Procuradoria pede investigação sobre participação de Lula no mensalão

A Procuradoria da República no Distrito Federal pediu nesta sexta-feira (5) à Policia Federal a abertura de um inquérito para investigar acusações feitas pelo operador do mensalão, Marcos Valério de Souza, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Antonio Palocci.

É primeira vez que será aberto inquérito para investigar se Lula atuou no mensalão.

A PF terá um trâmite burocrático até a abertura oficial do inquérito, que inclui análise de competência para a investigação e quais crimes serão investigados. A polícia, no entanto, não tem atribuição de arquivar o caso sem investigar.

Lula e Dirceu
Lula e Dirceu

Em depoimento em setembro, no meio do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), Valério afirmou que Lula negociou com Miguel Horta, então presidente da Portugal Telecom, o repasse de US$ 7 milhões para o PT.

Segundo pessoas com acesso ao depoimento, sob sigilo, Valério afirmou que o ex-presidente e Palocci reuniram-se com Horta no Palácio do Planalto e combinaram que uma fornecedora da Portugal Telecom em Macau, na China, transferiria o valor combinado para o PT. Palocci sempre negou que a reunião tenha ocorrido.

O dinheiro teria sido usado em campanhas petistas, segundo Valério. Horta também deverá ser investigado quando o inquérito for aberto.

No pedido a Procuradoria pediu que sejam feitas “diligências” para averiguar até a exata data do encontro.

No mês passado, a Procuradoria da República no Distrito Federal analisou o depoimento de Valério e encontrou oito fatos distintos sem ligação entre si. Tomou as seguintes medidas: abriu seis procedimentos criminais em decorrência das acusações feitas por ele e anexou outras duas a inquéritos já abertos na PF.

Os seis procedimentos são preliminares e podem ou não virar inquéritos. O primeiro pedido de abertura de investigação foi feito ontem.

Condenado a 40 anos de prisão no julgamento do mensalão, Marcos Valério fez outras acusações no depoimento, como a de que o ex-presidente Lula conhecia o esquema e se beneficiou com recursos dele. Lula sempre negou o fato.

Um segundo procedimento preliminar foi enviado pela Procuradoria da República no DF à Procuradoria Regional da República da 1º Região. Por se tratar de crime eleitoral, o procurador José Robalinho Cavalcanti não ficou com o caso.

Essa parte da denúncia de Valério trata de suposto caixa dois na campanha de Lula ao Planalto em 2002. A denúncia agora será analisada pelo procurador eleitoral Renato Brill de Góes, responsável por esses casos no Ministério Público Federal.

Nesse fato, Lula não deverá ser investigado caso o procurador também faça um requerimento à PF para abrir a investigação. Apesar de envolver a sua campanha presidencial, ele não é citado diretamente por Valério no episódio.

O depoimento foi prestado às procuradoras Raquel Branquinho e Cláudia Sampaio, esta última mulher do procurador-geral, Roberto Gurgel.

Em entrevista à Folha em janeiro, Gurgel avaliou os depoimentos com “elementos novos, mas nada de bombástico”.

OUTRO LADO

O presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, afirmou em nota que “não há nova informação em relação às que foram publicadas há cinco meses”, quando o jornal “O Estado de São Paulo” noticiou que o depoimento de Valério seria remetido à Primeira Instância da Justiça.

O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, chamou o depoimento de Valério de “invencionice”. Segundo ele, o próprio Horta já negou publicamente qualquer pedido de ajuda financeira ao PT. “Se houver uma investigação, será sobre algo que não ocorreu”, declarou o advogado.

Folha não conseguiu contato com a Portugal Telecom.

 

Fonte: Folha

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