Eduardo Campos volta a criticar ‘velhas lideranças políticas carcomidas’

Plateia de mulheres saudou governador de Pernambuco com um coro ‘Brasil pra frente, Eduardo presidente’

RECIFE – O governador Eduardo Campos (PSB), provável candidato à presidência da República, voltou a criticar “as velhas lideranças políticas carcomidas” do País ao falar nesta segunda-feira, 18, para uma plateia de cerca de duas mil mulheres, no teatro Guararapes, no Recife, onde foi ovacionado e alvo de um coro coletivo “Brasil pra frente, Eduardo presidente”.

“Estamos num processo de construção de um novo Brasil, que precisa também de um novo pacto social e político”, disse ele, durante evento em homenagem às mulheres e em defesa da igualdade de gênero. “Não vamos arrancar o resto de machismo que tem na máquina pública desse país com as velhas lideranças políticas carcomidas que nunca assumiram os compromissos de romper com esses cacoetes e deformações”.

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB)
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB)

Para esse novo pacto, segundo ele, “é hora de enxergarmos os desafios de uma grave crise econômica que cerca o mundo desde 2008, como uma oportunidade para que o Brasil possa embalar seus sonhos”.

O governador, que tem assumido uma forte movimentação nacional visando ao fortalecimento do seu nome como presidenciável, também afirmou, em entrevista concedida depois de um outro evento – assinatura de ordem para a construção de um túnel, dentro de um projeto de mobilidade para o Recife – não se sentir alvo da presidente Dilma, que defendeu um pacto de coalizão para garantir a governabilidade e cobrou lealdade dos aliados. “Nossa posição é de solidariedade com esse projeto”, reafirmou, ao lembrar que “foi o PSB, ainda no encerramento de 2012, que colocou essa questão da convergência”.

“Mas, agora precisamos discutir o Brasil e isso não pode ser um incômodo, não pode ser tratado com intolerância àqueles que querem fazer um debate sob uma visão estratégica do País”. Destacou que essa discussão deve ser feita “de forma serena, porque é nossa tradição, com bom senso, mas com a coragem de enxergar adiante”.

Críticas. Indagado se o fato de criticar o governo Dilma – como ele tem feito ultimamente – ajuda a presidente, ele destacou que existem fóruns para as críticas dos aliados mas, na falta de oportunidade, é preciso ter a responsabilidade de falar.

“Aliados do governo quando tem oportunidade de falar devem falar ao próprio governo, quando não se tem essa oportunidade, tem de ter responsabilidade de falar o que a gente deve falar”, afirmou ao exemplificar com uma matéria que o incomodou, a MP dos Portos, que tira a autonomia do Porto de Suape, um dos alicerces do recente crescimento econômico do Estado. “Se eu tivesse sido chamado para discutir internamente a Medida Provisória dos Portos teria falado”, disse.

“Não fui (chamado), fiquei calado, não tive nenhum fórum para me colocar depois dela publicada, vocês (imprensa) me procuram, a comunidade pernambucana com justa razão se preocupa e quer ouvir nossa posição”.

Ele observou ter dito ao ministro dos Portos ser favorável à melhoria dos portos, sim, com investimentos e melhoria do marco legal. “Agora temos três preocupações centrais: os Estados que têm seus portos não percam o resto de autonomia que já foi tirado e muito em 2001 e depois, que não haja ambiente de concorrência desigual”.

Entre risos, disse: “Imagina se eu tivesse falado o que Gerdau falou”, ao se referir ao empresário Jorge Gerdau, que condenou a criação de ministérios, agora num total de 39, para acomodar aliados políticos. E lembrou que o próprio Gerdau, presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência da República, “colocou essa questão (em relação à MP dos Portos), e me parece que o governo já avança nesses dois pontos, de autonomia e concorrência em ambiente similar”. Sobre a terceira preocupação, ele observou que a presidente já respondeu no conselho de desenvolvimento social que não tiraria direitos dos trabalhadores.

Agenda. O presidente nacional do PSB negou estar com uma agenda cheia pelo País por ser possível candidato e que essa movimentação signifique que sua candidatura seja irreversível. “Candidaturas serão discutidas em 2014, até porque ninguém sabe dizer agora o que vai acontecer com cada um dos partidos em 2014, estão todos internamente debatendo”, desconversou. “Em todo partido tem gente pensando de um jeito e gente de outro, o tempo das definições ainda vai chegar”.

Ao responder a uma pergunta se tem teme retaliação do governo federal por conta dessa movimentação política, ele foi taxativo: “Nenhum temor”. “Não é de nossa tradição temer este tipo de coisa e em da presidente agir desta forma”.

Disse ainda estar cumprindo a mesma agenda de sempre, desde antes de 2007, participando de muitos debates e fóruns para falar da experiência no governo estadual, o que ajudou a trazer muito mais investimentos para Pernambuco do que para outros Estados. “Só que agora vira notícia”, disse, ao admitir estar “atendendo a mais telefonemas”.

Ele confirmou que o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), ex-desafeto e agora aliado, quer fazer um debate sobre o pacto federativo no Senado. Falta fechar a data.

Deixe seu Comentário