Após encontrar Serra e Alckmin, Aécio diz ser candidato ao comando do PSDB

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou ontem, pela primeira vez, que pretende se candidatar a presidente do PSDB e declarou que sua indicação ganhou “consistência” nos últimos dias. A afirmação foi feita horas depois de ele se encontrar com o ex-governador José Serra, cujo nome também foi colocado na disputa para o comando do partido.

Aécio Neves e José Serra
Aécio Neves e José Serra

O anúncio de Aécio foi feito logo depois de um encontro de cerca de 30 minutos com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ontem, no Senado, quando os dois já se haviam despedido. “Essa questão começou com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com o deputado Sérgio Guerra, que lançaram meu nome. De lá para cá, ganhou consistência. Estou muito animado”, disse Aécio, em referência ao lançamento feito pelos dois tucanos em dezembro.

A candidatura à presidência do PSDB, confirmada ontem por Aécio, é o primeiro passo do mineiro na construção de sua candidatura a presidente. O senador resistia, inicialmente, a embarcar no projeto, alegando que poderia causar desgaste desnecessário mais de um ano antes da eleição. Por pressão do partido, assumiu a missão, como forma de demonstrar comprometimento com o projeto presidencial.

No final da semana passada, parlamentares ligados a Serra afirmaram a integrantes da direção do PSDB que o ex-governador deveria ser o presidente da legenda para comandar o partido na eleição de 2014. Disseram que essa seria a única forma de evitar a saída do tucano do partido rumo ao PPS. Serra disse não ter autorizado ninguém a falar por ele e declarou que não pleiteava cargo no partido. A movimentação nos bastidores criou um mal-estar no partido.

Conversa. Aécio conversou por três horas com Serra na segunda-feira, conforme informou a coluna Direto da Fonte. “Foi uma conversa de convergência. Não houve nenhum tipo de exigência, embora Serra tenha credenciais para ocupar qualquer espaço no partido”, disse o senador. Para alguns tucanos, o ex-governador poderia ocupar a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), centro de estudos do partido. Procurado, Serra não respondeu às ligações. “As coisas estão caminhando muito bem. São Paulo terá papel de destaque no projeto de tornar o PSDB competitivo, com propostas renovadoras para o Brasil”, disse Aécio.

Segundo o senador, Serra disse que está retomando sua vida pessoal e profissional, após a derrota na eleição municipal em São Paulo no ano passado. No encontro, Serra teria descartado a possibilidade de sair do PSDB. “Isso não existe. Serra continua forte no PSDB”, afirmou.

Ontem, Alckmin disse que Aécio era “um grande nome” para presidir o PSDB. Em encontro com a bancada de deputados federais do partido, na segunda-feira, o governador tinha dito que a presidência poderia não ser boa ideia para o senador. Alckmin teme que um racha no partido, em razão de eventual descontentamento de Serra, fragilize a sigla em São Paulo e coloque em risco sua candidatura à reeleição.

Seminário. Aécio disse que Alckmin o convidou para um seminário no diretório paulista do PSDB, na segunda-feira. “O Alckmin pediu para eu ir direto ao Palácio dos Bandeirantes, onde vou encontrá-lo. De lá, vamos juntos para o seminário, para mostrar o quanto estamos unidos”, contou. Alckmin emendou: “O café estará no bule, aguardando-o. Vamos saborear a sabedoria mineira do Aécio”.

Na semana passada, Alckmin chegou a sugerir que a apresentação de Aécio fosse adiada, em razão do mal-estar entre o mineiro e parte do PSDB de São Paulo. Temia que o evento parecesse provocação. Após a visita de Aécio a Serra, concordou com a realização do seminário por avaliar que algumas arestas foram aparadas.

No Senado, Alckmin foi indagado se era candidato a cuidar de um tratado de paz entre o PSDB de São Paulo e de Minas. “Sou candidatíssimo, mas a presidente do Santos (time do qual é torcedor)”, respondeu. Mais uma vez, Alckmin tentou manter distância da polêmica sobre a disputa pela presidência do partido em maio. “Temos dois meses para ter uma boa conversa e eleger uma boa diretoria partidária”, disse. / JOÃO DOMINGOS, DÉBORA ÁLVARES, JULIA DUAILIBI, BRUNO BOGHOSSIAN e SONIA RACY

 

Fonte: Estadão

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