Sucessão presidencial – Por Alexandre Garcia

Um dos presidenciáveis, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, diz que o Brasil não merece discutir agora a eleição presidencial, quando a economia é uma complicação. O diagnóstico está bem feito, mas é parcial. A economia tem complicação, sim, mas se antecipa a discussão eleitoral porque se procura quem possa dar esperança de ver solucionada a complicação na economia. Não se vê perspectiva no atual governo. Por isso está tão antecipado o debate eleitoral. Na economia e na política, tudo parece confuso, sem rumo, errático, mostrando que o governo não sabe o que fazer, a ponto de tomar decisões com base em marqueteiros. E os discursos ficam sem pé nem cabeça, a ponto de não entendermos o que querem dizer. Na verdade, são apenas discursos que nada querem dizer.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

O ministro da Fazenda, por exemplo, ao se referir à cotação do dólar – já em 2,40 – fez uma frase: “O dólar mudou de patamar, mas não é definitivo”. Que descoberta! Todos sabemos que mudou de patamar. Está no ponto mais alto em quatro anos. E que não é definitivo, pois o câmbio é flutuante. Na falta de ter o que dizer, pronunciou o óbvio. O que não é flutuante é o tributo, que cresce a cada segundo. Já estamos entrando em R$ 1 trilhão, segundo o impostômetro. Quanto disso foi para estádio? Quando disso foi para comprar consciências de eleitores e eleitos? Quanto disso saiu pelo ralo? E quando sobrou para investir em infraestrutura, em educação, em saúde?

Os níveis de confiança estão inversamente proporcionais ao tamanho do dólar. Os consumidores já se endividaram e ficam cada vez mais dependentes e estão parando de comprar o supérfluo. Os investidores nacionais rezam por uma fase melhor, embora ainda esperem que piore. Os investidores estrangeiros estão investindo nos Estados Unidos, que já se recuperam. O nível de confiança na economia está hoje na altura de 2008, quando a “marolinha” abatia o mundo. O mundo já se recupera e estamos na mesma. A boca marqueteira, que tem poucos ouvidos para ouvir, substitui os atos e fatos, porque a campanha vem aí.

Fico procurando um candidato capaz de fazer frente aos nossos gigantescos malfeitos. Alguém que consiga reverter o estrago. Procuro como Diógenes procurava um “Homem” na antiga Grécia. Mas a luz da lanterna não encontra outra luz. Só encontro, entre os que ocuparam os jornais nos últimos meses um homem, mas ele é argentino – se chama Jorge Bergoglio, também conhecido como papa Francisco. Grande conhecedor do Brasil, disse que não podemos nos acostumar com o mal. Mas já nos acostumamos, e isso é grave. Além disso, o Brasil não poderá dispor dele, porque a Igreja Católica também precisa de Francisco para salvá-la.

Até no Vaticano – É um terrível círculo vicioso: os partidos não nos dão alternativa – os candidatos são aqueles que eles escolhem; nós, eleitores, então votamos e os elegemos; depois eles pedem propina para a próxima campanha eleitoral do partido, para se manterem no poder; e a propina vem, de alguma forma, dos nossos impostos ou do preço que pagamos a mais no contrato governamental – o sobrepreço para dele tirar a propina. O papa soube que tem isso até em empresas do Vaticano e agora combate a desonestidade. Quando será que cada um de nós se tornará um Francisco?

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