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Fiquem atentos aos inimigos da democracia dentro e fora do governo – Por Reinaldo Azevedo

Entro em férias, mas não vou desertar. Ou: Fiquem atentos aos inimigos da democracia dentro e fora do governo

Caras e caros,

Este blog, como sabem, não reconhece fim de semana. Aqui se exerce um trabalho análogo à escravidão… amorosa! Todos os dias da semana, incluindo sábados, domingos e feriados. De vez em quando, é preciso descansar um pouco. Estou saindo de férias, mas, como já aconteceu, vocês sabem que não fico muito tempo longe do blog. Podem passar por aqui que continuarei atento ao Inverno de Banânia, que muitos pretendem Primavera. Saio em busca de alguns dias de Verão. A viagem já estava marcada. Vou combinar com os valentes do Movimento Passe Livre para que me avisem com antecedência quando estiverem prestes a ter uma outra boa ideia para levar pânico às hostes… petistas. Os extremistas de esquerda se esqueceram de combinar a agenda com o povo e acabaram criando mais problemas para os “companheiros” do que para os, como é mesmo?, reacionários. O blog volta à plena normalidade no dia 1º de agosto. Isso não quer dizer que eu vá ficar sem escrever até lá. De resto, conto com vocês para manter aceso o debate na área de comentários.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

A democracia
Dou uma diminuída no ritmo, por alguns dias, depois de termos batido em junho o recorde de visitas para um único mês: quase 5,5 milhões. Já manifestei aqui a minha gratidão em outras oportunidades e volto a fazê-lo. Foram dias muito ricos esses, também para nós, para a nossa convivência. Mais de uma vez fui cobrado a explicar — cobrança justa — a minha falta de entusiasmo com alguns sinais que têm chegado das ruas. Não me deixei cair de encantos pelas manifestações como faz a extrema esquerda brasileira, que já anuncia aos quatro ventos a crise irrecuperável da representatividade e trata a própria democracia como inimiga.

Fiquem atentos: alguns supostos intelectuais brasileiros, que dão plantão em emissoras de TV, sites, jornais, revistas, conferências etc., resolveram inverter um fundamento que orientou a esquerda brasileira nos últimos quase 40 anos. Considerava-se, então, que a democracia era um valor universal e um instrumento, para eles ao menos, para chegar ao socialismo. Esses novos radicais — e o movimento vem de fora; não nasceu aqui — entendem o exato contrário: é preciso golpear o regime democrático para, então, se der e quando der, golpear o capitalismo. Esse é agora o novo inimigo. Em muitos aspectos, retomam a cartilha leninista, ainda que não vislumbrem, necessariamente, uma insurreição armada — mas também não a descartam.

E, como é sabido, também não me deixei capturar pelas manifestações de rua a exemplo de muitos liberais, ou quase isso, alguns deles meus amigos, que enxergam na voz das ruas um “não” ao aparelhamento das instituições pelo PT, uma recusa ao desassombro com que essa gente se apoderou do estado; um rechaço veemente à privatização da coisa pública em benefício de um partido e de seus asseclas. Acho, sim, que isso tudo está presente nas ruas. Mas, como já lhes disse aqui algumas vezes, o método, para mim, faz diferença. Em política, entendo, os meios qualificam os fins, e a forma se torna conteúdo. Sou, sim, um conservador. Não um conservador de governos, não um conservador do statu quo, não um conservador de iniquidades. Sou um conservador de instituições. E muito do que vejo não me agrada.

Estarei um pouco menos presente nas próximas três semanas, mas jamais ausente. E os convido, neste texto, a atentar para algumas chaves do que está em curso. A primeira é esta mesma, de que trato nos parágrafos anteriores: a democracia. Fiquem em estado de alerta. Lideranças políticas e intelectuais que sustentam com veemência “a crise de representatividade” quase sempre estão a advogar uma outra legitimidade que não a eleitoral. Avança com força o debate de que a verdadeira representação já não se estabelece mais por meio de partidos e do Parlamento. É evidente que não serei eu aqui a sustentar a excelência e a grandeza moral de todo o Poder Legislativo, embora tenhamos tido avanços notáveis, sim, nos últimos 25 anos. Que os Poderes precisem ser reformados, isso me parece evidente. Que a população tenha o direito de cobrar mudanças, eis uma coisa igualmente óbvio. Mas vamos com calma!

O Congresso
Cuidado com os oportunistas. Há muita gente que não presta no Congresso brasileiro. Mas é bom não confundir personalidades e personagens com a instituição. Fazê-lo corresponde a jogar o jogo dos inimigos da democracia. Há uma pressão imensa, hoje em dia, para que grupos organizados, comunidades de opinião e lobbies os mais variados, disfarçados de causas humanitárias, substituam o Parlamento e imponham a sua vontade em razão de sua, sei lá, como chamar, suposta superioridade moral. A musa dessa forma supostamente alternativa de fazer política é Marina Silva, que passa a impressão de que, se um dia chegar ao poder, vai governar com o auxílio dos entes da natureza.

A frase-símbolo desse entendimento precário do que seja democracia é o tal “Não me representa”. Os parlamentares A ou B podem não representar esse ou aquele, mas certamente representam outros. O ódio meio cego ao Congresso faz com que aqui e ali se saúde, por exemplo, o fato de a CCJ do Senado ter aprovado o fim do voto secreto, sem exceção. Ora, isso poria de joelhos o Parlamento diante do Executivo. A menos que um presidente da República esteja para cair, nunca mais se derrubará um veto presidencial se essa tolice for aprovada.

É claro que políticos às pencas abusaram e abusam no exercício de privilégios, nem sempre morais e legais. Mas lhes peço prudência quando participarem do debate por aí. Há quem pretenda que o exercício da representação deva ser uma espécie de expiação, de prova de sacrifícios. Atenção, minhas caras, meus caros: nesse caso, a política passaria a ser exercida apenas por representantes de corporações de ofício, de lobbies e de grupos organizados.

O dia 11
Está marcada uma greve geral para o próximo dia 11, quinta-feira. Todas as centrais sindicais aderiram. Até a oficialista UNE resolveu se juntar à turma. Atenção! A proposta conta com o apoio do PT e da CUT — o Diretório Nacional do partido emitiu uma nota conclamando a companheirada a ir à rua. Um dado curioso só na aparência: também o Palácio do Planalto não está exatamente hostil à ideia. Como explicar? Os petistas e o governo apostam numa manifestação conduzida por sindicatos na esperança de que estes possam tomar as rédeas do movimento. Certamente teremos a chance de ver cartolinas e faixas em favor do plebiscito. Na quinta-feira, o homem comum eventualmente descontente com os governos dividirá a cena com os descontentes profissionais, que pretendem capturar as ruas.

Concluo
Fiquem atentos, pois, aos inimigos da democracia dentro e fora do governo. Tempos como os que vivemos são propícios à emergência de feiticeiros institucionais. Vou descansar um pouco, mas não estarei ausente. Podem passar aqui de vez em quando que é grande a chance de a gente se encontrar. Mais uma vez, obrigado pela consideração, pelo rigor e pelo apreço de vocês! Lutaremos em defesa do regime democrático até a última palavra.

 

Por Reinaldo Azevedo

O circo – Por Alexandre Garcia

A Copa das Confederações foi encerrada sem a presença da presidente da República, que a abriu, e sem o ex-presidente Lula, que foi o responsável pelas copas e seus estádios.

O ex preferiu ir para a Etiópia e a atual preferiu ficar no palácio, imune a vaias. Com a pesquisa de opinião mostrando a aprovação de 65% despencar para 30%, talvez ela comece a pensar que as ruas tenham razão e que a realidade não seja aquela que a propaganda do governo costuma mostrar. Afinal, a opinião de ruim e péssimo quase triplicou e a nota para a administração da Economia, que já estava baixa, em 49%, foi para 27%.
Se serve de consolo, a aprovação do governo FHC, em 1999, caíra a 13%.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

A presidente quer mostrar reação, reunindo o ministério solenemente. Contando os ministros, o vice-presidente e assessores especiais, chegam a 44 em torno dela. É como se Felipão estivesse conduzindo, no gramado, os times do Brasil, Espanha, Itália e Uruguai – todos ao mesmo tempo. Nem Scolari, um especialista em converter um bando em equipe, seria capaz de encontrar uma tática vencedora para um time de 44. A presidente poderia, como sinal de que está entendendo a voz das ruas, anunciar que está cortando pela metade o número de ministros e o número de comissionados, 22 mil ao todo.

No entanto, como diversionismo, anuncia que vai propor um plebiscito para fazer reforma política, para a qual teria que haver mudanças na Constituição. Ela poderia, se quer mudar a Constituição, propor alterações no capítulo que trata do serviço público.

Poderia propor, por exemplo, que o acesso ao serviço público, federal, estadual e municipal, só pudesse ser feito de dois modos: pelo voto ou por concurso. E a emenda à Constituição poderia ir além: que o integrante do serviço público fosse obrigado a usar exclusivamente o serviço público: transporte público para ir ao trabalho, escola pública para os filhos e nada de Sírio-Libanês, mas hospital do SUS.

E aposentadoria pelo INSS. E nada de guarda-costas, e sim a mesma segurança pública que é prestada a todo cidadão.

Garanto que os serviços públicos ficariam dignos de direitos humanos. Padrão Fifa. Também a Justiça está na berlinda. 74% dos petistas e peemedebistas entrevistados pelo Datafolha querem na cadeia os mensaleiros condenados.

Por enquanto, a iniciativa é das ruas, mas se as ruas morderem a isca do plebiscito, o governo assumirá a iniciativa e conduzirá as ruas para os rumos de outros interesses. Aí, cabe a milenar pergunta do direito romano: “Cui prodest”? – a quem interessa?

A quem interessa desviar as atenções para um plebiscito, abafar as ruas e fingir que muda para não mudar? Os governos – também de governadores e prefeitos, que igualmente caem nas pesquisas – continuam a julgar que são os pastores de um rebanho que não pensa. Terminado o circo do futebol, inventam o do plebiscito.

Dilma repete façanha de Collor – Por Reinaldo Azevedo

Dilma repete façanha de Collor: a aprovação a seu governo despenca 35 pontos em três meses — 27 pontos em três semanas; hoje, só 30% o consideram bom ou ótimo; índice de ruim-péssimo chega a 25%. Então Dilma já era?

O prestígio da presidente Dilma Rousseff teve uma queda de 27 pontos percentuais em três semanas, segundo pesquisa Datafolha, publicada na Folha neste sábado. Apenas 30% das pessoas ouvidas consideram o governo “bom” ou “ótimo” — na primeira semana deste mês, eram 57%; em março, 65%. Em três meses, pois, a queda foi de estupendos 35 pontos. Só um governante antes dela repetiu tal façanha: Fernando Collor. E olhem lá. Imediatamente antes da posse, 71% tinham a expectativa de um governo bom ou ótimo. Em junho, depois do confisco da poupança, esse índice caiu para 35% — ainda assim, cinco pontos acima do número alcançado por Dilma. E olhem que ela não confiscou a poupança de ninguém. O que isso diz sobre o futuro? Já chego lá. Antes, algumas considerações.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Estão arrependidos?
Se arrependimento matasse, alguns petistas e esquerdistas associados (MAS NÃO TODOS, JÁ DIGO POR QUÊ) não veriam nascer a luz do sol neste sábado. Fizeram mau negócio ao tentar estimular o caos em São Paulo já naquele fatídico 13 de junho, o dia do pior confronto entre a Polícia Militar e manifestantes, que já haviam, sim, recorrido à violência em três manifestações anteriores, a primeira ocorrida no dia 6. No dia 11, por exemplo, coquetéis molotov foram jogados contra os policiais. Estações de metrô tinham sido depredadas. No próprio dia 13, sem nem mesmo dar um telefonema ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), o ministro da Justiça, José Eduardo Cadozo, oferecia uma hipócrita “ajuda” a São Paulo. No dia seguinte, ele e outros petistas, como Fernando Haddad — prefeito que havia reajustado a tarifa de ônibus — engrossaram o coro da imprensa contra a “repressão”. Os petistas mobilizaram a sua tropa nas redes sociais para demonizar a PM de São Paulo. E se começou a falar, então, de uma megamanifestação na segunda-feira, dia 17. Algo começava a sair do script quando se percebeu que o resto do país também se mobilizava. No dia marcado, 65 mil marcharam em São Paulo. O Rio pôs 100 mil pessoas na rua. Algo estava fora da ordem e do controle — inclusive dos coxinhas radicais do Passe Livre.

Com a garantia dada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo de que a cidade era território livre — desde que não houvesse depredação —, criou-se o ambiente “occupy” o que lhe dá na telha. E esse ambiente tomou o país. Insatisfações represadas ao longo de muitos anos — afinal, os canais de representação social foram comprados pelo PT, e as oposições sempre foram tímidas em mobilizar a resistência ao lulo-petismo — foram às ruas: corrupção, saúde e educação precárias, gastos excessivos com a Copa do Mundo… O governo federal se tornou o alvo principal dos protestos. E é explicável que assim seja. Ao longo de 10 anos, os governos petistas se quiseram os monopolistas do bem e da virtude e se apresentaram como os garantidores da felicidade geral. Afinal, se podiam tanto, por que não fizeram? A redução das tarifas do transporte público acabou se perdendo apenas como uma das reivindicações. E não! Definitivamente, as manifestações não eram pacíficas. “Ah, mas a maioria…” A maioria era pacífica até na Revolução Russa!

Eis aí… Nem nos seus temores mais secretos, a presidente Dilma e os petistas da sua turma poderiam imaginar que um protesto contra tarifa de transporte — assunto municipal ou estatual — fosse a centelha a fazer explodir o paiol em que estavam armazenadas as insatisfações as mais variadas. Se pudessem voltar atrás, Haddad, Cardozo, a rede petralha e todos aqueles que atuaram para leva o casos às ruas de São Paulo fariam outra coisa. Mas isso não é possível.

Economia
Os protestos tiveram um efeito devastador na avaliação de Dilma, mas eles só se difundiram porque há insatisfações, e a principal é com a economia. Informa a Folha: “A expectativa de que a inflação vai aumentar continua em alta. Foi de 51% para 54%. Para 44% o desemprego vai crescer, ante 36% na pesquisa anterior. E para 38%, o poder de compra do salário vai cair – antes eram 27%.”

A insatisfação com Dilma, como os protestos, se espalha pelo país. Sua aprovação caiu mais de 20 pontos em todo o país.

Então Dilma já era? E o fator Lula
Então Dilma já era? Ela e o PT já podem ir fazendo as malas? É muito cedo! Terá o Datafolha feito também uma pesquisa eleitoral? Vamos ver. É bom lembrar que, em dezembro de 2005 — ano do mensalão — a aprovação de Lula era de apenas 28%, Inferior, ainda que na margem de erro, aos 30% de Dilma. Onze meses depois, ele se reelegeu presidente da República. Assim, é um pouco cedo para dizer.

O Datafolha fez uma pesquisa, com margem de erro enorme, de 4 pontos percentuais, só entre os manifestantes da passeata realizada no dia 20 em São Paulo. Joaquim Barbosa liderou as intenções de voto para presidente, com 30%. Marina Silva ficou em segundo, com 22%. A presidente Dilma ficou com 10%. O tucano Aécio Neves foi citado por 5%, e Eduardo Campos, do PSB, por 1%.

Apoio ao plebiscito
Ainda que eu duvide que a esmagadora maioria saiba do que se trata exatamente — até porque nem o meio político sabe —, o Datafolha apurou que 68% dos entrevistados apoiam o plebiscito da reforma política, ideia lançada pela presidente. A questão é saber como operacionalizar isso. Se existe o endosso, cria-se uma franja de contato com a opinião pública.

A situação de Dilma, hoje, é muito difícil. Franklin Martins voltou a ser um interlocutor frequente. Ele assumiu a área de comunicação do governo Lula em 2007. Teve início, então, um trabalho agressivo de demonização da imprensa e da oposição. Ambas passaram ser tratadas como aliadas (o que era e é falso) e golpista. Montou-se uma grande rede de apoio ao governo na Internet, capitaneado por sites e blogs financiados por estatais. Franklin deixou pronta uma proposta de “controle social da mídia”, que Dilma engavetou. Sabe-se lá que conselho ele está dando para a soberana. Coisa boa não deve ser.

O fator Lula
Antes dessa pesquisa, o coro “volta, Lula” já não era nada discreto no PT. Vai se fazer mais audível depois desses números. Como já informei aqui, há gente na cúpula do próprio governo dizendo que “Dilma já era!”. São, é evidente, lulistas entusiasmados. É claro que ele voltou a ser o que não era em março, quando ela tinha 65% de aprovação: pré-candidato a presidente em 2014.

Se isso acontecesse, seria fácil vencer desta vez? Ora, resta evidente que Dilma é cria de Lula. Todos os eleitores sabem disso. É de supor que a reputação do Apedeuta, nesses embates, também tenha sido abalada. Em que medida? Ainda não há pobres na rua, embora se deva supor, pelos números, que há muitos descontentes.

Cuidado com a volatilidade
Os números têm de ser vistos com cuidado — e não estou desconfiando, como nunca desconfiei, do rigor técnico da pesquisa. O cuidado é de outra natureza: é claro que há nesse levantamento opiniões ainda não consolidadas. Em três semanas, não aconteceu nada de tão formidável que justifique mudança tão radical de humor. “Três semanas, Reinaldo? É coisa dos últimos 10 anos!” Pode ser; o fato é que os brasileiros eram livres para se manifestar e não o fizeram, certo?

Os petistas caíram na própria arapuca. Vamos ver como vão tentar sair dela.

Dos centavos aos milhões – Por Alexandre Garcia

Começou por causa de 20 centavos a mais na passagem de ônibus em São Paulo; agora são milhões. A população pensante perdeu a paciência. Começou com jovens e agora os manifestantes são crianças, moços e gente madura.

O protesto ganhou as ruas e janelas de quase todas as cidades do Brasil. A primeira vaia abriu a Copa das Confederações e abriu as manifestações. Um estádio caríssimo, com festim no camarote VIP, contrastando com escolas e hospitais na miséria, mau transporte coletivo e insegurança pública assustadora.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Contra os manifestantes que exerciam o direito constitucional de se reunir sem armas, as armas da polícia, com exageros que só fizeram crescer os protestos. Mas a polícia não foi eficaz para conter delinquentes que promovem saques e desviam as atenções do principal, que são as mensagens do povo, a voz das ruas.

Quase uma semana depois da primeira vaia, a presidente fez um pronunciamento. “Poderemos fazer melhor e mais rápido muita coisa que o Brasil não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas.” Ah, foi o Brasil que não conseguiu? Ou foi o governo, que agora diz que pode fazer mais rápido e melhor que o Brasil? Limitações políticas? Como assim?

Em 513 deputados federais, o governo tem 425; em 81 senadores, o governo tem 55. Limitações econômicas? Como assim, se construímos tantos estádios? E só neste ano, o povo já pagou R$ 750 bilhões de impostos e contribuições obrigatórias. Mais adiante, se referindo ao vandalismo, ela disse “Não podemos conviver com essa violência que envergonha o país”. Como assim? Os governos não têm convivido com 150 assassinatos por dia, todos os dias? Essa violência não conta?

O discurso à nação serviu para dizer que o governo vai, sim, importar médicos cubanos e que vai, sim, contrariar as ruas e fazer a Copa do Mundo. Quando terminou o pronunciamento na TV, aconteceu na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, uma vaia ainda mais estrondosa que a do estádio. À medida que ela ia falando, as pessoas gritavam nas janelas, reagindo ao que ouviam. Ao fim, luzes dos apartamentos piscavam enquanto o clamor se tornava uníssono. Está em várias gravações feitas por moradores de lá. A percepção é a de que as autoridades falam num Brasil diferente do real – vai tudo bem naquele Brasil róseo-oficial.

No site do jornal “O Globo”, foi feita uma pesquisa sobre a motivação de quem sai às ruas. O motivo inicial, preço de passagem de ônibus, fica em 1%. A maioria, 54%, diz que é por uma insatisfação generalizada contra tudo que está errado.

Se os eleitos em geral tivessem humildade, se perguntariam sobre o que deixaram de fazer ou o que fizeram errado. Com tanto dinheiro recolhido dos impostos de todos, por que falta para prestar bons serviços públicos? Além de olharmos para os estádios, temos o superfaturamento geral, as propinas, o empreguismo e, sobretudo, a crença de que o Brasil é um gigante adormecido. Mas, como diz uma faixa: “Depois do deitado eternamente em berço esplêndido, vem o verás que um filho teu não foge à luta”.

Primavera brasileira – Por Alexandre Garcia

Ainda está difícil de perceber o que está acontecendo com o Brasil dessas manifestações. Brasília, Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Cuiabá, Natal… e além-mar: Nova Iorque, Dublin, Berlim… Vi uma faixa que dizia: “População passiva = corrupção ativa”.

Seria um início de um movimento antipassividade?

Outras faixas são contra o preço das passagens de ônibus. Copa das Confederações e ônibus estariam disparando o gatilho de algo que está preso na garganta dos brasileiros mais inquietos e menos passivos?

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

No exterior, as manifestações ousaram sugerir que é a “primavera brasileira”, como um sinal de despertar, desabrochar, um florescimento. Será assim ou é apenas mais um movimento cíclico, uma estação que logo vai passar, neste país ciclotímico?

A presidente foi vaiada três vezes. O microfone de som ambiente só ficou ligado na tribuna oficial, registrando os aplausos de primeiro plano.

Só quem esteve no estádio pôde sentir o tremor da vaia de quase 70 mil pessoas. No dia anterior, a presidente havia afirmado no Rio, que, como o Brasil vai muito bem, as críticas são “terrorismo informativo”.

Do lado de fora do estádio, a PM dispersava com balas de borracha, bombas de gás, cavalos e motos, algumas centenas de jovens que protestavam contra os gastos da Copa, lembrando da falta que fazem os recursos para a saúde, educação, segurança pública e transporte urbano. O governador de Brasília os qualificou de gente sem causa e sem bandeira.

E afirmou que a Fifa saiu maravilhada da cidade. Seria Blater um masoquista que adora vaia?

No Rio, perto do Maracanã, a ação policial também dispersou uma manifestação que, como a de Brasília, não agredia pessoas ou bens públicos; apenas protestava contra os gastos. A repressão estendeu-se à Quinta da Boa Vista, atingindo famílias que estavam no parque.

Em Brasília, 30 manifestantes feridos; no Rio e Brasília muitas prisões, por desacato e… por resistência à prisão. Como tudo isso acontece diante de câmeras e jornalistas que vieram cobrir os jogos, vai ficar difícil dizer que no Brasil está tudo cor-de-rosa, como insiste a propaganda do governo.

Destruir patrimônio público e agredir autoridade policial é crime. Mas não é crime a manifestação pacífica, sem armas, em locais abertos ao público, como garante o artigo 5º, XVI, da Constituição.

Quando a manifestação é pacífica, é crime o abuso de autoridade contra o direito de reunião e a incolumidade física do indivíduo (lei 4898/65, art. 3º – dos tempos do regime militar, quem diria…).

Quanto à “primavera brasileira”, tomara que não seja como a primavera árabe, que troca o seis por meia-dúzia.

O PT afônico – Por Mary Zaidan

O PT nunca amargou desilusão tão profunda: as ruas se abarrotaram de gente sem que o partido as mobilizasse. Gente que, em sua maioria, prefere que a “onda vermelha” convocada, oportunista e extemporaneamente, pelo presidente da sigla Rui Falcão, fique longe.

Golpe duro para quem sempre se vangloriou da sintonia com as massas, de ser o senhor das vozes das ruas. Que se arvorava a ser quase, senão o único, na interlocução com os jovens. Que paga centenas de blogueiros, sabem-se lá quantos tuiteiros e facebuqueiros para falar bem do governo e rechaçar opiniões contrárias. Mas que não foi capaz de nem mesmo sentir o cheiro da mobilização, via redes sociais, que nas duas últimas semanas sacudiu o país de ponta a ponta.

Mary Zaidan
Mary Zaidan

É fato que nenhum partido, pouquíssimos políticos e só alguns analistas conseguiram traduzir, pelo menos parcialmente, o que está se passando. Mas, para o PT, estar divorciado disso, não ser o dono da voz, é quase mortal.

Tanto que se expõe ao rechaço enfiando-se em manifestações que, pelo menos por enquanto, agremiação ou político algum é bem-vindo. Até porque os partidos políticos – mais preocupados com os seus umbigos e com a eleição seguinte – são alvos da grita.

Estar apartado disso é tão letal para o PT que fez seus dirigentes esquecerem os disfarces habituais. No olho do furação, enquanto o prédio da Prefeitura de São Paulo era vandalizada e o prefeito Fernando Haddad deixado nu, lançado à sua própria sorte, a presidente Dilma Rousseff reunia-se com o seu inventor Lula, o marqueteiro João Santana, o ministro Aloizio Mercadante e Rui Falcão.

Na pauta, o PT e a manutenção do poder depois do estouro da boiada – da qual eles se imaginavam donos – falavam mais alto do que o País.

Grupo depredou e tentou invadir a Prefeitura de SP. Foto: ABr

O petista Haddad abrigou-se ao lado do tucano Geraldo Alckmin e, juntos, anunciaram a suspensão do reajuste das tarifas de ônibus, metrô e trens. No dia seguinte, quinta-feira, ambos colheram uma manifestação em paz, que ocupou toda a Avenida Paulista.

Dilma só falou ao País na sexta-feira, um dia depois de a “pequena minoria” – esse pleonasmo que deixou rastros de destruição em dezenas de centros urbanos – fazer estragos diante de seus olhos, importunando-a no Palácio do Planalto, ameaçando o Congresso Nacional, ateando fogo e quebrando os vidros do Palácio do Itamaraty.

Seu pronunciamento foi correto no tom, medido, bem escrito. João Santana teria acertado em tudo, não fosse o deslize costumeiro de, mais uma vez, colocar o PT antes do País; de anunciar um pacto nacional com a pauta da campanha eleitoral já desenhada para 2014. De amenizar, mas não eliminar a soberba.

Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência ‘Lu Fernandes Comunicação e Imprensa’. Escreve para o Blog do Noblat aos domingos.

 

Acompanhem a Mary Zaidan pelo twitter: @maryzaidan

Barulho que mata – Por Alexandre Garcia

O Brasil inteiro ficou chocado com o que aconteceu num prédio de apartamentos em Alphaville, na Grande São Paulo. Enlouquecido pelo barulho, o vizinho de baixo subiu armado, matou o casal do apartamento de cima e se matou. O episódio serviu para chamar a atenção para os efeitos do barulho no Brasil urbano. Em 15 anos de vigência, o Código de Trânsito não conseguiu acabar com o barulho dos alto-falantes dos carros, o que é infração grave, com retenção do veículo (art. 228). São Paulo precisou agora aprovar uma lei estadual para multar em mil reais o motorista que obrigar as pessoas fora de seu carro a ouvir “música” – em geral um ruído primitivo horroroso, que mais parece som de motor com virabrequim rachado.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Há lojas que agridem o cliente com barulhos horrendos no sistema de som. Depois de perguntar se é serra elétrica ou britadeira de alguma reforma, eu me retiro sem comprar, já que a loja não é acolhedora. O mesmo faço em restaurante que tenha música – ao vivo ou em alto-falante. Afinal, como alguém vai me obrigar a escutar algo de que não gosto ou não escolhi? Em minha casa, janto com música, num volume bem discreto. Cacofonia só pode prejudicar a digestão. No hotel quatro estrelas em que eu ficava no Rio, várias vezes reclamava do volume do som no café da manhã. Eu perguntava por que não imitavam hotel cinco estrelas em volume e gênero musical. Pois agora me transferiram para hotel cinco estrelas e fiz as pazes com a serenidade matinal. No café da manhã, é só música boa e quase inaudível.

Aeroportos e aviões no Brasil agridem nossos ouvidos até a alma, como se fôssemos todos surdos. Em breve seremos atingidos por essa tempestade de decibéis. E depois que as cidades foram se empilhando para aproveitar terreno e o setor imobiliário ganhar mais dinheiro, o inferno se instalou na vida das pessoas. Materiais cada vez mais leves dão cada vez mais passagem aos barulhos dos vizinhos. É o infernal salto da senhora que anda para lá e para cá sobre nossas cabeças, mesmo ante o cabo de vassoura de plantão, para bater no teto; é a criança que chora, o cachorro que late, a vizinha que ronca a noite toda no quarto separado de nossa alcova apenas por uma parede de papelão e gesso.

Acho que estamos ficando surdos precocemente. Percebo isso quando ouço duas pessoas a conversar frente a frente, como se estivessem a 50 metros de distância uma da outra. O barulho nos persegue e é uma praga que aumenta a pressão cardíaca e acelera o coração e a respiração. O corpo recebe sinais de ataque e derrama no sangue os hormônios da defesa. E não venham me dizer que no mundo é assim, porque não é. Tóquio é uma cidade silenciosa; Roma deve ter casas noturnas, mas não se ouve o barulho delas e os alto-falantes do aeroporto estão em volume civilizado. Nas praias dos Estados Unidos, se alguém quiser ouvir música terá que usar fone de ouvido para não perturbar o próximo, que quer ouvir as ondas, o vento e as gaivotas. Há praias em Fortaleza (CE) e Vila Velha (ES) em que pessoas encostam o carro com mil “woofers” e “subwofers” e infernizam a vida de todos. Mas hoje, com passagem à prestação, está mais fácil de fugir disso, passando férias em país civilizado.

Afif leva a Haddad projeto que governo tucano ‘abandonou’

Cada vez mais próximo do PT, o ministro da Micro e Pequena Empresa e vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), se reúne hoje à tarde com o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), para implantar um projeto que ele diz ter sido “abandonado” pelo governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

O ministro se encontrará com Haddad às 17h, na Prefeitura de São Paulo, para discutir o formato do Sistema Integrado de Licenciamento (SIL) municipal, que tem o objetivo de reduzir os trâmites burocráticos para a abertura e o fechamento de empresas. O ministro diz que recebeu a missão da presidente Dilma Rousseff (PT).

Afif tentou lançar o projeto no Estado em 2011, quando ocupava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, mas o sistema chegou a apenas 4% dos municípios paulistas. Ele alega que a proposta “sequer foi implantada” pelo governo Alckmin depois que ele foi “demitido” da pasta “por uma questão política” (o vice-governador foi tirado da secretaria depois que ajudou Gilberto Kassab a fundar o PSD e deixou o DEM, um dos principais partidos aliados de Alckmin).

Enquanto trabalha em sintonia com os petistas no governo federal e na capital, Afif continua no cargo de vice-governador da administração tucana no Estado de São Paulo – a Assembleia Legislativa ainda não decidiu se leva adiante o processo que pode levar à perda de seu mandato.

Detalhe: o compromisso não constava da agenda do prefeito divulgada ontem à noite.

Blog Julia Duailibi

Dama de Vermelho – Por Reinaldo Azevedo

Especialista demonstra por que a liminar do STF suspendendo tramitação de projeto que coíbe novos partidos é constitucional e respeita jurisprudência do tribunal. Conforme se havia afirmado aqui.

