Café de Rondônia precisa de tecnologia e variedades certificadas para sair da crise

Cacoal, a capital do café de Rondônia, se tornou, nesta sexta-feira, 30, a capital nacional do café ao sediar uma audiência publica da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado para debater a produção, estocagem e comercialização do produto.

O auditório da Câmara de Vereadores do município ficou lotado de agricultores que ouviram propostas de técnicos, especialistas e representantes do governo para reverter o momento de crise que passa a cafeicultura no Estado, que na última década viu a produção despencar, passando de quatro milhões de sacas, em 2001, para um milhão de sacas em 2011.

Os principais pontos de estrangulamento da produção de café em Rondônia apontados pelos expositores estão relacionados à falta de variedades de café adaptadas à região amazônica e licenciadas para a produção em massa de mudas no estado; a inexistência de uma rede de laboratórios de análise de solos; a oferta insuficiente de fontes de calcário de boa qualidade; a falta de assistência técnica; e, sobretudo, a escassez de crédito para o financiamento de novas plantações. “Agora temos um bom diagnóstico da cafeicultura rondoniense, discutimos algumas alternativas para melhorar as condições para o produtor e saímos com o dever de implementar as ações necessárias, como acompanhar o registro da variedade conilon da Embrapa no Ministério da Agricultura, o que dará ao produtor acesso a recursos do governo e de fundos para investimento”, avaliou o sendo Acir Gurgacz, presidente da Comissão de Agricultura do Senado.

“Vamos trabalhar para que essa variedade seja lançada em maio, na primeira feira tecnológica de Rondônia, que ocorrerá em Ji-Paraná”, disse Acir.  Pela manhã, o senador participou da inauguração do micro-latícinio da Cooperativa dos Agropecuaristas de Cacoal (Cooproac), na Linha 5 de Cacoal, onde destacou a importância do cooperativismo para a agricultura familiar. “Seja na produção de leite ou de café, o cooperativismo é a melhor alternativa para o agricultor, mas e preciso que os agricultores tenham orientação e recebam o apoio necessário para conquistar autonomia”, disse. A ausência do registro de variedades do tipo robusta ou conilon, desenvolvidas para as condições climáticas e de solo de Rondônia tem atrapalhado investimentos na cafeicultura do Estado. Respondendo à reclamação dos agricultores da falta de uma variedade de café licenciada para produção de mudas em viveiros, o chefe-geral da Embrapa de Rondônia, César Augusto Domingues Teixeira, comunicou que a Embrapa acabou de dar entrada ao processo de registro da primeira planta desenvolvida para cultivo na Amazônia, a qual já alcançou produtividade superior a 110 sacas por hectare. Mais três outras variedades, acrescentou, deverão ser disponibilizadas dentro de três anos.  “O café de Rondônia é de excelente qualidade, um dos melhores do Brasil, por conta de suas características climáticas e de solo, o que precisamos é apenas certificar as variedades desenvolvidas para estas condições”, frisou Teixeira.

O diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Edilson Alcântara, apresentou dados da produção nacional e os avanços tecnológicos do setor. Ele considerou que, diante da baixa tecnologia aplicada nas lavouras do Estado, os agricultores rondonienses estão fazendo milagre. “É preciso uma mudança radical na forma como o produtor encara o mercado, tratando o café como uma poupança de longo prazo e não pensando apenas no retorno imediato”, disse. “Para isso, é preciso que o agricultor tenha acesso a informações, receba orientação e assistência técnica”, disse.

O senador Valdir Raupp disse que a Comissão de Agricultura, presidida pelo senador Acir Gurgacz, está induzindo um debate com o objetivo de estimular a retomada do crescimento da produção do café no Estado, mas que é preciso que o governo do Estado, alinhado com o governo Federal, assuma a responsabilidade de conduzir as ações necessárias. “Estamos começando um trabalho que tem que ser integrado, envolver todas as esferas de governo junto com o agricultor”, frisou Raupp.

O secretário de Estado da Agricultura, Anselmo de Jesus, destacou a força da agricultura familiar na produção do café. Segundo ele, 80% dos produtores de café do Estado são da agricultura familiar. Ele falou que o governo do Estado está criando mecanismos para atender de forma diferenciada esses produtores. “Queremos que um hectare de café dê ao produtor um rendimento maior do que as extensas áreas de pecuária que temos hoje nessas propriedades”, frisou Anselmo. Anselmo de Jesus informou que o governo estadual está tomando medidas no sentido de aumentar tanto a estrutura de laboratórios de análises de solos no estado quanto à oferta de calcário agrícola na região. Segundo ele, uma nova usina de produção de calcário, adquirida recentemente pelo governo de Rondônia, com capacidade diária de 300 toneladas deverá entrar em funcionamento em breve.

O senador Acir Gurgacz reforçou a necessidade de tecnologias específicas para a agricultura familiar, além da organização cooperativa e em associações rurais. Ele citou como exemplo a produção de café orgânico da Cooperativa de Produtores Rurais Organizados para a Ajuda Mútua (Coocaram), que esteve representada na audiência Leandro Dias Martins, gerente comercial da Cooperativa.

“Essa experiência pode ser tomada como o embrião de uma reorganização do setor”, salientou Acir. Também estiveram presentes na audiência o prefeito de Cacoal, Franco Vialeto, o presidente da Câmara de Vereadores de Cacoal, Luiz Carlos Katatal, o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Márcio Pureza Paixão, o representante dos comerciantes de café, Marco Antônio Paulo Gomes, os deputados federais Moreira Mendes e Nilton Capixaba, os deputados estaduais Luiz Cláudio e Adelino Folador, além de vereadores, presidente de sindicatos, cooperativas e associações rurais de toda a região.

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