Arara linda! – Por Carlos Santiago

De repente nós nos beijamos! Um ato final depois de adoráveis conversas sobre obras literárias e de sorrisos gostosos. Dali pra frente a nossa vida foi uma combinação de pecados, santidades, sonhos, felicidades, conflitos, ousadias e …

Carlos Santiago é Sociólogo, analista político e Advogado

Uma mulher amorosa, inteligente, bonita, doce, religiosa e muito solidária. A sua mãe era o exemplo que ela seguia. Nasceu numa família muito humilde, mas com muita perseverança formou-se em letras e mais tarde em direito.

Fiquei encantado pela capacidade de ser decidida, pela forma carinhosa como olhava e tocava em mim, por acreditar sempre nas pessoas e desejar vida melhor pra todos. Com ela, aprendi o significado de amar com responsabilidade e ser um homem afável.

Moramos juntos. Escolhemos a nossa casa. Pintamos o nosso lar com cores alegres. Plantamos o pinheiro mais lindo da região. Não faltou o pé de coco, além de gramas e as flores vermelhas na decoração do jardim.

Esteve comigo, quando eu adoeci, me dando amor e até recurso material. Só não entrei numa depressão porque ela estava lá, mesmo remando contra a maré da vida e da negativa de alguns familiares.

Por conta dessas características, eu a chamava carinhosamente de arara linda. Arara azul é uma espécie de ave que nunca abandona aquilo que gosta e é linda e pura por natureza.

Eu tinha quase tudo! Mas tinha algo que me faltava. Algo da minha essência: o espírito de liberdade. Alimentado ainda pelo costume de ter vivido por muito tempo sozinho.
Pois bem, ficamos algum tempo distantes. Depois cada um seguiu o seu caminho. Agora, ela acaba de completar 50 anos de idade e tudo isso veio à minha mente. Acho que fui um homem de sorte por tudo que aprendi com ela.

Hoje, com meio século de existência, continuo com o espírito de liberdade dentro de mim, mas já consigo administrar. Sei que o melhor caminho é a conciliação entre a liberdade e a partilha de uma vida de casal.

 

Por Carlos Santiago
Sociólogo, analista político e Advogado

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