Pois é… Não fiz faculdade de direito, não, ué, como todo mundo sabe, mas sou um senhor disciplinado. Procuro estudar o que não sei, procuro ler, me instruir. E acho que o direito é coisa importante demais para ficar restrito apenas aos especialistas em… direito! Operá-lo, não posso nem quero: não poderia se quisesse; não quereria se pudesse. Opinar? Ah, isso eu posso, o que deixa muita gente desnecessariamente brava. Quando escrevi, faz tempo, que julgava não haver mais embargos infringentes, houve quem se escandalizasse. Talvez o tribunal, por maioria, não por unanimidade, diga o contrário. Mas o tema será discutido e se terá de deliberar a respeito. E só será assim porque a questão existe. Já escrevi muito sobre o assunto. Se o Supremo seguisse o Supremo nesse particular, já demonstrei, nada de embargos infringentes.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

No caso da liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes suspendendo a tramitação do projeto de lei que coíbe a formação de novos partidos, também foi um deus nos acuda. Contestei os que afirmaram que ela é descabida. Quando um professor de direito da USP referendou a posição desses críticos, vieram pra cima: “E agora? O que você vai dizer?”. Ora, digo que ele está errado porque foi outra coisa que li na jurisprudência do tribunal. Não há medalhão desse mundo que me faça negar um fato.

Pois bem… Neste sábado, Eliardo Teles Filho publica um longo artigo no site Consultor Jurídico em que demonstra, com mais precisão técnica do que eu — ele é advogado, especialista na área, eu não sou —, que o STF detém o controle de constitucionalidade formal e material do processo legislativo. Ou por outra: pode intervir nos casos em que tanto o procedimento como o conteúdo de um projeto de lei ou emenda firam disposições constitucionais. Além de advogado, Teles Filho é professor de direito do Centro Universitário de Brasília e doutorando em direito pela École des Hautes Études en Sciences Sociales – EHESS, de Paris.

Ele também deixa claro que o Supremo já decidiu, na ADI 2.797, de que foi relator o então ministro Sepúlveda Pertence, que norma cujo objetivo imediato seja ignorar ou desrespeitar prévia interpretação do STF é inconstitucional. Vale dizer: quando o tribunal decide segundo uma interpretação conforme a Constituição, tal decisão não pode ser mudada por projeto de lei. E não pode, acrescento (e já escrevi a respeito), porque tal interpretação se transforma, para todos os efeitos, em dispositivo constitucional.

O texto também evidencia a legitimidade dos parlamentares — segundo jurisprudência do Supremo — para impetrar mandados de segurança contra a tramitação de projetos e emendas no Congresso. Reproduzo, abaixo, trecho do artigo. Leia a íntegra do artigo na seção Documentos do blog.

(…)
A natureza dúplice – de limitação material/procedimental – das nossas cláusulas pétreas impõe ao julgador de um mandado de segurança impetrado contra tramitação de PEC inconstitucional uma análise de fundo do texto do projeto de lei para decidir sobre a possível inconstitucionalidade da tramitação. Não há como, nesse caso, verificar se houve violação ao art. 60, § 4º sem comparar o conteúdo da PEC com o da Constituição. É aqui que a previsão constitucional das cláusulas pétreas cruza o controle da constitucionalidade material do texto com o controle de constitucionalidade formal do processo legislativo. Foi, talvez, por desconsiderar essa peculiaridade do constitucionalismo brasileiro que, em recente artigo, o professor Virgílio Afonso da Silva , da Universidade de São Paulo, estranhou o deferimento de liminar no MS 32.033.

Partindo desse princípio, tomemos o PL 4.470, objeto do MS 32.033, para verificar se o seu conteúdo justificaria suspender o seu trâmite via mandado de segurança.

O Projeto de Lei 4.470 contém dois artigos alterando três dispositivos das leis 9.096/95 e 9.504/97, Lei dos Partidos e Lei das Eleições, respectivamente.

Os atuais art. 29, § 6º, e 41-A, da Lei 9.096/95, têm a seguinte redação:

“Art. 29. Por decisão de seus órgãos nacionais de deliberação, dois ou mais partidos poderão fundir-se num só ou incorporar-se um ao outro.
“§ 6º Havendo fusão ou incorporação de partidos, os votos obtidos por eles, na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, devem ser somados para efeito do funcionamento parlamentar, nos termos do art. 13, da distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do acesso gratuito ao rádio e à televisão.”

“Art. 41-A. 5% (cinco por cento) do total do Fundo Partidário serão destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral e 95% (noventa e cinco por cento) do total do Fundo Partidário serão distribuídos a eles na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados”.

Com essa redação, a participação dos partidos no rateio dos 95% do fundo depende da representação que eles obtiveram nas últimas eleições. Ocorre que, conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal veiculada na ADI 4.430, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, essa distribuição dos recursos do fundo partidário não se aplica aos partidos criados, fundidos ou incorporados após as últimas eleições.

Ora, o PL pretende alterar as redações dos dois dispositivos, justamente para afastar a interpretação que o STF lhes deu naquela ocasião. A nova redação passaria a ser assim: “Art.29 (…)

§ 6º Havendo fusão ou incorporação, devem ser somados exclusivamente os votos dos partidos fundidos ou incorporados, obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados, para efeito da distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do acesso gratuito ao rádio e à televisão.” (NR)

“Art. 41-A. Do total do Fundo Partidário:
I – 5% (cinco por cento) serão destacados para entrega, em partes iguais, a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral; e
II – 95% (noventa e cinco por cento) serão distribuídos aos partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.

Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II, serão desconsideradas as mudanças de filiação partidária, em quaisquer hipóteses, ressalvado o disposto no § 6º do art. 29.”

A partir dessa alteração, os novos partidos não mais entrariam no rateio dos 95% do fundo partidário, mas apenas nos 5% destinados aos partidos sem representação na Câmara dos Deputados. Além disso, para os partidos resultantes de fusão ou incorporação, a adesão de novos deputados não seria computada para a distribuição do Fundo Partidário ou do tempo de propaganda política.

Mas o PL altera ainda a Lei das Eleições, inserindo um §7º no seu art. 47, com o objetivo de alterar a interpretação dada ao §2º, II, do mesmo artigo, cuja redação atual é a seguinte:

Art. 47. As emissoras de rádio e de televisão e os canais de televisão por assinatura mencionados no art. 57 reservarão, nos quarenta e cinco dias anteriores à antevéspera das eleições, horário destinado à divulgação, em rede, da propaganda eleitoral gratuita, na forma estabelecida neste artigo.
(…)
§ 2º Os horários reservados à propaganda de cada eleição, nos termos do parágrafo anterior, serão distribuídos entre todos os partidos e coligações que tenham candidato e representação na Câmara dos Deputados, observados os seguintes critérios:
(…)
II – dois terços, proporcionalmente ao número de representantes na Câmara dos Deputados, considerado, no caso de coligação, o resultado da soma do número de representantes de todos os partidos que a integram.

Mas a interpretação desses dispositivos foi objeto de análise de constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal em 29 de junho de 2012, há menos de um ano, portanto. A decisão da Corte, relatada pelo Ministro Dias Toffoli, foi a seguinte:

i) declarar a inconstitucionalidade da expressão “e representação na Câmara dos Deputados” contida na cabeça do § 2º do art. 47 da Lei nº 9.504/97;

ii) dar interpretação conforme à Constituição Federal ao inciso II do § 2º do art. 47 da mesma lei, para assegurar aos partidos novos, criados após a realização de eleições para a Câmara dos Deputados, o direito de acesso proporcional aos dois terços do tempo destinado à propaganda eleitoral no rádio e na televisão, considerada a representação dos deputados federais que migrarem diretamente dos partidos pelos quais foram eleitos para a nova legenda na sua criação.

Com essa decisão, garantiu-se, aqui também, que os partidos criados no curso de uma legislatura participassem, na proporção dos deputados que a ele aderiram, da distribuição do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Ora, o §7º que o PL pretende inserir nesse mesmo artigo tem o seguinte teor:

§7º Para efeito do disposto no inciso II do § 2º, serão desconsideradas as mudanças de filiação partidária, em quaisquer hipóteses, ressalvado o disposto no § 6º do art. 29 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995.

Trata-se, portanto, de uma disposição interpretativa, isto é, uma norma que fixa interpretação para outra norma, no caso, o inciso II do §2º do art. 47 da Lei 9.504. Coincidentemente ou não, o entendimento que o PL pretende fixar é diametralmente oposto àquele que o Supremo Tribunal Federal entendeu ser conforme à Constituição.

Ora, o Supremo Tribunal Federal já decidiu, na ADI 2.797, relator Ministro Sepúlveda Pertence, que norma cujo objetivo imediato seja superar prévia interpretação do STF é inconstitucional . Esse precedente foi mencionado pela decisão que concedeu a liminar no MS 32.033. O Supremo Tribunal Federal, em 29 de junho de 2012, ao fixar interpretação para o art. 47, §2º, II da Lei 9.504, o fez com base em dois valores protegidos pela Constituição Federal: o pluripartidarismo, de que a livre criação de partidos é uma consequência natural (art. 1º, V, e art. 17, caput e §3º, da CF); e a representatividade dos partidos políticos no sistema dos direitos políticos e de cidadania instituído pela Constituição Federal, no qual a filiação partidária é condição de elegibilidade (art. 14, caput, e §3º, V e art. 17, caput, da Constituição Federal). Esses valores estão inseridos em dois princípios fundamentais da Constituição Federal. O primeiro, no pluralismo político. O segundo, na soberania popular. Ambos são fundamentos da República Federativa do Brasil, previstos no art. 1º, V, e parágrafo único.

O STF já declarou, portanto, na ADI 4.430 que a mesma interpretação que o PL 4.470 quer dar às Leis 9.096 e 9.504 é inconstitucional e viola dois fundamentos da República. É no mínimo provável, em face do pronunciamento naquela ADI, que a interpretação veiculada no PL 4.470 seja considerada tendente a abolir cláusulas pétreas. Logo, não é meramente o seu conteúdo que é inconstitucional, mas o trâmite do projeto de lei em si. Como, no nosso constitucionalismo o uso do mandado de segurança para suspender trâmites inconstitucionais já é uma tradição que se incorporou às relações entre os poderes, nada mais natural que um parlamentar faça uso dessa garantia, que visa a proteger seu direito líquido e certo de não deliberar sobre proposição tendente a abolir cláusula pétrea.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Esquema de fraudes no Acre, que envolve sobrinho de Tião Viana, mirava verba do SUS – Por Reinaldo Azevedo

Por Kalleo Coura, na VEJA.com:
Dentre as fraudes identificadas pela Polícia Federal na Operação G-7, que desmontou um esquema de desvios no governo do Acre, chama especial atenção uma na área da saúde, envolvendo o sobrinho do governador Tião Viana (PT), Thiago Paiva, diretor de análises clínicas da Secretaria Estadual de Saúde. Segundo a polícia, contratos estavam sendo fraudados para desviar recursos provenientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das empresas contratadas pelo governo teve o atestado de capacidade técnica assinado por um de seus próprios sócios.

Além de Thiago Paiva, também foi preso o secretário estadual de Obras do Acre, Wolvenar Camargo Filho. Os dois e outras treze pessoas presas, entre elas empreiteiros e funcionários públicos, são acusados de cometer fraudes em licitação de diversas obras públicas, inclusive casas populares. Cento e cinquenta agentes da polícia cumprem ainda 34 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Tarauacá e Rio Branco.

Também foram presos João Francisco Salomão, ex-presidente da Federação das Indústrias do Acre, o empresário Sergio Nakamura, afilhado político do senador Jorge Viana (PT-AC), irmão do governador, e Gildo Cesar Rocha, diretor do Departamento de Pavimentação e Saneamento do estado, que é casado com uma prima de Tião Viana.

Fraudes
A operação foi batizada de G-7 porque era assim que o grupo de sete empreiteiras se autodenominava, já que sempre vencia as licitações que concorriam. A descoberta dos 4 milhões de reais desviados até o momento é apenas a ponta do iceberg. Com as buscas e apreensões, a polícia irá se debruçar sobre dezenas de outros contratos firmados com essas empresas.

A maior parte das fraudes foi detectada em obras de pavimentação. Há casos em que a empresa recebeu todo o valor do contrato, mas só realizou a terraplanagem, outros em que a pavimentação teve início, mas ficou inacabada e há até mesmo locais em que o asfalto se encontra em péssimo estado de conservação três meses depois da conclusão da obra. Segundo a polícia, um pavimento deve durar em torno de vinte anos. Algumas das obras investigadas fazem parte do programa Ruas do Povo, um dos carros-chefes publicitários do governo Viana, que anunciou em abril a pavimentação de mais de 600 quilômetros de ruas em todo estado, ao custo de 370 milhões de reais.

Segundo a polícia, os presos são acusados de cometer os crimes de falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude à licitação e desvio de recursos públicos.

O governador Tião Viana divulgou nota de apoio à operação policial, mas fez questão de dizer que “enquanto não houver um juízo condenatório, quer seja na esfera judicial, quer seja na esfera administrativa, é justo fazer, com absoluta consciência, a defesa à integridade moral de secretários e técnicos de governo supostamente envolvidos em fatos tornados públicos”.

 

Por Reinaldo Azevedo

Rede depende menos do Judiciário e mais dela própria

Apesar de excessiva, a liminar concedida pelo ministro Gilmar Mendes contra a proposta que nega a um novo partido o tempo de televisão para propaganda gratuita, pode ser um sinal do pensamento do Supremo Tribunal Federal quanto ao seu mérito. O STF já tem decisão anterior favorável ao PSD no mesmo pleito.

O que caracteriza a interferência no Poder Legislativo é a suspensão da tramitação da proposta, porque atinge o processo regimental, portanto interno. A resposta de Gilmar, porém, ainda que contaminada pelo conflito entre os dois poderes, indica uma discordância com o veto pretendido pelo governo ao Rede, da ex-senadora Marina Silva.

REDEForam do PSDB e do PMDB, as principais contestações judiciais à concessão do registro do PSD e, com mais empenho, ao acesso à televisão, em tempo hábil para que dela desfrutasse já nas eleições municipais seguintes. Eram os dois partidos mais ameaçados pela nova legenda – o primeiro porque enfraquecia principalmente em São Paulo e o segundo por reduzir sua força numérica na aliança governista.

O mesmo PSDB que hoje reclama da ação parlamentar da base aliada contra a concessão da mesma prerrogativa à Rede , de Marina Silva –, ainda um embrião de partido -, já foi a favor dessa restrição quando lhe prejudicava. Sem êxito, frustração que deve recair agora sobre os oponentes de Marina.

Já a  participação do governo na criação do PSD foi política, materializada na ajuda para a formação dos diretórios municipais e estaduais, exigência das mais complexas previstas pela legislação eleitoral, e, àquela altura, o verdadeiro desafio do novo partido.

O contrário seria admitir que as decisões favoráveis do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, posteriormente, do STF, ao PSD foram encomendadas e cumpridas pelos juízes, os mesmos, no segundo caso, que contrariaram governo e PT no julgamento do mensalão.

Certo que essa construção foi decisiva para a viabilização do PSD, que hoje paga o favor servindo como linha auxiliar do governo e comprometido com a reeleição da presidente Dilma Rousseff (pelo menos, por ora).

Da estruturação surgiu o fator seguinte, de importância para a decisão dos juízes: a representatividade, que é o espírito da legislação eleitoral.  Nesse contexto, o PSD já nasceu adulto, de terno e gravata, como sublegenda de prefeituras e governos estaduais, em grande parte, do PT. E com uma bancada federal de 50 parlamentares.

A Rede, de Marina Silva, terá ainda que cumprir essa caminhada para pleitear na Justiça Eleitoral a concessão do registro e do tempo de TV. Mas parece  ainda bem longe disso, em dificuldades para concluir o processo de coleta de assinaturas, apenas o primeiro passo do projeto.

A rigor, mesmo uma improvável decisão desfavorável à ex-senadora, não impede sua candidatura, já que tem outras opções partidárias, a começar pelo PV, a cujo redirecionamento interno não se dispôs, por sonhar com uma legenda comprometida com um padrão político novo, avesso a alianças clássicas, financiamento privado e centrado na questão ambiental.

Com a representatividade comprovada, não haverá espaço para decisão da Justiça diferente daquela tomada em relação ao PSD. O que deveria tranquilizar a ex-senadora e a oposição, empenhados em garantir o segundo turno na eleição presidencial de 2014.

Assim como o PSD, a Rede está numa corrida contra o relógio, bem mais atrasada que seu antecessor quando perseguia a mesma meta. A energia de Marina e seus correligionários, ainda pouco conhecidos, está canalizada para a construção do partido, pois a esfera judicial só virá depois.

No estágio atual toda a aparente mobilização de Marina junto ao Poder Judiciário serve apenas à conveniente – e legítima – estratégia de dar visibilidade a um erro político primário do governo, que vitimiza a candidata, realçando sua importância na disputa eleitoral.

O governo reconhece Marina como fator decisivo para um segundo turno e, ao fazê-lo em forma de ataque à adversária, sugerindo desespero, admite adicionalmente o risco da derrota em tal circunstância.

De uma forma ou de outra, com ou sem a Rede formada a tempo, não é de se cogitar a exclusão de Marina da disputa presidencial, com 15% nas pesquisas.

Já a Rede depende menos da Justiça do que dela própria.

Blog-Bosco

Supercoxinha tenta agora me comover com ônibus ainda mais lotados. Deve ser para o bem do povo! – Por Reinaldo Azevedo

O Supercoxinha sempre tentando me comover. Depois que fiquei sabendo que ele baba de ódio quando falam meu nome, eu passei a salivar — que “babar” é coisa de quem está com raiva, né? — de satisfação, hehe. O Estadão Online publica uma reportagem realmente encantadora. Leiam. Volto em seguida.

*

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

O prefeito Fernando Haddad (PT) publicou no Diário Oficial da Cidade desta quinta-feira, 9, um decreto que reorganiza a licitação dos serviços de ônibus na cidade de São Paulo. A medida já era aguardada, pois os contratos com os atuais operadores dos coletivos na capital vencem em julho, após uma década de vigência. Entre outras disposições, o texto estabelece as diretrizes técnicas que os veículos devem passar a obedecer, como a capacidade de lotação. Todos os tipos de ônibus (existem seis: mini, midi, básico, padron, articulado e biarticulado), com exceção dos mini, terão que poder transportar até seis passageiros em pé por metro quadrado, o limite aceitável segundo a legislação brasileira. Nos miniônibus, menores e mais compactos, a taxa é de até quatro pessoas por metro quadrado.

Chama a atenção, no entanto, o fato de a Prefeitura ter elevado o número absoluto total de passageiros que cada coletivo pode transportar. Em alguns casos, isso aconteceu sem que as dimensões dos veículos tenham sido ampliadas. Antes, de acordo com manuais técnicos da própria São Paulo Transporte (SPTrans), que gerencia o serviço de ônibus na cidade, os ônibus da categoria básico podiam levar até 65 passageiros, entre os sentados, os de pé e os cadeirantes. Agora, a quantidade sobe para 75. Porém, o comprimento do ônibus continua basicamente o mesmo, de cerca de 12 metros.

Já os ônibus articulados, que antes tinham que de dispor de “capacidade mínima de 100 passageiros”, agora poderão transportar, no máximo, de 111 a 171 pessoas, dependendo de seu tamanho, que pode variar 18,6 metros a 23 metros. Os biarticulados, por sua vez, subiram de uma capacidade mínima de 160 passageiros para capacidade total média de 198 pessoas. O comprimento, porém, continua seguindo os velhos parâmetros: de até 27 metros.

Isso revela que, na prática, a lotação por metro quadrado nos horários de pico pode ser maior do que a estipulada pela Prefeitura.
(…)

Voltei
Traduzindo: o Supercoxinha quer ônibus ainda mais cheios. Desconfio que é para o bem do povo. Só pode ser. Até pensei em “afifar” e, pragmaticamente, tentar melhorar o nosso super-herói do Complexo Pucusp. Mas não consigo. Afif acha que só o consenso salva. Eu acho que a democracia se prova é com dissenso.

Baba, baby, baba!

 

Por Reinaldo Azevedo

Aécio Neves em 2014 – Por Murillo de Aragão

Uma das mais figuras interessantes da política nacional é Aécio Neves. Jovem, carismático e com uma carreira de sucesso, ele tem tudo para ser presidente da República. Além disso, mantém uma base política relevante em Minas Gerais.

Murillo Fasano - Cientista Político.
Murillo de Aragão – Cientista Político.

Aécio Neves já foi o queridinho da grande mídia, quando José Serra monopolizava o controle do PSDB. Agora, tendo esperado a sua vez, é o nome do partido para enfrentar a corrida presidencial de 2014. Mesmo não sendo mais o queridinho de antes.

No entanto, muitos levantam dúvidas sobre suas reais condições como candidato. Apontam, por exemplo, aspectos de sua vida pessoal que seriam turbulentos demais para quem quer ser presidente. Outros mencionam as fragilidades da oposição e do PSDB nos tempos atuais.

Ao largo das dúvidas, Aécio pode e deve ser candidato presidencial em 2014. Ainda que seja para perder. As vantagens de disputar são imensas e não se comparam a não disputar nem a concorrer ao governo de Minas.

A primeira vantagem é o fato de que só ganha quem disputa. Mesmo não sendo favorito, Aécio pode se beneficiar de fatores inesperados e terminar vencendo as eleições. Isso não é impossível, apesar do evidente favoritismo de Dilma Rousseff (PT).

A segunda vantagem está em marcar a sua imagem nacionalmente. O nome de Aécio é badalado, mas a verdade é que ele ainda é um ilustre desconhecido para muitos no país. Nas últimas pesquisas, ele aparece com apenas 10% das intenções de voto, atrás, por exemplo, de Marina Silva. Disputando com uma campanha forte e estruturada, Aécio pode construir uma imagem nacional que será útil para outras campanhas.

A terceira vantagem é que uma campanha presidencial é importante para o PSDB se fortalecer nos estados e no Congresso. Saindo-se bem na disputa, mesmo perdendo Aécio consolida-se como líder nacional do partido.

A quarta vantagem é que somente se expondo ao ataque dos outros candidatos Aécio será testado no tocante a seus supostos pontos fracos, por exemplo, sua vida pessoal. O importante é se colocar na disputa e enterrar de vez as suspeitas de que seja um cavalo paraguaio por conta de sua vida social. Ter a coragem de enfrentar as suspeitas e as fofocas é marca de coragem.

Aécio Neves
Aécio Neves

A quinta vantagem é que Aécio precisa construir um discurso sólido e uma campanha presidencial, e esta é uma oportunidade única de debater temas importantes e se posicionar de forma clara.

A campanha pode dar a oportunidade de o PSDB se organizar para o futuro e de Aécio dizer a que veio como político. Até agora, apesar de seus aguardados discursos, ele deixou a desejar quanto a uma mensagem forte.

A sexta vantagem está no fato de que os candidatos do PSDB conseguem ter cerca de 1/3 do eleitorado. Aécio tem de disputar para, no mínimo, cuidar desse patrimônio eleitoral que é, sem dúvida, a base para uma vitória no futuro.

Ao lado das vantagens, existem sérios problemas que Aécio vai ter que enfrentar. Um deles será controlar José Serra. Paira sobre a relação deles sérias desconfianças. Serra pode não ajudar, mas tem o condão de atrapalhar muito Aécio. Estabelecer o entendimento entre ambos é um pré-requisito importante para a campanha de Aécio.

Outro grave problema é o estrelismo amadorístico do PSDB. Os anos de poder não fizeram da legenda uma maquina partidária, e, sim, uma pequena feira de vaidades provinciana. É um partido desunido, sem discurso, sem projeto e com soluções políticas antiquadas.

As estrelas tucanas se acham mais importantes do que o projeto político do partido e nunca, em dez anos fora do poder, conseguiram construir um projeto político coerente. É hora de colocar as vaidades de lado e se unir em torno de um programa que deve ter a cara de Aécio Neves.

Assim, partindo do pressuposto de que existem derrotas e derrotas (Lula sabe muito bem disso) e seja qual for o cenário – com ou sem Eduardo Campos na disputa –, Aécio Neves deve ser candidato, para ganhar ou para perder.

A estratégia de Aécio para disputar o Palácio do Planalto já está em curso. E o primeiro passo para torná-lo mais conhecido em todo o país será dado ainda este mês, quando ele for escolhido para comandar nacionalmente o PSDB. O objetivo dos tucanos é que, ocupando a presidência do partido, Aécio percorrerá o país, entrando em contato direto com as bases e dando início à construção de seu discurso para o embate eleitoral.

O discurso inicial de Aécio Neves tem como foco a suposta “leniência do governo Dilma Rousseff em relação à inflação”. Mas terão destaque também o baixo crescimento do PIB, a paralisia nas obras de infraestrutura e as isenções fiscais seletivas, ingerência do Estado na atividade econômica — o que, na avaliação do senador tucano, gera insegurança jurídica e afasta investimentos.

O modelo de crescimento econômico do lulismo, com foco na demanda, através do crédito, é criticado por Aécio, pois, para ele, “o calcanhar de aquiles está na oferta”. Na avaliação do senador, são necessários, neste momento, mais investimentos privados para compensar a queda do consumo.

Também farão parte do discurso de Aécio as denúncias de corrupção ocorridas durante os governos petistas (condenação de mensaleiros e outros casos). Os tucanos também irão explorar o que avaliam como “viés autoritário” do governo.

Ao criticar esse “viés autoritário”, Aécio acredita que será possível seduzir os eleitores das classes A e B dos grandes centros urbanos, onde, segundo pesquisas qualitativas, haveria um esgotamento do PT.

A nova agenda buscada por Aécio Neves para o PSDB também procura romper o processo de isolamento a que a oposição foi submetida nos últimos anos. Disposto a ampliar seu leque de alianças para além do DEM, Aécio tem se aproximado de Marina Silva, o que pode ser observado no apoio dado pelos tucanos à criação do partido da ex-senadora, o Rede Sustentabilidade.

Aécio também flertou com o governador Eduardo Campos (PSB-PE), ao dar-lhe as “boas-vindas à oposição”, após as críticas realizadas pelos socialistas ao governo Dilma em seu programa partidário.

Outra liderança com quem Aécio Neves mantém proximidade é o deputado federal Roberto Freire, grande articulador da fusão PPS/PMN, que deu origem ao partido Mobilização Democrática (MD).

Por fim, Aécio flerta com o deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP), que, no dia 1o de maio, levou o senador tucano até um ato promovido pela Força Sindical para comemorar o Dia do Trabalhador.

Tais movimentos buscam dois importantes objetivos: 1) evitar que PSDB e DEM fiquem isolados no tabuleiro; 2) garantir, através da ampliação de aliados, mais tempo de TV; 3) flertar com forças políticas de centro e centro-esquerda. Enfim, buscam armar uma candidatura minimamente competitiva. Para ganhar ou para perder bem.

 

Murillo de Aragão é Cientista Político.

Ronaldo Laranjeira, duro crítico da descriminação das drogas, comandará programa anticrack em SP – Por Reinaldo Azevedo

Ronaldo Laranjeira, duro crítico da descriminação das drogas, comandará programa anticrack em SP; não existe nem existirá “Bolsa Crack” no Estado; trata-se de uma absurda distorção.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Informação em primeira mão: o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, um dos maiores especialistas em dependência química do Brasil (candidato a ser o maior), internacionalmente reconhecido por seu trabalho na área, será o coordenador-geral do Projeto Recomeço, de combate ao crack, que está sendo implementado pelo governo de São Paulo. Atenção! Não existe “Bolsa Crack” nenhuma em gestação no Estado! Isso é uma grave distorção! Ainda que se queira dizer que “é como as pessoas estão chamando”, então é preciso que se lhes diga a verdade: “Pessoas, vocês estão erradas! Isso é uma besteira!”. Já chego lá. Laranjeira, PhD em psiquiatria pela Universidade de Londres (Maudsley Hospital), justamente no setor de Dependência Química, é um crítico severo da descriminação das drogas. Pesquisador rigoroso, é titular do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP, diretor do INPAD (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas) e coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas). Muito bem. O que é o Projeto Recomeço? PRESTEM BEM ATENÇÃO!

Será impossível contar com instituições públicas e leitos públicos em todas as cidades do estado de São Paulo para dar atendimento aos dependentes químicos. Esse trabalho terá de ser feito também por instituição privadas, devidamente credenciadas. O Estado de São Paulo estabeleceu o valor de R$ 1.350 para pagar por esse serviço. Anotem:
1: O DINHEIRO NÃO SERÁ DADO AO DEPENDENTE.
2: O DINHEIRO NÃO SERÁ DADO À FAMÍLIA DO DEPENDENTE.
3: O DINHEIRO SERÁ REPASSADO DIRETAMENTE À INSTITUIÇÃO QUE PRESTAR O SERVIÇO.

Ronaldo Laranjeira, que não tem o miolo mole, vai comandar projeto anticrack em SP
Ronaldo Laranjeira, que não tem o miolo mole, vai comandar projeto anticrack em SP

A família de quem estiver em tratamento, esta sim, receberá um cartão atestando que FULANO DE TAL está em tratamento na unidade “x”. Por que isso é importante? Porque é uma forma a mais de saber se o serviço está mesmo sendo prestado, abrindo, ademais, a possibilidade de avaliar a sua efetividade ou não.

ISSO É “BOLSA CRACK”? TENHAM A SANTA PACIÊNCIA!!!

O governo de São Paulo, felizmente, não é um “liberacionista” — Laranjeira tampouco. Ao contrário. A polícia do estado é uma das mais intolerantes com o tráfico e é a que mais prende, no que faz muito bem. Alckmin implementou a internação involuntária no estado e apresentou um projeto para que menores que cometem crimes hediondos possam ficar até oito anos retidos. Estou a dizer que não se trata de um governo que tem um postura nefelibata diante do crime.

Falar em “Bolsa Crack” sugere que o governo repassará aos familiares dos dependentes R$ 1.350 para que gastem como lhes der na telha, de sorte que ter um viciado em casa poderia significar até um ativo. Isso não existe!!! O dependente que quiser tratamento poderá contar também com a rede privada, se a pública não puder atendê-lo. Uma vez cadastrado, sua família recebe o cartão. Não é um cartão de débito nem de crédito, mas de mera identificação. E por que fica com a família? Porque esse tipo de doente é sabidamente arredio a controles.

São Paulo cumpre o que Dilma prometeu
O programa de combate ao crack do governo federal, por enquanto, é pura ficção. O estado de São Paulo tem procurado apertar o cerco ao tráfico e prestar auxílio médico aos dependentes. Essas são as linhas gerais do programa. E estão, até onde se alcança, corretas.

É absurda a ilação de que se trata de uma “bolsa”. Fosse assim, melhor seria dar R$ 1.350 às famílias dos alunos que só tiram A no boletim, não é mesmo? Não se trata de um prêmio ou de uma compensação para a família que tem em casa um viciado. Não! Já que o estado brasileiro decidiu que a dependência química é uma doença e já que existe a urgência social de tratá-la, que se faça isso, então, de maneira organizada.

O programa, de resto, estará em mãos seguras. Laranjeira não é um desses que, com a mão direita, oferece tratamento aos dependentes e, com a esquerda, facilitam o acesso àquilo que os mata. Ao contrário: ele tem a clareza — mera questão de lógica elementar — de que, junto com o tratamento, é preciso criar dificuldades para a circulação de substância entorpecentes.

Quem quer Bolsa Droga é o aloprado ex-presidente da Colômbia César Gaviria, membro da Comissão Latino-Americana Sobre Drogas e Democracia. Este, sim, defende que o estado forneça a droga aos viciados. Laranjeira, felizmente, é de outra cepa.

