Presidente da CNBB admite surpresa na escolha do novo papa

Conferência também diz que seguirá linha conservadora imposta por Bento XVI.

APARECIDA – Em coletiva de imprensa nesta tarde em Aparecida, no interior de São Paulo, Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), disse que a Jornada Mundial da Juventude manterá sua programação e contará com a visita do novo papa, uma surpresa na escolha do novo líder da Igreja não está descartada.

Dom Raymundo começou a entrevista lendo a nota da CNBB, enfatizando que o trabalho da Igreja terá continuação e a linha conservadora será mantida. “Estamos subordinados a palavra de Deus, com toda a fidelidade”, comentou.

Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
Dom Raymundo Damasceno, presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)

Cinco cardeais brasileiros são elegíveis ao papado, mas dom Raymundo não arriscou palpites. Para ele, não há critérios explícitos para a escolha de um novo líder da Igreja Católica no Mundo. “Temos que escolher o que é melhor para a Igreja e para o Mundo”.

“São muitos os desafios nos dias de hoje. Estamos passando por uma mudança de época e não época de mudanças. Uma mudança muito mais profunda”, avalia o presidente da CNBB.

“Se fosse um brasileiro, seria realmente [um fato] totalmente novo na historia do pontificado”, ao comentar sobre a possibilidade de um brasileiro vir a ser o novo papa. “Pode haver grandes surpresas”, pontuou.

Em sua opinião, no máximo em um mês o novo papa já será anunciado, considerando que Bento XVI foi eleito no segundo dia de conclave – reunião a portas fechadas entre cardeais do mundo todo. Dom Raymundo descartou uma linha menos conservadora dentro da Igreja.

Leia a íntegra da nota da CNBB:

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja” (Mt 16,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB recebe com surpresa, como todo o mundo, o anúncio feito pelo Santo Padre Bento XVI de sua renúncia à Sé de Pedro, que ficará vacante a partir do dia 28 de fevereiro próximo. Acolhemos com amor filial as razões apresentadas por Sua Santidade, sinal de sua humildade e grandeza, que caracterizaram os oito anos de seu pontificado.

Teólogo brilhante, Bento XVI entrará para a história como o “Papa do amor” e o “Papa do Deus Pequeno”, que fez do Reino de Deus e da Igreja a razão de sua vida e de seu ministério. O curto período de seu pontificado foi suficiente para ajudar a Igreja a intensificar a busca da unidade dos cristãos e das religiões através de um eficaz diálogo ecumênico e inter-religioso, bem como para chamar a atenção do mundo para a necessidade de voltar-se ao Deus criador e Senhor da vida.

A CNBB é grata a Sua Santidade pelo carinho e apreço que sempre manifestou para com a Igreja no Brasil. A sua primeira visita intercontinental, feita ao nosso País em 2007, para inaugurar a V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, e, também, a escolha do Rio de Janeiro para sediar a Jornada Mundial da Juventude, no próximo mês de julho, são uma prova do quanto trazia no coração o povo brasileiro.

Agradecemos a Deus o dom do ministério de Sua Santidade Bento XVI a quem continuaremos unidos na comunhão fraterna, assegurando-lhe nossas preces.

Conclamamos a Igreja no Brasil a acompanhar com oração e serenidade o legítimo processo de eleição do sucessor de Bento XVI. Confiamos na assistência do Espírito Santo e na proteção de Nossa Senhora Aparecida, neste momento singular da vida da Igreja de Cristo.
Fonte: estadão

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