Aécio diz que PT envelheceu e que Dilma transfere responsabilidades

Para o senador, governo sabia não ser possível constituinte e plebiscito.
Para FHC, perdeu quem quis tirar proveito eleitoral de manifestações.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) voltou a criticar nesta sexta-feira (5) a reação do governo federal à onda de manifestações nas ruas do país desde junho. Para o presidente do PSDB e uma das principais vozes da oposição, faltou sensibilidade à presidente Dilma Rousseff para ouvir a voz das ruas. Ele disse que o PT envelheceu no poder e que a presidente transferiu responsabilidades.

Aécio Neves
Aécio Neves

“Ao meu ver, hoje o velho é o PT. E a reação da presidente da República a todos esses episódios foi pouca generosa com o Brasil, porque teve a incapacidade de reconhecer uma responsabilidade sequer em relação a toda essa insatisfação. Sempre buscando transferir responsabilidades, tanto para governos que governaram há mais de 10 anos atrás, como se isso fosse possível, ou para o próprioCongresso Nacional”, afirmou Aécio.

O senador disse que, ao propor a realização de uma constituinte e depois um plebiscito para a reforma política, o governo já sabia que isso não poderia ser feito para as eleições de 2014. “A resposta da presidente, ao propor uma constituinte restrita inconstitucional, e depois um plebiscito que o próprio governo sabia, ou tinha obrigação de saber, inviável no tempo para ser operacionalizado, é uma clara resposta de quem envelheceu”.

Acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador foi ao Rio para participar de uma reunião no Instituto Teotônio Vilela, ligado ao partido, sobre um novo projeto de desenvolvimento econômico e social para o estado.

Em vários trechos da entrevista, Aécio disse que o PSDB era o “novo” buscado pelas ruas.

Ao final do encontro, FHC concordou que as manifestações provocaram desgaste no governo federal, mas frisou que não acredita que os partidos de oposição poderão se beneficiar da situação.

“Quem imaginar que vai tirar proveito eleitoral de manifestações espontâneas chamadas pela internet perdeu. O povo não vai nessa onda mais. Acho que os partidos têm que ouvir para entender quais são as vozes da rua, porque não é uma voz, são muitas”, observou o tucano.

Para FHC, o governo federal se “desgastou” quando puxou o problema para si. “O governo tentou num primeiro momento tirar de cima dele o problema. ‘Ah, vamos fazer problema eleitoral, joga para o Congresso!’ Não é bem isso. Isso é importante para o Brasil e para o povo, mas há outras questões e ao fazer isso [reforma política] o governo federal chamou para si o problema. Resultado: o desgaste é enorme”, concluiu.

Reforma política
Aécio disse que o PSDB  fará uma reunião da executiva do partido na próxima terça-feira (9) para discutir pontos consensuais da reforma política, entre eles: voto distrital misto, fim das coligações proporcionais, cláusula de desempenho para funcionamento dos partidos políticos e mandato de cinco anos sem reeleição.

Questionado sobre o financiamento público, defendido pelo PT, o senador disse que só “faz sentido” com o voto em lista fechada, em que o eleitor vota no partido, que escolhe quem é eleito conforme as vagas obtidas.

Para o ex-presidente da República, o governo erra ao tentar apressar a realização de um plebiscito sobre questões que ainda nem foram definidas. “Os tribunais de justiça eleitoral disseram uma coisa verdadeira. O plebiscito não pode ser por uma manipulação para o povo votar, sem saber no que vai votar. Tem que haver uma discussão prévia, e isso eu não creio que seja viável antes de outubro, que é o prazo para que possa valer para o ano que vem”, disse.

FHC acrescentou que o fato de não ser possível realizar o plebiscito este ano, não inviabiliza que a reforma política seja discutida no Congresso Nacional: “Está claro que o sistema político de hoje deixa a desejar. A reforma política é muito importante”.

Segundo Aécio, o encontro nesta sexta tem o objetivo de entender também o que se passa no Rio de Janeiro. “Também no Rio, nós temos que discutir um projeto, já que o PSDB não tem o comando da política do Rio de Janeiro […] Vamos discutir primeiro o que podemos propor de diferente e o palanque virá com maior naturalidade”, disse Aécio, se esquivando de dar um nome para representar o partido nas eleições ao governo do estado do Rio.

Viagens em aviões da FAB
Perguntado sobre o uso indevido de aviões da FAB pelos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o senador Aécio Neves afirmou que esse comportamento está em desacordo com os interesses do povo.

“É lamentável, uma desconexão absoluta com os sentimentos dos brasileiros hoje. A classe política, principalmente, precisa compreender que existe um Brasil novo, reivindicante, surgindo. E essa classe política tem que estar muito atenta a esse clamor, senão ela própria vai ser expelida”, disse o senador.

 

Fonte: G1

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