 

Por Reinaldo Azevedo

Factoides – Por Alexandre Garcia

Ninguém mais fala da briga que o Congresso moveu contra o Supremo, mas o factoide cumpriu o objetivo: Renan afastou de si o movimento popular que se avolumava para contestar sua investidura na presidência do Senado.
Ponto para Renan, que inteligentemente soube manejar a ingenuidade de jornalistas e a facilidade de conduzir o povo.

Agora nos ocupamos com a exumação dos restos do ex-presidente Goulart, com o argumento de que ele possa ter sido envenenado. Seria mais fácil recorrer aos médicos que acompanharam o doutor Euríclides de Jesus Zerbini numa ida sigilosa à Argentina, para examinar o coração de Jango.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

O que encontraram foi algo semelhante à situação de Luiz Eduardo Magalhães: tudo irremediavelmente entupido. Não vão encontrar veneno, como não encontraram semana passada nos restos do poeta chileno Pablo Neruda, que morreu de câncer na próstata.

Quanta energia perdida! Dinheiro e energia, como receberam os estádios mandados construir pela Fifa. Em Brasília, o governo do PT aceitou pacificamente que seja proibido chamar o estádio de seu nome de batismo, Mané Garrincha, nos jogos da multinacional Fifa.

Parece um país no chão, em que qualquer um se sente encorajado a fazer o que quiser. ONGs estrangeiras e religiosas se sentem à vontade em importar cidadãos paraguaios para ocupar reservas indígenas inventadas pela expulsão de trabalhadores brasileiros que produzem alimento. Casa de mãe-joana.

E vão distraindo o povo, que não percebe porque olhos e ouvidos se ocupam em evitar assaltos e sequestros. O perigo vizinho está mais perceptível do que outras questões. Enquanto isso, vai pagando os impostos como deve, sem ter segurança, escolas, hospitais e estradas. Se precisar de Justiça, sabe que vai demorar, como parece que vai demorar a lenga-lenga de recursos do mensalão. Não dá tempo para mais nada. Afinal, estamos ocupados com as discussões sobre gays na Comissão de Direitos Humanos e com os novos direitos das domésticas. Na parada, de madrugada, para ir ao trabalho, o brasileiro vê o ônibus envelhecido passar lotado. Direitos humanos é aquilo que a ditadura do politicamente correto relacionou. A realidade dos 150 homicídios diários que se dane.

Quem estudou para ser médico ou professor e está no serviço público percebe que se enganou. Poderia ser mordomo da presidência do Senado e ganhar R$ 18.200 por mês – o que a maioria não ganha por ano. Se for garçom da presidência do Senado, com as gratificações, pode chegar a R$ 11.600. As diferenças salariais neste país são grandes, não é mesmo?

Como todos são espertos, o mérito está abolido. E se algum revolucionário do bem sonhar em mudar isso, em buscar exemplos no México ou no Chile, logo virá mais um factoide, para que tudo fique como dantes. Será que eles acham graça da gente?

Requentado, nem café – Por Cléomar Eustáquio

Trabalhando durante o dia para a prefeitura de Vilhena e de noite num livro que sonho escrever antes das eleições de 2014, agradeço a Deus por estar tendo de fato uma experiência que desejei.

Cléomar Eustáquio
Cléomar Eustáquio

Experiência administrativa, porque de campanha ando até cansado, são 26 anos de praia num país com eleições de 2 em 2 anos. Mas de gestão pública eu era quase virgem. Não totalmente porque fiquei um ano na Previdência com o nobre senador Amir Lando, e aprendi com grande angular porque tanto o Brasil é grande quanto sua Previdência… enoooorrrme.

Na publicidade nacional o marketing se orienta por pesquisas e, óbvio, espaço cativo na linha editorial da Tv predominante, a rede Globo. Na realidade estadual da RO que jamais teve uma comunicação profissional, o diretor ou secretário de comunicação sobrevive entre choros e manchetaços, pois onde falta dinheiro falta pão e ninguém tem razão. E hoje está lá o amigo de toda Vilhena, Júlio Olivar, que é franco e inteligente para comprovar (ainda que em Off), a tradição de que a Decom vive de fazer milagres, ora porque a agência é gulosa e leva até a cereja do bolo, ora porque o Estado não gera ou libera o bastante para todas as garças e urubus do pedaço.

E aqui em Vilhena também tem sido interessante, principalmente quando tiro a noite do domingo pós Missa para fazer esta reflexão que nasce do fato de um conhecido jornalista desse abençoado clima do sul no norte ter requentado na semana passada – dois meses depois – a frase do prefeito sobre soro vencido, e ainda condenando-o com os adjetivos de “medíocre”e “incompetente”. Isso pode até não ser crime, como escreveu outro jornalista local mas tais adjetivos não são agradáveis ao homem público, e nem mesmo a qualquer um já que no Evangelho Cristo diz que quem chamar o irmão de tolo – olha que palavrinha pequena perto de medíocre – está sujeito ao fogo do inferno ( S. Mateus 5,22).

E tudo isso por uma simples escorregadela comum de frases dos políticos que são obrigados a tratar de tudo quanto é assunto, mesmo sem ser especialistas. Mas a verdade que salta aos olhos desse veterano cujos cabelos estão mais brancos do que gostaria, é que isso é política. Política ou politicalha. Tudo porque a cidade, já que Vilhena é pouco município e muito urbana, terminou a eleição dividida entre 50% e 40%; os 10% restantes é residual, não conta no processo.

E entre estas duas forças locais (Rover/Lizangela e o clã Donadon), reside a intenção, ação e à vezes, abusos, como neste caso. Tudo porque cada um está cuidando dos seus interesses e/ou opiniões, enquanto a verdade está mais acima, ou mais embaixo. Mais embaixo quando refletirmos por que um veterano jornalista requenta um episódio que já caducou – ocorreu há quase dois meses – enquanto a mídia vive da novidade, do furo, e mais grave ainda, isso nada soma para a cidade.

jornalista-processado

Aliás conheço muito bem essa tática pois volta e meia citam que eu fui preso em Vilhena, em 2004, 9 anos atrás, por ter dado um cheque pre-datado e o mesmo não fora pago porque mudei de endereço e o Beron foi fechado em 1995. Mas o credor fez uma ação que, 9 anos depois, levou o juiz a pedir minha preventiva para ser ouvido. Sim, fui preso por causa de um cheque de 102 reais que 9 anos depois nem me lembrava ter dado. O Carlos da Alpha e o Osias Labajos foram comigo na delegacia e riram, porque nunca tinham visto alguém ser preso por um cheque de 102 reais, pre datado, e muito menos, 9 anos depois do fato.

E acima está a verdade quando desconsideramos estas bizarrices e passamos a entender, como sociedade, grupo, comunidade, cidade e município, que precisamos deixar a eleição entre os meses de junho e outubro, e não durante os anos seguintes. Aprender com os norte americanos a somar como pátria (municipal) e construir em conjunto a cidade que se deseja viver e desenvolver, com o prefeito que, democraticamente, a maioria elegeu.

Aliás – o tempo vai provar – quem luta contra Rover luta contra Vilhena, porque o município não tem nenhum outro nome ( senão sua própria esposa), para representar o município nas esferas estadual e federal das eleições do ano que vem, tempo em que Natan e Marcos Donadon estarão presos pelo rombo na ALE, Melki jubilado como ficha suja, Luizinho sem Cassol pra lhe dar dinheiro, moral e os votos da 429, e os demais nomes vilhenenses inviabilizados porque mal se elegem vereador.

E município sem nome estadual e federal é municípoio morto. Tanto quanto soro vencido mal faz mal, e falar bem de quem faz o bem faz bem. Por isso defendo que o jornalismo precisa parar de ver a velhinha só quando ela é atropelada, sua história é bem maior.

A primeira dama desconsiderou esta fofoca e elogiou publicamente o jornalista que atacou seu esposo. Por isso relembremos a pergunta do saudoso papa João Paulo II aos jornalistas no avião que o trouxe na sua primeira viagem ao Brasil: por que o bem não serve como notícia?

 

Por Cléomar Eustáquio – Portal de Vilhena

É mentira que o STF nunca tenha suspendido tramitação de projeto no Congresso com liminar – Por Reinaldo Azevedo

É mentira que o STF nunca tenha suspendido tramitação de projeto no Congresso com liminar. Em 1996, Marco Aurélio paralisou PEC da Previdência. E com liminar!

Ah, escarafunchar a jurisprudência no site do Supremo Tribunal Federal pode fazer bem ao jornalismo! A gente não precisa ficar à mercê de abelhudos, de opiniões ad hoc e de professores que não têm paciência para… escarafunchar o site do Supremo.

Não é que eu acabo de encontrar aqui uma liminar do ministro Marco Aurélio Mello suspendendo nada menos do que a tramitação da PEC 33-A? E olhem que não era uma “pequizinha” qualquer, hein. Era a PEC da Reforma da Previdência! Já chego lá. Vocês vão ver quem são seus autores… Antes, algumas considerações.

 

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Demonstrei aqui, ontem, que, segundo jurisprudência do próprio STF, os parlamentares têm legitimidade ativa para impetrar mandados de segurança junto ao tribunal quando o processo legislativo viola disposições constitucionais. Assim, é improcedente a afirmação de que seria descabido um mandado de segurança para suspender a tramitação de um projeto de lei.

Ora, quem recorreu contra o texto que coíbe a formação de novos partidos é um senador da República — Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A liminar foi concedida por Gilmar Mendes porque entendeu que o projeto viola uma interpretação conforme a Constituição. Sendo assim, essa interpretação não pode ser mudada por legislação ordinária. Quando o tribunal, por 9 a 2, decidiu que o PSD tinha direito ao tempo de TV e à verba do Fundo Partidário correspondente aos parlamentares que abrigara, não se estava privilegiando o partido por causa da boa lábia de Gilberto Kassab. O que se fazia era dar uma “interpretação conforme a Constituição”. E “interpretação conforme a Constituição”, amiguinho, Constituição é. A menos que se faça, então, uma emenda e se mude a Carta.

Assim, errou o ex-ministro Carlos Velloso quando disse que nunca tinha visto nada parecido. Não só vira como fora relator de um caso. E errou o professor de direito da USP Virgílio Afonso da Silva, que escreveu um artigo tentando acusar Mendes de se comportar de maneira inusitada e coisa e tal.

Marco Aurélio
Eu tenho uma boa memória da reforma constitucional que FHC tentou fazer porque acompanhei a coisa de muito perto. Editei um caderno especial na Folha sobre o assunto. Em abril de 1996, eu já tinha pedido demissão do jornal e estava empenhado, com outros colegas, na criação de uma revista (“República”), mas continuei bastante ligado ao tema. E tinha aqui a memória de que Marco Aurélio Mello havia suspendido a tramitação da reforma da Previdência. Teria a minha memória me traído?

Traiu nada! Foi isso mesmo! Sim, senhores! Para desaire de Carlos Velloso e do professor Virgílio (ainda bem que não foi ele a orientar Dante nos círculos do inferno, hehe…), Marco Aurélio reconheceu a legitimidade (e estava certo; eram legítimos mesmo) dos parlamentares para impetrar o mandado de segurança. E descartou, expondo lá os seus motivos, que aquilo pudesse ser uma “interferência do Judiciário no Legislativo”.

Atenção!
O governo FHC não chiou!
O PSDB não chiou!
Ninguém acusou o Supremo de invadir a competência de um outro Poder.
E, CLARO, NÃO HAVIA A IMPRENSA SUJA, FINANCIADA POR ESTATAIS E PELO GOVERNO FEDERAL, PARA INVESTIR NA CONFUSÃO. E era um tempo, também, em que, no geral, não era o pensamento que corria atrás das palavras. Antes, as palavras é que tentavam alcançar o pensamento.

Mais: também não se fazia ainda o jornalismo do “diz-que-diz-que”. Fulano diz que é legal; fulano diz que é ilegal. E pronto! Já dá para ir tomar umas cervejas. Tanto quanto possível, a orientação era não deixar o leitor na areia, coitado!, evidenciando, afinal, o que dizia a lei.

Sim, Marco Aurélio concedeu a liminar — íntegra aqui — a mandado de segurança (22.503) impetrado por um grupo de deputados de oposição. Listo nomes de oposicionistas de 1996. Alguns deles são hoje, claro!, governistas e agora reclamam que Gilmar Mendes está se metendo no Legislativo… Eles gostaram quando quando Marco Aurélio concedeu a liminar. Vejam a lita dos impetrantes. Volto para encerrar:
Deputados Federais Jandira Feghali (PC do B/RJ), Sérgio Miranda (PC do B/MG), Matheus José Schmidt Filho (PDT/RS), Sandra Meira Starling (PT/MG), Alexandre Aguiar Cardoso (PSB/RG), Agnelo Santos Queiroz Filho (PC do B/DF), Aldo Silva Arantes (PC do B/GO), Eduardo Jorge Martins Alves Sobrinho (PT/SP), Haroldo Borges Rodrigues Lima (PC do B/BA), Humberto Sérgio Costa Lima (PT/PE), Inácio Francisco de Assis Nunes Arruda (PC do B/CE), José Aldo Rebelo Figueiredo (PC do B/SP), Luiz Lindbergh Farias Filho (PC do B/RJ), Maria do Socorro Gomes Rodrigues (PC do B/PA), Miro Teixeira (PDT/RJ) e Ricardo Krachineski Gomyde (PC do B/PR).

Encerro
Ontem, desmoralizei a ideia de que mandado de segurança era um instrumento descabido para suspender tramitação de projeto de lei ou de emenda. Hoje, desmonto a falácia de que nunca antes na história do Supremo houvera sido dada liminar que interrompesse um processo legislativo. A prova está aí.

Como se vê, mato a cobra, mostro a cobra, o mandado de segurança e a liminar.

Por Reinaldo Azevedo

Somos reféns da má consciência que santifica bandidos… – Por Reinaldo Azevedo

Somos reféns da má consciência que santifica bandidos, tomando-os ou como vítimas passivas das condições sociais ou como militantes involuntários da igualdade.

Vejam este desenho do cartunista Henfil. Logo entenderão por que ele está aí. Volto em seguida.

Você que trabalha, você que estuda, você que estuda e trabalha, nós todos, enfim, somos reféns da má consciência disfarçada ou de generosidade humanista ou de sociologia da reparação, que permitem que facinorosos fiquem por aí, à solta, matando pessoas de bem. Vamos lá.

No texto que publiquei na tarde de ontem sobre a prisão dos assassinos da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, escrevi: “A depender de como caminhem as coisas, bastará, para aliviar parte da punição dos outros, que o menor assuma a responsabilidade. A sua ‘não-pena’ já está definida.” Na mosca! Adivinhem o que aconteceu… Em depoimento à polícia, o tal menor assumiu a responsabilidade. Relatou a delegada do caso: “Ele [o menor] revelou que jogou álcool na dentista, que já estava amarrada, com as mãos para trás, e com o isqueiro ficou fingindo que iria colocar fogo para torturar. Até que, bravo porque o Jonathan [o que tinha pegado o cartão e saído para sacar dinheiro] ligou dizendo que, na conta, só havia R$ 30, disse que ‘isqueirou’ a moça e, de repente, o avental começou a pegar fogo, e ela incendiou. E ele conta isso como se estivesse falando sobre o capítulo de uma novela”.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Era evidente! O menor daria um jeito de livrar um pouco a barra de seus companheiros. Isso já se tornou parte do jogo e do risco. O covarde fará 18 anos em junho. Como praticou crime hediondo, com dois meses a mais de vida, pegaria de 12 a 30 anos de cadeia e só teria direito ao regime de progressão depois de cumpridos dois quintos. Por causa de menos de 60 dias, esse monstro asqueroso será solto daqui a três anos. E estará pronto para “isqueirar” outras pessoas. Mas não há risco de isqueirar Maria do Rosário. Não há risco de isqueirar Gilberto Carvalho. Não há risco de isqueirar José Eduardo Cardozo. Não há risco de isqueirar Dilma Rousseff. Os seguranças não deixam. Nota: três anos é internação máxima. Pode sair antes, sim.

Era evidente que ele assumiria a culpa porque não é menos evidente que tem consciência da impunidade.

Um dia, já notei aqui, um desses esquerdistas de butique e botequim tentou ironizar o fato de eu usar esta expressão: “pessoas de bem”. Seria, segundo entendi, o emblema do meu reacionarismo, do meu direitismo, da minha crueldade com o povo… Fôssemos opor a sua biografia à minha, do povo, aquele vagabundo moral não conhece a cara, a casa, os valores, as dificuldades, os anseios… Eu conheço. Para gente assim, escrevi no dia 24 de novembro de 2011 o texto Meus heróis não morreram de overdose. Alguns dos meus amigos de infância é que morreram no narcotráfico! E foi uma escolha!

Origem social não torna ninguém certo ou errado. Mas uma coisa eu posso assegurar, e o faço com a minha experiência de vida: pobre não é sinônimo de bandido; pobreza não é sinônimo de mau-caratismo; carência não é sinônimo de violência. “Ah, mas tudo isso ajuda…”. Errado também! A bandidagem é que se aproveita da falta de estado nas áreas pobres do país e torna refém a população — majoritariamente composta de pessoas honestas. Existem pobres que não prestam. Existem ricos que não prestam. Existem remediados que não prestam. “Que diferença faz saber isso?” A diferença entre políticas públicas certas e erradas de combate à violência.

As pessoas comuns, todos nós, arcamos com o peso e com o risco de uma leitura sobre a violência que é de caráter, antes de mais nada, ideológico. A luta contra a ditadura no Brasil criou alguns mitos que se colaram à consciência dos ditos bem pensantes e lá ficam, punindo justamente os pobres que supostamente quer proteger. Lembrava-me — e acabei achando no Google, como vocês veem lá no alto — de um desenho do cartunista Henfil (1944-1988), que era, sem dúvida, um grande talento da esquerda. Morreu antes de o PT malufar… Vejam lá o “homem de bem”, com cara de plutocrata, de gravata, pançudo, assaltado por um pivete de pés descalços, com trabuco na mão. O “burguês babaca” apela, claro, a um valor não menos “burguês”: a vergonha. Vergonha? O que está de arma não mão responde: “Não! Mas tenho fome, serve?”.

Os que se querem hoje de esquerda pararam aí. Atribuem a violência à pobreza e acham que suas agruras eliminam ou determinam os valores morais. Henfil estava longe de ser idiota. Sabia muito bem o que fazia. É evidente que seu desenho é uma metáfora — ou, mais apropriadamente — metonímia da luta de classes e, por óbvio, da luta armada. A decadência do marxismo e a inviabilidade do socialismo, de que o PT é a expressão mais eloquente, fizeram com que os neoesquerdistas passassem a confundir a luta por justiça com o crime. Assim, meus caros, não estranhem quando mensaleiros tomam o crime como luta por justiça…

O desenho do talentoso — e ideologicamente equivocado — Henfil é uma bobagem moral, é uma bobagem ética e uma mentira histórica estúpida. Não sei a sua data exata, mas deve ser do começo dos anos 1980. Atenção! Em 1980, a taxa de homicídios no Brasil era de 11,7 por 100 mil habitantes; saltou para 26,2 em 2010. Se ela tivesse se mantido como há 33 anos, quase 28 mil vidas seriam poupadas a cada ano. Nesse período, o Brasil se democratizou, os direitos humanos passaram a ser uma prioridade das políticas públicas, a miséria foi drasticamente reduzida, o ensino fundamental se universalizou, a saúde se expandiu enormemente, a expectativa de vida do brasileiro cresceu e, não custa lembrar, o partido de Henfil foi eleito três vezes para a Presidência da República. A taxa de homicídios por 100 mil habitantes cresceu 123%.

Drogas
A polícia informa que a quadrilha pode ter cometido oito crimes, quase todos em consultórios odontológicos — há um assalto a residência. Já haviam embebido antes vítimas em álcool, ameaçando incendiá-las. Tinham método. Chegavam a visitar previamente os locais como pacientes para facilitar o, digamos, trabalho posterior. Tanto os adultos presos como os dois menores “apreendidos” (é assim que se deve escrever por causa do ECA…) — um deles não participou desse assalto, mas dava abrigo aos comparsas — são usuários de drogas. Os dois ditos adolescentes já foram flagrados pela polícia portando drogas, mas era “só para consumo” e foram liberados.

E chegamos, assim, a mais uma das fantasias daquelas elites cruéis de que falo. Uma ONG faz campanha na TV pela descriminação das drogas. Os juristas que elaboraram uma proposta de um novo Código Penal querem definir uma quantidade que vai distinguir consumo de tráfico: o suficiente para cinco dias — o deputado petista Paulo Teixeira (SP) quer dez. Ignoro se os facínoras que incendiaram a dentista (…) estavam, aquela hora, sob o efeito de alguma substância, mas não seria de estranhar.

A estupidez militante está transformando o consumidor de drogas apenas num “doente”, num “dependente”, numa “vítima”, ignorando uma obviedade estupefaciente: para financiar o consumo, com alguma frequência, também se trafica. O deputado Osmar Terra (PMDB-RS), que fez um projeto endurecendo a pena para traficantes e criando um cadastro — não é de consumidores, é mentira! — de pessoas que se submetem a tratamento para que sua efetividade possa ser testada e acompanhada está sendo demonizado, transformado em vilão. Toma-se a realidade de classes médias abastadas, onde vigora o doce laxismo da impunidade, muito especialmente com as drogas, como medida da realidade brasileira.

“Ora, Reinaldo, esse horror aconteceu com as leis que temos.” É verdade. Como sou uma pessoa lógica, parto do pressuposto de que à eventual descriminação corresponderá um aumento do consumo — como aconteceu em Portugal, realidade que vigaristas tentam esconder. E haverá mais “doidões” soltos por aí. “Talvez a dentista não tivesse morrido se aqueles caras pudessem comprar droga na padaria…” Uma ova! Eles não fazem o que fazem porque não podem comprar maconha ou crack na padaria. Eles não fazem o que fazem porque, a seu modo, lutam contra a lei antidrogas. Eles fazem o que fazem porque seu senso moral a tanto os autoriza. A depender da droga que consumam — com a descriminação, qualquer uma estaria à mão —, diminui substancialmente a distância entre matar e não matar.

Somos, reitero, reféns da má consciência que, no fim das contas, santifica o bandido, fazendo dele ou uma vítima das condições sociais perversas ou uma espécie de militante da igualdade social, ainda que possa não ter muita clareza disso.

Em nenhum país do mundo, pesquisem, a vida humana é tão barata como no Brasil. Em nenhum país do mundo o coro na imprensa em favor de penas menores para bandidos é mais forte e audível do que o de suas vítimas reais ou potenciais. Aprendemos a tratar delinquentes como heróis e já chegamos ao requinte, na campanha do desarmamento, de tratar “pessoas de bem” como bandidas. Três anos! É o tempo que nos separa do risco de topar na rua com o assassino de Victor Hugo Deppman ou de Cinthya Magaly Moutinho de Souza. Eles reconhecerão a nossa cara, a universal cara das vítimas. Mas nós estaremos impedidos de reconhecê-los.

Para encerrar: a falta de vergonha pode levar alguém a apontar uma arma para assaltar o outro. A fome não!

Por Reinaldo Azevedo

É Dilma, mas pode chamar de Hugo Chávez – Dilma Chávez – Projeto cuja tramitação foi suspensa pelo Supremo dá a Dilma 61% do tempo de TV

Por Ranier Bragon e Paulo Gama na Folha:
Patrocinado pelo Planalto e pelos seus dois principais aliados no Congresso, PT e PMDB, o projeto de lei que restringe a criação de partidos políticos no Brasil vai, se aprovado, turbinar em 26% o tempo de propaganda na TV de Dilma Rousseff em 2014. Esse incremento daria à candidatura à reeleição da petista a maior fatia de TV da história das disputas presidenciais —15 minutos e 18 segundos em cada bloco de 25 minutos, ou 61% do total. A medida foi incluída por uma emenda no projeto aprovada pela Câmara no final da noite do último dia 17.

Ela retira uma fatia do tempo de TV que hoje é distribuída de forma igual a todos os candidatos e a destina principalmente às grandes siglas. Com isso, a principal beneficiada é a aliança projetada para Dilma –que inclui PT, PMDB e PSD, três dos quatro maiores partidos da Câmara.
(…)

 

Por Reinaldo Azevedo

Entre os que meteram fogo na dentista, um menor. Em três anos, estará nas ruas Por Reinaldo Azevedo

Entre os que meteram fogo na dentista, um menor. Em três anos, estará nas ruas, sob o aplauso de Maria do Rosário, Gilberto Carvalho e Dilma Rousseff

Vejam estes dois (fotos de Joel Silva, da Folhapress).

 

O que mostra a cara é Vitor Miguel dos Santos da Silva. O outro é um “menor”. É o “F”. Não pode ter nem nome nem imagem divulgados. São dois dos assassinos da dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza. Eles jogaram álcool em seu corpo e atearam fogo. Vejam de novo: não são mesmo a cara da subnutrição, da pobreza, da esqualidez, do desamparo, da carência de vitaminas, proteínas e sais minerais? Então não é verdade que a gente olha pra eles e vê, coitadinhos, que a miséria impediu o devido processo de mielinização, e eles se transformaram nesses seres deformados, verdadeiros quasímodos espirituais, o que os impediu de ganhar senso de moral e justiça. Tenham paciência!

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Sim, leitores, entre os três “suspeitos” — a palavra é um jargão jurídico porque não houve condenação — da morte da dentista, em São Bernardo, está aquele pobre menor, que, como se vê, enfrenta as agruras do raquitismo… A morte do estudante Victor Hugo Deppman foi brutal, estúpida, incompreensível para nós. E a de Cinthya? Aos bandidos, não bastava eliminá-la. Escolheram o caminho mais cruel que conseguiram imaginar na hora. Com essa turma, nada de tiro de misericórdia. Eles queriam que ela sofresse por ter apenas R$ 30 na conta bancária. Queriam mais grana. Achavam que ela tinha a obrigação de lhes fornecer mais. Ou, então, a morte dolorosa. Estes dois não estavam dispostos a pôr seus músculos para trabalhar. Preferiram usar a força e sua imensa covardia para tomar o que os outros conseguiram com o seu próprio esforço.

O menor vai ficar, no máximo, três anos internado na Fundação Casa. Ainda que se estenda um pouco o prazo, o que é possível, não ficará além dos 21 em nenhuma hipótese. E agora? Mais uma vez, vamos ouvir a gritaria: “Nada de legislar sob emoção! É preciso esperar a poeira baixar!” Se as leis não mudam quando os problemas aparecem, então mudam quando?

Em três anos, esse rapaz que incendeia pessoas estará nas ruas. Não saberemos o seu nome. Sua ficha estará limpa. Se ele quiser se candidatar a guardinha de jardim de infância, pode. Se ele quiser fazer um curso para integrar alguma empresa privada de segurança, pode. Mais ainda: se ele quiser integrar as forças regulares e oficiais, também pode. Daqui a três anos, estará a apto, a depender da escolha que faça, a ser portador de uma arma legal.

“Ah, mas baixar a maioridade penal não adianta…” Eu não tenho a menor ideia do que significa a expressão “não adianta”. O que querem dizer com isso? “Não adianta” para quê e para quem? Não resolverá todos os problemas de segurança, sei disso. É provável que nem mesmo baixe os índices de violência ou a taxa de homicídios. Mas “adianta”, sim. Não teremos homicidas à solta por aí. E, sobretudo, não teremos homicidas à solta e impunes.

Cinthya Magaly Moutinho de Souza e Victor Hugo Deppaman integrarão estatísticas. Suas respectivas mortes comporão os números da taxa de homicídios. Mas eram pessoas, com famílias, com vínculos afetivos, com passado, com futuro, com sonhos, com anseios.

Que diabo de sociedade é essa que estabelece um conceito de “adolescência” que outorga àqueles que sob ele são abrigados o direito de matar? “Ah, Reinaldo, há punição, sim…” De três anos? Quanto vale a vida humana no Brasil? A depender de como caminhem as coisas, bastará, para aliviar parte da punição dos outros, que o menor assuma a responsabilidade. A sua “não-pena” já está definida.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que encaminhou ao Congresso, por intermédio da bancada do PSDB, um projeto de lei que aumenta de três para oito anos o tempo máximo de internação de menores que cometem crimes hediondos, comentou o caso: “Lamentavelmente, mais um menor [está envolvido], a gente tem visto menores em crimes extremamente hediondos. Mais um menor, mas a polícia agiu rápido (…) É inconcebível que quem tem 17 anos e 11 meses cometa crimes hediondos e não passa de três anos na Fundação Casa. (…) O ECA é uma boa lei para proteger o direito da criança e do adolescente, mas não dá respostas a crimes muitos reincidentes e crimes hediondo, homicídio qualificado, latrocínio, extorsão mediante sequestro, estupro, estupro de vulnerável”.

É isso. Trata-se de mera questão de bom senso, não de uma disputa de caráter ideológico, entre a “direita penal” e a “esquerda penal”. O governador disse outra coisa óbvia, para a qual se tenta virar as costas: “A impunidade estimula o delito”.

A proposta de Alckmin, que fique claro!, não muda a maioridade penal, o que teria de ser feito por meio de emenda constitucional. O que faz é aumentar o tempo de internação do menor que comete crime hediondo. Eles permaneceriam internados numa instituição diferenciada; não iriam para presídios comuns, mesmo depois de atingida a maioridade.

A Maria do Rosário não quer.
O Gilberto Carvalho não quer.
A Dilma Rousseff não quer.

Só resta entregar o menor raquítico aos cuidados de Maria do Rosário, Gilberto Carvalho e Dilma Rousseff.

 

Por Reinaldo Azevedo

Raiva na volta – Por Alexandre Garcia

Brasília (Alô) — Estou na Toscana, rodando entre vinhedos, oliveiras e os coloridos campos primaveris desta região da Itália. Estradinhas rurais, todas asfaltadas e sem buracos. Dirijo há dez dias, inclusive em Roma, e não encontrei congestionamento em lugar algum. Na autoestrada, uma advertência que falta no Brasil: Sua vida vale mais que um SMS.
No exterior a gente percebe mais as mazelas com que estamos acostumados a conviver. Não vi lixo, não senti mau cheiro. Fizemos caminhadas noturnas em ruelas escuras e não sentimos nenhuma insegurança. Já exploramos a pé quase dez belas cidades e, é claro, nada encontrei que lembrasse algum tipo de favela. E meus colegas jornalistas dizem que a Itália está em crise. Constatações nada diferentes do que tenho observado todos os anos no bom, relaxante, enriquecedor e restaurador tempo de férias.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Fui a Norcia, na Umbria, por causa do Brancaleone da Norcia. Os que viram o filme do Mario Monicelli sabem de que estou falando. Os que não viram sabem agora o que estão perdendo. De Norcia, subi as montanhas Sibilinas – morada das lendárias Sibilas – cobertas de neve a partir dos mil metros. Gente ainda esquiando, com três semanas de primavera e a despeito da Grande Mentira do Al Gore, sobre o aquecimento global. Em Spoleto, nos encantamos com as obras etruscas, romanas e medievais de engenharia. E, é claro, fomos rever Assis, ainda mais atraente depois que o encantador Papa adotou o nome de Francisco.

