PSDB-SP avalia chapa puro sangue nas eleições

Possibilidade ganha força nos bastidores da legenda na tentativa de dar espaço para ‘nova geração’ da sigla; vaga é disputada pelo DEM e PSD

A possibilidade de o PSDB em São Paulo apostar numa chapa puro sangue nessas eleições para a Prefeitura de São Paulo começa a ganhar força nos bastidores da legenda. Encabeçada pelo ex-governador José Serra, que venceu as prévias do partido, o posto de vice vem sendo cogitado por alguns dos partidos que apoiam o tucano neste pleito, como o PSD e o DEM, mas a tese de uma chapa composta apenas pelo PSDB pode vingar porque agregaria um nome da chamada nova geração da sigla nessa disputa, manteria a hegemonia da legenda e seria estratégica para as eleições gerais de 2014, caso o ex-governador decida alçar voos mais altos, como a disputa pela Presidência da República, se vencer essas eleições municipais.

Caso vingue a tese da chapa puro sangue, um dos nomes mais cotados é o do secretário do Meio Ambiente, Bruno Covas. O nome do secretário tem apoio irrestrito do Palácio dos Bandeirantes. Além da simpatia do governador Geraldo Alckmin, o secretário abriu mão das prévias partidárias em prol da unidade do partido e do pré-candidato José Serra. Além disso, Bruno representa a nova geração do PSDB, tem bom trânsito com a juventude e traria para a disputa um sobrenome de peso, de um dos maiores líderes tucanos e que ainda tem força em boa parte do eleitorado paulista, em razão dos bons resultados de sua gestão, o falecido governador Mário Covas.

Outro nome da sigla que também vem sendo cogitado é o do ex-secretário da Cultura Andrea Matarazzo, muito ligado ao próprio Serra e que também abriu mão das prévias em prol do ex-governador. Se a chapa puro sangue sair e Bruno Covas não for o escolhido, Matarazzo é a opção mais forte, até porque já deixou a secretaria para atuar como um dos coordenadores da campanha do PSDB na Capital. Matarazzo poderá também disputar uma vaga na Câmara dos Vereadores. Seu nome, contudo, não tem o apoio integral do Palácio dos Bandeirantes, como tem o nome de Bruno Covas. O neto de Mário Covas também está com o registro eleitoral em dia para integrar a eventual chapa puro sangue tucana, isso porque transferiu seu domicílio eleitoral de Santos para a Capital, no ano passado, por sugestão do governador Geraldo Alckmin, que antes da entrada de Serra no pleito, pensava em lançá-lo como candidato à Prefeitura de São Paulo.

A indicação do candidato a vice na chapa encabeçada por José Serra também aguarda a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a participação do PSD, partido recém-fundado pelo prefeito Gilberto Kassab, no horário eleitoral gratuito. Caso o PSD ganhe tempo no rádio e na TV, poderá valorizar o seu passe para tentar emplacar um vice na chapa tucana. Neste caso, o nome mais forte é o do ex-secretário municipal de Educação Alexandre Schneider, que deixou o PSDB para ingressar no PSD. Schneider foi chefe de gabinete das secretarias dos Transportes e da Segurança Pública na gestão de Mário Covas e secretário-adjunto de governo durante a gestão Serra na Prefeitura (em 2005), no ano de 2006, foi alçado ao posto de secretário da Educação. Apesar de o PSD estar cotado para integrar a chapa tucana na condição de vice, o prefeito Gilberto Kassab já declarou que seu apoio a Serra é incondicional, independentemente dessa questão.

Renovação. Na avaliação do cientista político Humberto Dantas, conselheiro da ONG Voto Consciente, caso o PSDB opte mesmo por uma chapa puro sangue, com o nome do secretário Bruno Covas de vice, seria a indicação de que o partido está mesmo preocupado com a renovação e a formação de novas lideranças política, o que é um desejo do próprio eleitorado. “Isso canalizaria a abertura de espaço para as novas lideranças e é sempre um bom caminho para a política”, destaca Dantas.

Apesar de a chapa puro sangue ser uma alternativa que vem sendo levada em conta pelos tucanos, o cientista político adverte que se o caminho for esse mesmo, poderá haver um aumento expressivo na fatura cobrada pelos aliados de Serra, como o PSD e o DEM. “Se a chapa tucana for vitoriosa nessas eleições municipais, os aliados poderão cobrar uma fatura mais alta, exigindo mais cargos e participação na nova administração, pois a vice-prefeitura já estará ocupada por um membro do próprio PSDB.”

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