Demóstenes ‘negociou’ verba em favor da Delta

Surgiu a primeira suspeita de vínculo de Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) com a Delta Construções. O senador é acusado pela Polícia Federal e pela Procuradoria da República de ter negociado um projeto de R$ 8 milhões em favor da empreiteira.

A suspeita escora-se numa escuta telefônica de 9 de julho de 2011. O grampo captou diálogo de Demóstenes com o pós-bicheiro Carlinhos Cachoeira. Na conversa, o senador relata ao contraventor encontro que mantivera com o prefeito de Anápolis (GO), Antonio Gomide, do PT.

Demóstenes conta a Cachoeira que o prefeito petista lhe pedira ajuda para construir um parque ecológico na cidade goiana.

Os R$ 8 milhões viriam de emenda que o senador injetaria no Orçamento da União. Demóstenes informa a Cachoeira que aceitou atender ao pedido do prefeito, desde que ele desse “preferência” ao grupo do amigo tóxico.

O senador soa assim no grampo: “Ele falou que topava. Aí você vê se vale a pena ou não.” No dia seguinte, Cachoeira toca o telefone para Cláudio Abreu, na época diretor da Delta para a região Centro-Oeste. Repassa-lhe as informações que recebera de Demóstenes.

Na petição em que pediu ao STF a abertura de investigação contra Demóstenes, o procurador-geral da República Roberto Gurgel sustenta que o senador atuava como “sócio oculto” da Delta, uma empresa com negócios em 23 Estados e que ostenta, desde 2007, o título de principal tocadora das obras do PAC.

Foi por conta dessa suspeita levantada por Gurgel que o ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo no Supremo, deferiu o pedido de quebra do sigilo bancário de Demóstenes.

“O exame das movimentações bancárias dos envolvidos permitirá juízo de convicção sobre a origem do dinheiro e o seu eventual destino ao parlamentar”, anota documento anexado ao processo. O Supremo requisitou também informações ao Senado sobre as emendas orçamentárias assinadas por Demóstenes.

Ouvido, o advogado de Demóstenes, Antonio Carlos de Almeida ‘Kakay’ Castro, disse que seu cliente não é “sócio oculto” da Delta. “Isso é um absurdo. O Ministério Público levanta suspeitas e faz ilações a partir de escutas interpretadas pela Polícia Federal. Somos sujeitos a interpretações de grampos. A partir desta interpretação, o Ministério Público faz outra interpretação.”

Segundo Kakay, a verba da emenda de Demóstenes não foi liberada. Também a Delta negou relação com o senador: “É falsa a informação de que Demóstenes Torres seja sócio oculto da empresa e tenha beneficiado a Delta.”

Contactado, o prefeito de Anápolis, o petista Antônio Gomide, confirmou o encontro com o senador. “O Demóstenes acenou que poderia fazer uma emenda parlamentar.” Negou o pedido de “preferência” para a Delta. “Nunca conversei com Demóstenes sobre Delta. Ele falou que queria ter preferência para fazer o parque com emenda dele.” A defesa de Cachoeira absteve-se de comentar.

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