Justiça mantém preso lobista do PMDB

Mandado de prisão preventiva foi expedido nesta sexta-feira. Em depoimento, ele assumiu manter contas no exterior, mas negou ligação com PMDB

O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, vai continuar preso na carceragem da Polícia Federal de Curitiba (PR). O juiz federal Sérgio Moro atendeu a pedido do Ministério Público Federal e expediu na noite desta sexta-feira uma ordem de prisão preventiva contra ele pela suspeita dos crimes de corrupção ativa, fraude a licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Baiano é apontado como o principal operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras.

2909715-high-1-size-598Baiano está detido desde a última terça-feira, quando se apresentou aos policiais, após ficar foragido por cinco dias. Ele poderia ser liberado no sábado com o vencimento do mandado de prisão temporária, caso não fosse expedida nova ordem de prisão. Segundo as investigações, Fernando Baiano recebia “comissões” de empresários interessados em prestar serviços para a Petrobras e providenciava o pagamento de suborno para que os contratos fossem firmados com a estatal.

O lobista prestou depoimento à Polícia Federal por cerca de três horas na tarde desta sexta-feira. Ele negou ter ligação com o PMDB e confirmou que mantém contas no exterior, que vão ser rastreadas pelos investigadores. No decreto de prisão preventiva, o juiz destaca que Baiano “recebeu valores milionários em contas no exterior, ainda mantidas em segredo em relação a este Juízo e as demais autoridades públicas, com o que o risco à aplicação da lei penal é claro e imediato, podendo o investigado furtar-se à Justiça e ainda com o produto de sua atividade”. Baiano teve 2 milhões de reais bloqueados na Justiça da empresa Technis Planejamento, da qual é sócio, e 6,5 milhões de reais da Hawk Eyes, igualmente controlada por ele. Foram bloqueados ainda 8.800 reais em contas bancárias do lobista.

De acordo com os depoimentos prestados em acordos de delação premiada pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, Baiano era o intermediário do PMDB nas negociatas. O lobista tinha proximidade com Nestor Cerveró, ex-diretor da área. A ligação de Baiano com Cerveró ficou clara em depoimentos do lobista Júlio Camargo, que atuava pela Toyo Setal. Camargo também fechou acordo de delação premiada com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. O delator disse que pagou 15 milhões de reais a Baiano, exigidos para que um fornecedor fechasse contrato de venda de duas sondas para a diretoria Internacional da Petrobras, na época comandada por Cerveró. Baiano também aparece, em documento apreendido no escritório de Youssef, como  beneficiário de pagamentos de 1,13 milhão de reais.

 

Deixe seu Comentário