Interior do Brasil ainda está à margem da aviação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta terça-feira (21), seu primeiro estudo dedicado a analisar as ligações aéreas entre as cidades brasileiras. O documento Ligações Aéreas 2010 – Redes e Fluxos do Território reflete o que a percepção dos usuários e empresas do setor identificam com facilidade: as viagens estão concentradas nas grandes cidades e têm, em São Paulo, seu principal ponto de embarque e desembarque. A pesquisa mostra que os voos ligando a capital paulista às seis metrópoles mais populosas do Brasil foram responsáveis por transportar mais de 25% do total de passageiros em viagens domésticas. O estudo também retrata uma rede aérea vinculada diretamente à hierarquia urbana, o que reforça a hegemonia das grandes cidades. O inverso também é verdadeiro: quanto menor e mais periférico for o município, mais cara é a viagem aérea e maior é o tempo gasto no deslocamento, principalmente porque são voos com, pelo menos, uma escala.

Tempo de deslocamento  – A unidade da federação onde gasta-se menos com deslocamentos aéreos é Brasília. Quem sai da capital federal perde, em média, 8% do dia voando, enquanto em São Paulo e Rio de Janeiro, o percentual é de 9%. Para quem parte de Tabatinga, no Amazonas, o deslocamento chega a consumir 77% do dia. Um caso extremo é para o passageiro que quer sair de Tabatinga rumo a Belém, João Pessoa, Natal, Fortaleza ou Maceió. Nesse caso, a pessoa chega a gastar mais de 21 horas, segundo a pesquisa. Em termos financeiros, a cidade mais acessível para viajar de avião é Belo Horizonte, onde a média das passagens, em 2010, foi de 186,23 reais, ante a segunda colocada, São Paulo, com 209,24 reais.

Cargas – O transporte de carga é altamente concentrado no Brasil por causa dos altos custos. Mais da metade do tráfego é feito em 10 trechos. A pesquisa do IBGE mostra que o trecho São Paulo- Manaus representa mais de 20% do total da carga transportada em 2010. São Paulo é a cidade de maior centralidade da rede aérea em termos de passageiros e de carga. A capital paulista movimentou, em 2010, 201.132.886 quilos de carga, o que representa 30,25% de toda a carga que circulou pelo país. Em segundo lugar esteve Manaus, com 103.488.125 quilos – ou 15,56%.

Dos 10 principais trechos de movimentação de carga no país, São Paulo aparece como destino ou chegada de oito deles. O principal trajeto é o que liga São Paulo a Manaus por causa da Zona Franca de Manaus. “Isso se deve à Zona Franca de Manaus, que tem nas empresas sediadas em São Paulo seu ponto de comando preferencial, assim como é seu principal mercado consumidor. Percebe-se a hegemonia que a metrópole paulista exerce ao ser a principal origem e destino das maiores ligações de transporte aéreo de carga”, explica o estudo.

O transporte aéreo de carga tem outro fator relevante: economicamente, vale a pena a circulação da carga através do meio aéreo apenas para distâncias longas por causa do alto custo do transporte por unidade. Caso contrário, em localizações mais próximas, outras opções de transporte são preferidas.

 

Fonte: Veja

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