Novo governo do Paraguai não vai aceitar ser suspenso do Mercosul

Chanceler do governo de Franco reclamou que defesa não foi ouvida.
Ele afirmou que gabinete paralelo anunciado por Lugo é ‘uma piada’.

O novo chanceler do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, disse nesta segunda-feira (25)  que o país não aceitará a suspensão do Mercosul, conforme anunciado na véspera pela presidência do bloco comercial.

“Não aceitaremos a suspensão em razão de que se aplica o protocolo de Ushaia 1”, disse. “Não se pode aplicar nenhum tipo de sanção sem nos escutar. É curioso que países que questionaram a brevidade do prazo do julgamento político agora nos acionem sem escutar a defesa.”

O presidente do Paraguai, Federico Franco, faz reunião com o gabinete nesta segunda-feira (25)

A declaração foi feita após a cerimônia de posse do novo ministério do presidente Federico Franco, três dias após o contestado processo de impeachment de Fernando Lugo, que deixou as novas autoridades paraguaias em uma situação de isolamento em relação a seus vizinhos e parceiros sul-americanos.

Questionado sobre o “gabinete paralelo” anunciado pouco antes pelo presidente afastado Lugo, o chanceler do governo de Franco disse que se tratava de “uma piada”.

“Lugo é ex-presidente do Paraguai, não tem nenhuma função administrativa”, disse. “Se ele falar como presidente, que se apliquem as sanções previstas na legislação paraguaia.”

A entrevista foi dada após Franco tomar juramento dos novos ministros. O novo governo ainda não escolheu o ministro da Fazenda.

Crise no Paraguai
Federico Franco assumiu o governo do Paraguai na sexta-feira (22), após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra Lugo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país. A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira “imprópria, negligente e irresponsável”.

Ele também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas e não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.

O processo de impeachment aconteceu rapidamente, depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do então vice-presidente Franco, retirou seu apoio à coalizão do presidente socialista.

A votação, na Câmara, aconteceu no dia 21 de junho, resultando na aprovação por 76 votos a 1 – até mesmo parlamentares que integravam partidos da coalizão do governo votaram contra Lugo. No mesmo dia, à tarde, o Senado definiu as regras do processo.

Na sexta, o Senado do Paraguai afastou Fernando Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo.

Em discurso após o impeachment, Lugo afirmou que aceitava a decisão do Senado.

Mas, neste domingo, Lugo voltou atrás, aumentou o tom disse que não reconhece o governo de Federico Franco e que não deve, portanto, aceitar o pedido do novo presidente para ajudá-lo na tarefa de explicar a mudança de governo a países vizinhos.

Isolamento
O analista político José Carlos Rodríguez, um consultor em Assunção, disse à Reuters que apesar do isolamento internacional, o apoio das forças políticas locais a Franco é amplo, mas advertiu que o cenário interno pode mudar.

Franco “tem um apoio político gigantesco, mas é conjuntural e não sabemos quanto tempo vai durar”, disse.

Fonte: G1.globo.com

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