Francisco para presidente – Por Alexandre Garcia

Que tal o título acima? Você, caro leitor, que vem procurando, como Diógenes, a pessoa certa, que acha da ideia? Não vai ser possível, ele não é brasileiro – mas que preenche todos os requisitos, ah, isso preenche. Não conhece os problemas do país? Ora, mas ele sabe ouvir. Se a mocidade voltar às ruas, como ele sugeriu, vai ter humildade e sabedoria não para propor um plebiscito em troca do clamor, mas vai ver o quanto estão vandalizadas a educação, a saúde, a segurança pública. O que falta para os transportes públicos, as estradas, os portos e aeroportos. Vai saber quem vandaliza os impostos, a cidade e o campo. Como tem a virtude da humildade, que é o oposto da arrogância, e, em consequência, é sábio, vai entender as ruas. E uma simpatia que não demonstra cansaço nesse jovem Francisco.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Foi embora deixando saudades, um vazio nos corações, sejam cristãos ou não. Como não veio para fazer política, nem para ouvir discurso de palanque, foi à capital católica do país, Aparecida, mas não foi a Brasília. Mas nas homilias e declarações, fez Política – com P maiúsculo. Disse que o Estado precisa ser laico, para servir a todos – nada de crucifixos como guarda-costas de agentes públicos. E pediu aos jovens que não desistam de lutar contra a corrupção. “Não desanimem, não se acostumem com o mal” – nada como um papa sul-americano para conhecer a passividade de alguns países da região.

Passividade estranha, muito estranha, das polícias militares do Rio e São Paulo. Esperam que destruam e saqueiem, para depois agir. No episódio dos pelados com cara coberta, que chutavam crucifixos e esmagavam imagens de Nossa Senhora nas areias de Copacabana, nenhum policial apareceu para flagrante com base no art. 208 do Código Penal: “Vilipendiar publicamente ato ou objeto do culto religioso” – dá um ano de prisão. Por que tanta omissão? Na verdade, foi uma sucessão de erros, improvisos e amadorismo, mesmo com um ano de planejamento. E o prefeito do Rio, que nada aprendeu com a humildade do papa, ainda se deu nota “perto de 10”.

Também estranho é afirmar que havia 3,5 milhões de pessoas na missa de domingo, em Copacabana. A fé precisa estar afinada com a física. O número, maior que toda população do Uruguai, equivaleria a botar toda população de Salvador e a de Santos, na praia de Copacabana, e usar 70 mil ônibus para transportá-la – o Rio tem 8,7 mil ônibus urbanos. Também demandaria cerca de 35 mil banheiros.

E como a área toda, do Morro do Leme ao Forte, tem 622,5 mil metros quadrados, incluindo palcos e barracas, teríamos que esmagar seis pessoas por metro quadrado. Mas como só ocuparam 2 quilômetros de extensão da praia, e havia espaço entre as pessoas, não peca quem calcular que havia no máximo 700 mil pessoas – o que é muita, muita gente. A fé, que move montanhas, multiplicou o número por cinco.

Deixe seu Comentário