Assessores diretos de Lula afirmam que Dilma será candidata à reeleição

Segundo eles, o líder petista também descarta concorrer ao governo paulista

SÃO PAULO – Auxiliares próximos de Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram publicamente na última segunda-feira, 21, que o ex-presidente não será candidato ao Planalto em 2014 e apoiará a reeleição de Dilma Rousseff. Segundo eles, o líder petista também descarta concorrer ao governo paulista. Em encontro realizado com ministros de Dilma e ex-ministros de seu governo, além de intelectuais, Lula disse que quer “ser ex-presidente sem se meter no exercício de quem exerce a Presidência”.

'Nossa candidata em 2014 se chama Dilma Rousseff', disse Paulo Okamotto, assessor de Lula
‘Nossa candidata em 2014 se chama Dilma Rousseff’, disse Paulo Okamotto, assessor de Lula

Nas últimas semanas, o petista – que no ano passado tratou e recuperou-se de um câncer na laringe – começou a se movimentar mais politicamente. Na semana passada, reuniu-se com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e seu secretariado para dar orientações. Também combinou de se encontrar com Dilma.

A movimentação de Lula, aliada ao anúncio feito pelo ex-presidente no final do ano passado de que voltaria a percorrer o Brasil em 2013, suscitou dúvidas no meio político quanto à sua disposição de se manter distante da disputa eleitoral de 2014. A isso se soma a tese repetida por petistas, desde que Lula deixou o cargo, de que o ex-presidente voltaria caso a crise econômica atingisse o País e fizesse despencar a popularidade de Dilma, sua afilhada política.

‘Nossa candidata’. “A nossa candidata em 2014 se chama Dilma Rousseff. Essa é a nossa candidata em 2014”, afirmou o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que participou da reunião promovida pela entidade em São Paulo. “Vamos trabalhar para a sua reeleição para que a gente continue fazendo esse governo extraordinário, que tem dificuldade, mas pode fazer muita coisa ainda pelo Brasil”, completou.

Luiz Dulci, que chefiou a Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Lula e hoje ajuda a pilotar o instituto, fez coro com Okamotto. “Sou auxiliar, mas não sou porta-voz e muito menos porta-sentimentos, mas o presidente Lula já se manifestou claramente sobre isso dizendo que a candidata dele é a presidente Dilma Rousseff”, disse Dulci, responsável por escrever discursos de Lula no primeiro mandato. “Claro que cada comentarista tem liberdade pra supor o que quiser, mas a manifestação do presidente foi clara, de que a candidata dele é a presidente Dilma.”

Auxiliar há 32 anos do ex-presidente e ex-ministro dos Direitos Humano, Paulo Vanucchi – outro integrante do Instituto Lula – foi além. Segundo ele, Lula não quer ser candidato nem em 2018, quando Dilma não poderá se reeleger. “Ele não é candidato em 2014, está fora de questão. Não tem isso, esvaziem essa pauta. Se os editores apertarem vocês, peçam para os editores saírem da redação e andarem um pouco mais. Não vou discutir nem 2014. Vou falar de 18. O Lula não quer ser presidente em 2018”.

Vanucchi afirmou que uma candidatura em 2018 seria possível apenas em uma situação extrema. “A chance maior do Lula é não ser mais candidato a presidente da República, é trabalhar para não ser mais. Não digo que não será em hipótese alguma em 2018 porque se houver um acirramento das contradições, se houver crise nacional e ele despontar como um polo de consenso para reaglutinar as forças do País, aí ele se dispõe”, afirmou.

Ele afirmou ainda que chegou a tentar conversar com o ex-presidente sobre a possibilidade de ele ser candidato ao governo de São Paulo logo após uma entrevista em que o marqueteiro petista, João Santana, defendeu a tese. Segundo Vanucchi, Lula rechaçou de pronto a ideia. “Ele não quer, também não é candidato a governador”, garantiu. “Ele proibiu qualquer de nós a tocar no assunto de novo. Eu calei a minha boca. Ele disse: ‘proíbo vocês, tá fora de cogitação, não tá nos meus planos’. Nem quis dar argumentos.”

Lula não deu entrevistas ontem. Com os intelectuais, tratou de assuntos da América Latina . Na abertura, porém, falou sobre sua atual situação política. “É um desafio extraordinário aprender a ser ex-presidente da República”, disse. “Eu tinha um pacto comigo mesmo de que era preciso mostrar que era possível ser um ex-presidente sem se meter no exercício de quem estava exercendo a Presidência”, prosseguiu Lula. “Mesmo quando essa pessoa que está exercendo a Presidência seja uma ex-ministra minha, uma companheira da mais extraordinária confiança”, concluiu, referindo-se a Dilma.

O ministro Celso Amorim, da Defesa, e o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia, auxiliares de Lula que permaneceram no governo de sua sucessora, participaram do encontro.

 

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