Deputado estadual prometeu verba a ‘lobista de esquema’

Em grampo, Barbiere negocia repasse a prefeitura indicada por suspeito de ser a ponte entre o poder p√ļblico e uma quadrilha que fraudava licita√ß√Ķes

O deputado estadual Roque Barbiere (PTB) prometeu ao lobista Osvaldo Ferreira Filho, o Osvaldinho, preso na Opera√ß√£o Fratelli na ter√ßa-feira, conseguir recursos p√ļblicos no valor de R$ 250 mil para a Prefeitura de Barretos, interior de S√£o Paulo. Osvaldinho foi assessor do hoje secret√°rio-chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), Edson Aparecido, durante oito anos e √© apontado como o elo entre a empreiteira Demop, acusada de fraudar licita√ß√Ķes, e prefeituras paulistas.

Roque Barbiere
Roque Barbiere

Barbiere n√£o √© investigado e caiu no grampo da Pol√≠cia Federal porque o celular do lobista estava sendo monitorado. Em liga√ß√£o de 1.¬ļ de fevereiro, √†s 14h56, Osvaldinho procura Barbiere e diz a ele: “T√ī precisando de uma ajuda sua. N√≥s tamo fazendo um neg√≥cio aqui em Barretos e aqui tem uma epidemia de dengue do c… Se eu levar o prefeito a√≠, voc√™ n√£o arruma uns 250 mil pr√° ele? Na sa√ļde?” O deputado estadual do PTB responde: “Arrumo, u√©, fazer o qu√™? Alguma vez c√™ me pediu alguma coisa e eu falei n√£o pra voc√™? C√™ t√° acostumado com esses tucanos que s√≥ prometem e n√£o cumprem nada!” Osvaldinho d√° sequ√™ncia: “Isso √© verdade, t√ī acostumado com os tucanos. Eles prometem e a hora que voc√™ vai ver, c… em cima da gente”.

Guilherme √Āvila (PSDB), prefeito de Barretos, confirmou, por sua assessoria, que no Encontro de Prefeitos conheceu “v√°rias pessoas” que se dispuseram a ajudar o munic√≠pio, entre elas Osvaldinho, “que se apresentou ao prefeito”. No evento, no Memorial da Am√©rica Latina, dia 13 de mar√ßo, Alckmin anunciou a libera√ß√£o de R$ 2,46 bilh√Ķes em investimentos para administra√ß√Ķes municipais.

Barbiere √© o delator do esquema de venda de emendas parlamentares. Em agosto de 2011 ele revelou que entre 25% e 30% de seus pares na Assembleia Legislativa de S√£o Paulo “vendem emendas e enriquecem”. Nunca citou nomes. O promotor Carlos Cardoso ficou respons√°vel pela investiga√ß√£o por mais de um ano, mas aposentou-se e nada descobriu.

Osvaldinho foi preso pela Opera√ß√£o Fratelli, desencadeada na ter√ßa feira. Ele √© investigado por suposto envolvimento em esquema de corrup√ß√£o e fraudes em licita√ß√Ķes municipais com recursos de emendas parlamentares e conv√™nios com minist√©rios do governo Federal. Entre 2002 e 2010, Osvaldinho foi assessor de Edson Aparecido, na Assembleia Legislativa e na C√Ęmara dos Deputados.

Tamb√©m foi preso o empres√°rio Ol√≠vio Scamatti, das rela√ß√Ķes pessoais de Aparecido. Controlador do Grupo Demop, empreiteira que teria sido a principal beneficiada em licita√ß√Ķes dirigidas, Scamatti √© apontado como l√≠der do grupo que mantinha sob seu controle as administra√ß√Ķes de pelo menos 78 munic√≠pios paulistas.

“√Č verdade isso a√≠”, disse Barbiere ao Estado ao confirmar o pedido de Osvaldinho. “O prefeito esteve comigo, um rapaz novo, barbudo. Foi no meu gabinete. N√£o fiz emenda. Perguntei quantos votos eu tive em Barretos e disse a ele: ‘O que eu posso fazer para voc√™ √© marcar uma audi√™ncia na Secretaria de Sa√ļde, voc√™ vai l√°’. N√£o sei o que o Osvaldinho prometeu para ele, mas posso auxiliar qualquer prefeito com dificuldade de audi√™ncia com secret√°rio. N√£o h√° il√≠cito nisso, √© um trabalho pol√≠tico. Se descobrir um prefeito, nesses meus 24 anos como deputado, que diga que fiz emenda ou indiquei empreiteira eu renuncio.”

O prefeito de Barretos disse que esteve no gabinete de Barbiere e que o deputado sustentou que n√£o poderia “ajudar com verba” pois “n√£o teve votos na cidade”. “A emenda n√£o foi liberada e o deputado avisou que n√£o seria.”

O criminalista Fábio Tofic, que defende Osvaldinho, disse que não teve acesso à integra dos autos da Operação Fratelli e, portanto, não iria comentar o caso.

 

Fonte: Estad√£o

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