PSDB precisa de unidade interna e de Marina – Por João Bosco Rabello

Eleitor não vota em hipótese, lembra uma velha raposa política, a propósito da dúvida gerada pelo PSDB em torno da candidatura do partido à presidência da República em 2014. A hipótese é o ex-governador José Serra desde que voltou a se movimentar no cenário e teve seu nome incluído, a pedido, nas pesquisas e saiu-se com 14% das intenções de voto contra 13% de seu rival, o senador Aécio Neves.

Números mudam, mas o dano da reprodução no PSDB do cenário de 2010 é incalculável, considerando os dados da pesquisa mais recente. Enquanto os tucanos plantam no eleitor a incerteza entre Aécio e Serra,  Dilma Rousseff e Marina Silva, as duas mais bem avaliadas na pesquisa, vão consolidando posições e polarizando a eleição, nessa fase da campanha.

Menos mal para os concorrentes de Dilma que teoricamente a candidatura de Marina Silva seja uma garantia de segundo turno, mas isso não assegura a vitória para a oposição. Ao contrário, como mostram os números da pesquisa, a vantagem seria da Presidente, especialmente se Marina não conseguir consolidar seu partido, a Rede, em tempo hábil, o que parece bastante provável.

Talvez o dado mais importante da pesquisa, na avaliação de cenários, são os resultados mostrados na simulação de segundo turno, onde a presidente vence com folgada margem. Tomando por base o cenário em que Serra foi incluído, no confronto com Aécio, ela avança de 32 para 53 (21 pontos) e ele de 10 para 29 (19 pontos). No confronto com Serra Dilma avança de 32 para 52 (20 pontos) e Serra de 14 para 31 (17 pontos). Apenas Marina leva vantagem nessa comparação, pois avança 18 pontos (de 23 para 41) enquanto Dilma avança 14 (de 32 para 46).

Um cenário atípico, frisa a mesma fonte, em que um candidato a reeleição, cujo governo tem uma avaliação de 35, alcança um desempenho de 52 em simulação de segundo turno. Só explicável pela fragilidade dos candidatos de oposição, avalia, que acreditam  que um governo apenas regular não os acompanhará num confronto direto. O problema é que a Presidente caiu, mas eles não subiram – e, agora, ela se recupera enquanto eles caem.

O mais perverso para a oposição, é que a recuperação de Dilma deve ser comemorada intramuros, se considerado que o contrário, a continuação de seu declínio, inevitavelmente traria de volta o ex-presidente Lula, cuja avaliação hoje indica vitória no primeiro turno. Por esse raciocínio, para a preservação do equilíbrio da disputa em 2014 é essencial o alento da Presidente nas pesquisas.

Poucos apostam na consolidação da Rede, de Marina, a tempo de disputar a próxima eleição. Ainda que consiga em cima da hora cumprir os prazos legais, não haverá tempo para arregimentar candidatos às eleições para deputado federal e estadual, governadores e senadores. Sobre isso, diz o especialista nessa matéria, o Secretário-Geral do PSD, Saulo Queiroz, responsável pelo êxito da formação do partido:

“A integração na campanha dos políticos tradicionais, vinculados a partidos, muitos com mandatos de prefeito e vereador, é muito importante para o sucesso. Quanto menor o município, mais vital se torna, principalmente naqueles com menos de 20 mil eleitores, que representam mais de 80% do total de 5.400. Eu tenho convicção que se a eleição de 89 não tivesse sido solteira, mas realizada em conjunto com as eleições estaduais, dificilmente teríamos um segundo turno com Collor e Lula. Por outro lado, salvo se algum partido de porte se juntar à sua candidatura, Marina terá exíguo tempo no horário gratuito, o que limita a difusão de imagem e programa”.

De qualquer forma, tudo leva a crer que a ex-senadora manterá em seu torno os 20% de apoio que vem desde a eleição passada, o que a torna peça decisiva para um segundo turno.

Razão pela qual é estranha a indiferença da oposição com suas dificuldades para a formação da Rede.  A essa altura, deveria estar suprindo a falta de estrutura da Rede nos municípios e até mesmo atuando junto aos cartórios para viabilizá-la.

Salvo uma migração grande para o candidato do PSB, Eduardo Campos,  sem a candidatura Marina e, se Serra não for candidato,  a possibilidade de segundo turno é quase nenhuma. Por isso, a unidade interna do PSDB, mais que importante é estratégica e decisiva para o partido.

Apesar de repetir o enredo de 2010, o cenário de conflito entre Serra e Aécio hoje é diferente da eleição anterior. Lá, as pesquisas indicavam que ambos tinham chance contra uma candidata considerada um poste.

Hoje, a candidata é a presidente da República,não mais uma ilustre desconhecida, em busca da reeleição com todos os instrumentos de governo que fazem a diferença.

A estratégia mais indicada para os tucanos, pela leitura da pesquisa, é a soma dos votos dos eleitorados de São Paulo e Minas, os dois maiores, para garantir o segundo turno.

O que implica na união entre Serra e Aécio – este, com 13% que, somados aos 14% registrados por  Serra, representam 28%.

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