Rio Solimões é o principal portal de ingresso do crack – por Arthur Bisneto

Nesta semana, trago aqui alguns dados do relatório obtido com a Superintendência da Polícia Federal , que aponta o Rio Solimões, no Amazonas, como o principal portal de ingresso do crack, produzida nas zonas do Alto Huallaga e Caballococha, no Perú e Putumaio, na Colômbia.

A Mesorregião Alto Solimões (AM) abrange uma área de  213.281,229 Km²,  e é composta por nove municípios: Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Fonte Boa, Jutaí, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tabatinga e Tonantins. A população total é de 223.912 habitantes (2.010) – 51% urbana – 49% rural. A área abriga 37 terras indígenas.

Artur Bisneto - Deputado Estadual e presidente regional do PSDB no Amazonas.

O relatório da PF mostra que a importância deste ponto de ingresso é ressaltada em face de que por aquela região são também realizadas exportações colombianas, seja de Pasta Base de Cocaína ou de Cloridrato de Cocaína.

Esse ‘Trapézio Amazônico’ tendo como eixo a cidade de Tabatinga/AM é uma região tradicionalmente influenciada pelo poder do narcotráfico. O município é o maior centro urbano da região do Alto Solimões e precisa de total atenção.

O assunto me preocupa. O tema, presente em discussões em todos os níveis da sociedade, é recorrente em todas esferas de poder.

Estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE – atribui a existência de 1.200.000 usuários de crack em território brasileiro, enquanto o Ministério da Saúde afirma que os viciados naquele entorpecente são cerca de 600.000 indivíduos.

A Confederação Nacional dos Municípios diz que o crack é consumido em quase quatro mil municípios brasileiros. Só no Amazonas, dos 42 municípios pesquisados pela Confederação, em 35 deles foram constatados uso do crack. Entre os municípios com alto consumo no Estado estão Careiro da Várzea, Coari, Tefé, Carauari, Alvarães, Fonte Boa, Lábrea e Benjamin Constant.

Tomando-se por base a média estimada de usuários de crack feita pelo IBGE e pelo Ministério da Saúde temos como ponto de partida a existência de cerca de 900.000 consumidores de crack em território brasileiro.

Ressalte-se que 99% de toda a Pasta Base de Cocaína produzida a nível mundial têm origem na Bolívia, Colômbia e Perú, países com os quais o Brasil compartilha 8.062 km de fronteiras.

No tocante a Colômbia, apesar de ser o maior produtor de folhas e Pasta Base de Cocaína, sua comercialização é tradicionalmente de cloridrato de cocaína, sendo raras as vendas de PBC, as quais quando ocorrem é na região amazônica.

Já a Pasta Base de Cocaína produzida no Peru, os pontos de ingresso se limitam a quatro áreas: Assis Brasil; Santa Rosa, Cruzeiro do Sul e a região do Alto Solimões, sendo que esta última concentra o maior volume de exportação, o que acarretou nos últimos cinco anos o surgimento de uma nova zona de cultivo na região compreendida entre Sacambu e Caballococha, lindeira a fronteira do Brasil.

Com base nesses dados e na seriedade que o assunto exige, propus na Assembleia Legislativa do Amazonas, a criação de uma Comissão de Políticas Anti-drogas, para que possamos tomar medidas preventivas, alertando a população contra esse mal.

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