Resultados de pesquisas são ‘recado’ para todos os políticos, diz Aécio

Pesquisas Datafolha apontaram queda na aprovação de governantes.
‘Temos que ter humildade para reconhecer esse recado’, disse tucano.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse nesta segunda-feira (1) em São Paulo que a queda na popularidade de governantes demonstrada em recentes pesquisas de opinião e os  protestos que tomaram as ruas do país nas últimas semanas são um “recado” para toda a classe política.

Pesquisas do instituto Datafolha divulgadas no final de semana indicaram queda da aprovação da presidente Dilma Rousseff, dos governadores Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e dos prefeitos Fernando Haddad (PT-SP) e Eduardo Paes (PMDB-RJ).

Aécio Neves - Presidente Nacional do PSDB
Aécio Neves – Presidente Nacional do PSDB

“Não foi um sinal apenas para um partido político. Sobre aquele que está no poder central, que mantém 70% do que é arrecadado sob seu controle, há uma cobrança maior. Temos que ter humildade para reconhecer esse recado, que é a toda a classe política”, afirmou Aécio Neves em evento do qual participou no Instituto Fernando Henrique Cardoso, no centro de São Paulo, sobre os 19 anos do Plano Real.

Ele disse que os partidos de oposição não foram convidados a conversar com a presidente Dilma Rousseff sobre a proposta de reforma política.

“As oposições apresentaram uma agenda ao governo, e o governo sequer se dispôs a comentá-la, o que mostra que não há disposição de conversa com as oposições”, afirmou.

Aécio disse que as oposições estavam dispostas a aceitar o convite da presidente, mas têm dúvida sobre o conteúdo da conversa.

“Se for para discutir a pauta que interessa ao Brasil, acho que poderíamos aceitar. Se for para tirar mais uma fotografia  ao lado da presidente, acho que ela certamente tem coisas mais relevantes a fazer”, afirmou.

O presidente do PSDB  disse que diante do clamor popular a presidente deveria  cortar cargos em comissão, reduzir  o número de ministérios e  suspender o “mirabolante e patético”  programa do trem bala.

“Quem sabe a presidente da República vem a público dizer que espera que o Supremo Tribunal Federal conclua rapidamente o processo do mensalão”, afirmou.  “Eu vejo a presidente da República tratar lateralmente essas questões”, disse.

Reforma política
Mais tarde, após participar de encontro com a Sociedade Rural Brasileira, Aécio disse que deve ser responsabilidade do Congresso discutir os temas da reforma política e voltou a defender a defender a ideia de referendo. Aécio disse que é um direito da presidente enviar a proposta de plebiscito ao Congresso, mas fez ressalvas.

“Acho é que existe uma base no Congresso suficientemente ampla, uma base governista, e nós não seríamos objeção a isso, capaz de votar em um espaço de tempo curto pelo menos parte dessas propostas. Não conheço as propostas da presidente até porque nestes dois anos e meio o Brasil não teve o privilégio de conhecê-las. O que não podemos é,  neste momento de dificuldades,  tirar o foco da agenda real dos problemas brasileiros para apenas uma agenda política.   Na minha avaliação, é responsabildiade do Congresso discuti-la e gostaria de vê-la aprovada em um referendo”, afirmou.

Aécio disse ver um o governo federal  pressionado. “[É] um governo que um dia lança a proposta de uma constituinte específica e no dia seguinte volta atrás porque além de inconstitucional era extremamente arriscada à ordem juridica. Busca agora através de um plebiscito que não se sabe ainda sobre que temas ocorreria”, afirmou.

Aécio disse concordar com o fim da reeleição e aumento da duração do mandato de quatro para cinco anos.  “Apresentei em 1989 um projeto que ainda está na Câmara dos deputados nesta direção. Me parece mais adequado, não há pressão da reeleição e utilização do Estado para garantir mais um mandato para quem está no poder. Eu acho que é  mais republicano um mandato de cinco anos sem direito à reeleição.  Agora é preciso que a maioria governista também compreenda  que ele é importante”, afirmou.

‘Padrão Felipão’
O tucano reagiu com bom humor quando questionado sobre a declaração da presidente Dilma Rousseff que disse nesta segunda-feira que seu governo é “padrão Felipão”. “É um governo que acostumou-se a pegar carona nas boas coisas, agora no êxito da seleção. O que eu acho é que é um governo paquidérmico, um governo que não cabe dentro de si. Se o Felipão tivesse um governo padrão PT não poderia escalar 11. Ia escalar 39 jogadores”, afirmou.

Provável candidato do PSDB à presidência da República em 2014, o senador teve um encontro fechado no início da noite com integrantes da Sociedade Rural Brasileira (SBR) na sede da entidade, no Centro de São Paulo. Durante o evento foi possível ouvir do lado de fora da sala  Aécio comentar os recentes protestos ocorridos no pais.

“A população na rua está dizendo que as coisas não vão bem. Precisamos de uma agenda nova para o Brasil e isso depende de pessoas com coragem. Eu tenho coragem”, afirmou.  Questionado por jornalistas ao final do evento, Aécio afirmou que falou na condição de presidente do PSDB, principal partido de oposição.

 

Fonte: G1

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