Dilma diz não recear CPI: se apontar ‘malfeitos’ no Executivo punirá responsável

Em diálogos com seus operadores políticos, Dilma Rousseff afirmou que não receia que a CPI do Cachoeira respingue no seu governo. Declarou que, na eventualidade de surgirem irregularidades relacionadas ao Executivo, o “malfeito” será corrigido e o responsável punido.

Destoando de todos os presidentes que a antecederam, Dilma absteve-se de mobilizar sua infantaria legislativa para deter a CPI. Em privado, afirmou que não gosta nem desgosta da iniciativa. Encara a encrenca como algo que diz respeito ao Legislativo.

Presidente Dilma Rousseff

Manifestou a auxiliares e a lideranças governistas uma única preocupação: não gostaria que a CPI levasse à paralisia das votações. Entre os projetos que deseja ver apreciados cita especialmente a Lei Geral da Copa e as duas medidas provisórias recém-editadas para estimular a indústria.

A Lei da Copa, já aprovada na Câmara, aguarda votação no Senado. Quanto às MPs pró-indústria, em fase inicial de tramitação, ainda terão de ser analisadas e votadas nas duas Casas legislativas.

De todos os fatos que serão objeto de investigação na CPI, a atuação da Delta Construções é, por ora, o que oferece mais riscos ao governo federal. A empresa é uma das maiores tocadoras das obras do PAC.

A Delta já foi alvejada por auditorias da Controladoria-Geral da União. No momento, em ação preventiva, o órgão olha com lupa os contratos da empreiteira com o Executivo. O governo tenta antecipar eventuais dissabores.

Empurrado por Lula, o PT aderiu à CPI, viabilizando-a. Primeiro na Câmara, depois no Senado. As demais legendas do condomínio governista enxergaram no protagonismo petista e no corpo mole do Planalto uma espécie de “liberou geral”.

Sócio majoritário da coalizão, o PMDB seguiu a correnteza. Mas suas principais lideranças fizeram chegar aos ouvidos de Dilma seus receios quanto ao que está por vir. Em conversa com o blog, um desses líderes disse: o movimento do PT foi um “erro”.  Acha que errou também o Planalto ao não levar o pé à porta.

O cenário no Congresso, disse o parlamentar, era de “céu de brigadeiro”. O período eleitoral funcionaria como trégua. “Com a CPI, ninguém sabe o que pode acontecer. A quantidade de fios desencapados é muito grande”. O discurso da tribo do PMDB não é gratuito. Nunca é.

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