Coerência – Por Rachel Sheherazade

Até mesmo o ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp condenou a invasão ao Instituto Royal. Raupp classificou os ativistas de “fora da lei”, e disse que iniciativas como a invasão ao laboratório não podem ser toleradas.

A invasão ao Instituto Royal foi, sem dúvidas, um ato apaixonado, até emocionante, mas completamente irracional. Uma histeria coletiva que, infelizmente, descambou para o vandalismo.

Certamente, o laboratório não era uma central de maldades, nem os cientistas sádicos torturadores de cãezinhos. Pesquisas sérias estavam sendo desenvolvidas ali, dentro da lei, e para o bem de toda sociedade – inclusive dos próprios ativistas.

Vacinas, remédios, e até cosméticos precisam ser testados em animais, antes de liberados para uso humano. Isso é uma norma internacional. E não há, segundo os cientistas, outra forma de comprovar a segurança desses produtos. Por isso mesmo nenhum país do mundo aboliu pesquisas com animais.

Chegamos, então, a um impasse no Brasil. O que é mais importante: o progresso da ciência (para o bem da humanidade) ou os direitos dos animais?

Será que, em nome desses direitos, estamos dispostos a tomar o lugar deles como cobaias nos laboratórios?

Será que vamos abolir o sacrifício animal nos matadouros e nos abster de comer carnes, peixes, aves?

Será que vamos abrir mão de perfumes, cremes e maquiagem?

Será que, pelo bem dos bichos, vamos deixar de vacinar nossos filhos e de usar remédios?

Para defender uma causa com nobreza é preciso, antes, coerência: agir como pensamos. Que os ativistas nos dêem primeiro o seu exemplo.

 

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