogado que, para cumprir bem sua função, precisa enfrentar esse pré julgamento sem temor, com total independência, apesar da incompreensão”.

Fonte: Estadao.com.br

‘Peluso manipulou resultados de julgamentos’, diz Joaquim Barbosa

Dois dias depois de ser chamado de inseguro e dono de “temperamento difícil” pelo ministro Cezar Peluso, o ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa respondeu em tom duro.

Em entrevista ao GLOBO, Barbosa chamou o agora ex-presidente do STF de “ridículo”, “brega”, “caipira”, “corporativo”, “desleal”, “tirano” e “pequeno”. Acusou Peluso de manipular resultados de julgamentos de acordo com seus interesses, e de praticar “supreme bullying” contra ele por conta dos problemas de saúde que o levaram a se afastar para tratamento.

Joaquim Barbosa

Barbosa é relator do mensalão e assumirá em sete meses a presidência do STF, sucedendo a Ayres Britto, empossado ontem. Para Barbosa, Peluso não deixa legado ao STF: “As pessoas guardarão a imagem de um presidente conservador e tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade.”

Qual a opinião do senhor sobre a entrevista dada por Cezar Peluso?

Eis que no penúltimo dia da sua desastrosa presidência, o senhor Peluso, numa demonstração de “désinvolture” brega, caipira, volta a expor a jornalistas detalhes constrangedores do meu problema de saúde, ainda por cima envolvendo o nome de médico de largo reconhecimento no campo da neurocirurgia que, infelizmente, não faz parte da equipe de médicos que me assistem. Meu Deus! Isto lá é postura de um presidente do Supremo Tribunal Federal?

O ministro Peluso disse na entrevista que o tribunal se apaziguou na gestão dele. O senhor concorda com essa avaliação?

Peluso está equivocado. Ele não apaziguou o tribunal. Ao contrário, ele incendiou o Judiciário inteiro com a sua obsessão corporativista.

Na visão do senhor, qual o legado que o ministro Peluso deixa para o STF?

Nenhum legado positivo. As pessoas guardarão na lembrança a imagem de um presidente do STF conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade.

Dou exemplos: Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento.

Lembre-se do impasse nos primeiros julgamentos da Ficha Limpa, que levou o tribunal a horas de discussões inúteis; não hesitou em votar duas vezes num mesmo caso, o que é absolutamente inconstitucional, ilegal, inaceitável (o ministro se refere ao julgamento que livrou Jader Barbalho da Lei da Ficha Limpa e garantiu a volta dele ao Senado, no qual o duplo voto de Peluso, garantido no Regimento Interno do STF, foi decisivo. Joaquim discorda desse instrumento); cometeu a barbaridade e a deslealdade de, numa curta viagem que fiz aos Estados Unidos para consulta médica, “invadir” a minha seara (eu era relator do caso), surrupiar-me o processo para poder ceder facilmente a pressões…

O senhor tem medo de ser qualificado como arrogante, como o ministro Peluso disse? Tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o STF não por méritos, mas pela cor, também conforme a declaração do ministro?

Ao chegar ao STF, eu tinha uma escolaridade jurídica que pouquíssimos na história do tribunal tiveram o privilégio de ter. As pessoas racistas, em geral, fazem questão de esquecer esse detalhezinho do meu currículo. Insistem a todo momento na cor da minha pele.

Peluso não seria uma exceção, não é mesmo? Aliás, permita-me relatar um episódio recente, que é bem ilustrativo da pequenez do Peluso: uma universidade francesa me convidou a participar de uma banca de doutorado em que se defenderia uma excelente tese sobre o Supremo Tribunal Federal e o seu papel na democracia brasileira.

Peluso vetou que me fossem pagas diárias durante os três dias de afastamento, ao passo que me parecia evidente o interesse da Corte em se projetar internacionalmente, pois, afinal, era a sua obra que estava em discussão. Inseguro, eu?