Ficou faltando a CPI das Empreiteiras – Por Artur Neto

Depois da exitosa CPI dos “Anões do Orçamento”, a CPI das Empreiteiras deveria ter sido imediatamente instalada, pelos fatos ali desvendados. Por mil razões, entre explicáveis e obscuras, essa satisfação continua sem ser dada à sociedade.

Mais do que nunca parece claro que uma Delta Construções é vistosa, porque do nada virou a sexta maior empresa do seu ramo no país. Não é, porém, exceção. Se olharmos mais de perto, veremos que a maioria esmagadora dos estados e das grandes prefeituras deve ter a sua “Delta” de estimação. E o seu Cavendish preferido, com mais ou menos acenos a Baco, a depender do temperamento de cada governante.

Artur Virgílio Neto é Diplomata e foi líder do PSDB no senado

O governo federal – não me refiro apenas ao período Dilma Rousseff, – a estar correto raciocínio que esboço, deve abrigar dezenas de “Deltas”. Fernando Cavendish não inventou a propina e a malandragem. Muita gente de hábitos mais elegantes que os dele já trafegava imemorialmente por esses desvãos.

Impressiona a capilaridade de um Carlos Cachoeira, verdadeiramente tentacular, armado de sistema de espionagem ativo e claramente plural em suas relações. Nem por isso é personagem singular no submundo da política e dos negócios. Se verificássemos a fundo, concluiríamos que existem outros “Cachoeiras” federais, estaduais e municipais, certamente “trabalhando” com outras “Deltas” igualmente federais, estaduais e municipais.

Por que não aproveitar a CPI que acaba de ser instalada e, além de dissecar Carlos Cachoeira e Delta Construções, mergulhar fundo no universo das obras fantasmas, superfaturadas, incompletas ou dolosamente efetuadas? Bem mais digno do que atirar no Procurador-Geral da República e na liberdade de imprensa. Bem mais justo com o futuro dos nossos filhos e netos.

Proposta clara: que os deputados e senadores integrantes da presente CPI investiguem tudo, contra quem quer que seja, sem medo, sem mesquinharias, sem diversionismos. Tirem o cavalo da chuva os que sonham ser possível embaralhar o julgamento do mensalão.

Continuando: encerrada essa etapa, esmiúcem as entidades da administração federal que cuidam de obras. Vasculhem estatal por estatal, estado por estado, grande empreiteira por grande empreiteira.

Seria o resgate moral do Parlamento. Golpe de morte na “república do rabo preso”.

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