O circo – Por Alexandre Garcia

A Copa das Confederações foi encerrada sem a presença da presidente da República, que a abriu, e sem o ex-presidente Lula, que foi o responsável pelas copas e seus estádios.

O ex preferiu ir para a Etiópia e a atual preferiu ficar no palácio, imune a vaias. Com a pesquisa de opinião mostrando a aprovação de 65% despencar para 30%, talvez ela comece a pensar que as ruas tenham razão e que a realidade não seja aquela que a propaganda do governo costuma mostrar. Afinal, a opinião de ruim e péssimo quase triplicou e a nota para a administração da Economia, que já estava baixa, em 49%, foi para 27%.
Se serve de consolo, a aprovação do governo FHC, em 1999, caíra a 13%.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

A presidente quer mostrar reação, reunindo o ministério solenemente. Contando os ministros, o vice-presidente e assessores especiais, chegam a 44 em torno dela. É como se Felipão estivesse conduzindo, no gramado, os times do Brasil, Espanha, Itália e Uruguai – todos ao mesmo tempo. Nem Scolari, um especialista em converter um bando em equipe, seria capaz de encontrar uma tática vencedora para um time de 44. A presidente poderia, como sinal de que está entendendo a voz das ruas, anunciar que está cortando pela metade o número de ministros e o número de comissionados, 22 mil ao todo.

No entanto, como diversionismo, anuncia que vai propor um plebiscito para fazer reforma política, para a qual teria que haver mudanças na Constituição. Ela poderia, se quer mudar a Constituição, propor alterações no capítulo que trata do serviço público.

Poderia propor, por exemplo, que o acesso ao serviço público, federal, estadual e municipal, só pudesse ser feito de dois modos: pelo voto ou por concurso. E a emenda à Constituição poderia ir além: que o integrante do serviço público fosse obrigado a usar exclusivamente o serviço público: transporte público para ir ao trabalho, escola pública para os filhos e nada de Sírio-Libanês, mas hospital do SUS.

E aposentadoria pelo INSS. E nada de guarda-costas, e sim a mesma segurança pública que é prestada a todo cidadão.

Garanto que os serviços públicos ficariam dignos de direitos humanos. Padrão Fifa. Também a Justiça está na berlinda. 74% dos petistas e peemedebistas entrevistados pelo Datafolha querem na cadeia os mensaleiros condenados.

Por enquanto, a iniciativa é das ruas, mas se as ruas morderem a isca do plebiscito, o governo assumirá a iniciativa e conduzirá as ruas para os rumos de outros interesses. Aí, cabe a milenar pergunta do direito romano: “Cui prodest”? – a quem interessa?

A quem interessa desviar as atenções para um plebiscito, abafar as ruas e fingir que muda para não mudar? Os governos – também de governadores e prefeitos, que igualmente caem nas pesquisas – continuam a julgar que são os pastores de um rebanho que não pensa. Terminado o circo do futebol, inventam o do plebiscito.

Deixe seu Comentário