Falta constante de energia e problemas na rede elétrica em Alta Floresta discutidas em audiência pública

PORTO VELHO – Por iniciativa do deputado estadual Jean Oliveira (PSDB), a Assembleia Legislativa realizou na tarde desta sexta-feira (18), em Alta Floresta do Oeste, uma concorrida audiência pública para discutir a falta constante de energia no município…

Por iniciativa do deputado estadual Jean Oliveira (PSDB), a Assembleia Legislativa realizou na tarde desta sexta-feira (18), em Alta Floresta do Oeste, uma concorrida audiência pública para discutir a falta constante de energia no município e as rotineiras oscilações que geram prejuízos à população.

previewAo fazer a abertura da audiência pública, Jean Oliveira, destacou que “não é possível promover o desenvolvimento sem energia. Alta Floresta cresceu muito e não teve um avanço compatível em sua rede elétrica. Isso tem causado transtornos e prejuízos para toda a população, emperrando o nosso crescimento. Somando-se a isso, houve o incremento da energia no setor rural, com o Luz Para Todos, com novas ligações e sobrecarregando ainda mais o sistema”.

O deputado reforçou que, margeando a cidade, existem cinco Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) instaladas no Rio Branco e uma em construção. “Parece ironia, o município produzir energia e sofrer com a falta constante de eletricidade nas residências, nas empresas, nos comércios e outros. A cidade tem ainda o prejuízo financeiro, por não ter acesso ao ICMS da distribuição de energia, que fica em Rolim de Moura”.

Segundo o parlamentar, “a falta de energia confiável já tem gerado inúmeros problemas para o município, como a não instalação de empresas. Um frigorífico deixou de ser construído na cidade, por falta de energia suficiente”.

Jean Oliveira cobrou do procurador da Eletrobras que haja um controle da tensão da corrente elétrica. “A oscilação constante na rede de energia tem gerado ainda muitos problemas em aparelhos eletroeletrônicos. No campo, com as oscilações e desligamentos, por exemplo, tem afetado os tanques de resfriamento de leite, gerando sérios prejuízos à atividade”, completou.

Participaram da audiência o senador Valdir Raupp (PMDB), os deputados federais Nilton Capixaba (PTB) e Marinha Raupp (PMDB), o presidente da Câmara Municipal de Alta Floresta, Álvaro Bueno (PSD), os promotores públicos Fábio Rodrigo e Márcio Carcará, o prefeito Vantuil do Posto (PMDB), o procurador da presidência da Eletrobras Rondônia, Efraim Pereira, o gerente regional da Eletrobras Rondônia, Wilson Junior e outras autoridades.

Moradores e representantes relatam transtornos

Após a abertura, foi concedida a palavra a representantes de entidades locais. O prefeito Vantuil disse que “precisamos de um socorro imediato. Aqui, foi manifestado o apoio do deputado Jean Oliveira e da bancada federal, agora é o momento de termos soluções práticas, efetivas e urgentes”.

Representando a Associação Comercial de Alta Floresta, Vando Oliveira, disse que “as perdas para reiniciar máquinas e serviços é muito grande. Pedimos que resolvam os problemas. Nós queremos energia confiável, pois somos daqui e queremos investir na cidade”.

O presidente da Associação do Bairro Princesa Isabel, Ailton José desabafou “a energia nossa disponível, dá mal para tocar uma residência. Isso desestimula os empresários e investidores. Nem a iluminação do campo de futebol do nosso bairro funciona adequadamente. Queremos uma resposta concreta, esse sistema antigo, construído há 30 anos, precisa ser renovado. Deu um relâmpago, cai a eletricidade”.

O vereador Nelson Alves, o Nelsinho da 60 (PR), ressaltou que “a nossa população é ordeira, mas vem esperando há anos por uma solução e nada acontece. Qual a causa de tantas interrupções de energia? Temos cinco PCH’s funcionando e a rede elétrica nos deixa na mão. Isso é uma doença, já virou um câncer”.

O professor Luiz Tuparin, representando as comunidades indígenas, disse que “a situação é muito precária dentro da área indígena. Se aqui na cidade está desse jeito, lá está muito pior. Eu moro na última aldeia, há 105 quilômetros daqui. Quando falta energia, geralmente fica de três a cinco dias sem. Mas, a conta chega do mesmo preço, todo mês. E os prejuízos que temos quem vai pagar?”

O presidente da Câmara desabafou: “na verdade, o que gostaria de falar aqui, assim como toda a população, é melhor deixar quieto. Hoje, aconteceu um milagre: choveu e não faltou energia. Não dá para aceitar mais esse tratamento desrespeitoso da Eletrobras Rondônia. Hoje, está pior do que quando havia um pequeno gerador na cidade”.

