Parto natural de Kate Middleton vira exemplo nas maternidades

Na contramão desses números, uma nova geração de mulheres vem  fazendo uma reavaliação e optando pelo parto normal

Quando a duquesa de Cambridge Kate Middleton saiu damaternidade e mostrou seu bebê ao mundo na última semana, chamou atenção pelo ânimo e a disposição apresentados no dia seguinte após ter dado à luz George Alexander Louis, seu primeiro filho.  De acordo com o jornal Daily Mail, Kate deu à luz por meio de um parto normal   que durou cerca de 11 horas.

Kate Middleton, Gisele Bundchen e Daniele Suzuki e outras famosas optaram pelo parto normal
Kate Middleton, Gisele Bundchen e Daniele Suzuki e outras famosas optaram pelo parto normal

A escolha da princesa reacendeu as discussões sobre o sobre o parto natural.  O procedimento ainda sofre resistência no Brasil: o país tem o maior número de partos feitos por cesárea na America Latina, com mais 50% de nascimentos por meio da cirurgia, de acordo com o Unicef, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que sejam somente 15%.

Mudança

Na contramão desses números, uma nova geração de mulheres vem  fazendo uma reavaliação e optando pelo parto normal. Mãe de dois filhos, um nascido por meio de cesariana e outro pelo parto natural, a representante comercial Thati Guimarães é uma delas.

Quando ficou grávida pela primeira vez aos 20 anos, Thati optou pela cirurgia para dar à luz a filha Vitória Guimarães, hoje com 16. Na gravidez do segundo filho, porém, escolheu ter Danilo Guimarães, agora com 10 meses, pelo parto natural.

“Na primeira gravidez eu não sabia muito sobre o assunto, não tinha muita informação. Não tinha uma opinião formada, mas no decorrer da segunda gravidez li muitas coisas, vi vídeos e decidi que seria normal”, conta. “Existe todo um mito em torno do parto natural, principalmente relacionado à dor. Não vou dizer que não senti, porque ela existe, mas acontece de forma natural. A cada contração você sente que você está mais perto de ver seu filho”, relata.

Para se preparar para o nascimento de Danilo, Thati contou com a ajuda da doula e educadora perinatal Renata Rivas, com quem fez um plano de parto e decidiu detalhes como seria o processo de dar à luz ao seu novo bebê. A profissional é responsável por dar suporte físico e emocional para mulheres antes e durante o parto. “Foi fundamental ter o apoio dela e me informar”, diz Thati.

De mãe à doula

A própria Renata se descobriu como doula após ter o filho por parto normal e pesquisar sobre o assunto em literaturas. Depois da experiência, “passou o resguardo relatando e encorajando as amigas a passarem pelo mesmo”, quando finalmente pode acompanhar o primeiro parto.  De lá pra cá, acompanhou mais de 40 partos até mesmo conciliando com a amamentação e cuidados do próprio filho de um ano e quatro meses.

“A mulher ao se preparar para receber esse bebê, tendo acesso à informação correta e à possibilidade de vivenciar o parto, dificilmente fará outra escolha”, afirma Renata. “Grupos de apoio ao parto ajudam nessa tomada de decisão. Lá é possível encontrar outros casais e os profissionais podem dar o subsídio que ela precisa para fazer suas escolhas”, completa.

Em casa

Para a médica especialista em Naturopatia e Medicina Natural, Ivany Silva, o parto normal é  respeitoso com o corpo e a fisiologia da mulher e com a maturação do bebê, além de a recuperação ser rápida e tranquila. “É um equívoco pensar que a dor é insuportável, que um parto natural é uma agressão, parir é um ato de coragem, saúde e uma grande responsabilidade”, diz.

As pesquisas e experiências sobre o assunto fizeram a médica – que já trabalhou em comunidades do Amazonas e vive em Salvador – escolher o parto natural para o nascimento dos dois filhos. A decisão foi dar à luz em casa, em parto natural de cócoras, método que ela acredita ser mais fácil para o nascimento da criança.

Ela também destaca a cesária como um procedimento cirúrgico importante, que não deve ser descartado, mas somente ser utilizado por indicação médica. “Ele deve ser feito se houver incapacidade ou qualquer tipo de contraindicação ou risco para um parto natural, e não da forma indiscriminada e corriqueira da atualidade”, opina. “Muitas mulheres preferem fazer uma cirurgia a parir natural, e muitos profissionais preferem agendar a cesariana e não correr o risco de ter que fazer partos fora do horário de suas agendas”, finaliza.

Normal x Cesariana

De acordo com dados do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Saúde Complementar, na rede pública 61,1 % dos partos são normais e 38,4% cesarianas. Na rede suplementar, custeadas com convênios médicos, apenas 16,92% mulheres dão à luz por parto normal e as cirurgias cesarianas dominam em 83,08% dos nascimentos.

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