Já na Toscana, passei ontem por uma obra planejada no fim da Idade Média: um canal para desviar as águas de um tributário do Tibre, para que se tornasse afluente do Arno. Águas que iriam para Roma, provocar inundações, transferidas para a direção de Florença, fertilizando um extenso vale. Pois a obra foi realizada há duzentos anos. Ontem passei sobre o canal, desci do carro depois da ponte para fotografar. O canal de Chiana saneou e fertilizou o vale. Há duzentos anos. Dom Pedro ainda não havia declarado a Independência e o canal desviando águas de uma bacia hidrográfica para outra, já estava cumprindo suas funções. No Brasil, gente que não sabe disso, ao falar do desvio de águas do São Francisco, insiste no nunca antes – que soa divertido.

Daqui da janela do hotel em Montepulciano vejo as colinas da Toscana plantadas, arborizadas, coloridas por flores da primavera e, lá no fundo, o Lago Trasimeno, onde, 200 anos antes de Cristo, o cartaginês Anibal deu uma surra nos romanos, matando 16 mil legionários, mas não conseguiu chegar a Roma. Nós, brasileiros, por algum motivo, não conseguimos chegar, embora sonhemos com glórias romanas. Em PIB, estamos na lanterna dos Brics e no grupo de baixo dos latino-americanos, mas isso é nada perto de nossa precária qualidade de vida. E, daqui da Toscana, vou me convencendo de que não deveríamos viajar ao exterior. Porque na volta, ficamos com raiva. Com raiva de nós mesmos, pois somos os responsáveis pelos que elegemos e responsáveis pelo que somos e pelo que deixamos de ser.

Genoino, que poderia estar na cadeia, está na Câmara defendendo a censura à imprensa – Por Reinaldo Azevedo

Genoino, que poderia estar na cadeia, está na Câmara defendendo a censura à imprensa! E o faz no dia em que os petistas inventam que Lula será colunista do New York Times!

Num país de “democracia consolidada, até mais avançada do que no Brasil”, para usar palavras de José Genoino (PT-SP), ele, Genoino, não estaria na Câmara dos Deputados, mas na cadeia — ainda que no regime semiaberto, que, à diferença do que se diz por aí, ainda é fechado. Num país de “democracia consolidada, até mais avançada do que no Brasil”, ele, Genoino, não estaria na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, a mais importante da Casa; já teria sido banido da vida pública. Como a nossa democracia ainda deixa muito a desejar, Genoino é deputado; arbitra, mesmo condenado, sobre a justiça e a constitucionalidade de projetos de lei e ainda, vejam que formidável!, ocupa a tribuna dos representantes do povo para pedir censura à imprensa — embora jure de pés juntos que só quer democracia. E isso se dá no mesmo dia em que os petistas batem bumbo porque, dizem, Lula será “colunista do New York Times”. É, como diria o Apedeuta até outro dia, “menas” verdade (ver post).  De todo modo, o Babalorixá assinou um contrato de um artigo por mês para a agência que distribui notícias com a marca do jornal. Vale dizer: os petistas estão eufóricos porque Lula assinará um artigo mensal para o jornal que fica num país em que o Congresso é proibido de votar leis que limitem a liberdade de expressão. O ideal do petismo seria Lula a defender a liberdade no New York Times, mas com poder de censura na imprensa brasileira. Volto a Genoino, o herói que esqueceu de acontecer.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Como ainda é deputado e ainda não está na cadeia, então discursa. Segundo informa o Estadão, ele cobrou um debate “radical e transparente” no Congresso para “democratizar a mídia”. E conclamou seus pares a “rejeitar o constrangimento que os proprietários dos grandes veículos de comunicação tentam colocar nesta Casa, nos parlamentares e nos partidos, para que o assunto não seja debatido”. Ulalá! Genoino é paladino da liberdade desde que decidiu se juntar o PCdoB para tentar instituir uma ditadura comunista no Brasil.

A cara de pau dessa gente é mesmo espetacular. Na tribuna, o deputado condenado por corrupção ativa e formação de quadrilha falava como um verdadeiro Catão, um moralizador, um varão da República. Para deixar claro que não tinha em mente a Coreia do Norte, Cuba ou a China, citou o exemplo da França, dos EUA, onde, disse, a legislação impede que um grupo dono de televisão tenha rádio, jornal, revista e outros veículos. Certo! Então Genoino estaria querendo apenas regular essa questão? Não! O homem se traiu:

“Aqui, você tem um monopólio que sufoca inclusive a democratização da propriedade privada. Sufoca a informação. Conduz valores hegemônicos do pensamento único. E é isso que nós queremos discutir”.

Entenderam “o que nós (eles) queremos discutir?” É CONTEÚDO MESMO!!! Genoino está se lixando para a questão da concentração de propriedade — e não estou sugerindo que essa seja uma boa preocupação dos petistas. Ele não gosta é dos ditos “valores hegemônicos — que, de resto, são uma falácia. Há mais esquerdistas na imprensa brasileira do que em toda a China! Citem uma só pauta — UMA MISERÁVEL QUE SEJA! — dita “progressista” que não seja tomada como uma cartilha ou um catecismo em boa parte da imprensa brasileira. De certo modo, existe, sim, quase um “pensamento único” na imprensa brasileira: afinado com a esquerda.

Vejam a pauleira que se deu na França por causa do aprovação do casamento gay. Os protestos chegaram a ficar violentos em várias cidades. É claro que não é um bom caminho. Não obstante, a imprensa francesa não tachou ninguém de “fascista” ou “reacionário” nem demonizou os que se opõem à lei. E, com efeito, em boa parte das democracias existem veículos mais à esquerda, mais à direita etc. O Brasil tem várias candidatas a CNN (refiro-me aos valores ideológicos), mas cadê a Fox News?

Mestre em misturar alhos com bugalhos, Genoino continuou: “O nosso governo aprovou a lei mais avançada nesse terreno: a Lei de Acesso à Informação. E nós temos tomado posições favoráveis ao conceito de que a informação é um bem público e, como tal, nem pode ser controlada pelo Estado e nem pela propriedade privada, principalmente monopolista.”

Controlada pelo Estado, não pode mesmo! Mas o que seria “informação controlada pela propriedade privada”? Ora, à medida que você tem várias “propriedades privadas” veiculando informações, elas já não são, por óbvio, privadas de mais ninguém, especialmente nos tempos de Internet. Quem controla a informação no Brasil? A Globo? A VEJA? A Folha? O Estadão? Os milhares de blogs? As telefônicas, que também veiculam notícias? Onde estão os famigerados controladores? Em lugar nenhum! Trata-se de uma mentira estúpida!

O que Genoino não suporta é a liberdade mesmo! Ao dizer que a informação não pode ser controlada nem pelo estado nem por entes privados, o deputado petista, que deveria estar em uniforme de presidiário, está defendendo justamente o tal “controle social”. E que “sociedade” seria essa? Ora, a dos sindicatos, a dos movimentos sociais, a dos “coletivos” disso e daquilo… Em suma, Genoino não quer a informação nas mãos nem do estado (impessoal demais para o seu gosto) nem dos privados: ele a quer controlada pelo partido — pelo seu partido!

O PT já quis censurar a imprensa por meio do Conselho Federal de Jornalismo. Tentou de novo com o Plano Nacional de Direitos Humanos. Voltou ao tema na tal Conferência de Comunicação. Até a de Cultura fez seu pacto com a censura. Genoino anuncia: a luta continua!

O deputado decidiu fazer seu discurso em favor da censura no dia em que os petistas batiam bumbo na rede porque, diziam, “Lula será colunista no New York Times”, o jornal que fica num país em que um político não teria a ousadia nem de pensar algo parecido.

No dia 1º de março, o PT divulgou uma resolução “em favor de um novo marco regulatório das comunicações, tal como proposto pela CUT, pelo Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) e outras entidades”. Está claro? E o que quer o tal Fórum? Leiam um pequeno trecho de sua proposta:
“O FNDC propõe inclusão, na estrutura das empresas de Rádio e TV, de mecanismos que estimulem e permitam o controle público sobre a programação, como conselhos com participação da sociedade, conselhos editorais e serviços de ouvidoria.”

Vale dizer: as emissoras ficariam à mercê das milícias petistas, assim como as chavistas comandam os meios de comunicação na Venezuela.

Na conclusão, noto: toda essa gritaria petista é, então, irrelevante? Nunca é! Sempre encontra eco na própria imprensa. Não custa lembrar que até a corte suprema do país começou a piscar e se mostra disposta a abraçar a própria desmoralização.

Por Reinaldo Azevedo

A fala de Anzor, o pai dos terroristas: quando o perigo é maior do que o dano

As intervenções públicas de Anzor Tsarnaev, pai de Tamerlan e Dzhokhar, os dois rapazes que praticaram os atentados terroristas de Boston, revelam uma construção mental sob medida para idiotas que adoram viajar em teorias conspiratórias, especialmente nesses tempos de Internet, em que a verdade mais facilmente se confunde com a versão que ganha um maior número de adeptos. Vejam bem: os irmãos só são tratados como “suspeitos” de envolvimento com os atentados por uma questão técnica: afinal, não se tem a imagem dos dois com as bombas na mão (só com as mochilas), e ainda não há a palavra final da Justiça. Mas o conjunto de evidências não deixa a menor dúvida. Os eventos que se seguiram na fase da caçada policial são por demais eloquentes. Esses dois atacaram a polícia com explosivos, atiraram contra policiais, mataram um deles. Mesmo assim, o pai insiste: tudo não passaria de uma armação porque, ora vejam!, eles seriam “dois bons muçulmanos”.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Eu não tenho a menor dúvida de que bons muçulmanos não fazem essas coisas absurdas, como sempre tive a certeza de que bons cristãos não explodiam bombas na Irlanda do Norte. Ocorre que, em razão de questões locais e de derivações teratológicas dos fundamentos éticos do cristianismo, cristãos explodiam bombas na Irlanda do Norte, sim! Não adiantava fingir que eram agnósticos ou budistas. Da mesma sorte, em razão de uma leitura fundamentalista da Islã que ganhou força nas duas primeiras décadas do século passado, ser “bom muçulmano”, em muitos casos, passou a significar eliminar o outro em nome da purificação da religião. Atenção! Isso nada tem a ver com Israel. A Irmandade Muçulmana foi criada em 1928. Seu fundador, Hassan al-Banna achava que o Ocidente estava conspurcado independentemente da existência de um estado judeu. Seu sucessor, Sayyid Qutb, resolveu radicalizar. Assim, ser “bom muçulmano” passou a ter um significado muito particular para os extremistas: eliminar os adversários para que a humanidade pudesse ser livre para escolher o verdadeiro Deus… Há, então, uma diferença nada irrelevante entre o terrorismo irlandês e o muçulmano: o palco daquele era restrito, definido pela luta nacionalista. Este outro entende que seus domínios se estendem a todo planeta.

Aqui, abro um parêntese (retomo o fio depois) para uma nota oportuna, à margem do texto principal. Esquerdistas e extremistas islâmicos não se uniram por acaso em muitas causas. Também aqueles acreditam que uma espécie de nuvem de inconsciência impede o ser humano de ver a verdade (qual verdade?). Também eles estão permanentemente preocupados em denunciar manipulações (no caso, a dos capital), que afastariam os indivíduos de seus reais interesses. Também eles acreditam que só haverá liberdade de escolha quando as pessoas não… puderem escolher o que acham errado! E essa visão falaciosa do mundo já está em Marx, não é coisa de epígonos, não. Fecho o parêntese. Retomo.

A depender do que queira dizer Anzor, “bons muçulmanos” fazem o que fizeram os dois irmãos. As acusações do pai não são neutras, coisa de quem quer apenas proteger as crias. Poderia expressar a sua incredulidade em outros termos: “Meus filhos eram bons, não fariam isso; deve haver algum equívoco” Poderia, em suma, expressar a sua dor e até a sua revolta em linguagem não militantes. Ao afirmar, no entanto, que se montou um “espetáculo de Hollywwod”, que tudo não passa de uma “armação das forças especiais americanas”, que há uma tramoia para esconder a verdade dos fatos, aí deixa de falar o pai e começa a falar o aliado, quando menos, intelectual de dois terroristas, seguindo o padrão habitual nesses casos.

E que padrão é esse? A culpa é da vítima.  Ainda que seuss filhos tenham lançado bombas contra a polícia, ainda que tenham atirado contra policiais, com um morto, ainda que haja testemunhas da violência da dupla durante a fuga, nada disso parece suficiente para o, atenção para a palavra, “militante” Anzor: os dois, sugere a sua fala, deveriam ter bons motivos para agir assim; já estariam, então, sob os efeitos da manipulação do serviço secreto americano, daquele “mal” que toma conta da humanidade…

Infelizmente, e isso resta evidente, o pai se mostra um admirador das ações dos filhos. Os dois estavam nos EUA, estudavam em excelentes escolas, tinham um futuro assegurado — o que a Chechênia nunca pôde lhes oferecer —, mas Anzor pretende que são as verdadeiras vítimas.

Afirmei no sábado que, se os dois terroristas estavam ligados a uma rede, isso seria muito ruim; se não estavam, isso pode ser ainda pior. Esse rancor insano revelado pelas palavras de Anzor — somado a uma visão torta de religião, segundo a qual o outro só é o outro porque contaminado pelo pecado, do qual tem de se livrar — estimula um “faça você mesmo o seu atentado”. Nesse caso, não é mais preciso que células terroristas se desloquem de um país para outro para praticar insanidades, o que, em tese ao menos, os serviços de segurança podem detectar. Ao contrário: o risco terrorista passa a existir no seio da própria sociedade, entre pessoas aparentemente integradas. Nesse caso, pouco importa se o indivíduo obteve ou não a cidadania no país que o abrigou ou é um nativo do lugar. O que conta é a sua cidadania espiritual, num reino que não é deste mundo.

Tudo indica que os ataques perpetrados pelos dois irmãos são, infelizmente, do tipo mais perigoso, que se insinua e se instala entre os homens comuns. Como enfrentá-la? Eu, claro!, não tenho a resposta. Quem dera! Voltarei ao assunto em outros posts com considerações que, espero, ajudem a iluminar o debate.

Para encerrar – Uma pergunta aos imbecis que sustentam que tudo não passa de uma grande armação e que os EUA acusam os dois irmãos sem provas. Muito bem: isso me faz supor que essa gente tenha alguma hipótese. Com que propósito, então, os serviços de segurança e a polícia armariam essa cena? Para esconder o quê? Não deve ser apenas para provocar a ira de radicais chechenos, né?

Por Reinaldo Azevedo

Supercoxinha – Prefeitura de SP, do “homem novo”, agora adere à mendicância companheira – Por Reinaldo Azevedo

Esta é de lascar! O petista Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, prometeu métodos novos para gerir a cidade. Um deles veio à luz ontem: a mendicância. Leiam o que informa André Monteiro, na Folha. Volto em seguida.

Responsável pelo trânsito da maior cidade do país, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) tem mesas e cadeiras em estado precário, computadores obsoletos e falta de TVs para uma de suas principais atividades: monitorar os congestionamentos nas vias de São Paulo. O diagnóstico é da Secretaria dos Transportes, que fez uma lista de 96 itens e quase 11 mil produtos para suprir as “necessidades de infraestrutura” de órgãos ligados à pasta e decidiu fazer um apelo por meio do “Diário Oficial”.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

A pior situação, avalia a pasta, é da própria CET, que precisa, por exemplo, de 3.179 cadeiras e de 17 televisões, de 22 a 50 polegadas, “especialmente para os setores de monitoramento do trânsito”. “O grande número se justifica pela precariedade que se encontra o mobiliário”, justifica a secretaria. A situação ocorre em um momento de arrecadação recorde com as multas de trânsito na cidade de São Paulo. O crescimento da receita foi de 66% entre 2009 a 2012, atingindo R$ 819 milhões.

O Código de Trânsito Brasileiro diz que os recursos arrecadados com as multas não podem ser desviados para outras áreas, devendo ser aplicados em trânsito — sendo 5% para um fundo nacional. Além de doações para a CET, a secretaria pediu bens para a própria pasta e para a SPTrans (empresa responsável pelo transporte coletivo). Entre os pedidos para a companhia de trânsito também estão 756 computadores e 96 notebooks, para “modernização dos computadores que se encontram obsoletos”.
(…)

Voltei
Evidentemente, Haddad acabará recebendo esses mimos de empresas privadas, dispostas a “colaborar” com a Prefeitura. Trata-se de um troço vergonhoso! Como deixa claro a reportagem, não é que falte dinheiro à área — falta é decoro à Prefeitura. Imaginem se a moda pega…

Esse é o PT. Um dos pilares da proposta de reforma política do partido era (eles ainda voltarão à carga) o financiamento público de campanha. Na sua particularíssima moral, os petistas acham que doar dinheiro a uma candidatura (que pode ser derrotada) é indecente. Mas doar bens estimáveis em dinheiro a uma gestão já eleita é não só aceitável como traduz um modo moderno de governar.

Supercoxinha, no traço do leitor Pedro Ivo

 

Por Reinaldo Azevedo

 

Alckmin e FHC estrelam comercial do PSDB; Aécio fica fora

O governador paulista, Geraldo Alckmin, será a principal estrela dos programas partidários do PSDB paulista, que vão ao ar no rádio e na televisão a partir de sexta-feira. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também aparecerá nos comerciais de 2,5 minutos, que serão exibidos em todo o Estado, também nos dias 15, 17 e 19.

O senador Aécio Neves (MG), presidenciável do partido, ficará de fora do programa paulista. O PSDB nacional negociou a aparição do senador em alguns programas estaduais, como forma dele se tornar mais conhecido. Em São Paulo, porém,  não houve a formalização de pedido para que Aécio aparecesse na propaganda local. Entre os Estados em que o mineiro aparecerá, estão Rio de Janeiro e Paraíba. Em Minas, seu berço eleitoral, o PSDB perdeu o comercial regional numa ação na Justiça na eleição passada.

O fortalecimento da imagem em São Paulo é um dos passos que Aécio pretende dar na campanha rumo ao Palácio do Planalto. O mineiro veio ao Estado nas últimas duas semanas, participar de eventos ao lado de Alckmin. Também busca a unidade partidária paulista em torno do seu nome. Hoje, a maior parte dos líderes tucanos de São Paulo, como Alckmin, FHC e Aloysio, já aceita o nome do mineiro como candidato a presidente pelo PSDB.

Aécio, no entanto, ficará fora da telinha paulista. Os comerciais que serão exibidos pelo partido abordarão feitos da gestão Alckmin e os 25 anos de aniversário da legenda. Quem os fez foi o publicitário Maurício Queiroz, da White Propaganda, responsável pela campanha do senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) em 2010.

Blog Julia Duailibi

Alckmin e FHC estrelam comercial do PSDB; Aécio fica fora

O governador paulista, Geraldo Alckmin, será a principal estrela dos programas partidários do PSDB paulista, que vão ao ar no rádio e na televisão a partir de sexta-feira. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também aparecerá nos comerciais de 2,5 minutos, que serão exibidos em todo o Estado, também nos dias 15, 17 e 19.

O senador Aécio Neves (MG), presidenciável do partido, ficará de fora do programa paulista. O PSDB nacional negociou a aparição do senador em alguns programas estaduais, como forma dele se tornar mais conhecido. Em São Paulo, porém,  não houve a formalização de pedido para que Aécio aparecesse na propaganda local. Entre os Estados em que o mineiro aparecerá, estão Rio de Janeiro e Paraíba. Em Minas, seu berço eleitoral, o PSDB perdeu o comercial regional numa ação na Justiça na eleição passada.

O fortalecimento da imagem em São Paulo é um dos passos que Aécio pretende dar na campanha rumo ao Palácio do Planalto. O mineiro veio ao Estado nas últimas duas semanas, participar de eventos ao lado de Alckmin. Também busca a unidade partidária paulista em torno do seu nome. Hoje, a maior parte dos líderes tucanos de São Paulo, como Alckmin, FHC e Aloysio, já aceita o nome do mineiro como candidato a presidente pelo PSDB.

Aécio, no entanto, ficará fora da telinha paulista. Os comerciais que serão exibidos pelo partido abordarão feitos da gestão Alckmin e os 25 anos de aniversário da legenda. Quem os fez foi o publicitário Maurício Queiroz, da White Propaganda, responsável pela campanha do senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) em 2010.

Blog Julia Duailibi

O vulcão e o carbono – Por Alexandre Garcia

Você sabia que se um vulcão no Chile ou na Islândia ficar despejando fumaça na atmosfera por quatro dias anulam-se 5 anos de esforços de cada habitante do planeta para reduzir emissões de dióxido de carbono?
E se o prezado leitor perguntar o que é esse tal de dióxido de carbono, tão satanizado pela seita ambientalista, a resposta é que o CO2 é um gás vital de que todo vegetal precisa para viver e para transformar o carbono em oxigênio, o gás vital para a sobrevivência de toda vida animal, inclusive humana. Quando eu estudei química orgânica no curso científico, aprendi que o que tem vida, o que é orgânico, tem carbono. Enquanto isso, inventaram os tais créditos de carbono.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Se você pensar que salvou o mundo do carbono porque gastou um dinheirão para comprar um Prius híbrido ou deixou de usar sacos plásticos no supermercado, ou ainda ajudou seus filhos em trabalhos sobre sustentabilidade, pôs um tijolo na caixa de descarga para diminuir o fluxo de água, ou desistiu de comprar um SUV e vendeu sua lancha, evitou uma longa viagem de avião e ficou em casa, gastou alguns reais a mais para comprar outro tipo de lâmpada, tudo isso será em vão quando o Copahue, ali no Chile, ficar outra vez expelindo gases de estufa e carbono por no mínimo quatro dias. E nos últimos quatro ou 6 bilhões de anos, independentemente da nossa presença na Terra, a natureza vai seguindo seu rumo errante.

E temos pelo menos 200 vulcões ativos na nave Terra. Apenas o Pinatubo, nas Filipinas, por apenas 1 ano, jogou na atmosfera mais gases do efeito estufa que todos os habitantes da Terra, desde que existimos, aí por volta de dois milhões de anos atrás. Fanáticos do meio ambiente e do aquecimento global detestam gente. Apontam a humanidade como causa dos males da Terra.

Para eles, a Terra estaria melhor sem a humanidade. Se morrêssemos todos, a Terra estaria salva. Eles desprezam o fato de que os ciclos de frio e calor na Terra dependem do sol e da temperatura dos oceanos. O resfriamento da Terra tem sido pior que o aquecimento. A Groenlândia (terra verde) já teve pastagens e florestas. Hoje é branca, porque a Terra já foi mais quente e deu vida aos vegetais. O frio acaba com as colheitas, e o calor do sol lhes dá brotação e frutos.

Não vamos poluir nossas águas nem desperdiçar nossas florestas e riquezas. Não podemos sujar o planeta em que vivemos. Mas não podemos cair no engodo de aproveitadores, que recebem gordos orçamentos por causa do terror que provocam com a ameaça do aquecimento global, num planeta que esfriou 0,7 graus centígrados nos últimos cem anos e está em pleno ciclo de queda de temperatura. Depois virá outro período de aquecimento, quando a Inglaterra voltará a ter uva e vinho, como já teve, antes de os londrinos poderem esquiar no Tâmisa congelado.

Quando um pastor defende a plena liberdade de imprensa e o jornalismo flerta abertamente com a censura e o delito de opinião, há algo de errado… com o jornalismo! – Por Reinaldo Azevedo

No dia 18 de setembro de 2010, durante um comício em Campinas, com as presenças de Dilma Rousseff e Aloizio Mercadante — candidatos, respectivamente, à Presidência da República e ao governo de São Paulo —, o então supremo mandatário da nação, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou o seguinte: “Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”. Lula vinha numa impressionante escalada retórica contra a imprensa livre. Quando as notícias eram favoráveis a seu governo, ele as considerava apenas justas; se negativas, ele acusava sabotagem. Lula e o PT nunca desistiram do tal controle da mídia. Em sua última resolução, há poucos dias, o Diretório Nacional do PT pregou abertamente o controle de conteúdo do jornalismo. Pois bem: seis dias depois de mais uma investida contra a liberdade de imprensa, um líder evangélico fez publicar nos principais jornais do país um anúncio pago em que rechaçava qualquer forma de censura promovida pelo estado ou de controle da mídia. Lia-se naquela peça: “Nem o presidente da República, partidos políticos, líderes religiosos, qualquer segmento da sociedade ou mesmo a imprensa são, isoladamente, os donos da opinião pública”. Já voltarei a este anúncio — até porque publicarei a imagem aqui. Antes, algumas considerações.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Crítico da imprensa
Outro dia um desses bobalhões que confundem alhos com bugalhos e joio com trigo enviou um comentário para este blog mais ou menos assim: “Pô, ultimamente, você critica tanto a imprensa que até parece Fulano de Tal…” E citou um anão moral que anda a soldo por aí, a pedir o “controle da mídia”. Pois é. Dentre tantas outras, uma diferença fundamental se destaca entre mim e aquela coisa triste que foi citada: ele quer uma imprensa controlada pelo estado; eu quero uma imprensa livre, que não se deixe controlar nem pelo estado nem por corporações, qualquer que seja a sua natureza: ofício, crença, ideologia, valores. Aquele bobo do oficialismo sonha censurar o que os outros escrevem; eu aposto numa imprensa que não tem receio da censura — nem a das vozes eventualmente influentes e das maiorias de ocasião. Aquele cretino critica a imprensa porque a quer com ainda menos liberdade; eu a critico porque a quero mais livre. Aquele governista convicto, pouco importa o governo de turno, quer o jornalismo a serviço do poder; eu quero o jornalismo vigiando o poder.

Assim, sou crítico, sim, da imprensa, especialmente nestes tempos em que ela é tão cegamente liberticida; em que põe, voluntariamente, a cabeça no cutelo. A Constituição nos garante a liberdade, e o Estado (não o governo!) a tem assegurado — ainda que não seja pequeno o risco de censura pela via judicial. Mas atenção! Só é verdadeiramente livre o que exerce a liberdade. Uma imprensa que ou se deixa assombrar pela patrulha ou a ela adere, em nome da legitimidade, atropelando as garantias fundamentais da Constituição, está SE DEGRADANDO.

É evidente que uma imprensa que estivesse submetida a isso que chamam “controle social” já não seria livre, especialmente no tempo em que uma força política assegura ser ela mesma “a opinião pública”. Mas o controle do estado não é o único que pode tolher a liberdade. Se admitirmos que policiais informais do pensamento — por mais que tentem falar em nome do bem — imponham a sua vontade na base do berro, da intimidação e da satanização, expomo-nos nós mesmos à hordas do amanhã. Quais serão elas? Falarão em nome de quais valores?

Trata-se, então, de saber em nome de qual ideal de sociedade agimos; trata-se, então, de saber que modelo abstrato perseguimos com nossas práticas e escolhas cotidianas. Ainda que eu repudie as ideias do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cumpre indagar se uma sociedade em que um parlamentar eleito, escolhido para uma função segundo as regras do Regimento Interno, fosse deposto por delito de opinião seria mais saudável do que outra em que o protesto é, sim, livre — porque a praça é do povo, como o céu é do condor —, mas sem agressão aos fundamentos de um regime democrático e de direito. Feliciano não é um usurpador. O surrealismo alcança tal dimensão que o deputado Jean Schopenhauer Wyllys, numa passeata, chega a INDICAR o nome do PSC que ele quer presidindo a comissão. Sim, o deputado do PSOL se considera no direito de escolher o nome do outro partido que gostaria de ver no cargo. E o jornalismo o trata como a voz da ponderação e do bom senso.

Esses que agora estão em marcha se consideram, a exemplo de Lula, “a” opinião pública. E se preparam, podem escrever aí, para um embate que virá: e ele versará justamente sobre o controle dos meios de comunicação. Alguns estrategistas mancos — espero não ser processado pela Associação da Inclusão dos Claudicantes Ofendidos — escolheram um caminho estupidamente errado. Imaginam que, se cederem às patrulhas politicamente corretas, estarão a salvo da sanha dos censores. Não estarão porque já fizeram uma opção cujo dano é maior do que o perigo, como escreveu Camões. O perigo que se corre — e existe, sim! — é haver formas oblíquas de controle estatal da imprensa. Mas o dano, que já é visível, é esse controle nem ser assim tão necessário porque já exercido na base da sujeição voluntária.

Aposta na liberdade de imprensa
Seis dias depois de Lula ter regurgitado impropérios contra a imprensa livre num palanque, num ambiente, então, de franca hostilidade à liberdade de opinião, um líder evangélico fez publicar este anúncio pago nos maiores jornais brasileiros. Trata-se de uma resposta clara a Lula.

A assinatura está ali. Trata-se do “polêmico”, como querem alguns, Silas Malafaia. Temos, e ambos sabemos disso, enormes discordâncias, inclusive religiosas. Jamais estivemos juntos, mas ele sabe o que penso e sei o que ele pensa. E daí? Eu estou preparado para enfrentar a divergência. O que não aceito, e não aceito, é que tentem me calar — ou calar a outros — ao arrepio dos fundamentos constitucionais; o que rechaço é a tentativa de criar leis que criem categorias superiores de homens, infensos à crítica.

Quantos partidos de esquerda assinariam esse anúncio posto nos jornais por Malafaia? O PT? O PC do B? O PSOL de Jean Wyllys, Chico Alencar e Marcelo Freixo? Nunca!!! E olhem que, como ele próprio lembra, não se trata de uma pessoa exatamente paparicada pela imprensa cuja liberdade defende. Ao contrário: costuma ser alvo das piores vilanias; preferem transformar o que ele diz numa caricatura para que fique fácil, então, combatê-lo. Eu preferiria estar aqui a discordar do pastor, numa ambiente de civilidade democrática, a ter de defender uma questão de princípio: o direito à liberdade de opinião e de expressão.

“Ah, mesmo na democracia, nem tudo pode ser dito, não é, Reinaldo?” É, nem tudo — sempre destacando que, ainda assim, existe uma diferença importante entre dizer e fazer. Mas admito, como princípio, que a democracia não aceita todo e qualquer desaforo, mesmo se apenas falado. Mas fiquemos, então, no caso em espécie, com o que deu à luz o inimigo público nº 1 do Brasil: será mesmo que Feliciano foi além do que pode tolerar o regime democrático? A resposta, obviamente, é “não”. E nem por isso preciso concordar com ele.

Malafaia, ele próprio nota, não fala em nome de todos os evangélicos. Mas professa um valor que, creio, expressa o pensamento da maioria: a aposta na liberdade de imprensa, a aposta da liberdade de opinião, o repúdio a qualquer forma de controle estatal da informação.

Infelizmente — e já digo a razão desse advérbio —, o credo que Malafaia anuncia está muito acima, em termos qualitativos, do entendimento médio hoje vigente nas redações sobre liberdade de imprensa e liberdade de opinião. Já houve coleguinha pregando, abertamente, que eu fosse censurado, por exemplo. Por quê? Ora, porque discorda de mim. Não se dá conta de que, ao fazê-lo, expõe-se ele próprio a uma eventual censura.

No país em que um líder evangélico consegue ser mais desassombrado na defesa da liberdade de expressão do que boa parte dos jornalistas, ousaria dizer que esse pastor agregou a seus valores religiosos os valores inegociáveis da democracia e do estado de direito. Mas também é preciso dizer que os jornalistas renunciaram à sua missão para se comportar como membros de uma seita de fanáticos e linchadores.

