Caixa de Pandora – Por Alexandre Garcia

Caixa de Pandora – Por Alexandre Garcia

Apenas contados os votos e proclamado o resultado, vozes inconformadas pediam o impedimento da Presidente. Outras, mais radicais ainda – vivandeiras de quartel, de que falou o general Castello Branco -, clamavam por intervenção militar, isto é, um golpe. Gente que não se conforma com a democracia, em que se aceita a vontade da maioria eleitoral, ainda que seja por um voto, fica expondo suas fraquezas. Pois não houve fraude na eleição, como reconhece o próprio candidato derrotado, nem haverá golpe militar. Quem perdeu que se reconheça derrotado, incapaz de convencer a maioria, incapaz de apresentar argumentação melhor que a de Lula, incapaz de fazer a maioria perceber o óbvio, que é a ameaça da repetição de um fracasso.

Alexandre Garcia - Colunista da agência “Alô Comunicação”
Alexandre Garcia – Colunista da agência “Alô Comunicação”

Se é que houve fraude, ela está bem aquém das urnas. É a fraude no Ensino – em quantidade, para encher as estatísticas, mas sem qualidade, para manter as cabeças sem capacidade de discernir. Metade do país não foi surpreendida pela inflação, pelo aumento dos juros, da eletricidade e da gasolina; pelos déficits nas contas públicas; pela dívida recordista, pelos escândalos, o crescimento zero e o consequente desemprego. Mas a outra metade, mantida na escuridão do populismo típico latino-americano, surpreendeu-se mas, certamente, nem por isso se sentiu traída. Foi fraudada, mas nem isso talvez seja capaz de entender.
O primeiro mandato da Presidente ainda tem mais um mês e meio. Depois, já começará a contagem regressiva de seu último mandato. Cada dia será contado um dia a menos, talvez até por ela, se Dilma 2 for repetição de Dilma 1. Nesse mês e meio deve continuar aberta a Caixa de Pandora, liberando os males escondidos antes da eleição, talvez na tentativa de melhorar o caminho do ano que vez, retirando as maiores pedras, deixadas pela monocracia incompetente. Não terá facilidades com os próprios aliados. O PT reclama mais diálogo e mais poder. O PMDB idem. O PP saiu dividido da eleição; aliás, o PMDB também No primeiro mandato não houve prática alguma do diálogo de que agora ela fala: recebeu apenas 15 dos 594 congressistas.

Enquanto isso, a oposição sai das eleições mais forte do que nunca, inclusive ganhando as ruas. O discurso de Aécio no Senado teve mais importância que a fala da vitória de Dilma e o derrotado começa a percorrer o país para agradecer a votação. Dilma, ao contrário, está contra a parede sob o peso da vitória; vai para a reunião econômica mundial levando um Ministro da Fazenda já rifado, porque não conseguiu outro.

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