Deputados e senadores negociam formação de chapas para 2018

Deputados e senadores negociam formação de chapas para 2018

Entre os representantes da capital, há pré-candidatos a cargos majoritários e até à presidência da República.

A quinze meses das eleições, os representantes do Distrito Federal no Congresso Nacional intensificam as articulações para a formação de chapas e para a definição de cargos. Há os que miram a reeleição na Câmara dos Deputados ou no Senado, o comando do Palácio do Buriti e, até mesmo, a Presidência da República. Para conquistar as vagas pleiteadas, entre as brechas do cotidiano parlamentar, todos buscam rapidez nas definições do campo eleitoral — um bom tempo de propaganda eleitoral será indispensável no primeiro pleito sem financiamentos de empresas e com menos tempo de campanha.

O deputado federal Izalci Lucas (PSDB) deixou claras as pretensões para o próximo ano: a chefia do Executivo local. Há meses, o parlamentar trabalha na construção de um grupo sólido para alcançar cargos majoritários. Ainda integram a coalizão outros nomes conhecidos da direita brasiliense, como Jofran Frejat (PR),  Alírio Neto (PTB), Tadeu Filippelli (PMDB) e Alberto Fraga (DEM). O lema é que o pré-candidato com as melhores condições até o período das eleições seja o escolhido do grupo para concorrer ao Palácio do Buriti.

A princípio, a tendência era de que, entre os integrantes da aliança, Tadeu Filippelli (PMDB) disputasse a vaga. Contudo, com o desgaste do peemedebista gerado pela prisão temporária na Operação Panatenaico, as portas se abriram — ainda mais — para Izalci. As investigações apontam que Filippelli teria recebido valores indevidos em importantes obras da capital, como na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha e do BRT Sul.

Diante do revés do aliado, Izalci tem aproveitado as oportunidades. Na última semana, pediu que o partido investisse em sua candidatura e encarasse Brasília como prioridade, em encontros com o presidente da Executiva Nacional do PSDB, Tasso Jereissati; com o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV), José Anibal; e com o prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB). “O objetivo foi este: mostrar que a capital é simbólica e que, por isso, o partido deve encará-la como meta, não como coadjuvante”, defendeu o pré-candidato.

Integrante da chapa de Izalci, o deputado Alberto Fraga afirma, em público, que pretende ser o escolhido do grupo para disputar a chefia do Palácio do Buriti. Nos bastidores, trabalha por uma vaga no Senado. Alguns colegas acreditam, no entanto, que o democrata deve optar pela tentativa de reeleição — a hipótese é refutada por ele. “Tive quatro mandatos como deputado federal, não pretendo tentar outro. Se não conseguir a vaga como governador, posso disputar o Senado. Temos de estar abertos ao debate. Pensar individualmente foi o que fez a direita perder as duas últimas eleições”, apontou.

Jogo aberto

Fora do “acordão”, outros nomes também costuram pela conquista de cargos majoritários. O deputado federal e ex-governador tampão do DF, Rogério Rosso (PSD), é cotado para o Senado. Para conquistar a vaga, porém, o pessedista terá de voltar a ficar em evidência, como nos últimos dois anos, quando liderou a Comissão Especial do Impeachment de Dilma Rousseff (PT) e concorreu à presidência da Câmara dos Deputados.

Publicamente, o parlamentar prefere não especificar as pretensões para 2018. “Acho que é muito cedo para pensar nas eleições, independentemente do cargo pleiteado. Estamos estruturando o partido para, mais uma vez, disputar as majoritárias. Temos bons nomes e miramos em novos filiados”, apontou Rosso.

Para candidatar-se a deputado federal ou senador, o pessedista precisará de jogo de cintura para driblar os possíveis danos causados à própria imagem pela Operação Panatenaico. Segundo delações de ex-executivos da Construtora Andrade Gutierrez, Rosso pediu, por meio de um emissário, R$ 12 milhões em propina e recebeu R$ 500 mil. Ele nega as denúncias.

Cambaleante em razão dos escândalos recentes, o PT tem apostas próprias para as próximas eleições. Um dos principais nomes da legenda em Brasília, Erika Kokay (PT) pode disputar uma vaga no Senado ou o comando do Executivo local. A escolha dependerá da distribuição interna de cargos na legenda, que é integrada por outros possíveis candidatos a cargos majoritários, como Wasny de Roure, Chico Vigilante e Ricardo Berzoini. Este último trocou o domicílio eleitoral de São Paulo para o DF neste ano.

Pelo segmento religioso, que deseja abocanhar um posto no Senado ou a vice-governadoria do DF, o nome mais expressivo é o do deputado federal Ronaldo Fonseca (Pros). O parlamentar é coordenador da bancada evangélica na Câmara dos Deputados e presidente da Igreja Assembleia de Deus de Taguatinga.

Laerte Bessa (PR) e Augusto Carvalho (SD) devem postular a reeleição. O primeiro, integrante da bancada da bala, surfará na rejeição de Rodrigo Rollemberg (PSB) na Polícia Civil para ganhar votos. O segundo, eleito com o apoio da coligação que fortaleceu o governador no pleito de 2014, terá de buscar mais apoio para permanecer na Câmara dos Deputados após as eleições de 2018.

Rôney Nemer (PP), por outro lado, nem sequer deve entrar na corrida eleitoral. Condenado em segunda instância por improbidade administrativa no âmbito da Operação Caixa de Pandora, o parlamentar está inelegível e só poderá participar do pleito se conseguir reverter a decisão do Tribunal de Justiça do DF no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Fora

Procurado por dezenas de pré-candidatos que buscam apoio político, o senador mais bem votado do DF, Reguffe (sem partido), decidiu completar o mandato de oito anos e, consequentemente, ficar de fora das eleições de 2018. “Vou honrar integralmente meu compromisso com a população”, disse. Em fim de mandato, a tendência é que Cristovam Buarque (PPS) tente a reeleição. A pretensão do parlamentar, no entanto, é voar mais alto. Como em 2006, ele deseja disputar a presidência da República. “Se o PPS quiser que eu seja candidato, estou pronto. É algo que me entusiasmaria”.

Suplente de Rodrigo Rollemberg no Senado, Hélio José (PMDB) deve enfrentar a difícil missão de se eleger senador sem o apoio do próprio partido. O parlamentar votou contra a reforma trabalhista, uma das principais metas do presidente Michel Temer (PMDB), na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Pela “traição”, o chefe do Palácio do Planalto exonerou dezenas de comissionados de Hélio.

 

Com Informações do Correio Braziliense

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