 

Por Reinaldo Azevedo

Governo nega informação publicada pelo Estadão e diz que Heleno Torres não foi indicado para o STF – Por Reinaldo Azevedo

Governo nega informação publicada pelo Estadão e diz que Heleno Torres não foi indicado para o STF. Jurista já falou até em anulação do julgamento do mensalão

O Estadão anunciou (ver post na home) que o tributarista Heleno Torres tinha sido indicado por Dilma Rousseff para a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal. Os dois mantiveram um encontro. Segundo o jornal, a presidente ficou irritada com o vazamento, o que levou o Planalto a negar que a decisão já tivesse sido tomada. Se o escolhido for mesmo Torres, cumpre lembrar o que ele andou afirmando sobre o julgamento do mensalão. Já volto ao tema. Leiam, antes, o que vai no Estadão. Volto em seguida.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se na noite desta sexta-feira, 5, com o advogado tributarista Heleno Torres, no Palácio do Planalto. Segundo fontes do Supremo Tribunal Federal (STF) informaram à Broadcast, Torres é o escolhido para substituir o ministro Carlos Ayres Britto, que deixou a Côrte no fim do ano passado.
O Palácio do Planalto negou, oficialmente, que Dilma já tenha tomado uma decisão sobre o assunto. O “vazamento” do encontro irritou a presidente. Até agora, o tributarista foi o único chamado para uma conversa reservada com Dilma. Os outros advogados que pleiteiam a vaga – Luiz Roberto Barroso, Eugênio Aragão e Humberto Ávila – não foram convocados por ela.
No Twitter, o professor da USP e articulista do Estado Gaudencio Torquato, escreveu que, em almoço com Torres, o tributarista confirmou ter sido escolhido para assumir cadeira no Supremo.
“No almoço, Heleno Torres me comunicou que foi escolhido para o Supremo. E me convidou para a posse. Claro que irei. Grande jurista”, escreveu Torquato na rede social. Poucos minutos depois, Torquato afirmou ter entendido mal o advogado e atribuiu o erro ao barulho do restaurante onde estavam almoçando.
“Corrigindo: entendi errado. Heleno Torres não foi escolhido STF (sic). Me disse: se for, você está convidado. Ouvido mouco ouve só o bom”, disse. “Reafirmo: barulho de restaurante atrapalha audição. Heleno não foi escolhido. Mas torço por ele. Apenas isso”.

Voltei: o mensalão
No dia 3 de agosto de 2012, o site Consultor Jurídico publicou uma reportagem sobre o que pensavam alguns juristas a respeito do julgamento do mensalão. Um dos ouvidos foi Heleno Torres, que disse o seguinte:
“O Tratado do Pacto de San José proclama direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior. Por tudo isso, no final, a Corte Interamericana terá que anular esse julgamento, sob pena do seu absoluto descrédito”.

O próprio STF já se posicionou a respeito. A Corte Interamericana, obviamente, não é corte revisora do Supremo. Fosse assim, o tribunal deixaria de ser a última instância da Justiça brasileira, que transferiria essa prerrogativa a uma organização multinacional.

Vejam bem… Se Heleno Torres acha que a Corte Interamericana não só pode como “terá” de anular o julgamento do mensalão, entende-se o entusiasmo do PT com a sua eventual indicação.

 

Por Reinaldo Azevedo

Comunismo e cara-de-pau – Por Alexandre Garcia

Passou praticamente despercebido do noticiário da semana passada a decisão da direção da Câmara Federal de revogar uma resolução dela própria, de 1948, em que cassou o mandato de 14 deputados do Partido Comunista.
A cassação fora baseada em sentença do Tribunal Superior Eleitoral, confirmada pelo Supremo, porque baseada na Constituição. Conhecida como constituição liberal, ela vedava, no entanto o Partido Comunista, porque ele não aceitava a pluralidade de partidos, nem a liberdade, nem a democracia nos países em que estava no poder.
Recuperaram os mandatos, entre outros, o escritor Jorge Amado, o mentor da guerrilha do Araguaia, João Amazonas, e o autor do “Manual da Guerrilha Urbana”, Carlos Marighella – todos agora mortos.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

O Senado, por sua vez, devolveu o mandato a Luís Carlos Prestes que, patrocinado por Moscou, tentou tomar o governo em 1935, num levante que matou 32 militares, a maioria enquanto dormia no quartel da Praia Vermelha.
A líder do Partido Comunista do Brasil, a gaúcha Manuela d’Ávila, num discurso patético, disse que demorou o reconhecimento da injustiça feita contra quem lutou pela democracia e pelos direitos humanos. Ela deve julgar que todos sofrem de alienação mental.

Quem mais oprimiu a democracia e os direitos humanos no planeta, no século 20 foi o Partido Comunista. Onde tomou o poder, a partir de 1917, suprimiu todos os direitos e impôs ditaduras cruéis, torturadoras, sanguinárias, de que hoje ainda temos resquícios, em Cuba e na Coreia do Norte. Foi o Partido Comunista que baixou uma cortina de ferro sobre parte da Alemanha, sobre a Polônia, a Hungria, a Tchecoslováquia e tantas outras infelizes nações da Europa e Ásia.

Foi a maior praga do século 20, afetando a vida de milhões de habitantes de países que ficaram sob seu jugo, e de outros milhões em que os comunistas tentaram tomar o poder pela força das armas, como no Brasil, por duas vezes, no Uruguai, na Argentina, no Chile, para citar alguns sul-americanos.

O terror comunista matou mais que o nazismo de Hitler – com quem, aliás, Stálin fez acordo para massacrar a Polônia. Calcula-se que os assassinatos genocidas praticados por ditadores comunistas na Europa e Ásia chegam a 100 milhões. O holocausto de Hitler matou 6 milhões de judeus, segundo se calcula.

Escapamos da ditadura comunista graças à incompetência monumental de Prestes e seus companheiros, na tentativa de golpe em 1935. Moscou, que pagava tudo e mantinha observadores em torno de Prestes, como Olga Benário, ficava atônita com os erros dos comunistas brasileiros, como pesquisou em arquivos soviéticos William Waack para o livro “Camaradas”.

Mesmo assim, quando Prestes foi a Moscou no início de 1964, obteve de novo a promessa de auxílio político e militar. Em troca, garantia que “uma vez a cavaleiro do aparelho de Estado, converter rapidamente, a exemplo da Cuba de Fidel, a revolução nacional-democrática em socialista”. Isso é História, que relembro agora porque muita gente, com a maior cara-de-pau vem nos falar de democracia e de direitos humanos dos comunistas.

Acordo com PSC pode trocar pastor Feliciano por deputada

Blog-Bosco

Pode ser hoje ou amanhã, mas não deve passar desta semana a solução para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. O mais provável é que o pastor Marco Feliciano (PSC-AC) renuncie em favor da vice-presidente da Comissão, a também evangélica e correligionária, Antônia Luciléia Ramos Câmara (AC).

O acordo vem sendo costurado desde que as manifestações contra a permanência de Feliciano no cargo inviabilizaram o funcionamento da comissão, com repercussão negativa para seu próprio partido, o PSC, e para a instituição legislativa. O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) já concluiu que a eleição do pastor foi um erro político coletivo.

Já na quarta-feira passada Feliciano esteve a um passo da renúncia, única saída legítima para o impasse criado depois da publicidade de suas posições polêmicas em relação à questão racial, casamento gay, aborto e das cenas de mercantilismo religioso que protagonizou ao exigir de um fiel, mais que o cartão de crédito, sua senha, em nome de Jesus.

Ele foi esperado para uma reunião com líderes de seu partido e o presidente da Câmara, mas deixou-os esperando depois de sugerir que entregaria o cargo. O PSC teme que além do desgaste, a polêmica atraia o Ministério Público e criminalize a condução da igreja onde o pastor faz sua doutrinação.

Por essência uma Casa eletiva, a Câmara não tem meios de destituir um parlamentar eleito para um cargo, por manifestar suas  opiniões. Por pior que sejam, só a renúncia torna legítima sua substituição, ainda mais já reconhecida a colaboração geral para que ocupasse a presidência da comissão. PT, PSDB e até PC do B abriram espaço ao PSC em troca de vagas em outras comissões.

Ajuda o processo de convencimento político exercido junto ao pastor, a favor de sua renúncia, a exposição de sua família e da igreja. Se outras movimentações de bastidores não alterarem as bases do acordo, o PSC mantém o cargo, que seria ocupado pela deputada do Acre.

Antônia é economista de formação e de perfil mais ameno e isento, segundo lideranças políticas envolvidas com o processo. Mas, a essa altura, a visibilidade ganha pela comissão pode exigir um  nome mais sólido, de biografia mais confiável e com trânsito amplo nos segmentos envolvidos com a questão dos direitos humanos.

Trocando em miúdos, a polêmica suscitada pelas posições do pastor pode devolver à comissão a importância que os partidos lhe negaram, ao virar-lhes as costas.

Dilma e Cabral não precisam ir à missa; precisam é cumprir a palavra. Isso, sim, seria uma atitude cristã – Por Reinaldo Azevedo

A presidente Dilma Rousseff participa hoje, ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), de uma missa em memória das 33 vítimas dos deslizamentos de Petrópolis. Tá. Todo político tem de ir aonde os problemas estão. Mas é preciso que repudiemos a virtude eventual que serve para ocultar o vício sistemático. Já chego lá.

Sou católico, mas não gosto de ver políticos em igrejas. Se evangélico fosse, não gostaria vê-los dando plantão nos templos. Tampouco aprovaria a mistura incômoda, delinquente às vezes, entre política e religião. Há lugares em que políticos nunca estão fazendo boa coisa — antigamente, costumavam bater à porta de quartéis, por exemplo. Nem Deus nem a vida das pessoas deveriam estar sujeitos à demagogia.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Penso aqui na candidata Dilma Rousseff indo a Aparecida e se atrapalhando toda na hora da persignação. Tentava, com aquele gesto, eliminar da memória do eleitorado algumas defesas incômodas que havia feito. Ela tinha e tem o direito a uma opinião sobre qualquer assunto. Feio é tentar enganar o distinto público. Na semana passada, os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Marcelo Crivella (Pesca) foram a um encontro de pastores da Assembleia de Deus de Madureira. Carvalho falou dos vínculos inquebrantáveis de Dilma com os Evangelhos. Crivella, que é bispo da Universal do Reino de Deus (a igreja de Edir Macedo), preferiu ser prático: como os pobres, segundo ele, vivem melhor hoje, sobra mais dinheiro para o dízimo.

Começo por este: reduziu a dimensão espiritual a um problema de fluxo de caixa. Sendo quem é e vindo de onde vem, não é de estranhar. A formulação fala por si. Quanto a Carvalho… Em janeiro do ano passado, este senhor participou do Fórum Social Mundial em Porto Alegre e conclamou os petistas a disputar influência com os evangélicos junto à tal nova classe C. Escrevi a respeito. Naquele momento, o chefão do PT tratava seu partido como igreja. E essa disputa, não custa lembrar, está em curso. Os petistas estão usando o caso do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), por exemplo, para distinguir os “evangélicos do bem” dos “evangélicos do mal”.

Eu prefiro que os políticos tenham e veiculem valores cristãos, mas, definitivamente, não gosto de vê-los em igrejas. Sabem por quê? Porque, quase sempre, é uma falsidade. Quantas vezes Dilma foi à missa nos últimos 30 anos? Não é obrigada! Todos sabem que não é católica. Em Roma, um tanto descolada da realidade, atreveu-se a dar conselhos ao papa Francisco. A ficha só caiu depois.

Leiam o que informa a VEJA.com. Volto depois.
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Governo federal decreta estado de emergência em Petrópolis
O Secretário Nacional de Defesa Civil, Humberto Viana, decretou estado de emergência em Petrópolis, Região Serrana do Rio de Janeiro, em função das chuvas que deixaram 33 mortos desde a madrugada do último dia 18. A portaria nº 40, publicada no Diário Oficial, diz que o governo federal reconhece a situação do município “em decorrência de deslizamentos de solo e/ou rocha”. De acordo com a Defesa Civil, o temporal provocou 21 pontos de deslizamento ou alagamento na cidade. Do total de vítimas fatais, três morreram após serem hospitalizadas. Levantamento feito pela prefeitura calcula que mais de mil pessoas permanecem desalojadas.

Dilma
Petrópolis entra em situação de emergência no dia em que recebe a visita da presidente Dilma Rousseff, que participa de uma missa em homenagem às vítimas da chuva ao lado do governador Sérgio Cabral. Espera-se que ela apresente uma espécie de versão 2.0 de promessa para solucionar o problema das chuvas na Serra.  Contudo, os últimos acontecimentos políticos em torno das eleições de 2014 podem roubar o foco na chegada da presidente, que já enfrentaria constrangimento suficiente ao se deparar com uma nova tragédia na cidade que não recebeu a lista robusta de obras prometidas em 2011, quando as chuvas também devastaram a região.

Além disso, ela posa ao lado de Cabral logo após o PMDB divulgar um dossiê encomendado pelo próprio partido acusando o senador Lindbergh Farias, do PT, de desvio de verba. E do contra-ataque de Lindbergh que, em um vídeo publicado no Facebook, ressuscitou o episódio da farra dos guardanapos na cabeça de integrantes do primeiro escalão do governo com o empresário Fernando Cavendish, da empreiteira Delta.

Voltei
Eis aí. Lamento ter de escrever isto porque é asqueroso: o fato é que está havendo a politização da tragédia. Os mortos de agora, em Petrópolis, foram paridos pelos mortos de antes. Quando falta ação do poder público, os cadáveres procriam. E estes darão à luz outros tantos no ano que vem se o governo Cabral não mudar seu comportamento, se o governo Dilma não mudar seu comportamento.

A chuva, já escrevi tantas vezes, não é culpa de ninguém. Não cumprir o prometido para as populações carentes, não gastar o dinheiro reservado para a prevenção de tragédias, aí estamos lidando, sim, com a responsabilidade de governos — “culpa”, se quiserem.

Tão logo Francisco foi investido da mitra papal, mandou um recado aos argentinos em particular: “Não venham a Roma ver o papa; doem o dinheiro aos pobres”. Francisco certamente recomendaria a Dilma e a Cabral que se dispensassem de comparecer a um ritual religioso que nada lhes diz (ainda me lembro de Cabral, em defesa do aborto, ter perguntado à audiência, com aquela sua ligeireza habitual: “Quem aqui não teve uma namoradinha que teve de abortar?”).

A maneira que estes dois têm de arcar com suas respectivas responsabilidades de governantes – e, sim, de atuar segundo os princípios cristãos – é cumprindo as promessas feitas ao povo de Petrópolis. Às vezes, ir à missa ou ao culto evangélico é só uma forma privilegiada de ofender os fundamentos do cristianismo.

Por Reinaldo Azevedo

Paulo Bernardo vira alvo dos pterodáctilos da censura e da sujeira financiada por estatais – Por Reinando Azevedo

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que é petista desde 1984, transformou-se num alvo da ala heavy metal do PT. Nos bastidores, também dirigentes de alto coturno, como o presidente do partido, Rui Falcão, expressam a sua insatisfação. Motivo: o ministro não é um entusiasta das teses de controle da mídia. Os petistas, como está consignado em documento oficial, querem ter o poder até sobre o conteúdo das notícias.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Em entrevista ao Estadão, o ministro afirmou que seu próprio partido está misturando regulação da área de comunicação com investimentos e destacou que “não há e nunca vai haver marco regulatório para jornais e revistas”.

Pra quê!?!?!? Virou alvo dos setores mais radicais, está sendo criticado nos bastidores pela turma de Falcão e se transformou em alvo dos blogs sujos, financiados por estatais, que babam antegozando a possibilidade de um dia poderem censurar o jornalismo, como se faz em Cuba, na Venezuela, no Equador, na Bolívia… Cada um desses excluídos da grande imprensa em razão de seu padrão moral se imagina batendo o chicote nas botas e dando as ordens na Globo, na VEJA, na Folha, no Estadão… Já nãos lhes basta encher as burras de dinheiro fazendo proselitismo partidário, demonizando a oposição e atacando a imprensa livre. Querem mais. Querem é censura. Voltarei ao tema mais tarde.

Nos dois primeiros anos, Dilma não permitiu que os pterodáctilos lançassem dejetos sobre a sua cabeça — embora tenha mantido intocado o sistema de financiamento estatal daquela sujeira. Nos dois anos finais, com ambições de ser reeleita, não parece que vá ceder à voz das trevas nesse particular. “E se for reeleita em 2014, sabendo que não poderá disputar um terceiro mandato?” Ah, bem, aí não sei. Cumpre ficar vigilante caso se reeleja.

Em seu blog, Valter Pomar, da ala esquerda do partido e membro de sua direção nacional, evidencia seu inconformismo: “Se coubesse adotar o termo “incompreensível” utilizado pelo ministro, poderíamos dizer que incompreensível é postergar para um futuro incerto o marco regulatório”.

Os petistas, como se nota, ainda não desistiram. Voltarei ao assunto mais tarde para demonstrar como setores da própria imprensa estão endossando métodos de pressão que um dia poderão resultar no estreitamento da sua liberdade. Aguardem.

Por Reinaldo Azevedo

Ecce Franciscus

Li que Jorge Mário Bergoglio nunca teve celular nem jamais mexeu em computador. E, no entanto, chegou a papa, o mais universal dos poderes. Fico a perguntar aos viciados em celular e computador, se esses dois aparelhinhos seriam tão essenciais para a vida. Eu tinha algo em comum com o cardeal Bergoglio: ele não freqüentava as chamadas redes sociais. Não tenho tempo para facebook nem twitter. Mas o Vaticano acaba de convencê-lo a postar uma mensagem no Twitter do site da Igreja. A mensagem pede orações por ele, papa Francisco.
Em 1958, quando eu era noticiarista de rádio, acompanhei a morte de Pio 12 e a eleição de João 23. Depois acompanhei a chegada de Paulo 6º, João Paulo, João Paulo 2º, Bento 16. Mas nunca me entusiasmei tanto com um papa como agora. Francisco é simpatia à primeira vista. E seus atos, passados e presentes, justificam esse amor à primeira vista. Em poucos dias, conquistou o mundo – e não apenas os católicos. Aliás, ele foi o cardeal argentino que mais próximo esteve de judeus e muçulmanos. Simples, espontâneo, ao visitar as paróquias, chegava sozinho.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Há quem o calunie. Afinal, ninguém é argentino impunemente. Um ex-montonero (um grupo guerrilheiro peronista-marxista) e partidário de Cristina Kirchner, escreveu que ele colaborou com a ditadura militar argentina. Para derrubar a calúnia basta conferir o calendário feito por outro papa, Gregório: o último governo militar argentino começou em 1976, quando Bergoglio era um padreco que havia feito os votos três anos antes. E só foi feito bispo – e auxiliar – 10 anos depois de ter acabado o governo militar. E ainda assim, suponhamos que o padreco estivesse acompanhando os acontecimentos políticos. Entre o general Videla, carola que comungava, com sua mulher, todos os dias, e a guerrilha marxista que queria impor uma ditadura atéia, de que lado ficaria um padre católico se tivesse que tomar partido?

Da mesma forma, alguns alegam que ele é conservador porque é contra o casamento entre homossexuais e contra o aborto. Queriam que ele fosse contra a doutrina da própria Igreja? Ele nunca rejeitou a “união civil”, nem negou comunhão a divorciados. Outros, ingênuos, alegam que ele é maravilhoso porque anda de ônibus, arruma a própria mala e paga a conta do hotel, faz seus próprios telefonemas e não usa crucifixo de ouro. Não, ele é diferente porque prega tolerância zero para os pedófilos, porque diz que padres e bispos tem que sujar os pés no barro; falou em igreja pobre – e a gente se escandaliza com as riquezas do Vaticano. A propósito, leio em livro de Bergoglio a mesma pregação de meu amigo frei Vicente, um franciscano: “Se Deus, na Criação, correu o risco de nos tornar livres, quem sou eu para me meter(na vida das pessoas)?”

Na América Latina estão mais de 40% dos católicos do mundo. E também é onde estão os demagogos, governos populistas, igrejas que se aproveitam da pobreza e da ignorância. Francisco é o homem certo que a sabedoria dos cardeais elegeu para apagar essa maldição do continente. Quando o governador romano Pôncio Pilatos entregou Jesus à multidão hostil para crucificá-lo, pronunciou em latim: Ecce hommo(eis o homem!). Foi o que quis dizer a fumaça branca: Ecce Franciscus! Eis Francisco, para salvar a Igreja.

Bruno é uma pessoa fria – e Elisa? – Por Rachel Sheherazade

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Justiça não é vingança, mas deveria ser, no mínimo, proporcional ao crime cometido.

No caso Bruno, foi feita a justiça? Tecnicamente, sim.

O réu foi condenado. Ficará, um tempo, apartado da sociedade e carregará, por toda a vida, o rótulo de assassino.

Mas, falta o sentimento de justiça. Fica a sensação de justiça pela metade, ou de quase injustiça…

Porque, na prática, Bruno amargará mais alguns anos na prisão, talvez 3. Trabalhando, poderá ter a pena reduzida. Por bom comportamento, migrará para o regime semi-aberto. E muito mais cedo do que esperamos, vai estar, novamente, desfrutando da liberdade, como um legítimo cidadão de bem. Cumprida sua pena, não poderá mais ser apontado como criminoso, nem sofrer discriminação, pois, tecnicamente, estará quite com a sociedade.

Bruno vai ter toda a vida para se arrepender, um bom tempo para limpar seu nome e sua consciência do terrível crime que cometeu. Terá a chance de se recompor, se reerguer, retornar ao convívio social, de retomar sua vida.

Mas, e Elisa?

Negro e racista? Desta vez, a patrulha quebrou a cara – Por Reinaldo Azevedo

Acima, vocês veem o pastor Marco Feliciano abraçado ao padrasto, que é negro, e à mãe — que eu chamo de “mestiça”, mas que os movimentos militantes chamam de “negra” também. Feliciano é, pois, enteado de um negro, filho de uma negra e, segundo os critérios que orientam as leis de cotas no Brasil, também é… negro! Não obstante, querem acusá-lo de racismo por uma frase tonta escrita no Twitter. Ele próprio divulgou a foto no Facebook.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Há um monte de branco raivoso apontando o dedo para o negro Feliciano. Já demonstrei aqui que ele apenas citava uma passagem do Gênesis — e ainda errava sobre a origem bíblica dos africanos. Na democracia, as pessoas são livres para falar e escrever tolices.

Já escrevi dois textos a respeito. Ontem (vejam acima), publiquei o vídeo em que ele pede votos para Dilma Rousseff em 2010. Como demonstro ali, Feliciano, com toda essa visibilidade, também é obra do PT, não é mesmo? Também é obra de Dilma. Ou por outra: enquanto ele puxava votos para o partido e cumpria a tarefa de diminuir a rejeição dos evangélicos ao nome da petista, era útil. Agora, não pode presidir uma comissão. Vamos pensar mais um pouco.

A conexão entre a chamada “grande imprensa” e os movimentos militantes acaba criando alguns “heróis” que são do gosto de ambos, mas, às vezes, a receita desanda, e acontece o inverso do esperado. Os gays e esquerdistas não gostam de Feliciano. É um direito deles. Decidiram pedir a sua destituição da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Ok. Também podem. Neste domingo, leio no Globo, foram atazaná-lo na porta de um templo, em Franca. Houve protesto, gritaria, seu carro foi cercado. Aí não dá. Aí já passou dos limites. Isso não pode. É constrangimento ilegal.

Pastor FelicianoNos textos que escrevi no sábado, observei que esses protestos marcados por intermédio do Facebook têm o condão de transformar minorias em aparentes maiorias. E antevi o óbvio. Acuado, o pastor também pode mobilizar os seus seguidores. É o que ele decidiu fazer. Leio no Globo (em itálico):
Pelas rede sociais, o parlamentar, pastor e fundador da Tempo de Avivamento, convocou líderes religiosos para discutir, nesta segunda-feira à noite, o futuro das igrejas diante do que chama da “batalha contra a família brasileira”.
Feliciano pretende usar o culto que costuma celebrar às segundas-feiras no maior templo de sua igreja, em Ribeirão Preto (interior paulista), para responder às acusações de racismo e homofobia a estelionato que vem recebendo. “Estamos vivenciando a maior de todas batalhas contra a família brasileira, e a igreja está sendo bombardeada pelas mentiras insinuadas por grupo de bandeira LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e travestis), que planeja dividir e destruir nossas igrejas e famílias, usando a política e a discriminação como arma”, diz o comunicado de convocação, publicado na página do deputado no Facebook, sábado à tarde.
“O deputado-pastor Marco Feliciano pede a presença de todas as lideranças evangélicas e católicas de Ribeirão Preto e região para a reunião a fim de discutir o futuro de nossas igrejas diante desse grande embate”, prossegue o comunicado. No texto, também é destacado que toda a “imprensa estará presente, precisamos mostrar a nossa união”. Ainda nas redes sociais, Feliciano afirmou ontem estar “abatido” pelo que chama de “perseguições”. “Cheguei em casa essa madrugada abatido pelas perseguições. Mas, ao receber o carinho da minha esposa e minhas filhas, a minha alma se renovou”, escreveu ele na página do microblog
.

Retomo
Já escrevi e reitero: Feliciano é da turma “deles”, não da minha, como revela aquele vídeo em que pede voto para Dilma. Pode ter as ideias mais atrasadas e impróprias sobre isso e aquilo, mas não foi racista e duvido que tenha sido homofóbico — não basta, para justificar essa acusação, que o sujeito seja contra o casamento gay. Posso reprovar as ideias dele e mesmo o pouco que vi de sua prática religiosa, e reprovo — SEMPRE DESTACANDO QUE PEDIR DINHEIRO A FIÉIS, QUE SÓ DÃO SE QUISEREM, É COISA MUITO DIFERENTE DE ROUBAR DINHEIRO PÚBLICO —, mas o movimento que está em curso, lamento, é autoritário.

E se o pastor conseguir reunir bem mais gente em seu apoio? Se 500 ou 600 pessoas contra ele são tomadas, por setores da imprensa, como critério de relevância, caso ele reúna 5 mil ou 6 mil, será a relevância multiplicada por dez? Ou, nesse caso, a maioria será ignorada e considera, sei lá, qualitativamente inferior? O jornalismo que está dando trela à patrulha está, involuntariamente, elegendo um herói. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), por exemplo, já percebeu quantos votos lhe rende o ódio que militantes devotam contra ele. Esse tipo de intolerância não tem nada a ver com democracia.

Encerrando
Eu não sabia, é evidente, que o padrasto e a mãe de Feliciano são negros. Creio que ele não os considere, e a si mesmo, amaldiçoados, não é? Quando afirmei que aquele seu tuíte não era expressão de racismo, eu o fiz com base apenas no seu conteúdo e na referência bíblica. Agora, diante desse fato, a acusação fica ainda mais ridícula. Já tinham quebrado a cara, nesse particular, com Bolsonaro. Ele também seria um racista militante… Até que se descobriu que sua mulher é o que a própria militância chama “negra”.

É preciso parar com essa prática asquerosa de criminalizar a divergência. Se o sujeito é contra a PLC 122, que estabelece discriminações inaceitáveis, então é “homofóbico”; se é contra cotas, então é “racista”; se é contra qualquer forma de censura à imprensa, então defende a “mídia golpista”; se é crítico da forma como se dá o Bolsa Família, então é “contra os pobres”. ESSA GENTE NÃO QUER DEBATER IDEIAS. QUER É CALAR O OPONENTE, ELIMINÁ-LO SE POSSÍVEL.

Poucos sabiam da existência de Feliciano até outro dia. Agora, tornou-se uma personagem nacionalmente conhecida. E sou capaz de jurar que conquistou novos admiradores, em vez de perdê-los. A turma das passeatas e dos protestos já não votaria nele mesmo, certo?

A intolerância dos que se querem bons está criando um novo “paladino da família”. Tente, no entanto, advertir esses fanáticos da patrulha de que isso não é uma coisa muito inteligente… As acusações acabam se voltando contra você.

Parabéns, gênios! Vão lá, agora, tentar ensinar a Feliciano como é ter uma mãe negra, um padrasto negro…

Por Reinaldo Azevedo

Chávez, agora morto, foi vítima, isto sim, da própria farsa – Por Reinaldo Azevedo

Chávez, agora morto, foi vítima, isto sim, da própria farsa. E o que não teve tempo de aprender com Lula.

Pobre Venezuela!

Dá para saber quando um destino cruel aguarda um povo. Destino? Trata-se, na verdade, de uma construção. Desgraçadamente, a resposta que o país encontrou para uma elite dirigente que entrou em falência foi o chavismo, um misto de banditismo político com delírio ideológico retrô. É evidente que sérias turbulências virão pela frente porque o modo de governo inventado por Hugo Chávez, que morreu nesta terça, só funcionava com o carisma do caudilho. Agora morto, os gângsteres que o cercavam iniciarão a luta intestina pelo poder — ainda que a imagem do mártir garanta ao menos mais uma eleição para a turma. A questão é que, em breve, mais de um poderá dar murro na mesa.

É patético! É melancólico! É triste!

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Imaginem quão sem saída está um regime obrigado a inventar uma conspiração, que estaria na origem da doença que matou o líder. Nicolás Maduro sugere, em sua fala, que o câncer do comandante foi obra dos EUA. Ninguém sabe ao certo o mal que acometeu o ditador. Uma coisa é evidente: Cuba não era o melhor lugar para ele se tratar. É aí que se percebe que o bandido farsante obrigou-se a ser, ao menos, verossimilhante.

Entendam o que estou querendo dizer: neste particular ao menos, Chávez foi mais burro e mais fiel ao credo que proclamava do que Lula, por exemplo — que fez muito bem, claro!, em se tratar no Sírio-Libanês. O Apedeuta é infinitamente mais inteligente do que era o bandoleiro de Caracas e faz da incoerência uma arma política. Ele não foi se tratar via SUS — que, segundo chegou a dizer, estava “perto da perfeição”. Escolheu um hospital de ponta e proclamou: todos deveriam ter direito àquele tratamento especializado.

Pouco importa o tipo de câncer de Chávez, suas chances teriam sido evidentemente maiores no Brasil, nos EUA e em alguns países europeus. Mas isso, para a sua mística, seria entendido como uma espécie de rendição. Médicos brasileiros e um grande hospital chegaram a ser sondados. O ditador queria, no entanto, a garantia de que poderia ter aqui a cortina de silêncio que lhe foi assegurada em Cuba. Ao saber que não seria possível porque a democracia brasileira não permite, restava-lhe escolher, deixem-me ver, entre Cuba e a Coreia do Norte…

Boa parte de seu padecimento, que certamente não foi pequeno, se deve ao fato de que resolveu levar adiante a sua farsa. Não aprendeu as artes de Lula, que jamais é refém da própria palavra. Muito pelo contrário: a cada vez que ele joga no lixo o que disse antes para afirmar o contrário, proclama a própria inteligência, a própria esperteza.

Em lugar de Chávez, o Apedeuta se trataria, como se tratou, num hospital de ponta e ainda diria:
“Eles (*) acham que um metalúrgico não pode ter hospital de rico. Mas eu quer dizer que, nestepaiz, um dia, todo mundo vai se tratar no Sírio-Libanês. E vai ser tudo pelo SUS. Eu acho de que (!) as elites brasileiras precisam aprender que o trabalhador tem direito também a essas máquinas caras…. “

E todos aplaudiriam. A Marilena Chaui mesmo ficaria extasiada: “Olhem! Parece a deusa Métis falando; quando Lula fala, o mundo se ilumina!”. O nosso Apedeuta tem um lado macunaímico. Se lhe derem folga, “brinca” (este verbo terá sentido pleno para quem leu o livro) até durante o expediente. Mas não se deve toma-lo por tolo. Sabe ser calculista e autoritário se preciso, e o país, institucionalmente, regrediu muito sob o seu comando e/ou orientação.

