Caxirola hipnótica – Por Alexandre Garcia

A Fifa proibiu a caxirola nos estádios, mas ela está na moda oficial. Como vocês sabem, é um instrumento que, se for agitado, faz barulho. As ruas de junho tiveram o poder de agitar quem andava parado – os três Poderes.
O Supremo tinha em mãos um réu acusado há 18 anos e condenado em todas as instancias, inclusive no próprio tribunal desde 2010. Mas não deixou passar junho sem que o deputado Natan Donadon fosse preso. A Câmara, que aprovara a lei da Ficha Limpa, tinha um condenado no plenário e até agora não lhe tirou o mandato.
A agitada caxirola fez barulho. Plebiscito, reforma política, fim do foro privilegiado, hediondez para corrupção, ficha limpa para todos … um sem-número de notas numa sonora cacofonia.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

O plebiscito era um natimorto. A reforma política também. Ou, por acaso, nós sabemos o que é voto distrital, ou distrital misto, ou recall, ou lista fechada? Sabemos? Então me diga aí quando extinguirem a transferência de votos que faz Tiririca eleger quatro ou cinco, o que vai acontecer?

Digamos que Lula seja candidato a deputado federal. Vai ter 15 milhões de votos. Os petistas paulistas vão todos votar nele. E nenhum outro petista se elege. Entendeu?

E no voto distrital, que elege um deputado por distrito, digamos que o PT consiga vencer em quase todos os distritos. Faz, digamos, 70% dos distritos e tem, portanto, 70% da Câmara Federal. Mas os tucanos conseguem eleger o presidente. Vai governar com 70% de oposição? E por aí vão as perguntas, só para dizer que a reforma política é só ruído.

E o financiamento público de campanha? Vão convencer o contribuinte a sustentar campanha política?
De grande apelo popular é o fim do foro privilegiado, que remete direto ao Supremo deputados, senadores, ministros; e ao Superior Tribunal de Justiça, governadores, entre outros. Maluf é a favor. Por quê?
Ora, porque se acabar o foro privilegiado ninguém mais será condenado; ou vai levar meio século até o processo vir do juiz singular de primeira instância, passando pelo Tribunal Estadual, depois o STJ e por fim o Supremo. Os mensaleiros jamais seriam condenados. O Donadon demorou quase 20 anos.

O foro é privilegiado para a cidadania, não para o réu, que já é julgado direto na última instância e só pode recorrer para quem o condenou.

E é um julgamento sob holofotes, longe da capacidade de pressionar um juiz singular de primeira instância. E na teimosia de importar médico cubano, querem “testar” a prova para revalidar diploma de médico estrangeiro.
Quem vai testar é estudante de último ano de medicina. Vão comparar médico formado no exterior com estudante brasileiro. Devem pensar que fomos hipnotizados pelo ruído da caxirola.

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