MANAUS – Por Artur Neto

Quando fui prefeito de Manaus (1989/92), encontrei uma cidade devastada financeira e institucionalmente, com a economia brasileira em crise (hiperinflação da era Sarney e, depois, inflação alta com forte queda do PIB no período Collor) e uma arrecadação insignificante, se comparada com os R$3,6 bilhões anuais atuais.

Não havia coleta de lixo sistematizada; cumprimos essa tarefa. Pegamos a frota de ônibus mais velha do País; entregamos a segunda mais nova, atrás só de Curitiba. Não se cumpriam as exigências do Código de Postura municipal; demos choque de ordem, antipático para alguns, mas necessário para a cidade.
Saúde, para nós, era mais do que inaugurar ou reinaugurar prédios. Era mexer nos indicadores de mortalidade infantil, cuidar das parturientes, não ignorar a pouco populosa zona rural do município, sempre abandonada porque tem poucos votos por lá.

Arthur Virgílio Neto é Diplomata e foi líder do PSDB no senado

O mesmo com a educação. Profissionais bem pagos e aulas dadas com amor. Entrosamento absoluto entre o comando da administração e os funcionários de todos os campos.

As arrecadações da cidade e do estado caíam, pela crise econômica nacional e porque comerciantes inescrupulosos exploravam camelôs nas ruas, sem lhes dar garantias trabalhistas e previdenciárias. Não tive jeito a não ser retirar os vendedores ambulantes do Centro, hoje mais degradado que nunca.

A Organização Mundial de Saúde anunciou que o vibrião colérico desceria o rio Solimões e mataria 10 mil habitantes de Manaus. Tivemos de deslocar feiras, fechar hotéis que funcionavam irregularmente na Joaquim Nabuco e arredores. Preparamos os primeiros agentes comunitários de saúde do Brasil. Resumo: o cólera chegou a Manaus, pegou algumas pessoas, mas não morreu ninguém.

Não fizemos dívidas para sucessores pagarem. Olho com tristeza para Manaus. A greve de ônibus, descabida, não poderia ter acontecido.

Tem de renascer o amor pela cidade em nossos administradores públicos.

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