Líder petista nega recuo na instalação da CPI do Cachoeira

Deputado Jilmar Tatto (SP) diz não haver intenção da sigla de ‘rediscutir’ os rumos da comissão depois de Dilma ter manifestado a Lula sua preocupação sobre a investigação das relações políticas de Carlinhos Cachoeira.

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), afirmou que nesta terça-feira, 17, os partidos já deverão ter concluído o recolhimento de assinaturas para protocolar o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as relações políticas do empresário do jogo, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. São necessários, pelo menos, 171 apoios na Câmara e 27, no Senado, para a criação da CPI mista. “Não há recuo por parte do PT”, disse Tatto. “Essa CPI não é contra a oposição nem contra o governo. É para investigar uma organização criminosa que engendrou no Estado brasileiro”, continuou.

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP)

O líder do PT nega a intenção do partido de “rediscutir” a CPI, depois que a presidente Dilma Rousseff teria se queixado com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a instalação da comissão. Tatto afirmou que a CPI é uma agenda do parlamento. “Esse não é assunto do governo”, disse. “Nunca o governo disse que era para fazer ou que não era para fazer a CPI”, completou.

Enquanto as assinaturas são recolhidas, a oposição traça a estratégia de aproveitar a CPI para tentar trazer de volta à cena o escândalo do “mensalão”, que atingiu o governo do presidente Lula em 2005. Para Tatto, o chamado mensalão tem sua rota própria e os envolvidos no escândalo deverão ser julgados, neste ano, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O líder considera que o DEM e o PSDB buscam desviar o foco da CPI, porque as investigações da Operação Monte Carlo da Polícia Federal chegaram aos dois partidos. O senador Demóstenes Torres (GO) deixou o DEM e responde a processo de perda de mandato no Conselho de Ética do Senado e auxiliares próximos do governador Marconi Perillo (GO) aparecem nas investigações da PF envolvidas com o esquema de Cachoeira.

Assim que for criada a CPI do Cachoeira, os partidos terão 48 horas para indicar os nomes que integrarão a comissão – 15 deputados e 15 senadores, distribuídos entre os partidos de forma proporcional ao tamanho das bancadas. A presidência será ocupada por um senador do PMDB, provavelmente o peemedebista Vital do Rego (PB), e o relator será um deputado do PT. Tatto afirmou não ter decidido ainda o nome do relator. “Vários deputados têm me ligado, colocando-se à disposição, mas ainda não há uma definição”, disse. O líder, no entanto, descarta indicar algum petista que vá disputar as eleições municipais em outubro.

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