Crise política e de identidade: Partidos da base discutem saída do governo

Movidos pela crise política que expõe o governo de Agnelo Queiroz (PT), partidos da base aliada vivem uma outra crise, a de identidade. Em, pelo menos, três legendas o debate sobre ficar ou deixar o GDF já entrou na pauta.

Liderado pelo senador Rodrigo Rollemberg no DF, o PSB discutiu a possibilidade de romper com o GDF em uma reunião no último sábado. Nesta quarta-feira (17/04) haverá mais debate interno.

Com intenção de de se tornar uma alternativa em 2014, Rollemberg está com um pé dentro e o outro fora do governo. Na propaganda partidária exibida no último final de semana, ele é o emissário de uma mensagem crítica ao GDF.

Lilian Tahan - Blogueira do Correio Brasiliense

Sugere como deveria estar a segurança, a educação e a saúde na capital federal e diz que “isso, sim, seria um novo caminho”, o slogan da campanha de Agnelo. Discurso de despedida.

O fato é que o PSB tem um naco razoável no GDF para sair sem grandes traumas da administração. A Secretaria de Turismo, de Agricultura, Emater e, mais recentemente, o tão falado SLU.

Os cargos puxam o PSB para dentro. Os planos de voo solo de Rollemberg são um incentivo para um tom mais acima.

“Não é de hoje que estamos fazendo uma análise crítica da administração. Isso tem sido constante, mas é claro que os fatos recentes nos exigem uma vigilância ainda mais cuidadosa. Mas tudo está sendo feito com cautela, sem precipitações”, disse Rollemberg.

Oficialmente fora do governo desde o ano passado, mas com um distrital alinhado ao GDF desde sempre, o PDT é outro partido que revisa sua condição diante da crise.

“Estamos fora do governo desde maio de 2011, mas um distrital indisciplinado mantém o apoio. O presidente do PDT no DF disse que vai se licenciar se essa situação continuar. Eu também vou. Abrirei mão da minha liderança no partido até que as coisas estejam resolvidas”, avisou o senador Cristovam Buarque (PDT).

Como se vê, Cristovam usará seu prestígio para que o partido pressione o deputado Israel Batista a abrir mão de cargos no GDF.

Agora há pouco, o PPS decidiu que os deputados distritais da legenda (Cláudio Abrantes e Luzia de Paula) terão de assinar a CPI na Câmara Legislativa para investigar supostas ligações do GDF com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Evidência de afastamento.

A decisão da Executiva do PPS deixa Alírio Neto, hoje Secretário de Justiça, mais perto da porta de saída. O rompimento do partido com o governo traria repercussões na Câmara dos Deputados.

Augusto Carvalho é segundo suplente. Está na Câmara por um acordo feito com o PT. Se o partido deixar o governo, ele corre o risco de perder o mandato. Não é o melhor dos mundos para o político. Mas Augusto bem que se lembra de como foi tratado pelo PT quando o nome dele surgiu no escândalo da Caixa de Pandora.

Na época, os petistas foram implacáveis. Um desembarque agora seria como um troco. Mesmo que isso não seja escancarado.

Por  Lilian Tahan

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