Deus habita esta cidade – Dom Sergio Eduardo Castriani

A missão da igreja faz surgir comunidades. Foi assim desde o primeiro anúncio quando na força do espírito os apóstolos deram testemunho da ressurreição de Jesus que fora constituído Senhor.
Os que acreditaram e foram batizados formaram a primeira comunidade cristã, descrita como um grupo que tinha um só coração e uma só alma, não havendo necessitados entre eles. O que os unia era a escuta da palavra, a partilha do pão e a oração comum. Problemas houve desde o início, mas o ideal de vida comunitária permaneceu não como estratégia de evangelização e sim como realização última e definitiva da vocação cristã.

Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo - Metropolitano de Manaus
Dom Sérgio Eduardo Castriani Arcebispo – Metropolitano de Manaus

No credo a igreja professa que crê na comunhão dos santos que é a realização da obra da redenção congregando num só povo os que foram salvos pelo sangue redentor derramado em sinal de uma nova e eterna aliança. Se a igreja algumas vezes se afastou deste ideal, sempre que quis se renovar voltou a ele. Não foi outra, por exemplo, a grande obra das ordens monásticas. Vida de oração e trabalho numa comunidade reunida em torno de um abade, que deve ser obedecido como pai, e tomada de decisões em capítulos que antecipavam e realizavam uma forma democrática de viver.

Na Amazônia, a partir da década de setenta a igreja católica vive uma grande renovação. Assumindo plenamente as propostas e orientações do Concilio Vaticano 2º ela traça grandes linhas de atuação pastoral que vão marcar a sua ação e dar um rosto amazônico mesmo permanecendo católica e em comunhão com toda a igreja. Talvez o que mais marcou foi a opção pelas comunidades. Ao longo dos rios, dos paranás, e à beira dos lagos e igarapés foram surgindo comunidades, no seio das quais se formam lideranças, se assumem causas, se anuncia o evangelho. A boa nova do reino é anunciada a milhares de pessoas que têm suas vidas transformadas numa perspectiva de eternidade que já irrompe no tempo com os sacramentos e a vida renovada em Cristo.

Mas o movimento comunitário também aconteceu na cidade, e na metrópole que é Manaus as comunidades foram se multiplicando de forma capilar. Em todos os bairros, conjuntos, becos, vilas encontramos comunidades vivas e atuantes. O que seria a cidade sem estas comunidades? Ao caminhar com o povo nos becos e ruas de nossos bairros fico imaginando o quanto de humano estas comunidades conservam ao serem espaços de vida cultural e tradicional, quanta cidadania descoberta ou desenvolvida, quanta graça vivida no anúncio da palavra e na celebração dos sacramentos.
As comunidades são de fato a boa notícia de que Deus habita esta cidade e caminha no meio de seu povo. Na semana do aniversário de Manaus agradeci a Deus pela igreja que aqui vive, pela multidão de homens e mulheres de todas as idades e sobretudo pelos jovens que não perdem a esperança que nasce da fé. São o sal e o fermento que impedem a derrocada, são luzes que não podem ser escondidas, mas que como planetas iluminados são estrelas que nos dão a certeza da existência do Sol, que para nós é Jesus.

Deixe seu Comentário