Pessoas que constroem esperança! – Por Dom Moacyr Grechi

Encerrando o mês de agosto, celebramos o protagonismo dos leigos chamados a participar na ação pastoral da Igreja, nos diversos ministérios e serviços da comunidade, de modo particular, aqueles que atuam diretamente no ministério da catequese.

“Aos catequistas, delegados da Palavra e animadores de comunidades que cumprem uma magnífica tarefa dentro da Igreja” (LG 31-33; GS 43; AA 2) fazemos votos que continuem “no compromisso que adquiriram no batismo e na confirmação” (DAp 211). A Igreja “agradece-lhes o generoso empenho com que difundem o Evangelho nos vários âmbitos da vida diária” (VD 84).

Dom Moacyr Grechi - Arcebispo Emérito de Porto Velho
Dom Moacyr Grechi – Arcebispo Emérito de Porto Velho

O documento de Aparecida ao recriar a comunidade eclesial como uma comunidade de sujeitos reafirma que “a condição dos discípulos brota de Jesus Cristo como de sua fonte pela fé e pelo batismo e cresce na Igreja, comunidade onde todos os seus membros adquirem igual dignidade e participam de diversos ministérios e carismas (DAp 184). Todos os fiéis leigos e leigas são chamados a serem discípulos e missionários de Jesus e “Luz do Mundo”.

Protagonistas da Nova Evangelização, da promoção humana e da cultura cristã (SD 97), homens e mulheres da Igreja no coração do mundo e do mundo no coração da Igreja (DP 786) realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo (LG 31). Com seu testemunho e sua atividade, contribuem para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho. São parte ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais a favor da comunidade. A construção da cidadania no sentido mais amplo e a construção de eclesialidade nos leigos são um só e único movimento (DAp 209-215).

O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, da comunicação e outras realidades como o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento (EN 70).

Dessa forma, cresce nas comunidades o princípio da corresponsabilidade. Leigos comprometidos que participam como sujeitos, com vez e voz, tanto do planejamento pastoral como do processo de discussão e decisão. “Os leigos devem participar do discernimento, da tomada de decisões, do planejamento e da execução (DAp.371).

As Diretrizes da Igreja ressaltam: “Os leigos, corresponsáveis com o ministério ordenado, atuando nas assembleias, conselhos e comissões, tornam-se cada vez mais envolvidos no planejamento, na execução e na avaliação de tudo que a comunidade vive e faz” (DGAE 104).

No Documento de Aparecida, somos chamados a viver nossa vocação missionária nas paróquias que devem ser “comunidades de comunidades”, “centros de irradiação missionária” e “lugares de formação permanente” (DAp 304-306). Este princípio da missão parte do “mandato de Jesus de ir e fazer discípulos (Mt 28,20) que nos impele a “sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de “sentido”, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Somos testemunhas e missionários: nas grandes cidades e nos campos, nas montanhas e florestas de nossa América, em todos os ambientes da convivência social, nos mais diversos “lugares” da vida pública das nações, nas situações extremas da existência, assumindo ad gentes nossa solicitude pela missão universal da Igreja (DAp 548).

Graças à atuação dos leigos, presbíteros, seminaristas, diáconos, crescem as Comunidades missionarias que são sinal de vitalidade da Igreja e instrumento de formação e de evangelização, verdadeiras escolas que formam discípulos missionários do Senhor. Da vocação dos discípulos brota o zelo missionário. O encontro, o discipulado e a missão acontecem na comunidade. Assim a construção da Esperança a serviço da vida, da justiça e da paz.

Pessoas de fé que constroem a esperança querem “ser uma Igreja viva, fiel e crível, que se alimenta na Palavra de Deus e na Eucaristia” (Pe. Beozzo).

Esperam viver o seu ser cristão com alegria e convicção como discípulos missionários de Jesus Cristo, formando comunidades vivas que alimentam a fé e impulsionam a ação missionária, mantendo com renovado esforço sua opção preferencial e evangélica pelos pobres. Acompanhando os jovens na sua formação e busca de identidade, vocação e missão, renovando a sua opção por eles. Trabalhando com todas as pessoas de boa vontade na construção do Reino, fortalecendo com audácia a pastoral da família e da vida. Valorizando e respeitando os povos indígenas e afrodescendentes. Avançando no diálogo ecumênico “para que todos sejam um”, como também no diálogo inter-religioso. Fazendo de nosso país um modelo de reconciliação, de justiça e de paz. Cuidando da criação, casa de todos, em fidelidade ao projeto de Deus, colaborando na integração dos povos da América Latina, para que este Continente da esperança seja também o Continente do amor, da vida e da paz!

Catequistas e Catequese Renovada

Em sua mensagem a todos os leigos catequistas, a CNBB, ainda em pleno Ano da Fé, faz a memória do documento “Catequese Renovada”: “desejo que cada um de vocês sinta profunda alegria, não somente pelo documento escrito, mas por causa de toda a vida que ele gerou e impulsionou em nossa caminhada eclesial”.

O documento 26: “Catequese Renovada” completa seus 30 anos de existência neste ano de 2013. Muito mais que um documento trata-se de um grande espírito de renovação, não só na catequese, como de toda a ação evangelizadora da Igreja. Ao propor novas metodologias, novo dinamismo e um renovado ardor missionário, o documento abriu caminho para o processo de Iniciação à vida cristã com inspiração catecumenal e para a animação Bíblica da vida e da pastoral. “A Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Sua finalidade é a maturidade da Fé” (CR).

O documento Catequese Renovada foi muito valorizado pelos catequistas leigos, que viram nele um apoio para a construção da sua identidade.

Inculturação foi uma postura que uniu duas orientações fortes do documento: a interação entre fé e vida e a importância da comunidade, considerada em si mesma como catequizadora. A fidelidade ao espírito do documento foi exigindo a reflexão sobre novos aspectos da realidade e sua incorporação ao trabalho catequético. Esse documento valorizou a pessoa do catequista, seu carisma, suas aspirações. Esse catequista visto inicialmente como um militante da causa do evangelho, foi sendo cada vez mais contemplado como ser humano integral, com emoções, necessidades afetivas, carências a ser supridas, história de vida a ser considerada. O catequizando também foi sendo percebido assim. Palavras como afetividade e acolhimento apareceram cada vez mais na formação dos catequistas e no discurso geral da Igreja. A individualidade, tão cara ao mundo moderno, foi valorizada, distanciando-se, ainda que devagar, do conceito negativo do individualismo egoísta que impede a solidariedade comunitária e o empenho pelo bem comum (Therezinha Motta Cruz).

O documento Catequese Renovada destaca outro tipo de destinatário: “A catequese comunitária de adultos, longe de ser apêndice ou complemento, deve ser o modelo ideal e referência, a que se devem subordinar todas as outras formas da atividade catequética. Ela deve receber uma atenção prioritária em toda paróquia e comunidade eclesial de base” (CR 120).

A história do processo desenvolvido a partir da Catequese Renovada mostra que a trajetória desse documento foi bem o que deveria ser: provocou mudanças, deu um apoio à identidade dos catequistas, mas não se tornou um texto tão absoluto que bloqueasse a novidade na caminhada. Foram anos de construção de caminho, de estímulo à renovação de práticas e atitudes, mantendo a fidelidade às fontes. Quem de fato fez parte dessa história sabe que precisa continuar crescendo, descobrindo, inovando. Um catequista bem formado e informado, sólido na fé e, ao mesmo tempo, flexível, aberto ao diálogo e ao novo, original, é o melhor fruto que se pode esperar desse tempo de trabalho e reflexão.

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