Ministério Público se manifesta em defesa da população

Os dois promotores públicos presentes à audiência pública manifestaram apoio à cobrança da sociedade de Alta Floresta, por energia confiável.

Fábio Casarin disse que “aqui e em Santa Luzia do Oeste já existe uma ação civil pública que obriga a concessionária a comunicar quando haverá interrupção e estabelece multas, em caso de interrupção, sem a devida comunicação prévia. Já são mais de R$ 1 milhão para cada município em multas aplicadas”.

O promotor ressaltou ainda que, “o consumidor que tiver problemas em aparelhos eletroeletrônicos, em decorrência das quedas de energia e oscilações na rede, deve acionar a empresa para ser ressarcido”.

Já Marcos Carcará declarou que “fico feliz e satisfeito em ver que os Legislativos Estadual e Municipal estão tratando desse assunto, que tanto interessa à população. Vejo com preocupação a forma como a Eletrobras Rondônia tem atuado. É de sua responsabilidade oferecer energia contínua e regular. O Ministério Público não irá mais tolerar que a empresa fique alheia aos problemas. Não apenas as empresas, mas também seus gestores serão cobrados”.

População reclama da queda de energia

Moradores do campo e da cidade relataram as dificuldades que atravessam, com a falta incessante de energia. “Tem dias que falta energia, chega e falta de novo. Isso sem nenhuma explicação”, informou Mário Bento da Silva, 65, que mora em Alta Floresta há duas décadas.

Ilda da Cruz Nogueira, 24, moradora da linha P-42, relatou que “no sábado passado (12), faltou energia pela manhã e só chegou no começo da tarde do domingo (13)”.

O comerciante Cláudio Kerder, 47, morador de Alta Floresta há 28 anos, disse que tem amargado prejuízos com as faltas constantes de eletricidade. “Basta dar um relâmpago ou ameaçar chover, que a energia vai embora. Quase que diariamente falta energia, em muitos casos, mais de uma vez”.

Bancada federal assume compromisso

Nilton Capixaba usou a palavra e leu oficio recebido da direção da Eletrobras, onde constam ações e serviços previstos para melhorias na rede elétrica de Alta Floresta. “Vocês sabem se alguma coisa foi feita e se houve mesmo alguma melhoria. Pelo visto, não mudou nada. Rondônia produzir energia para o país e uma cidade importante ficar sem energia”, afirmou.

Marinha Raupp declarou que a bancada federal está unida, para buscar que os direitos da população de Alta Floresta sejam assegurados. “Se há vontade política, precisa definir a questão técnica para fazer os investimentos necessários e Alta Floresta ser atendida com energia confiável”, justificou.

Valdir Raupp relembrou as cobranças em outras épocas por energia. “Há 30 anos, quando ainda era vereador, havia cobrança por energia e hoje estamos novamente tratando desse assunto. Alta Floresta gera muito mais energia do que consome e não pode continuar sendo penalizada. É mais do que justa a reivindicação da sociedade”, afirmou.

Procurador da Eletrobrás Rondônia se explica

Efraim Pereira iniciou a sua fala dizendo que “não é fácil pedir paciência a quem sofre com a falta de energia, ainda mais sendo um município produtor de eletricidade. Mas, quero registrar que não tem como, no setor elétrico, fazer ações imediatas, por sua complexidade e segurança”.

Em seguida, ele apresentou números, informando que são 9.144 usuários no município e que a empresa investiu, nos últimos 12 meses, cerca de R$ 1 milhão em ações preventivas. “A capacidade de transmissão está em 50% ociosas, ou seja, temos energia suficiente e as quedas ocorrem em decorrência da fragilidade da rede, que está sendo corrigida”, garantiu.

Efraim assegurou que as obras de melhorias no sistema de distribuição e de transmissão, com reforço na rede de Santa Luzia até Alta Floresta, serão feitas a partir do próximo ano. “A previsão é de que, até 2015, haja o aumento da capacidade de transmissão. O nosso problema aqui em Alta Floresta é de interrupção de energia. O que precisamos é melhorar a rede, pois há energia suficiente, mas temos essa fragilidade”, explicou.

O deputado Jean Oliveira questionou se, até o final deste ano, a rede será “blindada” para que as interrupções sejam sanadas. “É para isso que estamos trabalhando. Quero, novamente, tranquilizar a população que há carga suficiente. Vamos concentrar forças para que a rede seja protegida, até a chegada dos investimentos na nova linha”.

O procurador da Eletrobras ainda apresentou dados do programa Luz Para Todos, que segundo ele teve a autorização do Ministério de Minas e Energia para ser retomado.

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