Cristo, dê-me sua cruz, mas não me leve ainda, diz Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se emocionou durante uma missa na cidade de Barinas nesta quinta-feira, o primeiro ato público após a volta do segundo ciclo de radioterapia para o tratamento de um câncer na região pélvica.

Em cerimônia que celebrava a quinta-feira, o mandatário fez um discurso com voz embargada e menções religiosas, dizendo que “não pôde evitar as lágrimas” quando abraçou os pais na última vez que chegou ao país, na quarta (4).

Sobre a doença, Chávez falou que os últimos dois anos, em que teve dois tumores na mesma região “não foram fáceis”. Em tom emocionado, pediu a proteção de Jesus Cristo, fazendo referência a sua crucificação, que é lembrada na Páscoa.

“Dê-me vida, ainda que seja dolorosa, mas dê-me vida. Dê-me sua coroa, Cristo, que eu coloco. Dê-me sua cruz, cem cruzes, Cristo, que eu a levo, mas não me leve ainda, porque ainda tenho coisas para fazer por esse povo e por essa pátria”.

RUMORES

As declarações emocionadas do presidente alimentam rumores de que sua saúde está mais debilitada, apesar das negativas das informações oficiais.

Chávez voltou à Venezuela na quarta-feira, mas diferentemente do mencionado pelo cerimonial do Palacio de Miraflores, desceu na cidade de Barinas, onde nasceu, em vez da capital Caracas, onde era prevista sua chegada.

Durante a estadia em Cuba, Chávez ficou sem atualizar sua conta no microblog Twitter por dois dias, o que alimentou rumores sobre o estado de saúde do presidente.

Ao longo da quarta (5), gerou alguma controvérsia uma mensagem postada pelo médico venezuelano José Rafael Marquina em sua conta de Twitter na terça-feira à noite.

Comentador regular sobre a saúde do líder venezuelano, Marquina disse que Chávez sofreu uma “dor intestinal severa”, o que teria provocado a hospitalização do presidente.

A mensagem teve repercussão restrita na própria mídia venezuelana. Ao jornal espanhol ABC, Marquina disse no final de março que o câncer do presidente se espalhou pela bexiga, fígado e glândulas suprarenais.

Segundo ele, Chávez só viveria até outubro, caso continuasse respondendo mal ao tratamento como até aquela ocasião. “Com a radioterapia lhe estão comprando tempo”, afirmou.

Marquina, que não é oncologista, ganhou visibilidade ao ser “endossado” e replicado pelo jornalista venezuelano Nelson Bocaranda, que no ano passado antecipou que Chávez tinha câncer –enquanto o governo negava.

Seguido por mais 500 mil pessoas em sua conta no Twitter, Bocaranda, ferrenho opositor de Chávez, diz que houve “uma extensão do câncer originário”.

Em fevereiro, o jornalista também havia antecipado que o presidente passaria por uma nova cirurgia em Havana.

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