Alckmin deixa Aécio sozinho em giro paulista

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), decidiu não participar dos primeiros dois grandes eventos que o senador Aécio Neves (MG), presidente de seu partido e potencial candidato dos tucanos ao Palácio do Planalto, protagonizará no interior do Estado.

O mineiro vai iniciar uma série de viagens pelo país e pretende estar, ao menos a cada dez dias, em São Paulo.

Alckmin avisou a Aécio e ao presidente estadual do PSDB, Duarte Nogueira, que não poderia acompanhar o mineiro nem ontem, em Ribeirão Preto, nem hoje, na festa do Peão de Boiadeiro, principal rodeio do país.

Aécio Neves e José Serra
Aécio Neves e José Serra

“Ele [Alckmin] tem uma agenda no domingo em três cidades e, além disso, dado o atual conjunto de variáveis, sua aparição poderia ganhar um viés eleitoral. Então o governador optou por tratar a situação com o excesso de zelo que lhe é característico”, disse Nogueira.

O “atual conjunto de variáveis” a que o presidente do PSDB de São Paulo se refere é o clima de tensão que se instalou no partido desde que o ex-governador José Serra (PSDB) passou a indicar mais enfaticamente que pretende disputar a Presidência da República pela terceira vez, mesmo que tenha que passar por prévias.

A candidatura de Aécio é dada como certa pela cúpula do PSDB, que passou, contudo, a admitir a realização da consulta interna para não melindrar as pretensões eleitorais de Serra.

A ausência de Alckmin é simbólica. O governador sinaliza que não fará gesto de apoio ao mineiro enquanto Serra estiver no páreo.

Ontem, Aécio se reuniu com cerca de 300 pessoas, em Ribeirão Preto, entre prefeitos aliados do PSDB e dirigentes de partidos.

Hoje, vai a Barretos, para a “queima do alho”, concurso gastronômico disputado por comitivas de tropeiros.

FHC

Enquanto Alckmin dá sinais de que não pretende tomar partido na disputa interna, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é mais enfático no alinhamento aos planos do senador mineiro.

Ontem, em reunião com Aécio em São Paulo, FHC afirmou que poderá acompanhar o aliado em viagens estratégicas pelo país.

O apoio explícito de FHC, além do alcance interno no tucanato, é importante estrategicamente para Aécio na interlocução com o empresariado, por exemplo.

O ex-presidente tem intermediado encontros do mineiro com donos de empreiteiras e bancos, além de economistas e intelectuais.

Também no encontro de ontem foi discutido o atual cenário político.

Fernando Henrique trabalha para firmar uma espécie de “pacto de convivência” entre o mineiro e Serra, para preservar o partido até que se defina o destino do ex-governador paulista. Até outubro, ele decidirá se migra para o PPS.

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