Lula não traz consigo aquela mística da “sangre” da América espanhola, do “resistiremos até o último homem”. Enquanto permitirem que ele avance, ele vai — se ninguém reclamar, chega à ditadura. Se a coisa começar, no entanto, a se complicar demais, ele dá um jeito de chupar balas Juquinha… A fidelidade à própria farsa obrigou Chávez a experimentar o fel.

Texto modificado às 19h41 desta terça. Tinha sido escrito minutos antes do anúncio oficial da morte do ditador. Só atualizei os tempos verbais. O texto já dava o ditador como morto.

Por Reinaldo Azevedo

Ninguém mais aguenta

O “menor” que se apresentou como autor do disparo do sinalizador que matou um menino de 14 anos no estádio de Oruru, Bolívia, é maior que os policiais militares que o acompanharam à Delegacia da Criança e do Adolescente.
Foi maior para comprar um sinalizador que mata, foi maior para atravessar a fronteira com o sinalizador, foi maior para sair do país, e foi maior para puxar a cordinha de disparo que tirou a vida do boliviano Kevin. Está solto, e desse episódio a ficha criminal dele será, no máximo, uma página em branco.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Se ele fosse boliviano, como a vítima dele, não seria “menor de idade”. Ao fazer 16 anos a pessoa, na Bolívia, assume penalmente todos os seus atos criminosos. Aqui no Brasil, com 16 anos, é possível eleger o presidente da República, mas não é possível ser responsabilizado por um crime. Pelas empolgadas bondades dos constituintes, com menos de 18 anos são “inimputáveis”.

Nesse domingo, aqui na capital do país, outro “menor” de 17 anos, armado com revólver, assaltou uma van de passageiros. Foi dominado pelo cobrador, que lhe tirou a arma e o imobilizou com uma “gravata”. A polícia de Goiás chegou e, ao ver o cobrador de revólver, atirou na vítima e a matou.

O “menor” assaltante foi levado à delegacia, e ante o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente, foi solto imediatamente. Uma história bem brasileira, em que o assaltado é morto e o assaltante vai embora para casa, preparar o próximo assalto.

Na capital do Brasíl, vitrina do país, quase metade dos casos de homicídios, latrocínios, assaltos e sequestros relâmpago são praticados pelos tais menores. Alguns crimes, com características hediondas, como foi o caso, na semana passada, em que um menino de 13 anos foi atacado por um de 17, outro de 13 e duas meninas de 13, que o espancaram, amarraram, torturaram e por fim despejaram gasolina sobre ele e atearam fogo. Os menores aguardam “medidas socioeducativas” – como se fossem recuperáveis de tanta atrocidade.

Os legisladores precisam perguntar a seus eleitores sobre a redução da idade penal, que já está caindo de madura. Ninguém mais aguenta essa impunidade de gente que tem força de adulto, discernimento de adulto, age como adulto e é tratado como criancinha de três aninhos, que não tem noção do certo e do errado, do bem e do mal.

A polícia já não aguenta mais “apreender” o inimputável que não pode ser chamado de criminoso e vê-lo depois nas ruas cometendo os mesmos crimes. E qualquer observador percebe que não existem as tais “medidas socioeducativas”. Vamos, pelo menos, cair na real e proteger as vítimas, não seus algozes.

PT defende em resolução censura à imprensa, e Rui Falcão convida jornalistas a apoiar proposta – Por Reinaldo Azevedo

Agora é para valer. O Diretório Nacional do PT divulgou uma resolução nesta sexta em que defende um “novo marco regulatório das comunicações”, que vem a ser o outro nome do “controle da mídia”, mera perífrase para se referir à censura. Eles são petistas e não desistem nunca.

O governo Lula tentou, mais de uma vez, criar mecanismos para censurar a imprensa. Deu com os burros n’água. Dilma Rousseff, até outro dia, dava sinais de que não entraria nessa. Nunca se sabe. Também até outro dia, ela reconhecia em FHC o arquiteto do Real e coisa e tal. Há duas semanas, vem esculhambando o tucano. Lula decidiu antecipar o calendário eleitoral e impôs à presidente uma agenda. Emparedada por más notícias e pelo pibinho, ela não teve como fugir. De todo modo, é pouco provável que ceda a esse aspecto da agenda em particular. Mas os petistas já encontraram uma saída. E Rui Falcão, presidente do PT,  deixou claro que espera contar com a colaboração dos jornalistas em seu projeto de censura. Ele quer ver os coleguinhas botando a corda no pescoço para que um de seus estafetas possa puxá-la quando necessário.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Na resolução, escreve o PT (em vermelho):
(…) o DN [Diretório Nacional] conclama nossa militância a coletar, este ano, mais de 1,5 milhão de assinaturas para apresentar ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular. O PT se associará à campanha por um Projeto de Lei de Iniciativa Popular em favor de um novo marco regulatório das comunicações, tal como proposto pela CUT, pelo Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) e outras entidades.
(…)

Não percam de vista o tal Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC). Já volto a ele. Antes, vou me fixar em outros aspectos. O PT sabe que o governo federal, de moto próprio, não criará mecanismos oficiais de censura, como quer o partido. Então é preciso recorrer à galera. O petismo pretende apresentar uma emenda de iniciativa popular. É só uma forma de tirar o peso das costas de Dilma. É claro que, se o governo quisesse, impediria que uma porcaria como essa (entre outras) constasse da resolução. Mas sabem como é.. Dilma não vai ela mesma censurar a imprensa, mas permite que seu partido lance uma proposta cujo objetivo esse. Faz sentido! A presidente manteve, por exemplo, o pornográfico esquema de financiamento estatal da imprensa suja, cujos objetivos mais do que declarados são puxar o saco do governo, atacar a oposição e difamar o jornalismo independente.

O governo permite, assim, que a investida petista contra a liberdade de expressão seja lavada por uma suposta emenda de iniciativa popular.

Ao defender a tal regulamentação, Rui Falcão afirmou:
“Nós aprovamos um documento que enfatiza de novo a questão do alargamento da liberdade de expressão. Peço para vocês, jornalistas, que enfatizem essa questão. Ela nada tem a ver com censura ou controle (da mídia). Mas pode ampliar o mercado (de trabalho), garantir que vocês possam ter um código de ética reconhecido pelas empresas. Para que vocês não tenham uma matéria eventualmente adulterada ou mesmo apurar matérias que fraudem a consciência de vocês”.

É asqueroso!

É mentira! A regulamentação que os petistas e uma penca de movimentos de esquerda defendem agride, sim, frontalmente a liberdade de expressão, constitui censura e busca o controle de conteúdo da informação. Falcão poderia dizer o que significa “apurar matérias que fraudem a consciência” dos jornalistas. Vamos a um exemplo: digamos que um petista ladrão seja flagrado roubando o Banco do Brasil. Caberia a um jornalista eventualmente filiado ao PT alegar escrúpulo de consciência se escalado para fazer uma reportagem a respeito?

Vejam que coisa: o pedido de Falcão aos jornalistas, em que ele nega a pretensão da censura e do controle, já circula por aí. Que tal, então, a gente entrar no mérito do que diz a resolução? Lá está que o petismo usará como referência de sua luta o que foi “proposto pela CUT, pelo Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC)…” Ok! A íntegra da  proposta do tal fórum, encampada pelo partido, está aqui. Destaco abaixo, em vermelho, alguns mimos do texto. Comento em azul.

O FNDC reivindica que este Marco Regulatório leve efetivamente à regulação da mídia, e contenha, também, mecanismos de controle, pela sociedade, do seu conteúdo e da extrapolação de audiência que facilita a existência dos oligopólios da comunicação que desrespeitam a pluralidade e diversidade cultural.
Viram? A “sociedade” teria “mecanismos de controle do conteúdo” do que é veiculado. Mas quem é “a sociedade”? Ora, todos sabemos! Trata-se de ONGs, sindicatos, associações disso e daquilo, movimento sociais, todos aqueles grupos que são controlados pelo… PT! Mas isso é pouco: seria preciso evitar a “extrapolação de audiência”. Se uma emissora, por exemplo, começasse a ter telespectadores demais, seria preciso dar um jeito de cortar suas asinhas. Como? Sei lá! O tal fórum dá uma pista de como seria esse “mecanismo de controle”. Leiam.

O FNDC propõe inclusão, na estrutura das empresas de Rádio e TV, de mecanismos que estimulem e permitam o controle público sobre a programação, como conselhos com participação da sociedade, conselhos editorais e serviços de ouvidoria.
A exemplo do que acontece na Venezuela chavista, rádios e TVs seriam comandados por “conselhos” populares, entenderam? Uma miríade de ONGs e movimentos sociais — tudo franja do petismo — decidiria a pauta do Jornal Nacional. O PT também não abre mão da possibilidade de punir jornalistas rebeldes. Mais uma proposta:

O FNDC propõe a criação de mecanismos de controle público, tais como conselhos de comunicação municipais e estaduais, agências reguladoras, ombudsman e Conselho Federal dos Jornalistas.
As emissoras ficariam sujeitas a essa borrasca de conselheiros, e os jornalistas, individualmente, seriam monitorados pelo Conselho Federal de Jornalismo — proposta já repudiada pela sociedade. O PT já arrumou um laranja para apresentar o texto. O órgão teria competência, imaginem só, para cassar a licença de jornalistas.

Publicidade
O fórum também está preocupado com as criancinhas, é certo!. No que diz respeito à publicidade, prega:
Quanto à influência da publicidade nas relações de consumo e na construção de subjetividade, em especial no período da infância, o FNDC defende:
– A necessidade de resgatar a plenitude do desenvolvimento da criança em virtude do assédio do mercado, fortalecendo os valores da infância, priorizando o ato de brincar e não o objeto, o brinquedo anunciado.
– Que as reais necessidades da criança sejam contempladas quanto à preservação da saúde, inclusive quando são evidentes os apelos publicitários para o consumo de alimentos inadequados e prejudiciais como gorduras trans e outros, camuflados em elaboradas mensagens publicitária
s.

Eu sempre fico fascinado com o verbo “resgatar”. Dá a ideia de que vivíamos no Éden antes de essa porcaria de capitalismo vir dar nas nossas terras. Digam-me cá: jogar pião, como joguei (e sou bom nisso até hoje, como constatei outro dia; sei fazer o bicho “dormir” na fieira… Alguns leitores, a esta altura, hão de perguntar: “Do que fala esse Reinaldo?”), é superior a brincar no iPad? Por quê? Uma criança, não sendo “assediada pelo mercado”, será assediada por quem? Por pedagogos do partido? Trata-se de uma linguagem rançosa, boçal, velha, que expressa uma concepção de educação que é prima pobre da doutrinação, que já é uma lástima. Mas entendo essas almas: depois de submeter os meios de comunicação à censura dos “conselhos populares”, o PT quer golpear também a sua receita publicitária. Quanto mais dependentes eles forem da Petrobras, do Banco do Brasil, da CEF e do próprio governo federal, melhor!

Se vocês lerem a íntegra da proposta que o PT tomou como modelo em sua resolução, encontrarão lá a reivindicação para que o estado passe a financiar as produções comunitárias. E quem é a “comunidade”? Bidu! A turma do partido. Faltasse besteira, lá vai outra: o fórum quer a volta da obrigatoriedade do diploma de jornalista.

Mas por quê?
O PT chegou ao poder com a “mídia” que está aí — ou quase. Digo “quase” porque, na média, o jornalismo brasileiro já foi mais crítico, menos sabujo, mais independente, menos atrelado à pauta do partido do poder, mais corajoso, menos pusilânime diante daqueles que se querem “os donos do povo”. Quando na oposição, o partido jamais falou em controlar a imprensa. Ela lhe era útil, e o partido foi uma fonte inesgotável de dossiês e denúncias contra seus adversários. Algumas chegaram a ser estupidamente veiculadas pela imprensa, sem qualquer comprovação, tal era a intimidade do partido com jornalistas.

Hoje, essa imprensa, com importantes exceções honrosas, está muito mais rendida ao poder. Mesmo assim, isso parece pouco ao PT. O partido está em seu terceiro mandato no governo federal; tem chances imensas de conquistar o quarto mandato. Desde que as eleições diretas foram reinstituídas no país, é a agremiação mais bem-sucedida: venceu três das seis disputas… Tudo o mais constante, em 2015, serão quatro de sete.

Cumpre, então, perguntar: que diabo de mal a imprensa livre faz ao PT? Em que prejudica os seus anseios? Ao contrário: até Lula reconhece ser ele próprio produto da liberdade de imprensa. Por que a sanha autoritária, a volúpia da censura? A resposta é óbvia: o partido quer o poder absoluto. Isso não significa que pretenda, sei lá, pôr a oposição na clandestinidade. Ele só quer torná-la irrelevante, demonizando aqueles que não se submetem à sua vontade. Lembram-se daquele blogueiro lulista que chegou a sugerir que reportagens procurassem identificar os que consideravam o governo ruim ou péssimo? É fascismo na veia!

Notem, ademais, que o “controle da mídia” voltou a ser pauta urgente e inegociável para os petistas depois da condenação dos mensaleiros. Eles não querem uma imprensa que possa, enfim, vigiar os seus corruptos, os seus peculatários, os seus quadrilheiros.

Encerro
Mas Rui Falcão, mesmo assim, quer o apoio dos jornalistas para a proposta. Diz que é tudo em favor do mercado de trabalho e da liberdade de expressão. O PT deu uma prova recente do que entende por pluralidade e imprensa livre: mandou seus bate-paus para a rua para xingar e agredir Yoani Sánchez. Na reunião que organizou a tramoia contra a blogueira, estava um homem de Gilberto Carvalho, que vem a ser um dos dois braços esquerdos de Dilma Rousseff.

Por Reinaldo Azevedo

Patriota vai ao Senado tentar explicar dossiê contra Yoani – Por Reinaldo Azevedo

Governo e oposição fecharam um acordo nesta terça-feira para que o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, compareça ao Senado para explicar a participação de um assessor da Presidência da República na reunião em que foi discutido um plano para tentar desmoralizar a blogueira Yoani Sánchez durante sua visita ao Brasil. Patriota confirmou a líderes de partidos governistas que irá ao Congresso, mas a data ainda não foi definida.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Conforme revelou VEJA, militantes do PT, PCdoB e filiados à CUT participaram de uma reunião na embaixada de Cuba em Brasília, no início do mês, e receberam instruções do embaixador Carlos Zamora Rodríguez para tentar desqualificar a ativista. O coordenador-geral de Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência da República, Ricardo Poppi Martins, participou do encontro e também recebeu um dossiê contra ela.

Durante a passagem pelo país, Yoani enfrentou protestos de baderneiros em São Paulo, Pernambuco, Brasília e na Bahia. Ao deixar o país, após uma visita de dois dias ao Rio de Janeiro, a blogueira ironizou as manifestações no Twitter: “Por dois dias, não houve manifestantes contra mim. Não se manifestaram no Rio de Janeiro. O que houve? Não pagaram a passagem para eles?”, escreveu.

Por Reinaldo Azevedo

Não é que eles amem tanto o comunismo… Eles amam mesmo é a ditadura – Por Reinaldo Azevedo

Por que Yoani Sánchez, mulher de aparência frágil, fala doce e textos nada inflamados, provoca a fúria de alguns dinossauros da ideologia mundo afora, inclusive no Brasil? A resposta não é simples.  Ainda que as esquerdas contemporâneas tenham mudado a sua pauta, e já não se encontrem mais comunistas de verdade nem em Pequim (restaram alguns apenas nas universidades brasileiras), é certo que elas conservam o gene totalitário e o ódio à democracia e à pluralidade. Herdaram do passado uma concepção de sociedade que as coloca como a vanguarda da história.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Essa vanguarda seria a caudatária legítima de todas as lutas em favor do progresso, da igualdade e da justiça e, por isso, estaria habilitada a conduzir a humanidade para o futuro. Elas se consideram dotadas desse exclusivismo moral — e, em nome dele, tudo lhes seria permitido. Os que não aderem à sua pauta, pouco importa o conteúdo, seriam forças da reação, agentes do atraso, sabotadores do progresso. A história é rica em exemplos. A depender das necessidades, o comunismo internacional ora se alinhou com o nazi-fascismo “contra o imperialismo”, ora com o imperialismo “contra o nazi-fascismo”. Seus comandados defenderam com igual entusiasmo uma coisa e outra e, em ambas, vislumbraram o caminho para a redenção do homem. Afinal, os donos da história sempre sabem o que é melhor para a humanidade.

Esses grandes embates ficaram no passado. Desmoronou também a ambição de se criar um modelo econômico alternativo ao capitalismo. Setenta anos de história bastaram para evidenciar a impossibilidade, restando, a exemplo de Cuba, algumas experiências que vivem de esmagar as liberdades individuais e que se impõem pela violência. O capitalismo fatalmente chegará à ilha hoje tiranizada pelos irmãos Raúll e Fidel Castro não porque a história tenha acabado, e esse modelo de sociedade vencido. O capitalismo chegará justamente porque a história não acabou, e o estado comunista fracassou no seu intento de refundar o homem, a economia, a ciência, a natureza e até a metafísica. Não custa lembrar que as esquerdas é que eram partidárias do “fim da história”, não os liberais.

O comunismo fracassou. Curiosamente, aquele “império” ruiu mais com suspiros do que com estrondo, tais eram as suas fragilidades. Não foi o pouco de abertura econômica  proporcionada pela era Gorbachev que liquidou o modelo, mas o pouco de liberdade que ele resolveu inocular no sistema. O totalitarismo é uma doença anaeróbia do espírito. Não convive com o oxigênio da liberdade e do contraditório. Aquilo tudo foi abaixo. A existência de Cuba e da Coreia do Norte é a prova mais evidente de que o comunismo, como a humanidade o conheceu um dia, acabou. Mas as esquerdas sobreviveram com a sua mesma concepção de história.

A despeito de todos os desastres humanitários que já provocaram, continuam a reivindicar o monopólio do humanismo e da verdade e a vender a fantasia de que são as únicas forças moralmente habilitadas a nos conduzir para o futuro. Essa é a razão pela qual a noção de “crise” — entendida como um momento de transformação — é a que mais estimulou, ao longo do tempo, a imaginação dos historiadores e ensaístas de esquerda, a começar do pai original, Karl Marx. Eles julgam saber para onde conduzir a humanidade, ainda que esta, eventualmente, não queira…

Yoani provoca a fúria do governo cubano e dos esquerdistas que se manifestam sem restrições nas democracias (justamente porque o comunismo perdeu…) não porque defenda a economia de mercado — todo esquerdista sabe, hoje em dia, que não há alternativa; não porque esteja colocando em dúvida supostas “conquistas” da revolução — ela é até bastante cordata a respeito. Os furiosos protestam porque Yoani é a evidência de que o exercício da liberdade individual desconstrói a fantasia totalitária, pouco importa em que modelo econômico ela esteja ancorada. E isso vale também para o Brasil.

Vivemos, a despeito dos totalitários em voga, num regime de plenas liberdades democráticas. É uma conquista da população brasileira, não desta ou daquela forças políticas em particular. Não existe mais em nosso país um embate relevante entre os que defendem e os que atacam a economia de mercado. O mercado venceu porque é a escolha mais eficiente, mais racional e mais adequada às habilidades e às aspirações humanas. Mas permanece, sim, um confronto inconciliável entre os que acreditam nas liberdades individuais e os que entendem que estas devam se subordinar aos anseios daqueles que se apresentam ainda hoje como “a vanguarda”.

Aqueles patetas fantasiados de Che Guevara que hostilizaram Yoani, a absurda participação de um funcionário graduado do governo na conspirata armada pela embaixada cubana, as grosserias que contra ela desferiram parlamentares de esquerda, tudo isso é a evidência não de amor pelo comunismo, mas do ódio à liberdade. Com a sua simplicidade, com a sua verve mais tímida do que encantatória, com algumas formulações muitas vezes óbvias sobre o que é ser livre, Yoani não trouxe à luz apenas as violências do regime político cubano; ela conseguiu denunciar também as tentações totalitárias que ainda estão muito vivas no Brasil. Não é que essa gente que saiu urrando contra ela ainda acredite no comunismo. Mas é certo que essa gente ainda acredita na ditadura. Em Cuba ou aqui.

Por Reinaldo Azevedo

Collor não esqueceu nada e aprendeu com o PT um monte de coisa que não presta – Por Reinaldo Azevedo

O que pode resultar do cruzamento de alguém como Fernando Collor com o PT? Fosse um híbrido de vaca com jumento, o ser teratológico nem daria leite nem puxaria carroça… Fosse uma mistura de aeroplano com barco, em vez de um hidrovião, teríamos uma estrovenga que despencaria do céu e afundaria na água.

Por que isso? Leiam este breve, mas muito significativo, relato de Gabriel Castro, da VEJA.com de Brasília. Volto em seguida.
*

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

O senador Fernando Collor (PTB-AL) não desiste de provocar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Nesta quinta-feira, ele conseguiu que o plenário do Senado aprovasse um requerimento pedindo que o Tribunal de Contas da União investigue a compra de 1.200 iPads, a um custo de 3 milhões de reais, pela PGR.

O vazio no Senado facilitou as coisas. O painel marcava 56 presentes, mas a quantidade real de senadores no plenário era bem menor: quatro parlamentares, além de Collor e do presidente da sessão, Jorge Viana (PT-AC) – que não poderia votar. O requerimento foi aprovado no sistema de votação simbólica – o famoso “aqueles que aprovam permaneçam como se encontram”. Enquanto isso, Eduardo Suplicy (PT-SP) falava ao telefone celular, Ana Amélia (PP-RS) conversava com um assessor e Wellington Dias (PT-PI) lia alguma coisa. Além deles, estava presente Garibaldi Alves (PMDB-RN), que completará 90 anos em abril e praticamente não se manifesta em plenário.

Voltei
É claro que não estou dizendo que Gurgel ou a Procuradoria estão acima de qualquer investigação. Ninguém está. Mas vejam aí como Collor conseguiu o seu intento. Para investigar uma eventual suspeita de irregularidade, ele recorre a uma escancarada fraude política.

Ele não esqueceu nada. E ainda aprendeu com o PT um monte de coisa que não presta.

Por Reinaldo Azevedo

Marina Silva é a personagem política mais reacionária e arrogante do país – Por Reinaldo Azevedo

Marina Silva é a personagem política mais reacionária e arrogante do país; nesse particular, ela venceu Lula!

Perguntaram a Marina Silva se a “Rede da Sustentabilidade”, partido que pretende criar, será oposição ou situação. Ela respondeu: “Nem oposição nem situação, precisamos de posição”.

Perguntaram a Marina Silva se o partido que pretende criar será utópico ou pragmático. Ela respondeu: “Será sonhático”.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Neste sábado, ela reuniu os “marineiros” para dar largada à criação da legenda que não é nem oposição nem situação, mas “posição”; que não é nem pragmático nem utópico, mas “sonhático”… Estava no melhor da sua forma, e isso quer dizer, então, que ninguém entendeu quase nada do que ela disse, mas todos acharam genial. Como diria Gabriel Chalita aos oito anos (segundo seu testemunho), aos devolver a uma mitológica professorinha um livro de Sartre (!?!?!?) que ela lhe emprestara: “Não entendi nada, mas adorei!”. Adorar sem entender parece ser uma vocação destes tempos…

Sim, Marina falou bastante. Um dos trechos mais encantadores da sua fala é este:
“Estamos vivendo uma crise civilizatória e não temos o repertório necessário para enfrentá-la. A crise política e de valores faz com que a gente separe a crise política da crise econômica”…

Vamos pensar.

Estamos vivendo uma crise civilizatória??? Eu sei que pode parecer estranho afirmar isso, leitores, mas, como comunidade humana, nunca fomos tão felizes — ainda que possa haver muita infelicidade no mundo, é certo. Vamos ver.
1: nunca antes na história deste mundo tantos homens viveram sob regime democrático;
2: nunca antes na história deste mundo os seres humanos tiveram vida tão longa;
3: nunca antes na história deste mundo houve tanta comida e tão barata;
4: nunca antes na história deste mundo tivemos tantos remédios para nossos males;
5: nunca antes na história deste mundo houve tantas crianças com acesso à educação;
6: nunca antes na história deste mundo houve tantos humanos com saneamento básico;
7: nunca antes na história deste mundo houve tão poucas guerras;
8: nunca antes na história deste mundo, as guerras mataram tão pouco como nos últimos 50 anos…

Ao contrário do que diz Marina, nunca antes na história deste mundo tivemos, como espécie, um repertório tão grande para responder aos desafios que nos impõem a natureza e a civilização. Marina andou abusando de algum creme “anti-idade”, como se diz hoje em dia? Do que ela está falando?

Uma fala tonta como essa soa verdadeira para a geração maluco-natureza, que gosta mais de matinho e de bichinho do que de gente. Não! Eu não quero acabar com o matinho nem matar o bichinho, mas a minha medida para avaliar a “civilização” — já que esta senhora pretende ser, assim, grandiosa — ainda é o ser humano. Não existe a civilização dos sapos. Não existe a civilização dos bagres. Não existe a civilização dos jacarés. Mas existe a civilização dos homens.

Arrogância
Essa história de que a humanidade não tem o “repertório necessário” para enfrentar a suposta “crise civilizatória” é uma das bobagens mais arrogantes que ela já disse. Até porque esse “nós”, em falas com esse grau de generalização, costuma excluir quem fala. Traz o sotaque inconfundível dos profetas. Marina acha, de fato, que os outros — o resto do mundo — não têm o repertório, mas ela… Ah, ela tem, sim! Ela viu “a” coisa! Tomou o lugar de Moisés e recebeu as novas Tábuas da Lei no Sinai.

O que me espanta — e isto, sim, é sintoma de uma formidável crise de ignorância que toma conta da imprensa e dos meios acadêmicos — é que não se constate o caráter obviamente reacionário dessa fala. Quando alguém diz que “vivemos uma crise e não temos repertório”, afirma, de modo oblíquo, que, nas crises passadas, o tal repertório existia. O que parece “progressista” no discurso de Marina é, no fim das contas, regressista. Ela tem saudade de um passado que nunca houve.

Existe uma crise civilizatória, e Marina pretende enfrentá-la não sendo nem situação nem oposição, mas posição; não sendo nem utópica nem pragmática, mas sonhática.

Entendi.

Como disse neste sábado a minha mulher, “deem uma crise civilizatória para Marina que ela sabe como responder ao desafio: criando um novo trocadilho”.

Por Reinaldo Azevedo

Chapeuzinho sem ‘miolo’, mas de puro Louis Vitton

A loira com chapeuzinho Louis Vitton quase me empurrou para cima da prateleira da farmácia, forçando a passagem na força bruta. Não ouvi da passante nenhuma das palavrinhas mágicas com licença, por favor, desculpe, obrigado. Do lado de fora da cabeça dela, uma grife famosa. Do lado de dentro, uma caverna de neanderthal.
O episódio me confirmou o quanto os pais estão deixando de dar bons modos aos filhos – talvez porque nem os pais os tenham. São criados como gado, que só sabe o básico, o que está no instinto: o lugar que tem sombra ou água, o coxo com sal, a hora e lugar da ordenha. Os seres sociais, gregários, inteligentes e racionais que vieram de 300 mil a 35 mil anos atrás, e foram se aperfeiçoando, se organizando, criando formas de respeitar uns aos outros, agora parecem estar fazendo o caminho de volta à caverna.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

O escritor Ken Follet em “Inverno do Mundo”, conta que uma americana de Buffalo que foi para Londres tentar um encontro com o rei Eduardo VIII, estava sendo aceita pela sociedade inglesa, “embora segurasse o garfo com a mão direita”. Fico me perguntando, nos restaurantes que frequento, porque tantas pessoas não percebem que o garçom põe a faca do lado direito do prato e o garfo do lado esquerdo. Além disso, seguram os talheres como se estivessem empunhando uma pá ou um martelo. Com os cotovelos sobre a mesa e um palito enfiado nos dentes. Sem falar do ridículo chapeuzinho cobrindo a cabeça. Um despreparo completo para comer em outro lugar sem que seja uma manjedoura. Neanderthais na caverna.

A conversa foi abolida. Fala-se, agora, aos gritos, como se os interlocutores estivessem a dezenas de metros de distância. Argumenta-se aumentando o volume da voz ou emitindo grunhidos para expressar estados de espírito. Talvez seja a surdez provocada pelo excesso de barulho dos alto-falantes que ficam ligados em qualquer lugar onde as pessoas se aglomeram para conversar, dançar ou comer e beber. O barulho impede a fala e a audição. Por algum motivo sadomasoquista, comerciantes põem no altofalante do estabelecimento ruídos de serra elétrica, martelo pneumático e britadeira, como se fosse uma grande reforma – que tem por resultado espantar clientes.

Com os dois pés na caverna, os pedestres das cidades de hoje não aprenderam a se movimentar. Andam na contramão nas calçadas, formam filas obstruindo a passagem, invadem as ruas fora das faixas de pedestre, atravessam com sinal fechado, param para conversar só em lugares conde obstruem a passagem dos outros e, sempre que olho para um desses espécimes, eles cospem no chão, como faria um lhama malcomportado. Suponho que faltou mãe em pai em casa, para ensinar essas coisas básicas para se viver em ambiente civilizado, onde se respeita e se é respeitado e todos vivem bem, sem precisar se proteger, numa farmácia, de loiras desgovernadas, com bonezinho Louis Vitton no topo da cabeça vazia.

Brasil na lista dos 10 países em que a liberdade de imprensa mais regrediu em 2012 – Por Reinaldo Azevedo

Brasil na lista dos 10 países em que a liberdade de imprensa mais regrediu em 2012. Ou: Dinheiro público para financiar imprensa a favor é forma velada e sutil de censura.

O Brasil está numa lista de 10 países em que a liberdade de imprensa mais sofreu retrocessos em 2012. A avaliação é do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês). Além de Banânia, integram o grupo o Equador, a Síria, a Somália, o Irã, o Vietnã,  a Etiópia, a Turquia, o Paquistão e a Rússia. Atenção! A lista tem um registro específico, reitere-se: são países em que mais houve retrocessos no ano passado; não quer dizer que sejam os piores lugares do mundo para o exercício da profissão.

Para elaborar a lista, a CPJ levou em conta seis critérios:
– mortes;
– prisões;
– legislação restritiva;
– censura estatal;
– impunidade em ataques contra a imprensa;
– jornalistas levados ao exílio
.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Eles explicam por que o Brasil está entre os dez, mas não a Argentina, por exemplo, apesar da cruzada movida por Cristina Kirchner contra a liberdade de imprensa. Quatro jornalistas foram assassinados em nosso país no ano passado, e os crimes continuam impunes — nenhuma das mortes se deu em um grande centro. Também ganhamos destaque quando o assunto é “legislação restritiva”. Por aqui, é fato, pululam determinações judiciais para que conteúdos sejam retirados da Internet, por exemplo — 191 só no ano passado.

A íntegra do texto da entidade, em português, que explica os critérios e fornece alguns detalhes sobre as ameaças à liberdade de imprensa está aqui. Publico um trecho relativamente longo — vale a pena ler — e volto em seguida.

