Como garantir a seriedade da CPI de Cachoeira – por Artur Neto

Essa CPI precisa oferecer resultados sérios e concretos à sociedade, doa a quem doer. A primeira providência terá de vir no nascedouro: a maioria deve escolher se fica com a Presidência ou com a Relatoria, deixando à minoria, conforme a boa tradição parlamentar, o direito à segunda escolha.

Violentar esse procedimento prostituiria a investigação. Revelaria a disposição do governo de trabalhar “seletivamente”, procurando enredar “inimigos” e passando ao largo de fatos que começam e terminam no Palácio do Planalto.

Após os resultados eficazes da CPI dos Correios, que desvendou os meandros do mensalão, o governo Lula, assustado e inescrupuloso, passou a desmoralizar, sistematicamente, toda e qualquer tentativa de investigação: indicava os Presidentes e os Relatores; proibia a quebra de sigilos dos suspeitos; indicava congressistas de segunda linha para promover a baderna e o impasse nas sessões polêmicas. Tristes episódios!

Arthur Virgílio Neto é Diplomata e foi líder do PSDB no senado

Lula teria estimulado a instalação da CPI do Cachoeira com a intenção de atingir Marconi Perillo, que cometeu o “crime” de lhe avisar que o mensalão estava em curso.

Se o então Presidente não soubesse mesmo do crime, teria ficado grato ao governador goiano pela advertência que lhe permitiria adotar medidas saneadoras. Como sabia de tudo, tornou-se inimigo fidagal do novamente governador de Goiás.

O tiro começa a sair pela culatra. O “proponente” da CPI, Deputado Protógenes Queiroz (PC do B-SP), que se elegeu com sobras de votos de Tiririca, aparece em gravações altamente comprometedoras: relações mais que promíscuas com Idalberto Matias Araújo, conhecido como Dadá nas rodas da contravenção, braço direito de Cachoeira.

O petista Agnelo Queiroz, do Distrito Federal, tem seu governo apontado como cenário de propinas e negociatas articuladas pelo ex-bicheiro e atual “empresário” goiano.

O Deputado Rubens Otoni (PT-GO), dentre os cinco ou seis acusados de relação reprovável com Cachoeira – e todos devem explicar-se a contento ou ser punidos com rigor – é o único que aparece em vídeo, exibido em horário nobre, acertando receber R$200 mil do “padrinho” contraventor.

O caso começa no Palácio do Planalto. Ou já nos esquecemos de Waldomiro Diniz, aliás, condenado pela justiça criminal, subornado ao vivo e a cores pelo inefável goiano? O mesmo Waldomiro que foi peça importante da Casa Civil, na gestão do mais ilustre réu do mensalão.

E pelo Planalto deverá encontrar o seu epílogo.

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