MANAUS URGENTE – Por Artur Neto

Curitiba foi tão bem governada por Jaime Lerner (em vários mandatos) que virou cidade à prova de maus Prefeitos. Mesmo que o gestor seja incapaz, certos mecanismos devidamente enraizados na prática administrativa servem para impedir o desastre.

Daí a presença do verde, dos belos parques. Do sistema de transporte mais eficaz do país. Há problemas, não é a perfeição, mas é sustentável e plenamente administrável.

Lerner adotou as medidas necessárias no tempo certo, dando rumo à cidade, tornando certas práticas e conquistas irreversíveis. Manaus, ao contrário e infelizmente, poucas vezes foi dirigida com coragem e desprendimento reais. Quase sempre foi vista como trampolim político. Quase nunca foi visualizada como um fim nela mesma. Sempre um meio, quase nunca um fim.

Artur Virgílio Neto é Diplomata e foi líder do PSDB no senado

Manaus já foi bela cidade portuguesa. Seu centro histórico e seus monumentos (o Teatro Amazonas é o mais notável) encantavam visitantes e moradores. Seus igarapés de águas límpidas e frias banhavam corpos, almas, corações.

Cresceu desordenadamente. A postura pública passou a ser desrespeitada. O interior foi esvaziado economicamente e o êxodo foi na direção da capital, que se favelizou e encheu de mazelas: prostituição, criminalidade, bairros desorganizados, crescendo mais pela obstinação dos seus moradores que por orientação de Prefeitos.

Hoje, o medo impera. As pessoas de bem, a partir de certa hora, trancam-se em casa e os bandidos tomam conta das ruas, invertendo a ordem natural das coisas.

Manaus precisa de urgência. De recuperar o tempo perdido. De coragem. De gestores que tomem decisões sem se preocupar se a próxima eleição lhes será favorável ou não.

Precisa de diretrizes justas, que sejam implantadas sem recuos e se tornem irreversíveis. Precisa “curitibar-se”; recuperar o encanto; parar de sofrer com a tortura imposta aos usuários do precaríssimo sistema de transporte coletivo; ir virando-se de frente para o mágico rio Negro.

Precisa de amor. E amar não é mentir para a pessoa amada. É ser duro às vezes. É fazer o que precisa, dizer o que tem de ser ouvido, porque são os gigolôs – e não os verdadeiros amantes – a dizer somente o que agrada, fazendo da insinceridade sua arma de sedução.

É procurar fazer feliz quem a gente quer bem. E não se exercita o bem querer oferecendo drogas, que dão prazer fugaz, viciam e infelicitam, a quem merece carinho, respeito e futuro.

Manaus precisa de quem a ame com força. Não de quem a use como objeto descartável. Ou de quem entenda amor como a convivência enfadonha de pessoas que meramente se suportam, sem emoções, sem poetizar o cotidiano.

Manaus é homem? Que lhe ofereçam, então, neste momento, uma fêmea enérgica e sensual.
Manaus é mulher? Pois que lhe ofertem um macho alfa, capaz de senti-la e protegê-la.

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