Romney e Obama buscam novos eleitores em convenções

Sem descuidar da base, candidatos às eleições dos EUA disputam últimos votos.

A campanha pela Casa Branca entra em sua etapa decisiva na segunda-feira, quando tem início a convenção do Partido Republicano em Tampa (Flórida) com os dois candidatos virtualmente empatados, tendo o presidente Barack Obama uma vantagem de menos de um ponto percentual sobre Mitt Romney (46,3% a 45,4%, segundo a média das pesquisas do site RealClearPolitics na sexta-feira).

Os holofotes e o horário nobre na TV serão utilizados pelos dois rivais para tentar sair de situações adversas: Obama precisa ultrapassar o patamar de 50% de aprovação, que historicamente garante a reeleição dos presidentes nos EUA. E Romney tem de reverter a imagem mais negativa de um candidato republicano em décadas, atraindo opinião desfavorável de 52% dos americanos, segundo dados do Pew Research Institute.

Barack Obama e Mitt Romney

A convenção é uma oportunidade de apresentar o candidato a um público que não vinha prestando atenção ao noticiário. Romney não teve ainda capacidade de dar uma virada em sua imagem, de fazer com que a maioria dos americanos tenha uma visão favorável dele – diz Michael Dimock, diretor-associado do Pew.

Os republicanos prometem levar 50 mil pessoas a Tampa para festejar a indicação de Romney e fazer um barulho que ecoe no país todo. A Flórida foi escolhida a dedo, por ser o maior dos 12 estados onde a disputa está indefinida. Para realizar sua convenção na Flórida, o partido assumiu o risco de enfrentar a temporada de furacões, e viverá até a última hora a expectativa pela passagem do Isaac, prevista para amanhã.

Desse público de 50 mil, no entanto, um grande número pertence às fileiras mais radicais do partido, e Romney terá que andar na corda bamba para agradar a essa base sem que declarações mais contundentes dos oradores da convenção arranhem sua imagem junto ao público mais moderado e aos eleitores independentes. Para o Pew, as convenções marcam um salto no percentual de pessoas que seguem a campanha, pulando de um patamar médio de 30% para uma faixa de 45% a 55%.

Para o cientista político Joel Aberbach, os republicanos estão de novo diante do risco de uma convenção que afugente os moderados, como aconteceu em 1992, quando um discurso radical de Pat Buchanan contra as feministas, os homossexuais, os progressistas de uma forma geral, e Bill e Hillary Clinton em especial, causou um estrago que o colocou na História como “o discurso da guerra cultural”.

– Acho que Romney vai tentar parecer moderado, mas será difícil nesse ambiente da convenção. É um fenômeno fascinante, porque, na minha opinião, esta era uma eleição para os republicanos vencerem. Tudo os favorece, mas eles estão fazendo coisas que são prejudiciais a seus interesses – diz Aberbach.

Derrapagens, porém, são menos prováveis nas convenções atuais, que seguem um roteiro rígido. A seleção de oradores republicanos inclui vários nomes das alas mais extremas do partido, mas os analistas acreditam que os discursos estarão sob intenso escrutínio.

Economia ainda é a chave

Do outro lado da disputa, Obama entra na fase final com ligeira vantagem nas pesquisas, e terá como missão convencer a maioria que votou nele em 2008 a permanecer a seu lado.

– As pessoas já conhecem Obama, já têm uma opinião sobre ele. Obama vem ensaiando este momento há quatro anos. Mas permanece a questão de manter o entusiasmo e aumentar a base. Neste quesito, os democratas têm vantagem, pois têm oradores moderados na convenção de muito apelo aos independentes, como Bill e Hillary Clinton – avalia o cientista político Allan Litchman, da American University.

Para Peter Brown, do instituto de pesquisas da Universidade Quinnipiac, não está claro se a situação de Obama se parece mais com a do democrata Jimmy Carter em 1980 – quando o relativamente desconhecido Ronald Reagan derrotou o impopular presidente – ou com a da reeleição de George W. Bush em 2004 – reeleito apesar de ser mal avaliado. As pesquisas continuam apontando que a economia é o tema mais importante para os americanos este ano.

– O problema é que muitos eleitores estão céticos quanto aos efeitos de qualquer dos candidatos sobre a crise. Muitos estão insatisfeitos com a gestão de Obama da economia, mas não está claro para eles que Romney faria melhor – diz Dimock, do Pew Research Institute.

Fonte: Oglobo

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