Deputado do PSD é eleito presidente do Conselho de Ética

O deputado Ricardo Izar (PSD-SP) foi escolhido nesta terça-feira (2) para presidir pelos próximos dois anos o Conselho de Ética da Câmara.

Izar disputou com o deputado Marcos Rogério (PDT-RO) e conquistou o posto numa eleição acirrada em que ele teve o apoio de 11 votos contra 10 do adversário. O colegiado é composto por 21 titulares.

Ricardo Izar (PSC-SP) em reunião do conselho
Ricardo Izar (PSC-SP) em reunião do conselho

“A votação foi apertada, mas mostrou que o conselho é um órgão independente da Casa, cada um aqui vai votar com a sua consciência”, disse o deputado ao tomar posse.

Na saída da sessão, o líder do PDT, André Figueiredo (CE), disse que foi traído pelos pares.

“Tínhamos um número que garantia um apoio de 10 e mais cinco. Todos os cinco foram para o outro lado por motivos que não sabemos quais são”, disse o pedetista, sem querer dar detalhes sobre os interesses dos “traidores”.

A eleição foi feita ainda em meio à troca de acusações entre líderes partidários de que o PSD não está respeitando acordo feito entre as legendas durante a campanha de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) à presidência da Câmara.

Em meio às ameaças do líder do PMDB, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de que a quebra do acordo também se estenderia às questões de interesse do PSD na Câmara, Izar disputou sem o apoio formal do líder do próprio partido, Eduardo Sciarra (PR).

“É uma candidatura avulsa”, disse o deputado, durante o processo de votação.

Sciarra indicou para o colegiado os deputados José Carlos Araújo (BA) e Sérgio Brito (BA). Izar só conseguiu a vaga após negociar com o PR que cedeu a cadeira a que tinha direito.

Na Câmara, tramita projeto que autoriza a criação de mais 59 cargos e funções para a liderança do PSD. Também foi acordado entre o presidente da Câmara e os demais partidos que a sigla poderia indicar o novo corregedor.

No caso da Corregedoria não há votação para a escolha de quem vai comandá-la. Com a eleição de Izar ficou em suspenso os dois acordos.

“Eles vão cumprir o acordo para a criação dos cargos, agora a Corregedoria já não sei”, disse o deputado Sérgio Brito (PSD-BA).

MENSALÃO

Após tomar posse, Ricardo Izar disse não acreditar que a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o caso do mensalão passe pelo colegiado.

“O que o Supremo decidiu, está decidido. Os casos do mensalão já passaram por aqui uma vez. Não sei se vão passar de novo, mas se a Mesa mandar para a gente, vamos fazer o que tem que se fazer”, afirmou.

O deputado do PSD é filho e homônimo do deputado que comandou o órgão quando veio à tona o mensalão.

CONSELHO

O colegiado é composto por 21 membros titulares e igual número de suplentes, com mandato de dois anos.

O Conselho de Ética foi criado em outubro de 2001 e é responsável por instaurar procedimento disciplinar nos casos em que se verifique possível quebra de decoro parlamentar no âmbito da Câmara.

O colegiado atua, no entanto, somente mediante provocação da Mesa da Câmara dos Deputados para a instauração de processo disciplinar. Essa provocação pode ter como origem representações apresentadas pelos Deputados, Comissões e cidadãos em geral.

Já os partidos políticos podem encaminhar representação diretamente ao Conselho de Ética.

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