Por Karen Phillips:
As leis equatorianas proíbem que a família presidencial se beneficie com contratos estatais. Mas, após o livro “El gran Hermano”, escrito por Christian Zurita e Juan Carlos Calderón, revelar que o irmão do presidente Rafael Correa obteve U$600 milhões em contratos governamentais, os autores foram os únicos que tiveram problemas com a lei. Zurita e Calderón foram declarados culpados de difamar o presidente, e cada um foi condenado a pagar US$ 1 milhão em indenização. Ambos posteriormente receberam indulto presidencial, depois que Correa atingiu o objetivo de intimidar a imprensa do país. “Ficou claro que nenhum meio de comunicação de pequeno ou médio porte se engajaria em grandes reportagens críticas contra o governo”, declarou Zurita ao CPJ.

O uso feito por Correa de disposições penais de difamação para silenciar dissidentes é uma das várias táticas repressivas do governo que levaram o CPJ a incluir o Equador na lista de Países em Risco, que identifica os 10 Estados do mundo onde a liberdade de imprensa mais sofreu em 2012. O CPJ, que está publicando sua lista de Países em Risco pela primeira vez, também identificou a Síria e a Somália, países assolados por conflitos, junto com o Irã, o Vietnã e a Etiópia, nações governadas por domínios autoritários. Mas a metade das nações que estão nesta lista — Brasil, Turquia, Paquistão e Rússia, assim como Equador — pratica alguma forma de democracia e exerce influência significativa em escala regional ou internacional.

Para elaborar a relação, a equipe do CPJ examinou seis indicadores de liberdade de imprensa: mortes, prisões, legislação restritiva, censura estatal, impunidade em ataques contra a imprensa e jornalistas levados ao exílio. Os países designados não são, necessariamente, os piores lugares do mundo para a imprensa; tal cenário incluiria nações como Coreia do Norte e Eritreia, onde a liberdade de expressão é sufocada há muito tempo. Em vez disso, a lista global identifica os 10 países onde o CPJ documentou as mais significativas tendências de retrocesso em matéria de liberdade de imprensa durante 2012, que incluíam:

As ameaças à liberdade de imprensa não se restringiram às fronteiras dessas nações. Quatro Estados da lista de Países em Risco procuraram minar iniciativas internacionais ou regionais de liberdade de imprensa durante o ano. A Rússia pressionou pelo controle centralizado da Internet antes da Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais. O Equador liderou um esforço, apoiado pelo Brasil, para enfraquecer a capacidade da Comissão Interamericana de Direitos Humanos de intervir em casos de abusos sistêmicos ou graves da liberdade de imprensa. O Brasil e o Paquistão participaram de um pequeno grupo de países que tentou frustrar um plano da ONU para melhorar a segurança de jornalistas e combater a impunidade em todo o mundo.

Retrocessos no Brasil são particularmente alarmantes, dado seu status de liderança regional e sede de um conjunto diversificado de meios de comunicação. O CPJ constatou que o aumento de assassinatos de jornalistas, a falha no combate à impunidade e um padrão de censura judicial colocaram a liberdade de imprensa em risco no Brasil. A Turquia também tem projetado uma imagem de modelo regional de liberdade e democracia. Porém, enquanto o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdo?an tem expressado um compromisso com a liberdade de imprensa, seu governo tem utilizado uma lei antiterror como ferramenta para prender e intimidar jornalistas.

Menos surpreendente, mas não menos preocupante, são os retrocessos no Vietnã, Etiópia e Irã. Ainda que a Etiópia e o Vietnã tenham sido aplaudidos por seus avanços econômicos, ambos os países apresentaram atrasos no que se refere à abertura e liberdade da imprensa. As condições pioraram em 2012, quando autoridades etíopes e vietnamitas aumentaram consideravelmente os esforços para reprimir a dissidência por meio da prisão de jornalistas com base em acusações de agir contra o Estado. O Irã, ignorando as críticas internacionais ao seu histórico em matéria de  liberdade de imprensa, intensificou seu ataque às vozes críticas iniciado depois da disputada eleição presidencial de 2009.

Na Síria e na Somália, onde os jornalistas enfrentaram riscos vindos de diversas direções, o número de mortes aumentou. A pesquisa do CPJ mostrou que o fogo cruzado foi a principal causa de morte para jornalistas na Síria, ainda que pelo menos três profissionais tenham sido assassinados. Tanto os rebeldes quanto as forças leais ao presidente Bashar al-Assad foram implicados em atos de violência contra a imprensa. Todos os 11 jornalistas mortos na Somália em 2012, o ano mais sangrento para a imprensa no país, foram alvo de represália direta por seu trabalho. Insurgentes e funcionários do governo são suspeitos de envolvimento. Nos dois países, as fileiras de jovens jornalistas, muitos com pouco treinamento e experiência, foram particularmente atingidas.

BRASIL
Quatro jornalistas foram assassinados no Brasil em 2012, superando a cifra registrada no ano anterior e convertendo o país no quarto mais letal do mundo para a imprensa durante o período, revelou a pesquisa do CPJ. Seis dos sete jornalistas mortos nos últimos dois anos haviam noticiado a respeito de corrupção oficial ou crime e todos, com exceção de um, trabalhavam em áreas interioranas. O sistema judiciário brasileiro não conseguiu acompanhar o ritmo.

“A falta de investigações sérias desses crimes deu aos agressores a noção de que não serão identificados e punidos”, disse Mauri König, veterano repórter investigativo veterano homenageado pelo CPJ em 2012 com o Prêmio Internacional de Liberdade de Imprensa. O Brasil ficou em 11º lugar no Índice de Impunidade 2012 do CPJ, que calcula os assassinatos não resolvidos de jornalistas como uma porcentagem da população de cada país.

A censura judicial permaneceu um problema no Brasil, onde empresários, políticos e funcionários públicos entraram com centenas de ações judiciais alegando que jornalistas críticos ofenderam sua honra ou invadiram sua privacidade, mostrou a pesquisa do CPJ. Os querelantes tipicamente procuram ordens judiciais para impedir que jornalistas publiquem qualquer outra informação sobre eles e para retirar do ar materiais disponíveis online. No primeiro semestre de 2012, de acordo com o Google, os tribunais brasileiros e outras autoridades enviaram à empresa 191 ordens judiciais para a remoção de conteúdo.

“Tais ações judiciais minam a democracia e a imprensa do país, e criam um clima de insegurança legal que, de certa forma, se reflete na qualidade da cobertura de questões de interesse público”, declarou König ao CPJ.

O Brasil também não apoiou a liberdade de imprensa no cenário global. Em março, as objeções levantadas pelo país e um pequeno número de outras nações quase frustraram um plano da ONU para melhorar a segurança de jornalistas e combater a impunidade em todo o mundo. Três meses depois, o Brasil apoiou uma ofensiva liderada pelo Equador para enfraquecer a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e sua relatoria especial sobre liberdade de expressão.
(…)
TURQUIA
Com 49 jornalistas presos por seu trabalho em 1º de dezembro, a Turquia emergiu como o país com o maior número de jornalistas encarcerados em todo o mundo, de acordo com a pesquisa do CPJ. Um relatório especial do CPJ, de outubro de 2012, constatou a existência de leis extremamente repressivas, particularmente no Código Penal e na lei antiterror; um código processual penal que em larga medida favorece o Estado; e um ríspido tom contra a imprensa nos mais altos níveis do governo.

Jornalistas curdos, acusados de apoio ao terrorismo por cobrir as opiniões e atividades do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão, representam a maioria dos jornalistas presos. Eles foram acusados sob uma lei antiterror redigida em termos amplos que permite às autoridades relacionar atividades de reportagem com o engajamento em organizações terroristas. Mais de três quartos dos jornalistas presos não foram condenados por um crime, mas estavam detidos enquanto aguardavam a resolução de seus casos.

Erdogan tornou um hábito impetrar ações judiciais por difamação e fazer ataques públicos aos que são críticos na imprensa, instando os donos dos meios de comunicação e editores a controlá-los. “Estamos à mercê do governo”, disse um jornalista, que falou em condição de anonimato. “Se escrevo algo que enfurece [Erdo?an], ele pode pedir minha demissão no dia seguinte.” Neste contexto, a autocensura é a chave para permanecer empregado e fora da prisão.
(…)

Voltei
Fico, vamos dizer assim, intelectualmente satisfeito ao ver a Turquia nesse grupo. Escrevi aqui há alguns dias que considerava absurda essa história de considerar aquele país um exemplo de “democracia islâmica”. De “sociedade islâmica onde há eleições”, isso até pode ser. Exemplo de democracia? Nunca!

Convite à CPJ
No que diz respeito ao Brasil, a CPJ pode afinar ainda mais os seus critérios. As entidades empenhadas na defesa da liberdade de expressão têm de começar a se preocupar cada vez mais com o assédio estatal à imprensa. Há de ser considerado um índice também negativo o uso de dinheiro público para intimidar líderes da oposição e o jornalismo independente, como se tornou corriqueiro por aqui.

Hoje, como é de conhecimento público, recursos de empresas estatais e da administração direta são fartamente empregados para financiar veículos de comunicação e jornalistas cuja tarefa é defender a versão do partido que lidera a coalizão que está no poder e tentar desmoralizar seus críticos ou adversários. Trata-se de mais um retrocesso, uma vez que o dinheiro público, que a todos pertence, é empregado em defesa de uma facção. Convido a CPJ a considerar que essa é das mais capciosas e sutis formas de intimidar o jornalismo livre.

Por Reinaldo Azevedo

Eu sou a melhor proteção da cabeça de quem quer me mandar para a guilhotina. Ou: Os novos bárbaros – Por Reinaldo Azevedo

Escrevi ontem alguns posts (às 16h1018h5820h20h55 e 21h55) sobre um texto escrito por um tal Flávio Moura, editor da Companhia das Letras, no jornal Valor Econômico. Ele decidiu decretar a morte de um grupo de jornalistas e articulistas que teriam sido, ele afirma com visível satisfação, vencidos pelas supostas conquistas sociais do petismo. Sugere que formávamos uma espécie de frente antipatriótica para resistir ao PT, mas que a qualidade do governo dos companheiros nos nocauteou. Ao se referir ao destino de cada um dos que ele decidiu fuzilar (além de mim, Diogo Mainardi, Mario Sabino, João Pereira Coutinho e Luiz Felipe Pondé), mistura opinião banal com informação errada, vai metendo os pés pelas mãos, sugerindo, contra os fatos, que essa turma quebrou a cara. Sei menos de Pondé e Coutinho, que me parecem muito bem. Meu blog e meus livros nunca tiveram tantos leitores; Diogo escreveu um livro sem rivais em muitas décadas e em vários idiomas, e Mario está sendo martirizado em Paris… “Mas o grupo se dissolveu”, esganiça Flavinho. Que grupo? Nunca houve um grupo! Não emulamos as comunidades petralhas. Neste texto, quero abordar um outro aspecto desse tema. Como é que se chega a esse ponto? Como é que um “editor de livros” e “doutor em sociologia”, segundo seu pé biográfico, chega a se sentir à vontade para decretar a morte das pessoas de quem discorda? Já demonstrei no post das 18h58 como esse espírito persecutório se casa com a era da “infraestrutura & negócios”. Mas também isso é consequência de algo maior, de natureza institucional.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Cumpre apelar aqui um pouco à memória. Tenho sido, ao longo do tempo, menos esperto do que alguns contemporâneos. Fui um crítico bastante severo do governo FHC, embora seu principal adversário, o PT, não me agradasse. Mas, como editor de site e revista, preferia, mesmo quando atuei no extinto jornalismo cultural, voltar a minha pontaria contra o governo. Gosto da ideia — na verdade, este talvez seja um dos pilares do meu pensamento — de que governos são necessários, mas que nossa tarefa é vigiá-los, criticá-los. Quando o PT chegou ao poder, continuei na oposição. Os mais espertos do que eu ganhavam dinheiro sendo governistas no tucanato e continuaram a ganhar dinheiro sendo governistas no petismo. Mesmo na era da Internet, que facilita a pesquisa, a coerência não tem sido a característica mais visível da profissão. É evidente que as pessoas podem mudar de ideia ao longo dos anos se chegam à conclusão de que estavam erradas. Mas desconfio de quem conclui que estive errado sempre em consonância com o governo de turno. Será que um dia vou concluir que o PT era bom? Quem sabe quando — e se — o partido voltar a ser oposição…

Na verdade, antes como agora, não me pergunto se o que penso é contra o governo ou a favor dele. Penso o que penso. Às vezes, coincide com a política oficial; frequentemente, não. De toda sorte, textos como o de Flávio Moura seriam impensáveis na imprensa brasileira de há 10, 15, 20 ou mesmo 30 anos. O começo da década de 1980, diga-se, estava fortemente pautado pela chamada abertura, a ditadura estava moribunda, e muitos militantes estudantis tinham ido parar nas redações de jornal. Vivia-se até uma certa algazarra libertária. Isso acabou.

O que antes era alternativa agora é poder. O que antes se calava pela força bruta agora se busca silenciar por intermédio do falso consenso. Enquanto estiveram na oposição — até dezembro de 2002 —, as esquerdas seguiram o que é, de fato, seu padrão histórico: usaram a causa da liberdade de imprensa e de crítica a seu favor. Ocorre, e isto também é de sua natureza (e foi uma das causas de eu ter passado a repudiá-las), que não se veem como um pensamento possível entre outros. Ao contrário: os “companheiros” de hoje não abandonaram a tara dos “camaradas” de ontem e se entendem como uma etapa posterior e superior da civilização. Não é por acaso que Flávio Moura define o pensamento de Luiz Felipe Pondé como “teologia à moda antiga”. Devemos concluir que há uma “teologia à moda moderna”. As esquerdas, mesmo na sua expressão mais grotesca, caricatural e primitiva, como é o tal Moura, continuam partidárias do fim da história — que é uma tese hegeliana, não do Fukuyama, como sugeriu outro dia no Jornal da Globo o Arnaldo Jabor. Vencidos, então, os adversários, aí se trataria de cuidar das pendengas lá deles, das contradições existentes num lado só. Não passa pela cabeça dessa gente, acreditem, perder eleições porque isso significaria um retrocesso, uma volta ao período em que ainda havia história…

Textos como o de Moura não seriam publicados há 10, 20 ou mesmo 30 anos porque as forças capazes de fazer esse juízo ainda não estavam no poder e não eram donas do novo consenso. Ao contrário. Era necessário fingir-se de plural para chegar ao que diziam ser o “horizonte socialista”. Os que defendíamos a diversidade de pensamento éramos obviamente úteis àqueles que tinham nessa diversidade apenas uma etapa da conquista do estado. Em outros tempos, as revoluções devoravam seus filhos de maneira cruenta, como o Saturno no quadro de Goya. Nos novos tempos, busca-se desqualificar a divergência e provar a sua obsolescência. Em qualquer dos casos, antes e agora, os altos interesses do povo e as conquistas sociais servem de maquiagem para a eliminação do adversário. Um texto como o de Moura sai num jornal como o Valor porque também o Valor está interessado, como Deng Xiaoping, em gatos que cacem ratos, pouco importando a sua cor.

Se, nessas décadas passadas, alguém se atrevesse a pedir o banimento de um pensamento considerado divergente, haveria, por certo, protestos. O texto nem seria publicado. A direita liberal jamais o faria porque, de fato, não é de sua natureza — muito pelo contrário; e as esquerdas, mesmo as autoritárias, não eram tolas de entregar o serviço. Já demonstrei aqui que a “anistia ampla, geral e irrestrita”, por exemplo, era uma reivindicação delas (à época, posso dizer “nossa”). É também delas a reivindicação de hoje para rever a Lei da Anistia. Antes, a causa servia à proteção de seus assassinos. Agora que estão a salvo, querem dar um jeito de pegar os assassinos “do outro lado”. Por quê? Porque um esquerdista sempre acha que mata por bons propósitos. Leiam, continua atualíssimo, recomendo de novo, “O Zero e o Infinito”, de Arthur Koestler, que foi, vamos dizer assim, bem mais esquerdista do que eu na juventude.

A questão política
E há, claro, a questão política propriamente. Mesmo quando minoritárias no Parlamento, as esquerdas sempre foram, do processo de redemocratização a esta data, muito mobilizadas, contando, antes como agora, com forte apoio da imprensa. Em muitos aspectos, já tratei do assunto aqui, foi o jornalismo que inventou Lula — antes até que ele inventasse a si mesmo. Ao menor sinal de “retrocesso”, lá estavam os valentes a botar a boca no trombone.

Nestes tempos, esses jornalistas que Flávio Moura decidiu fuzilar — e há outros tantos que ele não citou, talvez por ignorância — acabaram sobressaindo, o que é um absurdo, como “a oposição” do Brasil pela simples, óbvia e até macabra razão de que não há oposição no Brasil — não como voz institucional e alternativa viável de poder federal. É claro que há valorosos parlamentares que se opõem ao governo. Reitero: refiro-me a uma força organizada e viável como alternativa de poder.

Moura segue a trilha aberta pelos blogs sujos e decide demonizar pessoas, mas o que está em pauta, de fato, é a imprensa independente, aquela que faz o seu trabalho e chama desmando de “desmando”, roubalheira de “roubalheira”. Como inexiste, então, a força organizada para obrigar o governo a se explicar, o que é próprio das democracias, o jornalismo que cumpre a tarefa de informar e o colunismo que não está alinhado com o poder acabam sendo tomados, lembrando o presidente do PT, Rui Falcão, como a “verdadeira oposição”, que não se manifesta como partido. Eu duvido que o tal Moura seja um interlocutor de Falcão. Eu duvido que o rapaz obedeça diretamente às ordens desse ou daquele. Os dois falam a mesma coisa porque o que os une não é uma relação de hierarquia, mas o espírito de um tempo. O que Moura tentou fazer é demonstrar que estamos sozinhos na crítica, que aquela abordagem, com aqueles valores, perdeu sentido porque vencida pela história. Como, com efeito, expressamos pontos de vista que não se ouvem nem no governismo nem na oposição, então fica fácil apontar o dedo e gritar, como a Rainha de Copas: “Cortem-lhes a cabeça!”.

Não estou pedindo nem apoio nem penico para as oposições. Em primeiro lugar, porque, de fato, isso não é necessário. Em segundo lugar, porque seria inútil. A imprensa independente e os cabras marcados por Moura para morrer jamais poderão fazer pelas oposições o que os blogs sujos fazem pelo petismo. Nesse caso, uns entendem de comprar, e o outros entendem de vender. Deste outro lado, não sei se haveria gente disposta a comprar; o que sei é que NÃO há gente disposta a vender. Até por uma questão de lógica elementar. Se for para “entregar a mercadoria” no balcão do “jornalismo & negócios”, mister é fazer a transação com o poder, que certamente pode pagar mais, não é mesmo? Entre ser mercenário em favor do vitorioso e sê-lo em favor dos derrotados, as duas opções são igualmente imorais, mas uma é mais estúpida do que a outra. Convenham: ninguém é crítico de governos por pragmatismo.

Finalmente
Eu não tenho a ambição de que Moura me leia. As considerações ligeiras e idiotas que faz a meu respeito, diga-se, provam que não me lê. Segundo escreve,“Azevedo assumiu a linha de frente da indignação moral com a corrupção”. Não que a corrupção, com efeito, não me indigne — sim, e muito! —, mas os milhares de leitores desta página sabem que esse nem é o tema mais frequente dos meus textos. Os posts que tratam de ilegalidades cometidas por políticos, no mais das vezes, fazem parte do clipping do noticiário.

As 800 e poucas páginas de “O País dos Petralhas I e II” debatem outros temas. Se Moura tivesse dito que assumi a linha de frente do debate — ou do embate — ideológico, aí estaria falando a verdade. O segundo volume do livro, por exemplo, passa longe da roubalheira, petista ou não. Ele tem todo o direito de não ler o  meu blog e os meus livros, mas tem o compromisso de falar a verdade para aqueles que eventualmente o leem. Ocorre que esse espírito persecutório parece ser também preguiçoso. Ouviu dizer isso a meu respeito por aí e repete sem ao menos verificar se essa opinião coincide com os fatos. Eu não me importaria nem um pouco em ser uma espécie de archote da “indignação moral com a corrupção”, só que o meu trabalho e o meu texto têm outro objeto.

Eu não acho que um dia o Brasil ficará livre dos Mouras como ele crê que possa ficar livre dos Reinaldos. Aliás, espero que não ocorra nem uma coisa nem outra. O paraíso dos iguais pelo qual ele parece ansiar seria, pra mim, a experiência viva do inferno. A única razão de ser de um embate intelectual é a existência do adversário. A minha ética, se posso chamar assim, é a de uma guerra sem vencidos. “Ah, mas, então, o mundo não sai do lugar.” Sai, sim. É que o jogo não tem fim. Eles é que querem sair babando a sua vitória, saqueando e incendiando casas, violando as virgens, sacrificando as crianças. Para quê? Para que possam gritar: “Venceeemos!”. E depois? Tudo saindo conforme o esperado — não sairá —, começariam a se matar em seguida. Os Mouras seriam os primeiros da fila. No mundo pelo qual ele luta, não há lugar para editores de livros. Enquanto existirem os Reinaldos, os Diogos, os Sabinos, os Pondés e os Coutinhos, gente como Moura pode nos odiar, que estaremos a proteger o seu nobre pescocinho.

É isto: a “direita liberal”, no fim das contas, protege esses babacas de suas próprias utopias. Ou terminariam todos com uma picareta enfiada no crânio ou no paredão, para onde seriam enviados pelos próprios ex-companheiros. Enquanto eu existir, Flavinho VE, a minha cabeça sempre estará à frente da sua na lista de prioridades do regime. Entendeu ou agora quer que o Tio Rei desenhe?

Por Reinaldo Azevedo

Renan é o vitorioso do país do Carnaval

Apenas 18 dos 81 senadores ousaram desafiar o candidato Renan Calheiros, votando em Pedro Taques, um senador ficha-limpa, acima de qualquer suspeita. Renan, o Destruidor, acabou com todos que se opunham à volta dele à presidência do Senado. Derrotou a campanha pela internet; afinal, é inútil um abaixo-assinado com 300 mil assinaturas contra quem recebeu 840 mil votos dos eleitores de Alagoas – quase metade do eleitorado – para voltar ao Senado, em 2010. Em 2007, ele havia renunciado à presidência, no bojo do escândalo da pensão para a filha fora do casamento, supostamente paga por uma empreiteira.
Os apoiadores de Renan denunciavam uma sórdida campanha dos meios de informação, dos chamados formadores de opinião. Mas foi vão o esforço de denunciar favores com recursos do Minha Casa Minha Vida para empreiteira ligada a Renan, ou concessão de rádio para o filho, ou denúncia do procurador-geral a respeito de notas frias de venda de gado. Isso é ninharia para quem controla 80% das prefeituras de Alagoas. Ministro da Justiça de Fernando Henrique, teve votos dos tucanos, que estavam de olho na primeira secretaria do Senado. Com o apoio de nomes de peso, como Paulo Maluf, José Dirceu, José Sarney e Fernando Collor, Renan foi imbatível. O ficha-limpa Taques não teve a menor chance.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

A presidente não quis se meter na escolha, e logo curvou-se ao resultado. Ligou imediatamente para cumprimentar o poderoso Renan, de Castanhal, no Pará, onde entregava residências do já citado Minha Casa Minha Vida. Também por ironia, os poucos que votaram contra Renan, lembraram que o Senado aprovou a Lei da Ficha Limpa. Mas isso não é exclusivo do Senado. Afinal, a Câmara também aprovou a Lei da Ficha Limpa e elegeu depois Henrique Eduardo Alves presidente da Casa, com uma longa lista de denúncias no seu passado e presente.

É o direito de espernear – jus sperneandi, como se comenta no latim inventado – que resta à minoria, submetida à vontade da maioria. Porque a maioria quer isso mesmo, como demonstram as eleições da nossa “democracia”. Representantes dos Estados da Federação, 56 senadores quiseram Renan de volta, para substituir José Sarney. Eleitores e seus eleitos são farinha do mesmo saco, para usar a expressão muito usada por Leonel Brizola. É irrelevante, neste país, pensar sobre que tipo de pão resulta dessa matéria-prima. Porque, afinal, o Carnaval bate às portas. Eia, pois, saudemos: Hei! Hei! Hei! O Rei Momo é o nosso rei!

Crime e Política: Senado pode jogar Lei da Ficha limpa no lixo

Daqui a pouco mais de dez horas, o Senado deve eleger o senador Renan Calheiros para a presidência da casa porque é vontade do governo federal para garantir sua “governabilidade”. O governo do Brasil, formado por progressistas e interessados também no bem estar dos mais pobres, está usando os mesmos métodos heterodoxos, de governos anteriores, que compreendem, por exemplo, negociar a dignidade na bacia das almas.

Apesar de não votar mais neste governo, eu creio em suas boas intenções com os mais necessitados. Mas essa meta política não pode subjugar toda a nação, transformando o povo em refém de quadrilhas e máfias de toda a espécie.

Apesar de o povo brasileiro não ser politizado e nem tão mobilizado pela coisa pública, nós, que ainda temos alguma consciência, podemos nos mexer e tentar impedir a eleição de Renan, um senador com a ficha suja.  Tanto assim que semana passada foi denunciado pela Procuradoria Geral da República. Não podemos nos tornar cúmplice de um acusado de crimes na presidência de uma casa legislativa. Não podemos jogar no lixo uma lei conquistada como o suor do povo — a Lei da Ficha Limpa. Se Renan Calheiros for eleito presidente do Senado nesta sexta-feira é isso que estarão fazendo os senadores da República Federativa do Brasil.

Mesmo que a gente não consiga evitar mais essa tragédia política, vamos assinar a petição on-line que pede a eleição de um ficha limpa na presidência do Senado, contra a recondução do excelentíssimo senador da República, Renan Calheiros. Ninguém vai poder dizer que você foi cúmplice.

Por Jorge Antonio Barros

Dilma vai, pouco a pouco, aderindo à contabilidade criativa que faz a fama de sua colega argentina, Cristina Kirchner – Por Reinaldo Azevedo

Ninguém mais conhece direito os números das contas públicas no Brasil. A nossa sorte é que a institucionalidade avançou o bastante no país. O governo pode manipular os dados, mas a gente fica sabendo. Fosse na Argentina, a nossa governanta, pelo visto, faria o que faz a deles: maquiaria até os números de inflação.

A gestão de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda é, cada vez, mais uma realidade de papel. A cada novo procedimento, a realidade diz uma coisa, e o papelório de Guido, outra. Leiam o que informa Lu Aiko Otta, no Estadão. É mesmo uma sorte a Soberana não governar os EUA, não é?, e Guido não ser o chefão da economia naquele país atrasado, coalhado de republicanos. Por aqui, como lembram o vice-presidente da República, Michel Temer,  e Renan Calheiros (AL), provável novo presidente do Senado, o PMDB “garante a estabilidade”… Maquiagem de contas naquele país atrasado daria demissão; no Brasil, rende fama de esperteza e habilidade. Leiam:
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Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

O governo adicionou mais um item ao seu kit de maquiagem do resultado das contas públicas de 2012. Além de sacar recursos do Fundo Soberano, receber antecipadamente dividendos das estatais e inflar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Tesouro Nacional empurrou cerca de R$ 5 bilhões em despesas de dezembro para janeiro. Dessa forma, reduziu os gastos e engordou o saldo do ano.

Técnicos da Fazenda admitem que houve um “remanejamento” de despesas, mas não informaram o valor. O cálculo de R$ 5 bilhões foi feito pelo economista-chefe da corretora Convenção Tullet Prebon, Fernando Montero. O economista chegou a essa conclusão analisando o comportamento dos gastos ao longo de 2012. Ele verificou que, em comparação ao ano anterior, as despesas vinham crescendo a um ritmo de 6,9% até novembro, mas deram uma freada em dezembro, fechando o ano com uma alta de 5,4%. Isso é justo o contrário do que ocorre tradicionalmente. Normalmente os gastos, principalmente os de investimento, dão um pulo em dezembro.

Outras despesas
Analisando mais a fundo os principais componentes do gasto, ele verificou que as despesas com pessoal subiram 3,8%, os gastos com a previdência subiram 12,5%, puxados pelo aumento do salário mínimo. A contração das despesas ocorreu em dezembro e ficou concentrada nas chamadas “outras despesas de custeio e capital”.

Elas incluem investimentos e compra de material de escritório, por exemplo, que não seguem um calendário rígido como o dos salários e aposentadorias. Por isso, são os alvos preferenciais dos economistas do governo quando é necessário fazer cortes e outros ajustes nas contas públicas.
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Por Reinaldo Azevedo

Nós e as boates que não oferecem segurança

Pessoas indignadas têm-me abordado na rua, exigindo que eu lidere, na TV, uma campanha por leis rígidas, que impeçam tragédias como a de Santa Maria.
É cultura dos eleitores e dos que elegemos imaginar que leis são capazes de mudar realidades. Tem sido assim neste país. Vejam a Lei da Ficha Limpa. Ela teria vindo para eliminar os corruptos da política. O Senado, que participou da aprovação da lei, vai eleger de novo Renan Calheiros para a presidência da casa.

Nós somos responsáveis por isso. Não apenas por elegermos quem não poderia ter mandato, mas também porque somos cúmplices, não apenas no voto, mas também no descumprimento das leis; no enfraquecimento delas.

A cada vez que desrespeitamos o pedestre na faixa, ou que passamos sinal vermelho, ou estacionamos em lugar proibido, estamos enfraquecendo a lei e a ordem. A mesma lei que teria que nos proteger estará fraca quando dela precisarmos.

Leis existem até demais, no país que pensa que fazer lei dispensa o agir. Fazemos leis e descansamos sobre elas. Por acaso precisa de lei ou de fiscalização para que um dono de boate dê segurança àqueles que sustentam o seu negócio?
Acaso precisa de lei para que o dono de uma boate abra saídas de emergência, não instale decoração inflamável, não admita superlotação e tome as cautelas devidas se algum show envolver fogo? O respeito aos clientes é uma questão moral básica, que vem bem antes e acima de qualquer lei.

Mas aqui, neste país que não se escandaliza com 150 homicídios por dia, isso pouco importa. Imagino que hoje, donos de boates já esperam uma fiscalização mais rigorosa por uns meses; mas sabem que depois tudo volta à mesma bagunça insegura.
Roubaram 70, 80 anos de vida de jovens, mas para que a matança tenha pelo menos alguma lição, vale perguntar sobre segurança básica. Quando meus filhos estavam na escola, volta e meia eram submetidos a exercícios de como agir em emergências de fogo, vendaval, terremoto, bomba.

Evacuação, como se proteger, para onde ir, como se portar. Eu pergunto: a escola de seus filhos faz isso? Onde você trabalha existe treinamento para emergências?

O cinema avisa onde estão as portas de emergência; o avião também; o hotel tem mapas de saída para a escada de incêndio e aspersores de água no teto dos quartos.

Existe isso nos locais de aglomeração que você ou seus filhos frequentam? Finalmente, uma pergunta óbvia com resposta mais óbvia: por que a maioria das boates no Brasil funciona em sub-solo, tem uma única saída e não é interditada pelas autoridades?

Um monumento ético – Por Reinaldo Azevedo

Um monumento ético – Renan turbina Minha Casa em Alagoas, e “empreiteira amiga” fatura R$ 70 milhões.

