Petrobras rescinde contrato com a Delta e nova gestora demite 800

Estatal diz que rescisão ‘foi motivada por baixo desempenho’.
Delta foi retirada de obras do Comperj com contratos de R$ 843,5 milhões.

A J&F, grupo que controla o JBS e que assumiu a gestão da gestão da Delta Construções, confirmou nesta terça-feira (15) que demitiu 800 funcionários após a decisão da Petrobras de rescindir contratos de R$ 843,5 milhões que mantinha com dois consórcios nos quais a construtora  participava e que eram responsáveis por obras no Complexo Petroquímico do rio de Janeiro (Comperj).

De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira, no O Globo, os funcionários demitidos são 500 operários e 300 técnicos. Segundo o jornal, os consórcios terão que retirar as máquinas do Comperj a partir desta terça.

A Petrobras informou que os contratos foram rescindidos na última sexta-feira (11). “A rescisão foi motivada por baixo desempenho”, afirmou a estatal, em nota. “A Petrobras está estudando a melhor solução para evitar impactos no cronograma do Comperj”, acrescentou.

A empresa informou que os contratos cancelados era com os Consórcios Itaboraí-URE e Itaboraí-HDT, compostos pelas empresas Delta, TKK Engenharia Ltda e a Projectus Consultoria Ltda. “O contrato com o Consórcio Itaboraí-URE, no valor de R$ 532 milhões, foi celebrado para realização de serviços de construção e montagem da Unidade Industrial de Tratamento, Recuperação e Armazenamento de Enxofre. Já o contrato com o Consorcio Itaboraí–HDT, no valor de R$ 311,5 milhões, objetivava os serviços de construção e montagem da Unidade de Hidrotratamento de Nafta”, informou a Petrobras.

Segundo a estatal, o contrato com a Delta na obra da Etapa 2 da reforma e modernização da Unidade de Tratamento de Águas Ácidas da Reduc, que se encerra em junho próximo, está mantido. De acordo com a reportagem do O Globo, o contrato foi assinado em 2009, no valor de R$ 129 milhões.

A Petrobras não informou se existem outros contratos assinados com a Delta.

Segundo a assessoria de imprensa da J&F, o grupo recebeu com surpresa a informação sobre a rescisão do contrato e vai apurar o que ocorreu para tomar providências. A holding informou também que manterá o esforço para tentar preservar os cerca de 30 mil empregos da Delta em obras em todo o país.

Transferência de gestão
O executivo Humberto Junqueira Farias, 44, assumiu nesta segunda-feira (14) o cargo de presidente da Delta, após a J&F assumir a gestão da construtora. Pelo acordo de gestão fechado, a J&F terá direito de substituir toda a estrutura administrativa da Delta. De acordo com a companhia, uma auditoria será feita na construtora nos próximos meses pela KPMG e, a após os resultados, será tomada a decisão pela compra ou não da Delta.

Na sexta-feira, tanto o Planalto quanto a J&F negaram qualquer interferência do governo federal no processo de venda da Delta.

J&F
A J&F engloba os negócios da família Batista, a mesma que controla o JBS, além da Eldorado Brasil, do setor de celulose; a Flora, empresa de produtos de limpeza; e o Banco Original, com foco em financiamento do agronegócio.

Em março deste ano, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles passou a ser o presidente do conselho da J&F. A família Batista mostrou nos últimos anos ser uma especialista em formar grandes companhias por meio de aquisições a baixo custo de empresas em dificuldades financeiras.

Denúncias
Relatório da Polícia Federal apontou que Carlinhos Cachoeira passava informações sigilosas de licitações públicas para Claudio Dias Abreu, diretor afastado da Delta em Goiás. Áudios também apontam o envolvimento do ex-diretor da Delta Carlos Pacheco com o grupo. Fernando Cavendish, dono da construtora, foi citado em escutas, mas não conversa diretamente com Cachoeira. A PF diz que a Delta repassava dinheiro a empresas fantasmas controladas por Cachoeira.

Desde então, a empresa deixou obras nas quais participava em consórcio com outras empreiteiras e vem sofrendo pressão para abandonar empreendimentos estatais que toca sozinha. No último dia 25, a Delta divulgou um comunicado no qual a empresa assegurava que “continuará a cumprir seus contratos, obrigações e compromissos assumidos com seus fornecedores e clientes, com a habitual regularidade”.

Poucos dias antes, no entanto, segundo notícias publicadas na mídia, a empresa deixou de fazer aportes no consórcio responsável pela reconstrução do Maracanã. No dia seguinte ao comunicado, a empresa deixava outro consórcio no Rio de Janeiro.

No final de abril, Cavendish anunciou sua saída do conselho de administração da empresa. Um antigo diretor da empresa deve ser chamado para prestar depoimento na CPI criada para investigar as denúncias contra Cachoeira e políticos, enquanto parlamentares ainda pressionam para que o novo presidente compareça à comissão.

Fonte: G1.globo.com

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