Escrevi ontem um post explicando por que tenho muita pena “duzamicânu”. Eles não contam com um Renan Calheiros, por exemplo. Barack Obama, que pecado!, não dispõe de um PMDB para a “governabilidade”. Leiam o que informa Alana Rizzo, no Estadão:

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

A combinação de influência na Caixa Econômica Federal (CEF) e o comando político de 80% dos municípios fez do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), favorito para assumir o controle do Senado, o “midas” do Minha Casa, Minha Vida em Alagoas com pelo menos um resultado notável: a Construtora Uchôa, do irmão de Tito Uchôa, apontado como laranja do peemedebista, faturou mais de R$ 70 milhões no programa nos últimos dois anos.

Empresário versátil, Tito Uchôa é sócio do filho do senador, o deputado federal Renan Filho (PMDB), em uma gráfica e em duas rádios. Também é proprietário de uma agência de viagens, uma empresa de locação de carros e um supermercado. A mulher dele, Vânia Uchôa, era funcionária do gabinete do senador Renan Calheiros.

Uma engenharia financeira peculiar do programa Minha Casa, Minha Vida valoriza os atributos do candidato à Presidência do Senado e abre espaço para a ingerência política. As contratações – sem processo de licitação – são feitas diretamente pela Caixa, área de influência de Renan e do PMDB no Estado e com ramificações em Brasília, a partir de propostas apresentadas por prefeitos e empreiteiras ao banco.

Das 26 prefeituras de Alagoas incluídas no programa, apenas duas não são comandadas por aliados de Renan ou partidos coligados com o PMDB. O peemedebista garante ter nas mãos 80% dos 102 municípios alagoanos. “Elegemos diretamente 25 prefeitos em todas as regiões e em aliança com os partidos coligados ganhamos em mais de 80% dos municípios”, vangloriou-se Renan, em convenção do PMDB em dezembro passado.

O programa de moradias populares é uma das principais bandeiras da presidente Dilma Rousseff. O Minha Casa, Minha Vida é uma das armas do senador para aumentar seu capital político nas próximas eleições. Alagoas está, proporcionalmente, entre os maiores contratantes do Minha Casa, superando outros Estados do Nordeste e até a meta do próprio governo, que era construir 13 mil unidades no Estado.

Hoje, mais de 26,8 mil unidades habitacionais já foram contratadas e o volume de recursos públicos investido ultrapassa a marca de R$ 1 bilhão. Para se ter ideia, Sergipe, administrado pelo petista Marcelo Déda, com perfil populacional e área semelhantes aos de Alagoas, registra R$ 200 milhões em contratos.
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Por Reinaldo Azevedo

Lá é uma democracia mais séria e mais barata – Por Alexandre Garcia

Desculpe, eu sei que você não está interessado em eleições dos presidentes da Câmara e do Senado, mas se você souber o quanto está pagando por isso, na certa vai continuar esta leitura. Por algum motivo, pelo menos dois candidatos estão percorrendo o país em campanha política.
Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Eu sei que você não os viu, mas eles estão voando de capital em capital. Um vai de jatinho emprestado, que certamente o dono reza a oração de São Francisco “é dando que se recebe”, o outro vai esvaziando os bolsos de tanto pagar passagem. A Câmara tem a metade de eleitores de Serra da Saudade, Minas. São 513 deputados federais. No Senado, 81. Então para que tanta viagem e tanta campanha?

Em primeiro lugar, porque todo político quer ser presidente da República um dia – ou mais de um dia. Aqui no Brasil, podem viajar ao mesmo tempo para o exterior o presidente e o vice. Nesse caso, o presidente da Câmara vira presidente da República e pode ir de avião oficial pousar no seu município, como já aconteceu.
Mas se o presidente do Senado estiver de olhar cúpido para uma boquinha na cadeira presidencial, o presidente da Câmara, depois de ter alimentado seu ego e seu currículo com uma interinidadezinha, pode viajar também e deixar o presidente do Senado assumir o Palácio do Planalto. Afinal, não custa nada.
Não custa? O presidente do Senado pode contratar até 34 comissionados, sem concurso, com salários que chegam a R$ 19 mil por mês. Embora com toda essa companhia, ele não assume sozinho a direção do Senado. Por incrível que pareça, ele terá dois vices, mais quatro senadores que chefiarão as secretarias. Todos com direito a levar para o Senado, sem concurso, mais de uma dúzia de comissionados – cada um.
Na Câmara, o presidente pode nomear 46 comissionados, com salários de até 14 mil por mês. Os dois vices e os quatro deputados secretários, podem nomear 33 sem concurso – cada um. E até os suplentes podem nomear: 11 cada um. Além disso, para conforto dos senhores deputados, estão sendo gastos 280 milhões de reais para reformas dos apartamentos. São 463 residências.
É claro que você não pensa que quem está custeando isso é algum sultão das Arábias. É o seu imposto que paga isso. Você trabalha quase cinco meses do ano só para sustentar os governos que não garantem sua vida, nem um bom hospital, nem uma boa escola para seus filhos.
Na Suécia – o primeiro lugar no índice de democracia, entre 167 países –, deputado que não mora na capital agora tem direito a um “apartamento” de 18 metros quadrados; os de mais sorte desfrutam de 40 metros quadrados. Lá, ninguém tem carro oficial individual, como no Senado brasileiro, nem essa multidão de assessores, porque o contribuinte sueco não permitiria. Afinal, lá é uma democracia.

Agora é uma associação gay que reivindica passaporte diplomático – Por Reinaldo Azevedo

Os passaportes diplomáticos viraram a casa-da-mãe-joana. Depois que Lula os distribuiu até ao papagaio da família, ninguém mais aceita ser cidadão comum. Todos querem privilégios de fidalgo. A última a entrar nessa é a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). O grupo enviou um ofício ao ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores, cobrando o que considera ser um “direito”. Direito??? ABGLT… Em breve, a turma terá de incorporar o XYLZ, né? Afinal, se cada gosto sexual merecer uma militância organizada, faltarão letras ao alfabeto em língua portuguesa. Será preciso importar vogais dos franceses e consoantes dos eslavos. Sigo adiante. Os militantes gays resolveram enviar seu pedido depois que o Itamaraty concedeu documentos especiais a mais três líderes evangélicos e suas respectivas mulheres, a saber: Romildo Ribeiro Soares  — o R.R.Soares — e Maria Magdalena Bezerra Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus; Samuel Cássio Ferreira e Keila Campos Costa, da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, e Valdemiro Santiago de Oliveira e sua mulher, Franciléia de Castro Gomes de Oliveira, da Igreja Mundial do Poder de Deus.

Reinaldo Azevedo - Blogueiro e Colunista - VEJA
Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

É claro que os militantes gays estão na sua guerrinha particular com os evangélicos, que são as confissões do cristianismo que mais os enfrentam publicamente. Os católicos — boa parte deles ao menos — são como os tucanos na oposição. Gostam de jogar parados, se é que me entendem…

Toni Reis, presidente da ABGLTXYZ explica à Folha: “Queremos a isonomia. Nem menos nem mais, direitos iguais. Claro que a regra diz que esse passaporte é uma excepcionalidade. Mas, se vão dar para todos os pastores evangélicos, nós também queremos. E queremos com os respectivos cônjuges, assim como os bispos e pastores”. E se não conseguirem? Ele diz que vai apelar ao Ministério Público!

Vejam que triplo salta carpado hermenêutico dá este rapaz. Vamos ver. Embora a Constituição diga que união civil é aquela celebrada entre homem e mulher, o Supremo decidiu reconhecer a união homossexual porque considerou que, não fosse assim, estaria sendo desrespeitado o Artigo 5º da Constituição, justamente o que assegura a igualdade de direitos.  É claro que o tribunal forçou a mão, tocado pelo politicamente correto, mas vá lá… Pode-se ainda argumentar, EMBORA A DECISÃO CONTRARIE A LETRA EXPLÍCITA DA CONSTITUIÇÃO, que se fez uma interpretação para garantir direitos de que uma minoria estava excluída.

Observem que Reis, agora, quer outra coisa, que ele chama de “isonomia”. Se, no caso da união civil, ele pedia para uma minoria o que se assegura à maioria, agora ele já propõe uma espécie de “intercâmbio de direitos interminorias”, entenderam? Sim, ele sabe que o passaporte especial é uma “excepcionalidade”… Mas aí raciocina: “Como é que se pode conferir, então, tal excepcionalidade a evangélicos e não a nós?”

Com um pouco mais de cultura democrática, em vez de pedir também para os seus o passaporte diplomático, o líder dos gays deveria é criticar a concessão de privilégios. Em vez de embarcar na justificativa vigarista do Itamaraty, ele cobraria é o fim dos privilégios. Entenda-se a alma profunda de Toni Reis: ele quer os direitos de que goza a maioria sem abrir mão dos privilégios que cada vez mais se concedem às minorias.

Segundo a lei, têm direito a passaporte diplomático presidente, vice, ministros de Estado, parlamentares, chefes de missões diplomáticas, ministros dos tribunais superiores e ex-presidentes. O Itamaraty também pode concedê-lo a pessoa  “que está desempenhando ou deverá desempenhar missão ou atividade continuada de especial interesse do país, para cujo exercício necessite da proteção adicional representada pelo passaporte diplomático”.

E os religiosos?
E por que os religiosos entram nessa categoria? Não sei! Os líderes evangélicos reivindicaram o privilégio porque ele é tradicionalmente concedido a cardeais da Igreja Católica. Atenção! Vou fazer aqui o que o se. Toni Reis não fez, porque seu ânimo é o da provocação, não o da construção de uma República de iguais: É PRECISO SUSPENDER O PASSAPORTE DIPLOMÁTICO DE TODOS OS RELIGIOSOS, DOS CARDEAIS CATÓLICOS TAMBÉM! Qual é a justificativa para a sua concessão?

Igrejas, mesmo a Católica, são associações de caráter privado. Não são nem devem ser um braço do estado. Foi com base na “isonomia” que o privilégio passou a ser concedido também a líderes evangélicos. Agora, ela é evocada por Toni Reis porque, segundo o ofício encaminhado pela ABGLTXYZ ao Itamaraty, também a associação “atua internacionalmente, tendo status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, além de atuar em parceria com diversos órgãos do Governo Federal”…

Tenham paciência! Daqui a pouco, os chamados líderes dos “movimentos sociais”, os sindicalistas, os presidentes de partidos políticos (mesmo que sem mandato), os intelectuais, os artistas etc. vão reivindicar, “por isonomia”, a concessão da prebenda. Afinal, toda essa gente pode argumentar que desempenha “missão continuada” em benefício do Brasil. E por que não para os jornalistas e seus cônjuges?

Ódio à democracia
São crescentes a intolerância e o ódio à democracia, exercidos, por incrível que pareça, em nome da… democracia. Quando os líderes evangélicos se incomodaram com o passaporte especial dos cardeais, poderiam, sim, ter reivindicado o fim da distinção. Mas preferiram outro caminho: “Nós também queremos; nós também não somos como os brasileiros reles”. Toni Reis, da dita associação gay, poderia, então, ter feito o que os evangélicos não fizeram: “Chega de privilégios inexplicáveis!” Mas quê… Também ele não quer ser importunado em aeroportos com exigências feitas a homens comuns. Reis, afinal, não é ordinário como todos nós; não é uma pessoa comum: é um ABGLTXYZ! Como pede isonomia com religiosos, entendo que tal condição lhe dá também alcance pastoral…

Nem nas minhas antevisões mais pessimistas, aquelas dos 20 anos, imaginei que chegaria aos 51 tendo de escrever textos como este.

Uma nota para encerrar: quando de esquerda, eu já me incomodava com os nascentes movimentos que eu chamava, então, “particularistas”: de gays, de mulheres, de maconheiros, de negros, de periferia… Considerava, no calor dos meus 17, 18 anos, que aquela gente não entendia como funcionava o mecanismo fundamental de reprodução da desigualdade: a luta de classes. Aprendi alguma coisa ao longo da vida. Hoje vejo que também eles, além dos esquerdistas tradicionais, não entendiam e não entendem o valor da democracia. Arremato observando que Toni Reis não disse em nenhum momento que a concessão de passaportes diplomáticos a líderes religiosos é inexplicável e arbitrária. Se a sua turma também tiver o seu, na sua cabeça, estará assegurada a igualdade.

É verdade! Estará assegurada a igualdade dos desiguais!

Gurgel não se intimida com gritaria petista, e Ministério Público vai investigar Lula – Por Reinaldo Azevedo

Sete anos e meio depois de o escândalo do mensalão ter vindo à luz, a investigação daquelas safadagens finalmente chega perto de Luiz Inácio Lula da Silva, chefe inconteste do PT. Convenham: é por onde tudo deveria ter começado. O Ministério Público decidiu investigar Lula, tendo como base asacusações feitas por Marcos Valério. Segundo o publicitário, que operou o esquema do mensalão em parceria com petistas, o então presidente foi um dos beneficiários pessoais da lambança. Leiam trecho da reportagem de Felipe Recordo e Alana Rizzo, publicada no Estadão desta quarta. Volto em seguida.

Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

O Ministério Público Federal vai investigar o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva com base na acusação feita pelo operador do mensalão, Marcos Valério, de que o esquema também pagou despesas pessoais do petista. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, decidiu remeter o caso à primeira instância, já que o ex-presidente não tem mais foro privilegiado. Isso significa que a denúncia pode ser apurada pelo Ministério Público Federal em São Paulo, em Brasília ou em Minas Gerais.

A integrantes do MPF Gurgel tem repetido que as afirmações de Valério precisam ser aprofundadas. A decisão de encaminhar a denúncia foi tomada no fim de dezembro, após o encerramento do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Condenado a mais de 40 anos de prisão, Valério, que até então poupava Lula, mudou a versão após o julgamento.

Ainda sob análise do procurador-geral da República, o depoimento de Valério em setembro do ano passado, revelado pelo Estado, e os documentos apresentados por ele serão o ponto chave da futura investigação que, neste caso, ficaria circunscrita ao ex-presidente.

O procurador da República que ficar responsável pelo caso poderá chamar o ex-presidente Lula para prestar depoimento. Marcos Valério também poderá ser chamado para dar mais detalhes da acusação feita ao Ministério Público em 24 de setembro, em meio ao julgamento do mensalão. Petistas envolvidos no esquema sempre preservaram o nome de Lula desde que o escândalo do mensalão foi descoberto, em 2005.
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No depoimento de 13 páginas, Valério disse ter passado dinheiro para Lula arcar com “gastos pessoais” no início de 2003, quando o petista já havia assumido a Presidência. O empresário relatou que os recursos foram depositados na conta da empresa de segurança Caso, de propriedade do ex-assessor da Presidência Freud Godoy. Nas palavras de Valério, Godoy era uma espécie de “faz-tudo” de Lula.

Ao investigar o mensalão, a CPI dos Correios detectou, em 2005, um pagamento feito pela SMPB, agência de publicidade de Valério, à empresa de Freud. O depósito foi feito, segundo dados do sigilo quebrado pela comissão, em 21 e janeiro de 2003, no valor de R$ 98,5 mil.
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No depoimento, Valério disse que esse dinheiro tinha como destinatário o ex-presidente Lula. Ele, no entanto, não soube detalhar quais as despesas do ex-presidente foram pagas com esse dinheiro. Conforme pessoas próximas, Valério afirmou que esse pagamento ocorreu porque o governo ainda não havia descoberto a possibilidade de gastos com cartões corporativos.

Gurgel volta de férias na próxima semana e vai se debruçar sobre o assunto. A auxiliares, o procurador já havia indicado que seria praticamente impossível arquivar o caso sem qualquer apuração prévia. No fim do ano, a subprocuradora Cláudia Sampaio e a procuradora Raquel Branquinho, que colheram o depoimento de Valério, foram orientadas por Gurgel a fazer um pente fino nas denúncias.
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Voltei
A investigação vai chegar a algum lugar? Vamos ver. Ninguém, nem mesmo os petistas, acredita que uma operação daquele vulto tenha sido desfechada sem o consentimento e o estímulo do “chefe”. Segundo Valério, Lula sempre esteve no comando.

Em meados de setembro, reportagem  de capa de VEJA trazia o conteúdo das conversas que Valério mantinha com seus interlocutores: coincide, em grande parte, com o que conhecemos de seu depoimento ao Ministério Público.

Desde a reportagem de VEJA, os petistas deram início a uma verdadeira operação de guerra para blindar o Babalorixá de Banânia. “Não ousem tocar nele!”, gritem por aí, como se Ministério Público e Poder Judiciário existissem para satisfazer as vontades do poderoso chefão.

O trabalho de intimidação revelou-se, até agora, inútil. É evidente que as acusações feitas por Valério têm de ser investigadas. O Brasil não é a Venezuela. Não temos, não ainda, um caudilho acima da lei.

Por Reinaldo Azevedo

A formidável cara de pau de Fernando Haddad – Por Reinaldo Azevedo

É. A expressão é esta: cara de pau! Os advogados do PT não precisam se assanhar. Não é uma expressão nem mesmo injuriosa. O candidato do PT é a expressão da “falta de pejo”, do “caradurismo”, da desfaçatez, da falta de escrúpulos.

Escrevi nesta manhã sobre a mentira levada ao ar pelo programa do PT no horário eleitoral. Os petistas apresentaram um suposto paciente de catarata que estaria na fila para cirurgia há dois anos. É mentira. Vejam lá. O Estadão ligou para a secretaria de Saúde para fazer matéria a respeito. Então vamos ver:
a) se a história fosse verdadeira, a Prefeitura teria apanhado da reportagem, certo? Para o bem do PT.
b) como a história é falsa, sabem o que aconteceu? A Prefeitura apanhou da reportagem, acusada de violar o prontuário do paciente. Para o bem do PT.

Haddad, acreditem  NÃO SE DESCULPOU PELA MENTIRA COMO, DE QUEBRA, AINDA RESOLVEU ATACAR A PREFEITURA. Leiam texto do Estadão. Volto em seguida.

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 28, que o vazamento, pela gestão Gilberto Kassab (PSD), de informações do prontuário médico do caminhoneiro José Machado teve a intenção de favorecer a candidatura do tucano José Serra. O petista cobrou do Ministério Público a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade pela suposta quebra do sigilo médico. “Acho muito sério quebrar sigilo de paciente. Foi um erro grave que a Prefeitura cometeu para favorecer a sua candidatura (de José Serra)”, afirmou Haddad, após caminhada pela região da Ponte Rasa, na zona leste da capital.

Questionada pelo Estado na segunda-feira, 27, a respeito da participação de Machado no programa eleitoral de Haddad, no qual o caminhoneiro disse estar há dois anos na fila para fazer uma cirurgia de catarata, a Secretaria Municipal de Saúde informou que consultara os dados do paciente e que a “hipótese de diagnóstico” não era catarata, mas pterígio – crescimento do tecido sobre a córnea. Segundo o Conselho Federal de Medicina, é proibido que o médico, sem consentimento do paciente, revele o conteúdo de um prontuário ou de uma ficha médica.

O petista se esquivou ao ser questionado se Machado teria catarata, como alega seu programa eleitoral, ou pterígio, como afirma a Secretaria Municipal de Saúde. “Para qualquer uma das versões (catarata ou pterígio), a solução do problema é muito simples e não foi resolvido. Não é porque a pessoa é humilde que ela tenha que receber tratamento diferente”, disse.

Para Haddad, a suposta quebra do sigilo médico “é o caso mais grave que aconteceu nessa campanha até o presente momento”. Ele afirma que o caminhoneiro está sendo duplamente penalizado em função da falta de atendimento e da exposição de seu prontuário. “Se nossa privacidade passar a ser invadida em função da disputa política, realmente a cidadania vai ficar muito comprometida”, disse.

Voltei
Viram só? Para o cara de pau, a mentira não tem importância. Em nome da preservação do sigilo do prontuário — que, de resto, não expõe o paciente a qualquer vexame ou constrangimento —, a versão mentirosa do programa do PT deveria ter prevalecido.

Eis o petismo na sua essência: seus partidários acreditam firmemente em conciliar mentira com a ética, de sorte que a ética possa ser mentirosa, e a mentira, ética.

Por Reinaldo Azevedo

Petismo continua tentando desmoralizar o procurador-geral da República – Por Reinaldo Azevedo

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) é um dos fiéis escudeiros de José Dirceu. É tão íntimo que se encontrava com ele naquele famoso quarto de hotel, mesmo sendo, então,  líder do governo na Câmara — do governo, reitero, não no PT. Enquanto o julgamento se dá no STF, os petistas e seus aliados insistem na desmoralização política do procurador-geral. Leiam trecho da reportagem de Cátia Seabra e Andréia Sadi. Na madrugada, volto ao tema.

Autor de representação, petista acusa Gurgel de ‘avacalhação’

Ex-líder do governo Dilma Rousseff e, ainda hoje, um dos mais combativos articuladores do Palácio, o deputado federal Cândido Vaccarezza (PT-SP) é autor de representação contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, no Conselho Nacional do Ministério Público.

Procurador geral da república, Roberto Gurgel

Vaccarezza, que diz que entrará com a representação nesta quinta-feira (9), afirma que a cartilha produzida pelo Ministério Público para traduzir o escândalo do mensalão para crianças “é um acinte”. ”É uma avacalhação do trabalho da Procuradoria-geral da República. Não sei se Gurgel tem respaldo dos demais procuradores. É um engajamento político-eleitoral. Ele pode fazer na vida privada. Mas não no site da Procuradoria”.

Na representação, elaborada pelo coordenador do setorial jurídico do PT de São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, Vaccarezza acusa o procurador-geral de “carnavalização” do julgamento do mensalão ao divulgar, no site oficial da Procuradoria-geral da República, uma cartilha dirigida às crianças sem que o julgamento estivesse concluído.

No documento, ao qual a Folha teve acesso, o petista acusa o procurador de preconceito e prejulgamento.

“Gurgel foi rápido. Essa não é uma caracterísitca dele. Se fosse, ele teria sido rápido no caso Cachoeira”, atacou Vaccarezza. Mais de uma vez, o petista usou de ironia ao perguntar “por que o procurador não fez uma cartilhinha para explicar o caso do Cachoeira”. É uma alusão ao fato de Gurgel não ter apresentado denúncia contra o então senador Demóstenes Torres em 2009, quando foi informada pela Polícia Federal que o parlamentar fora flagrado nos grampos.

Segundo Vaccarezza, a edição da cartilha revela um esforço de encobrir as deficiências da acusação de Gurgel, segundo o petista, “simplória e fraca”. ”A Procuradoria tenta fazer uma lavagem cerebral nas crianças, o que é uma perversidade”, disse Vaccarezza, para quem o Ministério Público tem de “descobrir o objetivo político de Gurgel”.

Vaccarezza disse não ter consultado o presidente nacional do PT, Rui Falcão, sobre a iniciativa, “embora tenha passado o dia inteiro com ele”. Na representação, o petista pede que o Conselho Nacional atue para remediar e impedir a carnavalização do julgamento do mensalão, além de suspender a veiculação da cartilha.

“Trata-se de evidente desvirtuamento da atividade do Ministério Público, que está custeando com recursos públicos propaganda pretensamente educativa, informativa e de orientação social, mas com notória intenção de, para utilizar as palavras do respeitado jornalista, carnavalizar um julgamento sério, cuja tão somente ocorrência já impacta severamente a vida da nação e dos acusados.Não é isso que se espera do Ministério Público. Isso não faz parte, certamente, das atribuições elevadas cometidas ao Ministério Público pela Carta da República!”, diz o documento.
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Por Reinaldo Azevedo

 

Marta Suplicy resolve falar bobagem – Por Reinaldo Azevedo

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) deu mostras de não entender nada sobre o petismo, apesar de militante antiga. Mas há coisas em que ela consegue ser ainda pior: matemática, por exemplo! No dia 4, ela publicou um espantoso artigo na Folha. Espantoso de vários modos. Como ela é chegada àquele estilo “deixa que eu chuto”, advertida do erro, ficou brava e emendou uma bobagem à outra.

Depois de pintar um quadro tétrico sobre a segurança pública em São Paulo, com aquela ligeireza e distração com que costuma comandar as sessões do Senado, escreveu isto:

“O Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari, mostrou que São Paulo é o Estado que teve mais casos de mulheres assassinadas no Brasil em 2010 (foram 663 vítimas).

Os números assustam e a questão continua desprezada. A Lei Maria da Penha, que completará seis anos no próximo dia 7, assim como em outros Estados, carece de implementação adequada por falta de recursos e de funcionários preparados. O pouco que tem vem da União. Inquéritos são devolvidos às delegacias, pois, de tão malfeitos, não podem ser aceitos pelo Ministério Público.”

Bem, essa história de que o “pouco que tem vem da União” é uma tolice. Mas não vou me perder nisso agora. O governo de São Paulo reagiu ao artigo. Enviou ao jornal esta resposta.

É gravíssima a atrocidade estatística cometida pela senadora Marta Suplicy em sua última coluna (“Violência no Limite”, “Opinião”, 4/8). Segundo ela, São Paulo foi o Estado que teve mais casos de mulheres assassinadas no Brasil em 2010. A senadora diz usar como base o Mapa da Violência, do Instituto Sangari, mas o levantamento informa justamente o contrário.

São Paulo, com 3,1 assassinatos por 100 mil habitantes, é o Estado com o segundo menor índice do país. Aliás, trata-se do único ranking divulgado pelo instituto, o que compara a taxa por 100 mil habitantes em todas as 27 unidades da Federação. E São Paulo ocupa a 26ª posição, numa comparação dos mais violentos para os menos violentos.

E como foi, então, que a senadora chegou à conclusão diametralmente oposta? Ela comparou apenas os números absolutos de assassinatos, desprezando a brutal diferença entre as populações dos Estados. Na melhor das hipóteses, um erro primário. Nesse sentido, sua coluna desinforma e subestima a inteligência de todos. A senadora Marta Suplicy deveria admitir seu erro. Por uma questão de honestidade.

Marcio Aith, subsecretário de Comunicação do Governo do Estado de São Paulo (São Paulo, SP)

Marta não seria Marta se, diante de um argumentação razoável, dissesse: “É verdade! Que mancada!” Que nada! Ela resolveu treplicar (em vermelho). Volto em seguida:

RESPOSTA DA COLUNISTA MARTA SUPLICY – Gravíssima e vergonhosa é essa reação! Os números são absolutos, como está claro no artigo. A perda de 663 vidas mostra a gravidade do caso e a inércia do Estado. A morte de mulheres é somente um dos aspectos do fracasso da política de combate ao crime em São Paulo. Ação!

Reinaldo Azevedo – Blogueiro e Colunista – VEJA

Voltei

Fracasso uma pinoia! Fracassada é a política de segurança pública do governo federal, que não consegue diminuir os índices de violência. Fracassada é a política de segurança publicado PT na Bahia, estado que assistiu ao maior salto no número de homicídios do país. Dona Marta recorre ao Mapa da Violência para distorcer uma evidência.

Penca de tolices
A realidade do Brasil é de tal sorte escandalosa que, mesmo com o assassinato de 4.297 mulheres em 2010 (um número absurdo!), isso representa 8,6% do total: 49.932! É claro que políticas públicas de combate à violência  têm influência também nessas mortes — como evidencia São Paulo —, mas a violência contra a mulher traz particularidades, como sugere o estudo. Nada menos de 68,8% das agressões contra as mulheres, por exemplo, acontece em casa e têm como agente marido, namorado, pai, alguém da família. Estamos lidando aí com dados que são também da cultura, da educação, da formação familiar. Também nesse caso, é óbvio, o fim da impunidade tem efeitos positivos.

Marta deveria saber que, em números absolutos, São Paulo tem mais mulheres mortas, mais homens mortos, mais gênios, mais idiotas, mais pessoas bonitas, mais pessoas feias, mais honestos, mais desonestos, mais ricos, mais pobres… Em números absolutos, São Paulo sempre terá mais do que quer que seja porque tem 42 milhões de habitantes — 22% da população do país. E só diminuiu drasticamente as mortes porque tem mais presos também — tanto em números relativos como em números absolutos: 40% do total do país.

São Paulo só não tem mais senadores que sabem matemática porque o número, infelizmente, é fixo, né? Não é proporcional à população. Continuaremos por um tempo com apenas um…

Deveria aplaudir
Marta deveria aplaudir os números de São Paulo. Se os homicídios do primeiro semestre se repetirem no segundo, o estado fechará o ano com 11,4 homicídios por 100 mil habitantes (mas acho que vai cair). Se o Brasil conseguisse chegar a esse índice, senhora senadora, em vez de 50 mil homicídios por ano, aconteceriam no país 21.698 — 28.302 vidas se salvariam segundo o “padrão São Paulo”. Ainda que se mantivesse a percentagem de 8,6% de mulheres assassinadas desse total, em vez de 4.297 ocorrências, elas seriam 1.865 — salvar-se-iam 2.432 mulheres.

Assim, se o seu intento é salvar vidas, especialmente as das mulheres, então comece a pedir que, no mínimo, o Brasil siga o modelo de São Paulo, que precisa, sim, ser aperfeiçoado. O que vai aqui são fatos. O que vai aqui, senadora, é matemática. Eu não tenho um jeito melhor de lhe ensinar as coisas. Infelizmente, não dá para desenhar.

Para encerrar
Como Marta parece falar primeiro e pensar depois, escreve ainda isto:
“Quanto aos homossexuais, pesquisa publicada pela Folha (“Cotidiano”, 23/7) traz uma surpresa, quando indica a família e os vizinhos em primeiro lugar como os mais violentos contra gays.O número de 62% dos ataques feitos por conhecidos mostra uma sociedade ainda preconceituosa e com muita dificuldade em aceitar o diferente. Mas, evidencia também, o descaso governamental com a educação nas escolas, que falham no ensino ao respeito à diversidade sexual.”

Surpresa para quem? A história de que gays são agredidos por aí a três por quatro, na rua, é uma invenção da militância, um mito que a senhora ajudou a criar. Por isso a sua PLC sobre a homofobia é um desvario. A questão é de outra natureza. Mais uma vez, estamos falando de questões que remetem à educação, sim (mas não com o aloprado kit gay), e à cultura do país. Não será com uma lei que viola direitos fundamentais. Ou a senhora pretende meter na cadeia mães, pais e irmãos de homossexuais? Ou, nesse caso, a violência será tolerada desde que doméstica?

A pesquisa mostra que a senhora está propondo o remédio errado para um mal que demonstra desconhecer — daí a sua “surpresa”.

Como se vê, além de Lula, também a atropelaram a realidade e a matemática. Advertida, no entanto, mandou a objetividade às favas. A senhora é senadora da República. Seja mais responsável mesmo no papel de colunista de jornal!

Por Reinaldo Azevedo

Delta pagou R$ 291 milhões a empresas fantasmas – Por Reinaldo azevedo

O levantamento mais recente realizado pelos técnicos do gabinete de Alvaro Dias sobre as movimentações bancárias da Delta Construções mostra que a empreiteira de Fernando Cavendish repassou, entre 2002 e 2012, cerca de 291 milhões de reais a um conjunto de dezesseis empresas fantasmas.

E tem mais: os técnicos tucanos acreditam que essa montanha de dinheiro paga ao laranjal da Delta pode ser ainda maior. Primeiro porque a CPI mista do Cachoeira ainda não recebeu todos os dados bancários da construtora. E, segundo, porque, no material examinado pela CPI, os técnicos já encontraram cerca de 2,8 bilhões de reais pagos pela Delta a destinatários desconhecidos.
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Por Reinaldo Azevedo